Depois Da Aula
2 Merda!
Notas iniciais
Caítulo 2 – “Merda!”
O volume em minha boca, a cabeça tocando minha garganta, o gostinho meio azedo, a pele fina de veias altas roçando em meus lábios... “Hum.. isso é bom!”
“...ou sua boca ou sua cara, o que você escolhe?” a voz perguntou.
“Minha boca, coloque tudo pra dentro da minha boca... ah... me deixe engolir tudo...” e essa voz era minha... minha? MINHA?
The beautiful devil on the bed
Tempt me by masturbation
The beautiful devil on the bed...
Era o despertador do meu celular, tateei a cômoda ao lado até desligá-lo. Abri meus olhos de maneira assustada. Senti a presença de algo entre meus dentes e notei que mordia a falange do meu próprio dedo, isso sem contar na incômoda ereção mais abaixo.
–Merda! — xinguei ao me sentar de modo atordoado, encarando com ódio a protuberância na calça do meu pijama – dá pra parar de ficar duro com coisas como essas? – falei para o meu pau como se ele fosse realmente um ser com vontade e mente próprias no meu corpo – ou a boca ou a cara o cacete... tsc.
Me levantei, batendo pé até o banheiro luxuoso do meu quarto imenso, ou a minha casa, já que passava praticamente meu tempo todo ali. Enchi a banheira de água morna, não era por que o motivo da ereção fosse ridículo que eu tomaria banho com água fria. Eu me amo demais pra isso, afinal se eu não me amar, literalmente ninguém mais me amaria. Por isso fui lá, com raiva, mas fui, pro meu banho matinal morno, e sim, eu me masturbei durante ele, e não, não quero falar no que pensei quando cheguei ao orgasmo.
Tudo bem, Takanori, seja sincero consigo mesmo, você pensou em você chupando um maldito pau de 17 cm* , ok supere, você gosta de chupar paus... supere... supere... ser gay não é tão ruim, pense que ao menos caras são menos complicados que garotas e... pela porta de trás todo mundo é igual. Você pode lidar com isso, você não tem problema algum em comer um cara... “Mais uma palavra e vou querer seu rabo também, Takanori”... espera aí... se eu for gay... eu sou o passivo? E aquele pau de 17 cm ia pra minha...
–Eu não quero ser gay – murmurei em um estremecer medroso... eu não era gay, tenho que ser sincero comigo mesmo e admitir que gozei metendo um pinto na minha boca, mas... não quer dizer que eu queria pintos se metendo em outros buracos também... além disso eu nem tive uma experiência com alguma garota para ver se eu não sou chegado à fruta. Eu gosto de mulheres, gosto do corpo delas e tenho revistas e filmes pornôs como qualquer garoto normal da minha idade... talvez eu seja bi? – droga, era meu primeiro beijo... – resmunguei, não que eu tivesse guardando para alguém especial é só que, eu não quero que fique gravado na minha memória que meu primeiro beijo foi daquele jeito, não que tenha sido ruim, foi até doce, mas... poxa! Depois de minha boca ter sido esfolada por um pinto e no banheiro da escola... sem nenhum sentimento...
Me afundei na banheira, teria que sair logo ou me atrasaria pra escola, e se a escola era um inferno, aquela casa era pior. Não via a hora de terminar o ensino médio e ir pra faculdade, onde viveria nos dormitórios, bem longe de tudo ali.
Eu queria ir pra faculdade de artes, e a que eu queria ficava mais pro litoral, então eu viveria fora de casa e estudaria longe daqueles alunos... nenhum pai coloca o filho naquela escola querendo que ele se torne um artista plástico... os meus, bem... eles não se importavam o suficiente com a minha existência para ligar... ao menos para isso servia a indiferença deles. Eu poderia fazer o que eu quiser da minha vida, não era de todo mal.
Passei na cozinha e comecei a preparar o almoço que eu levaria, sob os olhares nada felizes dos empregados. Eles não gostavam de mim e eu não gostava deles, por isso eu sempre tratava de acordar mais cedo e preparar minha comida, não queria encontrar meu arroz molhado de cuspe que nem da última vez. Eu não era legal com eles, eles não eram legais comigo, viviam babando ovo dos meus irmãos e dos meus pais quando e se eles pisassem lá, mas pelas costas sempre falavam mal. Eu não me importava, contanto que nenhum deles ousasse invadir o meu quarto – que eu mesmo limpava – e tocar no que era meu, viveríamos em paz e falsamente felizes pra sempre.
