Notas iniciais
Olá gente! Estava sem fazer nada e quis fazer uma fic assim. Ela vai ser curtinho, provavelmente não passe dos 5 cap! Espero q os amantes de RxR curtam! ;D


Capítulo 1 – “Fodeu!”


“Eu vou morrer, eu vou morrer.”


É o que eu me repito enquanto ando apressado por esses corredores quase vazios. O professor me obrigara a ajudá-lo a carregar e arrumar coisas, parecia até estrategicamente armado para que eu perdesse o sinal de término das aulas e não tivesse uma viva alma para empurrar em meu caminho enquanto estivesse correndo do meu cruel destino.


“Será que aquele maldito mete medo até nos professores?”


Mas antes que eu explique o porquê do meu desespero todo, deixe-me me apresentar.


Eu sou Matsumoto Takanori, filho mais novo de uma família relativamente bem abastada com dinheiro e posses, mas infelizmente, ser o terceiro filho para um casal que já tem dois herdeiros não é de grande importância, até porque meus pais nunca estão em casa. Papai é ocupado demais com a empresa e as amantes, e mamãe ocupada demais com os amantes e as festas da alta sociedade. Por tais prioridades nunca foram de criar os próprios filhos, e como já tinham o meu brilhante e pau mandado irmão dez anos mais velho como herdeiro e orgulho, além da minha linda e cabeça oca irmã seis anos mais velha para se mostrarem, o baixinho revoltado de dezesseis anos aqui não recebia atenção. Na verdade nem meus irmãos receberam. Ao menos eles tinham meia dúzia de babás à disposição, pra mim fora reservada apenas uma senhora estranha e surda com um grave problema de miopia e cérebro de eficiência duvidosa. Em outras palavras... eu não tenho ninguém que olhe por mim.


Até tentei chamar atenção por um tempo, ser o melhor na escola quando era criança, até ver que isso não surtia resultado algum, papai e mamãe pouco ligavam para a vida escolar do caçula. Então mudei de abordagem nessas férias, decidi ser o típico filho rebelde, pintei meu cabelo de loiro, coloquei piercing na orelha, comecei a tocar instrumentos e infernizar em casa... pena que eles nunca ficavam tempo o suficiente dentro desta para se incomodarem, só tinha conseguido fazer inimizades entre os criados que já não iam muito com a minha cara. Aliás, ninguém vai muito com a minha cara.


Não reclamo de ser rico, ter dinheiro é legal... pena que ele não pode comprar tudo... como popularidade... ou minha vida. Não em uma escola onde todos os estudantes são tão ou mais ricos que você.


Quem dera que o problema fosse resolvido com dar o “dinheiro do meu lanche”. Só um milagre poderia me tirar dessa.


Eu até poderia pedir a ajuda de um amigo... se eu tivesse um. Mas como eu disse, eu não tenho ninguém que olhe por mim. Estou sozinho, e pelo jeito vou morrer sozinho... ou na melhor das hipóteses apenas levar uma boa surra e ficar em coma... tudo bem, estou sendo otimista. Eu vou morrer mesmo.


Pela primeira vez me arrependo de ter feito essas coisas para chamar a atenção, ao menos antes eu era invisível... o que eu não daria para voltar a ser invisível de novo.


Acho que já está na hora de eu contar por que diabos estou enrolando tanto falando sobre mim... bem, dizem que é bom ficar pensando sobre você mesmo e repassando suas atitudes e sua vida quando se está a beira da morte. Momento que provavelmente eu me encontre agora. Talvez seja inocência de mais pensar que se ele ainda não apareceu, quer dizer que talvez ele tenha esquecido?


