Dentro De Mim
19 Capítulo 19
Notas iniciais
/História 2/Kame’s POV/
“Maldito Natsu! Por culpa dele não consigo me concentrar na aula!” Eu tentava prestar atenção nas palavras do professor, mas Natsu não saía de minha mente. Aquele rosto lindo, aquele corpo perfeito, eu precisava tocá-lo novamente.
Comecei a me condenar por ser um pervertido. Eu sei que Natsu está querendo me matar por fazer essas coisas, mas não consigo evitar. Ele é completamente irresistível.
– Ei Kame! – meu amigo Luki me tirou do devaneio – Me dá cola da atividade que o professor passou ontem?
– Pega aí – disse sem animação, estendendo meu caderno.
– Que mau humor é esse? Levou um fora foi? Hahaha! – ele brincou
Pensei um pouco, e depois respondi:
– Mais ou menos...
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/Natsu’s POV/
Finalmente o sinal para o intervalo tocou, então todos os alunos saíram de sala. Eu já estava preparado para receber uma certa garota voando em mim.
E como eu previ, Ayumi apareceu magicamente e se agarrou ao meu pescoço.
– Natsuuuu!!! – ela gritou histericamente enquanto dava vários beijos na minha bochecha.
– A-Ayumi-chan! – eu tentava empurrá-la – Está me machucando.
Ela deu uma risada alegre e se afastou um pouco de mim, porém, continuou agarrada ao meu braço.
É, todos os meus dias na escola têm sido assim. Eu não sei mais o que fazer para me livrar dessa garota. Eu já tentei terminar com ela várias vezes, mas toda vez que entro nesse assunto, ela faz um escândalo tão grande, que eu hesito em continuar.
O jeito é ter que aturá-la e fazer o possível para que ela não chore, porque dá muito trabalho fazê-la parar de chorar.
– Natsu, meu amor! – ela disse manhosa – Faz tempo que a gente não sai pra passear! Vamos pra algum lugar nesse fim de semana?
“Ai que merda! O que eu menos quero é desperdiçar um fim de semana tendo que aturar a Ayumi.”
– É... Não sei se vou poder – tentei fugir.
– O quê? – ela me largou, fazendo biquinho – Mas faz um tempão que você não me dá atenção!
– Não é isso! – continuei tentando – É que eu tenho que estudar bastante, já que estamos em época de prova.
Seus olhos se encheram de água, então ela gritou:
– NATSUUUU!
Todos os olhares do corredor se direcionaram para nós, mas ela pareceu não se importar com a plateia e continuou berrando:
– Você não quer sair comigo, é isso?! Você não me ama mais???
E com isso, ela começou a soluçar com as mãos no rosto.
“Ai que bosta! Sempre isso! Ela começa a chorar do nada e eu sou tachado de insensível!” Soltei um longo suspiro, pois fazê-la parar de chorar dá trabalho.
Abracei-a e comecei a falar palavras que com certeza a consolariam. Coisas como “Não é nada disso”, “eu te amo e sempre te amarei”, “Você é incrível, linda, perfeita”, etc...
São apenas palavras vagas, sem sentimento nenhum, mas é tudo o que posso fazer para ela parar de dar escândalo.
Depois de muito enrolar, ela finalmente parou de soluçar, mas quando fui ver, o sinal já tinha batido.
“Porra! De novo perdi o intervalo inteiro pra tomar conta dela! Deus, me ajude. Como me livro dessa praga?”
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/Kame’s POV/
Era a hora do jantar, então toda a família estava arrumando a mesa. Eu percebi que Natsu evitava olhar diretamente para mim, mas não pude negar que eu dei motivos para isso.
Além de que hoje, eu fiquei implicando com ele quando ele sem querer deixou escapar que a Ayumi o perturba. Não consegui resistir e fiquei falando coisas do tipo “isso é porque você gosta de mim, não dela”. Isso só fez com que ele se irritasse mais ainda.