Terminei, fiz minha marmita e coloquei alguns biscoitos dentro da minha pasta junto com os cadernos. Terminei de arrumar meu cabelo pelo espelho da sala de jantar e pensei se não seria melhor eu começar a usar delineador nos olhos... eles eram muito pequenos...
–Estou indo Fukoto-san – anunciei em tom exageradamente alto para a senhora surda e de óculos sentada no balcão da cozinha que era minha babá desde que eu nascera... acho que quando era pequeno ela ouvia melhor. Ela apenas me sorriu e assentiu, talvez ela fosse o mais próximo de alguém que se importasse comigo.
Passei pelas portas duplas da entrada, seguindo o caminho longo por entre o jardim da mansão. Os seguranças abriram o portão de ferro e eu continuei andando até a estação de metrô que não ficava muito longe do setor de condomínios de gente rica onde eu morava. Lembro que antigamente, quando eu era pequeno, talvez quando eu tinha cinco anos, tínhamos motorista para nos levar onde queríamos, mas nessa época meus pais passavam tempo em casa... como agora nunca ficavam lá... tinham dispensado, afinal pra quê ter tanto cuidado com o baixinho sem nada de muito atrativo ali? Eles já tinham seus dois expoentes da alta sociedade.
Mas eu não me importava com isso, com a mesada que recebia poderia contratar um se quisesse, porém eu não odiava caminhar até a escola e pegar metrô lotado... me fazia sentir estranhamente normal e vivo.
Segui o caminho normal até a escola, chegando cedo como sempre, não por ser um aluno dedicado, eu já tentei ser o melhor da turma, mas tenho um limite bem definido, era só por não querer ficar muito tempo em casa mesmo, e chegando mais cedo eu podia ficar mais tempo sozinho, sem ter que aturar os outros alunos. Fui direto pra minha sala, só teria que começar a me preocupar em tentar evitar o Suzuki depois, ele nunca fora do tipo que chegava cedo, na verdade, se não me engano, ele sempre chegava atrasado, só não matava aulas e não faltava com freqüência porque aparentemente a família dele o cobrava bons resultados. Felizmente eu não sei o que é ser alvo de expectativas de alguém e ser cobrado, fazia o que fazia por desejar me formar de uma vez.
Mas para a minha surpresa, quando abro a porta da minha sala, que já esperava estar fazia como sempre, meu cérebro congela... eu só posso estar dormindo ainda... tem que ser um pesadelo.
Pensei se ele me alcançaria se eu corresse naquele momento, mas pela a experiência de ontem eu sabia que provavelmente sim. Meus dedos estavam trêmulos no batente, eu não acreditava que no fundo daquela sala vazia, sentado na mesa da minha carteira estava nada mais e nada menos do que Suzuki Akira, o garoto mais temido dessa escola, o garoto que me fez passar o inferno de pavor ontem e acabou por me fazer chupar o pau dele e de quebra ainda dar o meu primeiro beijo. Ele olhava sério pra mim e eu sentia minhas veias pararem de bombear sangue.
“Merda!”
Mesmo sabendo que era inútil eu tentei me forçar a mover minhas pernas e me projetei para trás no intuito de fechar a porta e sair correndo.
–Corra e você morre! – a ordem grossa e rouca dele paralisou meu corpo mais uma vez e eu não consegui encarar seus olhos, abaixando minha cabeça. Merda de vida!
–E-e-eu... – tentei dizer alguma coisa, mas o que dizer em uma situação daquela? O que ele queria? Me bater ou me humilhar mais?
Ouvi os passos dos coturnos negros por cima do uniforme azul escuro se aproximarem e fechei meus olhos em antecipação. É agora, foder minha boca não foi o suficiente, ele vai me bater e me mandar pro hospital do mesmo jeito, droga! Do que adiantou chupá-lo então? Merda, a minha garganta ainda tava meio dolorida e...
–V-você vai me bater? – perguntei, me encolhendo inconscientemente, sem ter coragem para olhá-lo ainda. Abri meu olho direito e tentei levantar a cabeça só um pouquinho quando não senti nenhum golpe. Reita estava parado, muito próximo de mim, mas parado. Olhei pra cima e tentei encarar seus olhos só um pouco, mas desisti.