Tudo começou semana passada, quando as aulas do primeiro ano da secundária começaram, todos os alunos já vieram do primário dessa mesma escola. É uma ótima rede de ensino, com bons professores, cara e freqüentada apenas por filhos de pessoas ricas, por isso não tinha muita alteração do ano anterior a não ser o uniforme azul escuro, que antes era em um tom de verde musgo. E foi ao começar as aulas que de repente o assunto “Quem é esse garoto?” apareceu. Assunto sobre mim, provavelmente pela mudança de visual... merda, eu estudei a minha vida inteira com esses putos e só porque pintei o cabelo fiquei visível? O fato é que eu ganhei minha primeira fama – por que antes eu não existia o suficiente para ter uma – “baixinho delinqüente”... eu nunca fui um delinqüente, por Kami, é só um cabelo.. e sim... talvez eu seja um pouquinho abaixo da média de altura de garotos da minha idade... só um pouquinho... ta, eu sou realmente abaixo da média, pronto, se vou morrer não tenho porque ficar me enganando.


Sendo verdade ou não, depois de dois dias eu já voltava ao esquecimento novamente... até um belo dia ELE por seus olhos em mim e decidir naquela cabeça também oxigenada que eu seria o mais novo alvo de suas provocações.


Quem é ELE?


Ele é Suzuki Akira, mais conhecido como Reita... filho e herdeiro de uma das maiores máfias de todo o Japão... estudo com ele desde os dez anos, quando ele entrou na escola. E agora, que faltava apenas três anos para o meu tormento terminar ele decide repentinamente se dar conta da minha existência.


Reita era o tipo de cara que todo mundo temia, e não só pelo pai dele poder mandar matar você e toda sua família, o garoto era assustador em si sem necessitar ajuda alguma do nome Suzuki. Não era o mais alto, mas era dez centímetros maior que eu, tinha braços modestamente fortes, mas que, de acordo com alguns poucos sobreviventes, batiam mais forte que uma rocha de cinqüenta quilos. Tinha o cabelo também descolorido, às vezes bagunçado, às vezes arrumado em um meio moicano e desde pequeno usava uma faixa sobre o nariz, amarrada atrás de sua cabeça... por quê? Alguns diziam que o pai dele tinha deformado seu rosto por alguma travessura quando era criança, outros diziam que ele tinha uma cicatriz de alguma briga ou até mesmo que aquilo era para evitar um genocídio já que boatos falavam que se ele não se gostasse do cheiro de alguém seria motivo suficiente para que ele tivesse o direito de espancar, torturar e cortar em pedaços essa pessoa.


E o fato é... de todos os milhares de alunos dessa escola ele decidiu implicar COMIGO.


Por quê? Por que um belo dia eu estava bebendo refrigerante e indo para o meu cantinho escondido atrás de uma moita da escola comer meu lanche forever alone como sempre, e ele estava lá... batendo em um garoto maior que ele.


Primeiramente me senti furioso por ver que meu santuário sagrado da solidão havia sido invadido, mas depois me dei conta da situação e decidi voltar, mas por obra do diabo, que com certeza quer queimar minha alma no inferno o mais rápido possível, a maldita a latinha caiu e fez um barulho não muito alto, mas audível para a audição quase assassina do Suzuki.


“Olhem só, mais gente querendo apanhar!” a voz grossa e debochada dele me fez congelar de costas “Vire-se e me encare, anão!”


Aquilo era uma ordem, mas se tem uma coisa que me deixa realmente estressado... e eu tenho que admitir, minha educação e cordialidade não são das melhores... é quando fazem brincadeira com a minha altura. Por isso provavelmente estava com a expressão errada quando o obedeci e o encarei, pois o estreitar dos orbes escuros atrás dos fios loiros me traduziam apenas uma coisa: “Fodeu, Takanori, Fodeu!”


“E-e-esse lugar é meu!” não sei de onde eu tirei a loucura de dizer aquilo, e ainda gaguejando para melhorar, mas o sorriso que ele deu ao ouvir minhas palavras não tinha nada que um sorriso deveria transmitir... sem dizer o fato de ele dar um último chute no coitado do garoto já ensangüentado ao chão antes de responder.


“O lugar é seu, hein? Então limpe a bagunça!” ditou ao vir em minha direção e eu fechei meus olhos já esperando minha morte certa quando ele simplesmente passou reto por mim e foi embora.


Acho que fiquei alguns minutos em estado catatônico antes de conseguir lembrar que eu deveria respirar para sobreviver e chamar uma enfermeira para cuidar do garoto inconsciente.


