Depois De Naraku - InuYasha e Kagome
21 Aquele dia no outono
Notas iniciais
A noite estava calma e ventava pouco e as estrelas estavam mais lindas do que nunca, InuYasha, Kagome e Hikari dormiam calmamente. A pequena Hikari estava entre os dois sendo abraçada pela mãe. As duas estavam tranquilas, mas InuYasha não, ele sonhava com coisas que não queria lembrar.
Lembrava-se do dia em que a as folhas das arvores caiam no lugar onde morava com sua mãe anunciando o outono. Estava dentro do seu quarto dele e da mãe brincando com um pequeno peão e ouvia a mãe do lado de fora falando com a irmã.
- Você sabe que eu só deixo vocês aqui porque você é minha irmã Izayoi — dizia a tia de InuYasha
- Sei disso minha irmã. — respondia Izayoi um tanto triste
- Mas não deixe essa aberraçãozinha chegar perto de mim.
- Não deveria falar isso dele! Ele é um amor e não tem nada de aberração!! Ele é meu filho!
- Não faz diferença, continua sendo um híbrido, um hanyou. Se chichiue souber que deixo os dois aqui em minha casa, mesmo que nos menores aposentos, com certeza iria me deserdar ou fazer algo pior.
- Ainda não entendo como tem coragem de dizer isso para sua própria irmã.
- Papai ficou decepcionado com você... contava com você para gerar um descendente já que não posso ter filhos e você acabou se maculando.
- Eu não me maculei!! Apenas me apaixonei por alguém que não era humano e disso nasceu o pequeno InuYasha! Não vejo nada de errado nisso.
– Já eu vejo tudo de errado. — disse a irmã de Izayoi se retirando.
Aquela conversa deixava InuYasha triste mesmo que aos seus quatro anos ainda não entendesse muito do que elas falavam. Mas nesses anos todos, ele já havia entendido uma coisa, se ele não existisse a mãe poderia estar tendo uma vida muito melhor. Depois que a tia se foi, ele pode escutar sua mãe tossindo.
Izayoi entrou no pequeno quarto sentando-se ao lado do filho e dando-lhe um beijinho na testa.
– Está se divertindo com seu peão InuYasha? — perguntou Izayoi
InuYasha afirma brevemente com a cabeça e então se levanta e senta-se no colo de Izayoi.
– InuYasha, vai vir alguém aqui hoje. — disse ela tossindo de novo — por favor, vá brincar lá fora.
– É aquele homem de novo?
– Sim, é.
– O que ele vem fazer aqui?
– Erm... E-Eu... eu... conto-te depois. Você ainda é muito pequeno para entender. — disse ela dando-lhe um abraço e um beijo na bochecha.
Já do lado de fora, InuYasha sentou-se encostado em uma árvore ao notar que a mesma tinha frutos bem em cima, ele decidiu subir nela para pegar um deles para comer. Infelizmente fez isso na hora errada, pois Hideyoshi passava por ali segurando um coelho morto e um arco e flecha, estava caçando.
– Não sabia que cachorro subia em árvore — foi à primeira coisa que Hideyoshi disse ao ver InuYasha.
– ...
– Que foi? Arrancaram sua língua? Em vez de arrancarem apenas sua língua deveriam arrancar logo seu coração, você fica melhor morto.
Decidido a ignorar ele na esperança de que nada acontecesse, InuYasha evitava ao máximo responder. Mas essa tática de tentar evitar os maus tratos de Hideyoshi também não daria certo.
– EI! Ficou surdo? Eu to falando com você!
InuYasha sentou-se no galho esperando que ele se cansasse e fosse embora, mas isso não aconteceu. Fervendo de raiva, Hideyoshi pegou uma flecha e começou a mirar em InuYasha. Com os olhos arregalados, InuYasha conseguiu desviar da flecha que pegou de raspão em seu rosto mas quando desviou da mesma acabou perdendo o equilíbrio e acabou caindo do alto galho.
Com cara de dor, após ter caído de costas, InuYasha se sentou lentamente mas Hideyoshi deu-lhe um chute na mesma bochecha que estava cortada fazendo o menor voltar ao chão.
– Ouvi dizer que youkais se recuperam mais rápido... vamos fazer o teste se com você também é assim?
Segurando uma flecha com força, Hideyoshi começou a tentar enfiar ela em alguma parte do corpo de InuYasha que desesperado, tentava impedir isso segurando as mãos do outro e empurrando para longe.
– PARA! PARA! PARA! — gritava InuYasha.
– NÃO SEU MONSTRENGO! VOU TE DAR O QUE VOCÊ MERECE! VOCÊ NÃO MERECE ESTAR POR AQUI, NEM AO MENOS MERECE ESTAR VIVO!