–Não, não vou te bater, só vim te avisar que você vai passar seu intervalo comigo, não fuja e não se esconda como eu sei que você pensou em fazer – ditou em um tom que notavelmente não permitia contestação.
“Droga! Como ele descobriu o meu plano?”
–H-hai – assenti, tinha a sensação de que se ousasse falar alguma coisa diferente daquilo iria acabar sem nenhum dente na boca ali mesmo.
E depois disso ele não falou mais nada, apenas passou pelo o lado da porta onde minha mão não estava apoiada e foi embora, em direção a sua própria sala do outro lado do andar. Logo ouvi vozes de mais alunos chegando e só percebi que não havia me movido do lugar quando uma garota esbarrou em mim e não pediu desculpas depois.
“Merda!”
O que ele queria? Como ele sabia a minha sala? O que diabos ele ainda queria comigo?
Passei as primeiras aulas torcendo para que o sinal do intervalo jamais batesse, isso não era muito comum, mas eu tinha quebrado umas três canetas só no nervosismo e no medo. O que ele queria dizer com “você vai passar seu intervalo comigo”... ele queria mais o quê? Queria que eu o chupasse mais? No meio da tarde e com a escola cheia? O que, agora eu ia virar boneca inflável dele? Que merda! Que merda! Que merda!... ele também poderia querer me bater ainda? Ah não! Eu não to com a porra da minha garganta ardendo pra no final ainda levar uma surra, que merda! Eu até chupei direito, ele gozou e eu até mesmo engoli tudo... merda por que eu tenho que lembrar disso? Que merda ele ainda quer de mim?
Tudo isso por eu ter pintado o cabelo? Vou voltar pro meu cabelo preto de sempre, melhor voltar a ser invisível e...
“Merda!”
O sinal do intervalo bateu, respire Takanori, calma, se ele quiser só uma chupada de novo você vai lá, chupa e pronto, você até gostou não é? Não, não... que isso, eu gostei, mas não quer dizer que queira fazer sempre... e se ele quiser me bater mesmo? Eu corro? Imploro? ... Espere, ele falou que eu tinha que passar o intervalo com ele, mas não falou onde... é pra eu ir na sala dele? Esperar ele aqui? Ah, caralho... que coisa gay foi essa?
Cruzei meus braços sobre a mesa e deixei minha cabeça se afundar entre eles. Vou ficar bem aqui, paradinho, esperando o tempo passar e tudo voltar a ser como era antes quando ninguém sabia quem era Matsumoto Takanori e ... silêncio? Desde quando esses alunos fazem silêncio em hora de intervalo?
Não, eu não tinha um bom pressentimento sobre aquilo. E lá fui eu, levantar a minha cabeça e olhar para a porta, só para confirmar a minha suspeita, o silêncio parecia dominar qualquer espaço em que ele entrasse e era justamente ELE quem estava parado na porta da minha sala, sério e aterrorizante como sempre... espere, aquilo na mão dele é... algo embrulhado... Kami, ele trouxe uma arma pra escola? Que diabos é aquilo? Acaso ele vai me matar? Mas eu o chupei direitinho, não chupei....? Não, a minha vida é uma merda, mas é uma merda que eu não odeio, eu quero continuar vivendo poxa, eu ainda nem perdi minha virgindade, ainda nem fiz os desenhos que eu queria, nem escrevi as músicas que eu queria...
–Takanori – ele chamou em seu tom “educado” de sempre, deixando claro que se eu não levantasse e não o seguisse naquele momento provavelmente poderia dizer adeus aos meus braços, pernas, costelas... cérebro.
Me levantei em um sobressalto e respirei fundo, tentando ignorar os olhares de “Ele vai morrer!” para mim. Peguei minhas coisas, tirei meu colete, estava calor – ele também estava sem do dele — e comecei caminhar da forma menos tremida que consegui, mas acho que dava pra perceber o estremecer do meu corpo pelos meus pés que não conseguiam se decidir quem ia na frente de quem e quem ia atrás de quem.
–Mais rápido Takanori – ele ordenou quando já saíamos do prédio principal, andando um pouco pelo o caminho deserto do jardim... pronto, ele vai mesmo me matar, está me levando pra parte isolada da escola e... espere... ele está indo para...