Depois daquele dia eu tentava evitar passar pelo mesmo lugar que ele, ou evitava qualquer chance de que ele me visse, por sorte não éramos da mesma sala já que ele era um ano mais velho que eu e estava um ano a frente também. E minha estratégia deu certo pelo resto daquela semana... até hoje.


Nesse lindo dia de tempo fechado nosso professor de educação física achou importante continuar as aulas programadas e pedir permissão para dividir o ginásio coberto com outra turma, já que se tratava apenas de um jogo simples de futebol. Eu não me importaria, sempre fui péssimo em qualquer esporte que tenha bola e fazia o mínimo para passar, geralmente ficando no banco de reserva até que não houvesse mais recursos e tivessem que me colocar em campo, nesse caso, quadra. Entretanto, a turma era do segundo ano... e era a turma DELE. Senti meu coração gelar e meu corpo tremer quando o vi entrar em quadra junto com os outros estudantes de sua sala, mas aparentemente ele não me viu, ou tinha esquecido do incidente da semana passada, eu rezava fervorosamente para que fosse a segunda opção.


Infelizmente ... hoje não parecia ser meu dia de sorte. Ninguém queria jogar contra o time que Reita estava, então muitos inventaram motivos para ficar no banco e irremediavelmente meu professor me empurrou para a quadra dizendo que não seria mais tolerante comigo e me reprovaria esse ano se eu não participasse mais. Eu não queria adiar o dia da minha liberdade, sonhava com o dia que não teria mais que vir a escola, não queria reprovar e ficar mais um ano naquele inferno. E foi por isso, que lá fui eu... otimista de que ELE teria esquecido completamente de tudo, deve ter muito mais caras para bater por aí. Porém, foi ao me aproximar lentamente do aglomerado de garotos que seriam o time adversário do time DELE que seus olhos me fitaram e eu soube... ELE não tinha esquecido.


“FODEU”


Por maldade do destino e de meus “companheiros” de time eu fui selecionado para ser o goleiro, ou “saco de boladas”, da partida e segui esse meu papel fielmente, levando boladas e boladas na cabeça, barriga, pernas... e por provocação, tenho certeza, ele quem mais fazia finalizações em direção a mim. Sim, não em direção a rede, o objetivo do jogo parecia ter mudado para “Quem acerta mais boladas no baixinho delinqüente”.


E depois de um rosto inchado, dores no corpo e apenas mais dois minutos para acabar a minha tortura, foi onde minha sentença de óbito foi assinada.


Como esperado quem trazia a bola nos pés era ele, e em um chute extremamente forte o objeto redondo acertou bem nas MINHAS BOLAS, que confesso.... não são grande coisa, mas são bolas do mesmo jeito caralho, doeu pra burro.


Fui ao chão na mesma hora, levando minhas mãos à região por instinto, e a dor era tanta que eu não conseguia pensar mais em nada, por isso que cometi o pior erro da minha vida ao vociferar e gritar aquele tipo de praguejo.


–Seu... pinto pequeno desnarigado filho da PUTA! – xinguei ao ainda me contorcer, mas percebi que a aura do local havia estranhamente escurecido, um silêncio fazendo back vocal aos meus grunhidos de dor e então a voz do professor nos mandando ir para o vestiário.


Levantei com dificuldade, fui mancando para o local indicado, e foi quando adentrei o lugar que novamente as conversas paralelas se findaram e o silêncio voltou a reinar, pares de olhos me fitando enquanto eu andava de modo engraçado até o meu armário para buscar as minhas coisas para um banho. Por que depois de seis anos de repente eu tinha uma visibilidade quase em sinal HD?


Abaixei minha cabeça e fui direto pra minha porta, abrindo-a e puxando minha toalha, sabonete e uniforme dali quando o som estrondoso do armário sendo batido e a respiração quase demoníaca me fez petrificar.


“Aproveite suas últimas horas, Takanori, hoje depois da aula, eu te acho!” – fora o que ele falou ao pé do meu ouvido e ainda que logo após ele tenha saído eu continuei imóvel, tremendo e ouvindo os sussurros de “Ele já era”, “O Reita vai matá-lo”, “Mas também, ouviu o que ele gritou?”.


