Depois De Naraku - InuYasha e Kagome
22 Aquele dia no inverno
Notas iniciais
InuYasha conseguiu dormir um pouco mais tranquilo depois de desabafar com Kagome, no outro dia que amanheceu os três filhos de Sango e Miroku e Hikari brincavam alegremente sentados na grama sob a sombra de uma árvore. Uma das gêmeas brincava de boneca com Hikari enquanto a outra gêmea e o menino mais novo corriam rindo fugindo de Shippou que tentava os pegar. Hikari brincava com uma fofa boneca de pano que usava um lindo kimono, a boneca foi feita por sua avó, a mãe de Kagome, e Hikari gostava muito dessa boneca.
Enquanto os mais novos corriam e brincavam, Sango, Miroku, Kaede, InuYasha e Kagome conversavam e comiam uns Odango com chá, mas InuYasha ainda estava mais calado e sério que o normal.
- Que bicho te mordeu InuYasha? — perguntou Miroku.
- Não te interessa! — respondeu InuYasha nada educadamente.
- Humm... faz tempo que você não fica assim irritado. — comentou Sango — como as coisas andam mais tranquilas para a gente você tem estado mais calmo também.
- Principalmente depois que a Hikari nasceu — disse Kaede.
- Ele só não está tendo uma semana muito boa — disse Kagome sem graça.
- Aconteceu algo? — perguntou Sango.
- Nada que deva te interessar — disse InuYasha.
- InuYasha! — reprendeu Kagome.
- Tsc... tá... eu só vi alguém que eu não gosto muito. só falo isso e mais nada entendeu? — falou a ultima parte mais especificamente para Kagome para que ela não contasse mais coisas sobre Hideyoshi.
InuYasha suspirou pesadamente levemente irritado enquanto apoiava o rosto na mão meio emburrado. Ele olhou para as crianças brincando e não pode evitar lembrar-se de uma época em que ele tinha aproximadamente a mesma idade e reencontrar Hideyoshi parecia trazer a tona lembranças da infância de InuYasha, algumas boas, outras e na maioria ruins. Agora ele se lembrava de um dia em que ele estava no quarto enrolado no futon desenhando algo, estava frio e nevava do lado de fora. A mãe estava em outro cômodo discutindo algo com um velho que ia constantemente à casa deles e InuYasha as vezes se perguntava o porquê, mas a mãe nunca respondia.
Depois que a mãe passou algumas horas conversando com esse velho longe dos ouvidos do filho, ela voltou para o quarto dele e sorriu ao ver o desenho um tanto mal feito, assim como era esperado de crianças daquela idade, mas para ela era lindo. Ela se sentou ao lado dele olhando o desenho.
- O que desenhou InuYasha? — perguntou Izayoi tossindo um pouco antes de perguntar
- Você e eu — disse ele estendendo o desenho com um grande sorriso.
- Ficou lindo!! — exclamou Izayoi abraçando o filho e sentando-o em seu colo — Como hoje é seu aniversário de cinco anos, vou fazer seu prato favorito.
Ela ter falado isso já abriu um enorme sorriso no rosto do pequeno.
- Mesmo? — perguntou ele super animado
- Sim. Vamos comprar os ingredientes. — quando ela disse isso começou a tossir várias vezes.
- M-Mamãe, você tá está bem?
- T-Tudo bem... — disse ela logo depois tendo outra tosse — Deve ser o frio me deixando um pouco doente, não é nada.
O pequeno InuYasha acreditou nas palavras da mãe e logo depois, devidamente protegidos contra o frio, eles foram indo para o lugar perfeito para comprar o que precisavam. Izayoi foi indo para a pequena loja segurando a mão de InuYasha que tentava ao máximo se esconder ao ver os olhares de reprovação vindos dos aldeões.
Quando chegaram à pequena loja, uma outra mulher comprava lula, exatamente o que eles iriam comprar. Ao ver Izayoi com InuYasha, o dono da loja fechou a cara lançando um olhar sério e de puro desgosto. Quando Izayoi perguntou o preço, ele deu um valor maior do que havia falado para a mulher que havia acabado de sair e InuYasha percebeu isso.
- Porque pra gente é mais do que pra ela? — perguntou ele ao dono da loja que lhe ignorou completamente.
- Vai querer ou não vai querer? Ande logo, não quero vocês por aqui. — disse o dono da loja com desdém para Izayoi.
Enquanto os dois, Izayoi e o homem, conversavam tentando negociar o preço e também controlar a grosseira do dono, InuYasha notou um grupo de crianças que brincava ali perto com uma bola alegremente. Eram cerca de 13 crianças que riam e brincavam e ele, assim como uma criança normal, ficou com vontade de brincar também. Ele foi sorrindo correndo em direção ao pequeno grupo e algumas crianças o viram, cinco delas, dessa que o viram, três ficaram paralisadas e duas saíram correndo provavelmente atrás dos pais ou de um esconderijo.
- Posso brincar também? — perguntou InuYasha alegremente.
Quando as crianças restantes foram olhar quem falava tiveram a mesma reação das primeiras crianças, ficaram paralisadas, gritaram e corriam atrás dos pais. InuYasha as seguiu com o olhar, um olhar triste. As crianças desesperadas para fugir, acabaram deixando a bola para trás, o pequeno InuYasha foi até a bola, a fez ir levemente de um lado para o outro usando o pé com um olhar ainda meio deprimido. Deu uma olhada para a mãe e viu que ela ainda comprava os ingredientes e argumentava com o vendedor então ao olhar para a bola, ele decidiu brincar sozinho meio que tentando fazer umas embaixadinhas com a bola já que não tinha para quem jogar a bola.
Obviamente, teve uma hora que a bola conseguiu escapar e ele foi atrás dela só que antes que ele a pegasse, a bola bateu no pé de alguém que a pegou olhando para InuYasha com um olhar sério e até mesmo um tanto mal e ele não era o único que estava lá, os pais das crianças o encaravam como se um simples pedido para se juntar a brincadeira tivesse sido algo ruim. Os pais estavam a frente e as mães mais atrás com as crianças escondidas atrás agarradas ao kimono.
- Me devolve a bola moço — pediu InuYasha.
O homem simplesmente jogou para outro e este jogou para outro e isso foi se repetindo enquanto alguns riam ou então gritavam para InuYasha.
- Ande! Pegue a bola Hanyou! — dizia um.
- Não consegue ao menos pegar uma bola seu pequeno monstrinho? — dizia outro.
- Hanyou, você é uma aberração muito tola! Nem consegue ao menos pegar uma bola! — disse um ultimo jogando a bola longe.
InuYasha foi atrás da bola que quicava para longe do grupo que começou a ir embora rindo. O pequeno pegou a bola meio cabisbaixo até que percebeu o cheiro de alguém bem conhecido que chegou silenciosamente atrás dele. Ele se virou e viu sua mãe com um olhar de plena tristeza. Ele largou a bola e foi correndo até a mãe que se abaixou e o deu um quente abraço.
- Mamãe... — disse InuYasha — o que é Hanyou?
A mãe continuou em silêncio, mas o pequeno conseguiu ver a lágrima que escorreu pelo rosto da mãe.
- Mamãe... Porque você está chorando?
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