–Ei... esse é o meu lugar! – exclamei ao reconhecer a moita atrás do prédio, numa parte realmente isolada e calma, o meu cantinho da solidão onde eu vinha comer e pensar. Me tencionei quando o ouvi dar um risada convencida.
–Agora é nosso – foi o que estatuou e continuou a andar, se colocando justo atrás do amontoado de terra e grama coberto por alguma vegetação baixa, justo no MEU cantinho – sente-se – ordenou e os passos que eu dei pareciam ser os passos errados, já que ele me estreitou o olhar quando percebeu que eu não estava nada contente com o fato do MEU cantinho estar sendo ocupado por outra pessoa além de mim.
Tentei controlar minha maldita boca e meu maldito gênio e sentei ao seu lado, o mais distante possível.
–Mais perto – ele ditou e eu deixei um suspiro afrontado escapar antes de obedecê-lo e sentar-me mais perto dele, há poucos centímetros na verdade. Por sorte ele pareceu ignorar aquilo e pegou seu embrulho. Meus olhos se alarmaram na mesma hora... era agora, ele ia pegar a arma e estourar minha cabeça e... espere, isso é... uma marmita?
–Etto... – deixei minha pergunta não formulada sair de minha garganta e ele me encarou, no mesmo instante desisti de perguntar qualquer coisa que fosse.
–Não vai comer, ou não trouxe comida? – questionou para mim.
–Hã?... ah... sim, eu trouxe, eu mesmo fiz e... – parei de falar e virei para a minha pasta, puxando o meu próprio embrulho para fora e abrindo-o, revelando o meu almoço simples de arroz, legumes e alguns pedaços de carne cozida e enrolada em alga. Pensei em comer logo, mas parei assim que percebi que ele encarava a minha comida... qual é, sério que eu teria que “dar o meu lanche” pra ele? Quantos anos nós tínhamos? Foi então que olhei para a comida dele, e ela era sem dúvida melhor que a minha, cheia de coisas e pratos complicados... – nossa! Quanta coisa! – não segurei a exclamação – v-você quem fez? – perguntei, por curiosidade mesmo, Reita não era o tipo de cara que eu imaginaria na cozinha fazendo algo.
–Não, os empregados do meu pai fizeram – ele respondeu, ainda sem tirar o olho da minha pobre e simples comida de quem sabe cozinhar o básico – você fez mesmo a sua?
–Hã? Sim ... – assenti, meio receoso do porque ele estaria perguntando aquilo – é que eu não gosto da comida dos empregados então...
–Posso provar? – ele pediu em um tom que parecia mais uma ordem que um pedido, mas vindo de alguém como ele... era um milagre.
–P-pode – afirmei, estendendo minha vasilha para que ele pegasse o que queria. Logo ele repetiu um “Itadakimasu”* baixo e usou seus hachis para pegar um pouco da carne e do arroz, levando a boca e mastigando com uma expressão séria... por que diabos eu estava ansioso pra saber a opinião dele?
–Gostoso! – Ele falou após engolir, tornando a pegar mais um pouco – você cozinha bem – elogiou em seu tom sério e de boca ainda parcialmente cheia.
–Et-to... obrigado! – agradeci, me sentindo corar e confuso com o que diabos estava se passando ali.
–Quer provar da minha? – e quando me virei para entender melhor a sua pergunta ele já estava com seus hachis apontados para mim, com um bolinho de alguma coisa. Abri a minha boca por reflexo e ele terminou de colocar a comida em meu paladar. Mastiguei o alimento e senti o gosto salgado.
–Gostoso! – assenti em um sorriso estranho, nunca ninguém tinha me dado comida na boca antes, bem, a não ser minha babá quando eu tinha três anos de idade. Era estranho que eu estivesse fazendo aquilo justamente com ele, com aquele tipo de cara.
–V-vou comprar bebidas! – ele estatuou e se levantou de modo rápido, me assustando e me fazendo esperar algum ataque, mas simplesmente se afastou em uma corrida rápida em direção ao prédio da escola.
Fiquei um tempo sem saber o que fazer, e decidi apenas por continuar o meu almoço, roubando mais um daqueles bolinhos da vasilha dele... bem, ele não sentiria falta, sentiria?
–Toma! – me sobressaltei quando ouvi sua voz novamente e o encarei já ao meu lado, me estendendo uma latinha de refrigerante.