Eles começaram algo como uma queda de braço enquanto InuYasha tentava afastar a flecha e Hideyoshi tentava chegar mais perto dele. Os dois começaram a ficar desesperados pois aquilo parecia nunca ter fim então Hideyoshi arriscou soltar uma das mãos e começou a socar InuYasha no rosto. InuYasha tentou segurar o braço dele, mas Hideyoshi desviava e o socava mais ainda até que num momento, não se sabe ao certo o que aconteceu em meio a tantos socos mas InuYasha acabou cortando Hideyoshi na bochecha com suas garras.
– ARGH! COMO OUSA? VOCÊ VAI VER AGORA!
Hideyoshi usou toda sua força junto com sua ira conseguindo se soltar de InuYasha, deu um soco nele e saiu correndo. InuYasha estava fraco e tonto, o que se lembrava depois disso eram apenas imagens distorcidas e desconexas mas se lembrava de um grupo de aldeões chegando desesperados, Hideyoshi chorando como uma pobre criancinha, Izayoi tentando argumentar com os aldeões enquanto pegava InuYasha no colo e Hideyoshi dando-lhe um sorriso maldoso ao ter certeza de que ninguém o olhava para que sua farsa ao se fingir de coitadinho não fosse desfeita.
InuYasha acordou sobressaltado e todo suado. Olhou para o lado e viu que Kagome e Hikari ainda dormiam e também notou que ainda era noite. Ele saiu da casa e se sentou no chão sentindo o vento e tentando varrer a lembrança que o sonho lhe trouxe. Ele não sabia quanto tempo passou ali, mas uma hora apareceu Kagome sentando-se ao seu lado.
– Não consegue dormir? — perguntou ela.
– Pesadelo. — respondeu ele.
– Não é normal você ter pesadelo...
– É mais uma lembrança na verdade.
– Pode contar pra mim se se sente a vontade pra isso. Você sabe que eu gosto muito de você e me preocupo InuYasha. — disse ela dando um beijinho na bochecha dele — Não gosto de ver você com essa cara.
InuYasha abriu um pequeno sorriso olhando pra ela com muito carinho e passando a mão gentilmente na bochecha dela, deu-lhe um beijo nos lábios o qual ela retribuiu.
– Eu também te amo Kagome.
– Vai me contar então.
– Se você não se importar de ouvir sobre meu passado.
– Sabe que gosto de saber mais coisas sobre você.
Ele soltou um suspiro, demorou alguns segundos para começar a contar enquanto se preparava pois não gostava de falar sobre seu passado. Olhando para o céu, ele contou tudo para ela, sobre o sonho e sobre quem ele e Hikari encontraram na floresta e ela ouviu sem interrompê-lo para que ele pudesse desabafar e lhe contar tudo o que havia acontecido.
Quando ele terminou de relatar as coisas para ela, ele imaginava quais seriam as reações possíveis dela. O silêncio reinou por alguns poucos segundos mas por mais que ele imaginasse como Kagome reagiria, ele não imaginava que seria daquele jeito.
– E UM IDIOTA COMO ESSES ESTÁ POR AQUI? – exclamou ela completamente irada como se Hideyoshi tivesse feito tudo àquilo com ela e não com InuYasha – NÃO PODEMOS DEIXAR ESSE HIDEYOSHI CHEGAR PERTO DAQUI! AH SE ELE CHEGAR... ELE VAI TER QUE SE VER COMIGO! COMO ALGUÉM PODE FAZER COISAS ASSIM COM UMA CRIANÇA?! E VOCÊ!! – disse ela apontando para InuYasha chegando ameaçadoramente bem perto. Ele já estava com medo dela no lugar de Hideyoshi – É BOM QUE VOCÊ NÃO FIQUE PARADO TAMBÉM! TRATE DE AO MENOS DAR UM SOCO NA CARA DELE QUE ESSE AI MERECE!
– K-Kagome... você vai acordar a Hikari....
– ARROGANTE, PRECONCEITUOSO, EGOCENTRICO! NÃO QUERO NEM IMAGINAR COMO DEPOIS DE 50 ANOS ELE AINDA TÁ JOVEM COMO VOCÊ DIZ! SÓ QUERO QUE ELE FIQUE BEM LONGE DAQUI — continuou ela parecendo não tento ouvido ele e como ele havia falado, logo escutaram o choro de Hikari.
– Viu! Eu ainda avisei!!
Depois de acalmar ao menos um pouco Kagome, os dois entraram para cuidar de Hikari. Kagome a pegou no colo e começou a tentar fazer com que ela voltasse a dormir enquanto a pequena segurava o kimono da mãe com suas pequenas e fofas mãozinhas. Quando Hikari dormiu, Kagome estava mais calma.
– Ele fez mesmo tudo àquilo que você disse? – perguntou ela falando baixo para não acordar novamente a filha.
– Acha que eu mentiria sobre uma coisa dessas?
– N-Não... vai acontecer o mesmo com a Hikari-chan né? – disse ela passando carinhosamente a mão nos cabelos brancos da pequena
– Não se preocupe... eu não vou deixar. – respondeu InuYasha colocando sua mão sobre a dela e dando um beijo na testa de Kagome.
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