Fui pro box de banho ainda estremecendo e tomei minha ducha de modo estranhamente lento, querendo que o tempo passasse devagar, muito devagar.


“Eu vou morrer”


Durante as três aulas restantes eu tinha armado um plano de fuga: correr o mais rápido que eu pudesse até a estação de metrô, empurrar qualquer aluno na frente dele se ele viesse correndo atrás de mim, me agarrar em alguma idosa no vagão se ele por algum acaso chegasse a entrar no mesmo trem que eu e correr na velocidade da luz para dentro de casa, onde ao menos os seguranças e os cães de guarda pudessem me proteger... ou não. Mas eu não tinha plano melhor.


Porém, por obra do destino, ou por armação, o professor de matemática me “pediu” para ajudá-lo a carregar suas coisas, e ainda explorou meu trabalho ao me enrolar pedindo que eu organizasse algumas tarefas para ele e em troca me daria nota extra... eu não precisava de nota extra se iria morrer em alguns minutos, mas senti que se dissesse não ele me reprovaria direto ou ao menos faria questão de colocar as questões mais difíceis na minha prova. Além disso, pensei que seria bom manter um professor por perto... quem sabe isso não me garantiria ao menos algum tipo de proteção. Mas foi ao ouvir o “Pode ir Matsumoto-kun, eu tenho mais coisas para resolver” e ser praticamente expulso da sala dele que eu tive a certeza que estava mais ferrado ainda.


E é isso que me traz até aqui, apertando minha pasta contra meu corpo e andando em passos rápidos, olhando para os lados para ver se nenhum dos pouquíssimos estudantes que ainda estão pelos corredores é ELE, ou se acaso ELE brota da parede ou do chão sei lá.


Já consigo ver as portas duplas de saída do prédio, talvez ele tenha achado perda de tempo ficar esperando apenas para poder espancar e assassinar alguém como eu? Eu sou um cara otimista, então...


“Morri!”


Foi o que pensei quando vi a figura enfaixada e alta se colocar na frente das portas abertas.


–Takanori – ele sibilou em uma voz divertida, eu só queria saber como diabos ele sabia meu nome – te dou três segundos para correr, é mais divertido quando fogem – ele continuou em um tom medonho e eu não esperei nem mesmo ele dizer o “1” para dar meia volta e disparar pelos corredores, correndo desesperado para lugar algum, só me importando em fugir para o mais longe possível.


Depois de um tempo ouvi passos corridos atrás de mim e soube que ele estava se aproximando, o ruim é que, para completar o azar, na afobação acabei virando em um corredor sem saída lá pelo último andar, já completamente vazio. E foi ao tentar voltar para seguir outro caminho que vi que ele já estava próximo e não daria tempo, por isso segui reto e entrei no banheiro ao final do corredor, fechando a porta atrás de mim e me escondendo em um dos boxes, subindo em cima da tampa da privada, me encolhendo com a minha pasta ainda nos braços e rezando para que ele desistisse ou simplesmente não tivesse me visto entrar ali.


Mas foi ao ouvir o som da porta sendo escancarada e novamente fechada que eu soube que milagres não aconteceriam hoje.


Tampei minha boca para diminuir o som de minha respiração arfada pelo cansaço de correr e pelo medo. Me abracei mais tentando fazer meu corpo parar de tremer enquanto ouvia os passos lentos pelo azulejo do banheiro e que iam se aproximando até pararem em frente a porta do box que eu estava. Olhei para baixo e consegui ver o preto do coturno que ele usava e talvez fosse o desespero, mas até mesmo conseguia ouvir a respiração dele levemente arfada do outro lado. Seria sorte demais achar que alguém entraria naquele momento ou que o ferrolho frágil da porta o impediria. Como de fato não impediu, já que bastou apenas dois empurrões para que o ferrolho cedesse e a porta de abrisse de maneira brusca. Fechei meus olhos no momento e escondi mais minha cabeça entre os meus joelhos, já esperando um soco, porém, tudo que senti foi uma mão ríspida puxando meu cabelo, me forçando a levantar a cabeça e me arrancando um resmungo de dor.