–O-obrigado – agradeci novamente, meio indeciso se deveria ou não aceitar “bebidas de estranho”, ainda mais de alguém da máfia. Ele se sentou novamente e voltou a comer sua própria comida em silêncio. Mas se ele tinha apenas comprado acho que não teria perigo, e estava bem lacrada. Abri a latinha e tomei um gole, olhando-o com minha visão periférica, ele ainda comia tranquilamente... então era apenas isso? Ele só queria companhia para comer? Nada de chupadas, nada de surras?
Sorri minimamente com aquilo, aliviado de certo modo... parecia irreal estar em um situação assim, logo eu que sempre fui invisível e logo ele que sempre foi simplesmente o REITA, almoçando juntos e trocando comidas?
Parei de beber o refrigerante, só então percebendo que o dele era de sabor diferente, mas que o meu era justamente o sabor que eu sempre comprava... ele é vidente?
–Neh... – tomei coragem para perguntar algumas coisas, ele parecia estar bem menos aterrorizante daquele jeito – por que isso?
–Por que o que? – ele inquiriu em calma, deixando sua vasilha de lado e também abrindo seu refrigerante.
–Por que quer que eu passe o intervalo com você? – fui mais específico.
–É isso que namorados fazem – ele deu de ombros enquanto tomava um gole longo da bebida.
–Ah sim, entendo.... HÃ? – interroguei em um tom mais alto do que queria, fazendo seu olhar se estreitar para mim.
–Namorados passam seus intervalos juntos – ele repetiu – e você é meu namorado, por isso tem que passar todos os intervalos comigo.
“Hã?”
–C-como assim, eu sou seu namorado? Por quê? – continuei a aumentar a minha voz, não acreditando no que meus ouvidos escutavam.
–Por que eu quero, e a gente se beijou, até fizemos um tipo de sexo – ele estatuou em um franzir de cenho, mas eu estava ocupado demais tentando entender algo ali para me sentir amedrontado por aquilo.
–V-você me obrigou e... – argumentei, meio desesperado, como assim de repente eu era namorado de um garoto? Como assim eu era namorado DELE? — ...e você não perguntou nada, eu não aceitei nada e... – parei de falar quando senti que realmente o olhar dele não estava ficando nada amigável, e aquela faixa no nariz só piorava a expressão raivosa dele.
–Se é por falta de pergunta: quer namorar comigo? – ele sibilou em um vociferar grave, fazendo até mesmo o ar ao lado tremer um pouco... não tinha como dizer não... se eu dissesse ele me mataria, com certeza me mataria...
Apenas concordei afirmativamente com a cabeça de um jeito meio frenético e assustado. Ele desfranziu o cenho e sorriu de lado, deixando a latinha no chão e levando a mão até a parte da frente do meu uniforme, me puxando em um solavanco. Logo seus lábios estavam cobrindo os meus e sua língua se enlaçando na minha, misturando nossas salivas.
“Merda!”
Ele beijava bem.
Só percebi que meu corpo deitava quando senti o chão em minhas costas, a grama tocando em minha nuca e então um peso se fez em meu baixo ventre, entre minhas pernas e... se eu reconheço bem esse volume... Porra, ele já ta duro?
–Hum, hum.. hum – grunhia entre o ósculo, tentando pedir para que parasse, o que diabos ele estava tentando fazer? Eu não quero ser gay, não quero, não quero ter pintos se enfiando em mim e... muito menos pintos de 17 cm... – para... – consegui falar quando sua boca libertou a minha, mas ele apenas respondeu no mesmo sorriso de lado, dessa vez atacando o meu pescoço em uma mordida que eu sabia que deixaria marca, pois doeu mesmo – ah, seu... – me forcei a tampar a boca antes que acabasse soltando merda e piorasse a situação – sai de cima de mim...
–Namorados também fazem isso – ele sussurrou em meu ouvido e eu instintivamente fechei meus olhos, um arrepio subindo pelo meu corpo e mordi meu lábio para conter um vergonhoso gemido que ameaçou sair pela minha garganta. Seus dentes voltaram a pinçar a pele do meu pescoço e seu peso se fez presente sobre o meu de modo leve, já que ele ainda se apoiava nos braços que faziam um cerco em minha cabeça. Os dentes foram substituídos pela língua e tenho que admitir que aquilo era gostoso, quer dizer, nunca tinham feito aquilo em mim antes e...
