Depois De Tanto Tempo
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Eu abri a porta de casa, só para ver um vulto de cabelos loiros.
“Ciel! Que saudade!”
“Alois. Oi... Eu não estou respirando...” Ainda bem que eu também não preciso respirar.
“Ah, desculpa.” Ele me largou e sorriu, passando a mão pela franja enquanto olhava para mim, seus olhos pareciam estar brilhando de felicidade.
“Não há problema... Anda, entra.” Eu pisei para o lado para ele passar, gesticulando com minha mão para ele se apressar.
Alois murmurou um ‘obrigado’ e entrou, olhando em volta com óbvia curiosidade enquanto eu fechava a porta depois que ele passou.
“E então?”
“E então o que?” Eu perguntei de volta, encarando-o com pouco interesse.
“Por que você não foi à aula?”
“Eu falei, acordei atrasado.” Eu disse, suspirando enquanto massageei minhas têmporas.
“Bom, se você quiser, eu estou com meus cadernos aqui, então... Pode ficar com eles para copiar a matéria.”
“Eu quero sim.” Eu assenti e ele retirou a mochila dos ombros, abrindo-a e retirando dois cadernos grossos, provavelmente de 200 folhas cada.
Ele me entregou os cadernos e depois me olhou com uma expressão de estranhamento, a qual eu copiei.
“O que foi?”
Alois levou seus dedos, gentilmente tocando a parte da minha camisa embaixo da gola.
“Você está muito suado. O que estava fazendo? Normalmente você está sempre limpinho e cheiroso.”
...
Eu fiquei meio vermelho quando as imagens de pouco tempo atrás vieram a minha mente, me fazendo lembrar o porquê estava tão suado assim.
10 minutos atrás
“Ah! A-ah Sebastian! Uhnn...!” Eu gemia alto, segurando com força nos seus ombros enquanto me movia em seu membro, roçando nossos quadris de forma até vulgar.
“Ciel... Uhn...” Ele grunhia baixo, seus olhos fechados enquanto pequenas gotas de suor desciam pelo lado de sua face e eu ficava mais do que feliz em me abaixar para lambê-las, e meu próprio suor rolava por minhas costas, caindo no nosso (agora inutilizável) sofá.
Sentia suas mãos apertarem minhas nádegas, fazendo ainda mais pressão sobre sua própria ereção.
Eu, obviamente, já havia perdido nossa ‘aposta’ mas quem disse que eu me importo tanto assim?
“I-isso! Ah! A-aí! Nng!” Eu já estava praticamente gritando, sem poder evitar, e ao mesmo tempo em que eu não queria que nossos vizinhos escutassem, queria que eles soubessem que Sebastian era meu. E só meu. Aquelas... Aquelas prostitutas que ficam encarando-o quando ele passa, mesmo quando ele nem dá atenção. Hmph! Ele é meu e sempre vai ser.
“C-Ciel... Você continua tão... Apertado...”
Agora
“Nada. Só está muito quente.”
“Ciel... Está fazendo vinte graus...”
“Olha, eu estou com calor e fim de história.”
“Se você está dizendo.” Alois riu baixo e balançou a cabeça de leve. “E cadê o Sebastian?”
“Ah, bom, ele está lá em-”
Bem na hora, nós ouvimos sua voz.
“Ciel, você disse que queria tomar banho comigo. Eu posso ir ligando a água ou devo lhe esperar?”
Eu e Alois olhamos para cima, em direção à voz e vimos Sebastian no topo da escada olhando para nós.
Usando apenas uma toalha branca em volta dos quadris.
Maldito!
“Ah, Alois. Não sabia que você estava aqui.” Ele sorriu de forma apologética e gesticulou para a toalha branca.
“Perdão, se soubesse teria vestido algo mais apropriado.”
“N-não tem problema.” Ele gaguejou e sua face estava mais vermelha do que a minha estava.
Maldito! Como ele ousa aparecer assim? Ele sabia que o Alois estava aqui!
“Bom, então, peço licença aos dois.” Sebastian sorriu de novo e sumiu do nosso campo de visão.
Depois que ele se foi, Alois virou para mim e começou a me dar vários leves tapas nos ombros, com os olhos meio arregalados e ainda com o rosto vermelho.
“Sou seu fã!”
“... Ahn?”
“Ele não tem só um rosto de modelo, mas ainda tem um corpo de um! Não, melhor do que de um modelo!”
Não pude evitar e ri baixo. Se ele acha aquela forma bonita, ele tem que ver a forma verdadeira do Sebastian. Aquilo sim é algo verdadeiramente belo — não que eu esteja reclamando de sua forma humana-.
“Você é muito bobo.” Eu disse, levando minha mão aos seus cabelos, gentilmente bagunçando-os, o fazendo sorrir.
-
Depois de algum tempo sentados conversando na cozinha (eu não permiti de modo algum que ele fosse à sala, muito menos se aproximar do sofá), Alois tinha que ir embora e eu o acompanhei até a porta.
“Amanhã lhe entrego seus cadernos. Quais matérias tivemos hoje?”
“Bom, deixa-me ver...” Ele pôs o dedo indicador no queixo, numa pose pensativa, levemente franzindo a testa. “Bom, os dois primeiros horários foram redação, depois matemática da frente A, filosofia, física da frente B e por último, geografia da frente B. Copie tudo, ouviu?”
Eu ri baixo e assenti. É irônico o jeito que ele me trata, sendo que eu sou muito mais velho do que ele – mesmo sem ele saber -.
“Pode deixar.”
“Ah! E... Você não tinha que ter mentido.” Ele sorriu com um ar malicioso. “Eu já notei por que você não foi à aula.”
“Pois é... Ele não me deixou em paz...” Senti meu rosto esquentar e olhei para o chão, um tanto envergonhado.
“Você é muito sortudo... Ah! Falando nisso! Esqueci-me de te dizer...” Agora ele estava meio vermelho, mas ainda estava sorrindo, mas dessa vez, era um sorriso meio abobado...
“O que foi?”
“Claude me chamou para sair com ele.”
...
Filho da mãe.
“E?”
“E eu aceitei! Claro!” Ótimo, ele já estava começando a pular de novo.
“Fico feliz por você.” Eu disse isso, mas minha voz não tinha nem um pingo de entusiasmo.
“Notasse.” Ele falou sarcástico.
“É que... Olhe, apenas tenha cuidado. Não gosto muito dele.”
Se aquele ser fizer alguma coisa com Alois eu vou...
“Eu vou ter. Não se preocupe.” Ele sorriu e me abraçou.
“Obrigada por se importar.” Ele sussurrou no meu ouvido e sua voz era uma mistura de felicidade com angústia.
“Tchau, Ciel. Espero te ver amanhã na aula. Qualquer coisa chame a policia.” Ele brincou e sabe de uma coisa? Não era uma má ideia.
“Tchau, Alois.” Eu sorri levemente para ele e acenei, vendo-o ficar cada vez mais distante.
Eu fechei a porta e entrei, e Sebastian já estava no pé da escada me esperando.
Ele sorriu e abriu os braços para mim, mas eu apenas olhei feio.
“Você. Seu idiota!” Eu agarrei a gola de sua camisa preta e pude sentir meus olhos brilharem.
“Tenho que ter uma pequena conversa com você.” Eu disse com raiva e ciúmes de que alguém tinha visto seu corpo. E malícia. Ah, mas essa noite ele vai ver só.
Eu o puxei pela escada acima, com um meio sorriso no meu rosto e eu o escutei dizer:
“Eu adoro quando nós conversamos.”
E realmente era muito bom.
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