–Takanori – sorriu demoníaco para mim.


–P-p-por favor... não me bate – pedi em um quase sussurro, eu tinha visto como ficava um garoto depois de levar uma surra dele... não queria acabar daquele jeito, isso se ele não me matasse.

–Oh! Sem ofensas agora? – ele provocou sadicamente, puxando mais meu cabelo e me forçando a ficar de pé no box apertado, girando meu corpo e encostando minhas costas na parede lateral, preparando o punho direito para um soco bem dado no meu rosto. Deixei minha pasta cair e levei minhas mãos abertas em frente a minha face para me proteger.


–Por favor, eu faço qualquer coisa, eu te dou dinheiro, te dou meu dever de casa, eu peço desculpas na frente de todo mundo, mudo de escola, de cidade, de país se você quiser... – comecei a implorar vergonhosamente, mas era aquilo ou uma semana sem levantar da cama –... por favor, foi sem querer, eu não disse por mal, eu peço desculpas... qualquer coisa...


Abri meu olho esquerdo um pouco e olhei por entre as frestas dos meus dedos quando não senti o golpe, esperançoso de que ele estivesse cogitando alguma das minhas opções. Suzuki parecia sério, me olhava como se estivesse pensando em algo e sinceramente aquele olhar dele me assustava. Mas ainda assim fiquei aliviado em de algum modo ele ainda não ter começado a me espancar, por isso abaixei minhas mãos com cuidado e respirei fundo, tentando não manter contato visual com ele.


–D-desculpe pelo o que eu disse, e-e-eu não sei o que deu em mim, estava doendo muito e... desculpe – tentei falar da maneira menos gaguejada que consegui.


Reita sorriu de lado e se encostou na parede lateral oposta, cruzando os braços e me analisando com um sorriso mínimo de lado.


–Vou te dar duas opções Takanori : ou sua boca ou sua cara, o que você escolhe? – ditou firme após alguns segundos.


–Hã? N-n-não entendi... – gaguejei em resposta e ele apenas ampliou mais o sorriso que nem de longe significaria algo bom.


Meus olhos acompanharam alarmados e curiosos suas mãos se descruzarem e irem para o cinto de sua calça, desafivelando-o. Logo os dedos abriram o botão e desceram o zíper, mostrando o pano fino de uma peça íntima de cor cinza ali. Voltei ao mirar os orbes escuros atrás das mechas loiras, pedindo uma explicação para aquilo. Não poderia ser o que eu estava pensando.


–Eu tenho que te fazer pagar por me chamar de “pinto pequeno filho de uma puta” de algum modo, não? – começou a explicar de modo sério e até mesmo divertido – ou eu quebro a sua cara e provavelmente um braço e umas costelas, ou você me chupa e me faz gozar – ditou, voltando a cruzar os braços, me deixando fitando sua calça aberta ainda sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.


–V-v-você é gay? – antes que eu conseguisse segurar já tinha saído e eu me dei socos mentais por abrir minha boca.


–Mais uma palavra e vou querer seu rabo também, Takanori – ele vociferou em uma expressão fechada e eu tremi com aquilo – escolha logo, eu não tenho o dia todo, vai me chupar ou prefere ficar uma semana de cama?


Minha respiração congelou e senti gelo correr em minhas veias, ele estava mesmo me propondo aquilo? Pela sua expressão estava claro que aquilo não era uma brincadeira. Merda! O que eu faço? Aceito ser espancado ou chupo o pau dele? Com certeza doeria mais ser espancado, mas eu não quero chupar um pinto, se fosse pra chupar um pau que fosse o meu, e isso eu não dou conta de fazer então...


–Rápido! – ele apressou e eu ainda não tinha decido qual das duas opções era menos horrível.


Eu não quero ser espancado, não quero nenhum dos meus amados bracinhos ou de minhas lindas costelas quebrado ou ficar de cama... chupar um pau não deve ser tão ruim, é só um pau, o máximo que ele pode fazer é meter na sua garganta e te engasgar... se bem que ele pode me matar asfixiado e... hã? Asfixiado por um pau?