–Hummm... – grunhi com a mordida molhada no lóbulo de minha orelha e não agüentei, liguei o “foda-se”, eu não ia conseguir ir contra ele mesmo, que ao menos fosse gostoso pra mim também. Puxei seu tronco pela cintura com as duas mãos, chocando mais a ereção dele contra a minha, eu também já estava excitado. Abri minhas pernas para melhorar o contato e amaldiçoei aquele tanto de pano, levantei meus joelhos um pouco e comecei a me esfregar ali com lentidão, mas força... eu só queria gozar e...
–humm – ele gemeu baixo em meu ouvido ... merda! merda! merda! Por que isso foi tão bom? – você gosta, não gosta? – sussurrou e voltou a morder a região bem atrás de minha orelha, me fazendo me esfregar nele com mais vontade... céus... não era possível... como aquilo podia ser tão bom?
–Merda de pano! – xinguei involuntariamente, mas não dando atenção a isso, queria logo gozar e não estava conseguindo por causa daqueles tecidos idiotas. Levei minhas mãos entre nossos corpos, ele se afastou momentaneamente para cima. Abri os botões debaixo da minha camiseta e a tirei de dentro da calça, abrindo o botão desta e descendo o zíper, puxei meu falo para fora de minha cueca e o massageei um pouco, urgindo com o alívio de tê-lo livre daquele aperto todo.
–O meu também – ele ordenou novamente em tom baixo, rente a minha orelha e eu estremeci em excitação... tenho que confessar... ele é sexy... muito sexy.
Obedeci, aliás, desde quando sou tão obediente? Desde quando sou gay e fico todo eriçado com outro pau?
O fato é que minhas mãos abriram o botão da calça dele, desceram o zíper e puxaram o pênis duro e úmido pra fora com tanto afinco que até mesmo eu me assustei com o quão rápido eu fiz aquilo. Ele voltou a lamber o meu pescoço e eu enlacei meus dedos em seu membro, masturbando-o enquanto o encostava contra o meu. Uma de suas mãos foi até minha cintura e levantou minha camiseta já semi-aberta, indo por baixo desta e pinçando um dos meus mamilos, gemi descaradamente com aquilo, tendo sua boca a abafar a minha no momento seguinte.
–Mais baixo – ele ditou e eu apenas assenti com a cabeça, mordendo meu lábio quando ele voltou a pinçar-me.
–Hum... –gemi abafado, sentindo seu membro pulsar mais contra o meu, crescendo e me cutucando. Ele começou a mover os quadris de modo mais violento e eu tentava desesperadamente mexer os meus e enlaçar com minhas duas mãos nossas ereções, me melando com o nosso pré-gozo, acariciando nossas glandes e aumentando o ritmo.
Seus orbes escuros me encararam e se fecharam antes de sua boca se juntar à minha mais uma vez, a troca de saliva e as respirações difíceis. A fricção embaixo, meu quadril se arremetendo que nem louco contra o dele que parecia estar na mesma situação e então... o orgasmo.
Ambos soltamos gemidos que se chocaram em nosso ósculo e ambos melamos não só nossas barrigas como também parte da camiseta branca do uniforme, nossos corpos parando aos poucos até que só restasse sua língua na minha, e seu gosto já completamente misturado ao meu. Ele novamente finalizou o beijo com um selinho e ao invés de sorrir, suspirou, fechando os olhos e apoiando sua cabeça ao lado da minha.
Nossas respirações ofegadas se normalizavam aos poucos e então eu encarei o céu aberto da tarde ensolarada... era um belo dia e... eu tinha acabado de quase transar com um garoto. Com o garoto que me ameaçou, me forçou a chupá-lo e agora me forçava a namorá-lo... Eu era oficialmente gay... e um gay comprometido ainda por cima.
“Merda!”
Notas finais
* frase q se fala antes de comer
Os trechos da música são de My Devil on The Bed - The GazettE ( sexo puro) kkkkkkkkkk
E Então gostaram? VOu responder ai reviews lindo mais tarde pa agora vou mimir!
Mais reviews? *-* Onegai?
Ah! Pro pessoal q lê Vijukei, eu vou atualizar a fic esse domingo ok?
Beijooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
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