Enfim, o jantar seguiu-se normalmente. Natsu era realmente um bom ator. Ele fingia que nada tinha acontecido entre nós, e agia com naturalidade comigo quando estava na frente dos nossos pais. Queria saber qual é o motivo dele não me entregar.
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/Natsu’s POV/
“Aí, depois que eu arrancar as tripas dele, eu queimo, congelo as cinzas e jogo para tubarões comerem!” Eu pensava em várias formas de matar Kame enquanto lavava a louça. Eu estava quase quebrando os pratos devido à força que aplicava por causa da raiva. Parece que ele me irrita de propósito.
Eu estava completamente distraído e só fui perceber que Kame havia saído da copa e vindo até a cozinha quando ele me abraçou por trás e começou a beijar meu pescoço.
– Sai daqui! – me contorci, reclamando em um tom baixo, para que nossos pais não ouvissem.
– Grita para eu sair, então – ele provocou, sem me soltar.
Tive vontade de quebrar o prato que eu estava segurando na cabeça dele, mas ia foder para o meu lado. Ele sabia que eu não ia gritar, ele fazia de propósito!
Coloquei minhas mãos molhadas nas dele, tentando me livrar, mas em vão.
– Não vai gritar mesmo? Se você pedir com fé eu te solto – sussurrou ele ao meu ouvido.
– Você sabe que eu não posso gritar, idiota! – bombardeei-o com o olhar.
– Por quê? Estou curioso pra saber por que você não me denuncia – ele provocou mais ainda, começando a esfregar as mãos pela minha cintura.
“Esse maldito nunca iria entender!” Resolvi não me explicar, não devia satisfações para ele. Ele pensa que eu não o denuncio porque gosto do que ele faz, mas não. O verdadeiro motivo, é que eu não quero estragar o relacionamento dos nossos pais.
Se eles descobrissem, provavelmente iriam se separar, e eu não quero isso. Pela primeira vez meu pai conseguiu amar outra mulher, e eu voltei a ter uma família completa que sempre desejei. Se não fosse por Kame, eu seria realmente feliz. Ele está estragando tudo!
De repente, ouvi o barulho de cadeiras arrastando vindo da copa, que significava que nossos pais estavam vindo para a cozinha.
Nem sei o que eu fiz, mas por instinto, consegui empurrar Kame rapidamente e voltei a lavar a louça. Ele, por sua vez, apenas agiu naturalmente e se encostou ao balcão.
Quando nossos pais apareceram, por sorte não viram nada. “É, terá que ser assim de agora em diante. Esse maldito só sabe foder minha vida!”
Então, mais tarde todos foram dormir. Eu estava escovando meus dentes, quando de repente comecei a sentir um enjoo e uma leve dor de cabeça. Achei que fosse algo que eu comi e que se eu dormisse, logo passaria.
Porém, eu estava errado. Assim que me deitei, não consegui dormir. A dor de cabeça e o enjoo só aumentaram. O problema é que todos já tinham ido dormir, e não sei qual remédio eu posso tomar, então, teria que aguentar aquilo.
Eu rolava na cama tentando suportar aquela dor. Acabei fazendo barulho e acordando Kame.
– O que está fazendo? – perguntou ele com voz de quem acabou de acordar
– Nada – respondi rápido e me virei de costas para ele.
Ele ficou um tempo me observando. Eu não queria que ele percebesse que eu estava passando mal, mas era meio fácil de mais de perceber.
– Natsu, – ele se sentou na cama – está tudo bem? Você parece mal.
– Tá, tá tudo bem! Pode voltar a dormir – eu disse de uma forma meio nervosa, mas ele não acreditou.
Ele se levantou e caminhou até a minha cama, se sentando na beirada. Até me assustei um pouco, achando que ele já ia fazer algo pervertido, porém ele apenas perguntou:
– O que está sentindo?