–Takanori, está brincando com a sorte – ele novamente argüiu e eu comecei a suar frio.



É só um pau Takanori, você não vai ser gay por isso, tudo bem que você nem se quer beijou uma garota ainda e... droga não acredito que meu primeiro beijo vai ser no pinto de alguém. Merda de vida... você não tem outra escolha... que dizer, tem... ou isso ou ficar inconsciente de tanto apanhar... de quebra ter um braço e umas costelas quebradas... Ok, ninguém vai saber, ele não se arriscaria a espalhar sua “preferência” por aí e... não é como se você tivesse alguma imagem, valor ou moral a zelar...


–V-você promete? – perguntei, meio receoso do olhar franzido dele pra mim piorar.


–Hã?


–P-p-promete que não vai me bater d-d-epois que eu... t-t-te chupar? – questionei, tremendo diante dos orbes assassinos dele.


–Se você for bom eu prometo não te bater, por hoje – ele assentiu em um sorriso sádico e eu comecei a entrar em desespero por ter uma garantia tão ridícula quanto aquela, do que valeria a palavra de alguém da Yakuza?


Mas eu não tinha outra escolha.


Fechei meus olhos e me coloquei de joelhos, ficando bem de frente para o membro escondido dele, minhas mãos tremiam e eu me segurava muito para não chorar. “Não acredito que vou ter que fazer isso”


Merda de vida!


Levei minha mão ao contorno ainda adormecido e massageei com lentidão, se eu conseguisse fazê-lo gozar só com a minha mão seria menos humilhante e...


–Eu disse para me chupar, Takanori, use a boca e tire você mesmo seu prêmio pra fora – ordenou ao usar uma das mãos para empurrar minha nuca, me fazendo sentir um cheiro estranho daquela região.


Respirei fundo novamente e fechei os olhos, levando os dedos das minhas mãos ao cós da boxer cinza , abaixando-a rapidamente. Abri os olhos quando senti o pedaço de músculo semi-rígido tocar em minha face e recuei instintivamente em asco. “Merda!É grande!”


Foi impossível não pensar aquilo... não ia caber na minha boca de jeito nenhum e, se ele ainda não tava totalmente duro e já tava daquele tamanho...


Fui tirado dos meus pensamentos quando ouvi a risada debochada dele.


–Quem era pinto pequeno mesmo? – provocou em uma pergunta retórica , novamente emaranhando os dígitos no meu cabelo de modo ríspido e forçando minha cabeça a se aproximar da semi-ereção, o cheiro estranho invadindo minhas narinas e meus olhos se arregalando. Segurei em suas coxas para que minha boca não fosse de encontro com a extensão do músculo e o senti estremecer em minhas palmas momentaneamente, o pênis dando uma pulsada, só então percebi que meus polegares haviam segurado em sua virilha.


Eu sabia que já devia estar que nem um tomate de vermelho aquela hora, mas de alguma forma levantei meus olhos para ele e encarei mais uma vez os orbes atrás dos fios loiros... estavam... desejosos? Excitados?


Como que por hipnose deixei minhas mãos massagearem a região erógena e, sem ser capaz de desviar meu olhar, minha língua se pronunciou para fora de minha boca, tocando o membro logo a frente, descendo para a glande e então um gosto azedo se fez presente no meu paladar, mas... eu não odiei, parecia até mesmo... gostoso?


Fechei os olhos e minha mente se pôs em branco, suguei a cabeça com vontade e minhas mãos correram para abaixar mais a calça e a peça intima, para que pudessem tocar a pele fina da virilha sem impedimentos. Senti o corpo dele escorregar levemente com aquilo e as pernas se afastaram mais, me dando total espaço para tentar colocar mais do falo já rígido em minha boca.


“Merda! O que estou fazendo?”


Eu me negava a acreditar , mas eu estava gostando... chupar um pau... eu estava gostando de chupar o pau de um cara.


Deixei uma das minhas mãos brincarem com os testículos dele e a outra foi involuntariamente para a minha calça, apertei minha própria ereção por cima do tecido e liguei o “foda-se”, estava excitado, ele estava excitado, quando a gente gozasse aquilo estaria acabado e ninguém saberia que fizemos aquilo.

Abocanhei mais do membro avantajado e me esforcei de um jeito estranho para movimentar a minha boca de modo continuo, ainda que não conseguisse engoli-lo até o talo. Parei de acariciar suas bolas para conseguir abrir minhas calças e retirar meu falo para fora de minha cueca, começando a me masturbar, desesperado por prazer também. Se bem que sentir o volume dentro de minha boca me dava um estímulo estranho e ouvir o que eu achava serem grunhidos de aprovação me davam choques pelo corpo. Eu, Matsumoto Takanori, 16 anos, 1,61 m, estava oficialmente me deliciando ao chupar o pênis de um garoto.


Merda! Será que eu era gay? Desde quando?


–Hum... – um gemido mais rouco chegou aos os meus ouvidos, e eu não resisti à curiosidade, tive que abrir meus olhos e espiar o rosto dele. Corei quando encarei os olhos bem atentos a mim, engolindo o membro dele daquele jeito, mas de certo modo foi... excitante. Senti os dedos dele novamente me puxarem os cabelos e quis gemer com aquilo, ainda bem que o volume em minha boca o abafou.

Logo as duas mãos estavam apertando minhas madeixas da nuca e então seus braços começaram a forçar um ritmo mais rápido, fazendo a glande penetrar minha garganta com força, machucando e me fazendo engasgar, mas ainda assim ele não parou e eu tive que tentar respirar pelo nariz com desespero. Meus dedos também estavam mais rápidos em minha ereção, e sentia que estava próximo de gozar, por isso fechei meus olhos e apenas me deliciei com minha auto-carícia e aquele pedaço duro de carne me fodendo a boca.


–Tsc... humm... – ele grunhiu e eu senti seu quadril se freneticar rapidamente para então liberar todo aquele liquido azedo em minha garganta, me fazendo engoli-lo. Logo em seguida meu baixo ventre fisgou, meu próprio gozo me sujando as mãos e o chão. O membro flácido ainda se movimentando entre meus dentes e em minha língua, espalhando mais do gosto azedado, até suas mãos puxarem minha cabeça para trás, o falo mole saindo de minha boca.


Sentei sobre meus calcanhares e deixei minhas costas se apoiarem na parede lateral, respirando rápido por ar, sentindo os cantos dos meus lábios arderem e uma leve dormência em minhas amídalas. Abri meus olhos e ele também arfava, me encarando de um jeito estranho, mas que me fizera estremecer... e tenho que confessar, não foi de medo. Corei quando o sorriso mínimo de lado se abriu e ele começou a se recompor, voltando a intimidade para dentro das roupas e afivelando o cinto. Abaixei minha cabeça e fiz o mesmo com a minha. Envergonhado. Que merda eu tinha feito? Por que gozei chupando ELE?


Minhas pernas estavam meio bambas e eu estava com vergonha demais para levantar meu olhar, porém senti a mão de modo estranhamente gentil em minha face e quando ergui meu rosto ele também estava abaixado, em minha frente, seus lábios próximos dos meus e num movimento inocente eu tornei a fechar minhas pálpebras, sentindo a boca dele se encostar na minha e a língua me invadir de modo rápido.

Meu primeiro beijo. Meu primeiro beijo estava sendo com um garoto, com um garoto que havia me ameaçado e me forçado a chupá-lo naquele momento.

Ele parou o ósculo com um selinho e sorriu... eu devo ser realmente muito burro, idiota e ridículo por me sentir derreter com aquilo. Que porra aconteceu contigo Takanori?


E sem dizer nada ele se levantou e saiu, fechando a porta do box logo atrás de si. Ouvi seus passos se distanciarem e então o som da porta do banheiro se abrir e se fechar. Olhei para a minha pasta no chão e para o gozo fresco logo mais adiante dela... o meu gozo.


–Que merda foi essa?



Notas finais
Fim do primeiro capitulo? Review?
Bem, tenho outra fic pra atualizar, então não sei com vai ficar a atualização desta. Vai depender da aceitação eu acho.
Por isso...review?