Decidi admitir logo, então disse sem olhar para ele:
– Nada de mais, só um enjoo e uma dor de cabeça.
– Se não fosse nada de mais você não estaria suado desse jeito – disse ele, me fazendo ficar sem argumentos.
Ele colocou a mão na minha testa, na intenção de enxugar um pouco do suor, mas ao tocar-me, ele se espantou, dizendo:
– Meu Deus! Você está ardendo em febre!
De repente, ele se levantou, me deixando sem entender a situação. Ele saiu do quarto e logo voltou com uma caixa de remédios. Ele retirou um termômetro de lá.
– Kame... Não precisa de tudo isso – disse eu.
Ele pareceu nem se importar com o que eu disse e simplesmente me obrigou a colocar o termômetro embaixo do braço.
Ele estava sentado na minha cama, segurando meu braço para que eu não inventasse de me mexer. Mas o que me surpreendia mesmo era sua expressão. Ele parecia estar preocupado. Mas com o quê? Comigo?
Logo o termômetro apitou. Kame quando viu só faltou ter um infarto.
– 39??? Puta que pariu! – ele gritou
– Fala baixo, Kame – repreendi – Pode acordar alguém.
– Natsu – ele mudou o tom para um mais preocupado – Se você está se sentindo tão mal, por que não falou pra ninguém?
– É que... – fiquei meio corado – Todo mundo já tinha ido dormir, eu não queria acordar ninguém.
Ele deu um longo suspiro, como se achasse idiotice o que fiz. Confesso que fiquei meio incomodado com isso, mas não falei nada.
Ele então começou a remexer as coisas da caixa, procurando algo. Ele tirou duas cartelas de remédios, retirando duas pílulas de lá.
– Toma. – disse ele me entregando as pílulas e um copo de água que eu nem tinha visto que ele trouxe – Vai melhorar.
Peguei os remédios de sua mão e me sentei na cama para ingeri. Logo depois me arrependi fortemente de ter bebido água, pois o enjoo só aumentou. Voltei a me deitar na cama, sem querer deixando escapar um gemido de agonia.
– Calma. – ele disse acariciando minha testa. – O remédio já vai fazer efeito. Só não vomite até passar uns 15 minutos, tá?
Fiz que sim, com os olhos apertados, tentando aguentar. Kame segurava minha mão com uma das suas, e com a outra, acariciava meu rosto, na intenção de me acalmar. Vez ou outra ele dirigia os dedos para minha testa, fazendo movimentos circulares, aliviando minha dor de cabeça.
Aquilo me surpreendeu. Kame estava lá, sentado ao meu lado e me acalmando, quando poderia estar dormindo. Aquelas mãos pervertidas que antes me assediavam, agora estavam tocando meu rosto carinhosamente. Por que ele estava fazendo aquilo? Por que ele se importava comigo?
– Por que está fazendo isso? – resolvi perguntar – Por que está cuidando de mim?
– Porque eu te amo. – respondeu ele com naturalidade
Senti meu coração disparando quando ele disse isso. Como ele conseguiu dizer algo desse tipo com essa naturalidade, como se fosse óbvio?
Ele deu uma leve risada devido a minha reação de surpresa, e logo em seguida deu um beijo carinhoso e demorado na minha testa.
Involuntariamente, fechei os olhos. Eu não entendia por que agora eu me sentia tão tranquilo com ele, sendo que todo esse tempo eu me sentia agoniado com a presença dele.
Ele se levantou a se deitou novamente eu sua cama, dizendo:
– Se precisar de mim, pode me acordar, tá?
Ele virou para o lado e voltou a dormir. Comecei a pensar: “Eu sempre achei que quando ele dizia que me amava, era mentira, porque ele só sabia me assediar, mas agora... Ele estava me tratando com carinho”.
Me virei para o outro lado e fechei os olhos, tentando dormir.
“Será que Kame realmente me ama?”
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