Dentro De Mim
13 Capítulo 13
Notas iniciais
/História 3/Yuu’s POV/
Cheguei à escola meio aflito. Eu olhava para todos os lados procurando o Sensei, mas nada de achá-lo. “Será que ele vem hoje?”
Entrei na sala e vi que Keiko estava como sempre em sua cadeira desenhando algo, provavelmente Yaoi. Sentei-me ao lado dela, que olhou para mim e disse animada:
– Bom dia, Yuu!
– Ah, bom dia – eu disse meio desanimado.
Ela até fechou o caderno para dar atenção a mim e disse preocupada:
– O que foi? Por que essa carinha triste? Você fica mais fofo sorrindo!
É, já me acostumei com o assédio verbal da Keiko. Eu sei que ela me mandou esperar um pouco antes de contar para o Sensei o que eu sinto, mas não gosto de mentir para ela, então tive que contar:
– É que... Ontem... Sabe, eu acabei falando pro Sensei o que eu sinto e...
– O QUÊ??? – gritou ela, fazendo algumas pessoas da sala olharem para nós.
Eu sabia que ela ia me matar. Já estava me preparando psicologicamente para minha morte quando ela abaixou o tom de voz e disse, dessa vez com mais calma:
– Por que, Yuu? Eu não disse que era pra esperar?
– Eu sei! – tentei argumentar – Mas ele disse que era nossa última aula! Eu não poderia falar uma coisa dessas na escola!
Ela mudou a expressão de chateação para uma pensativa. Depois de um tempo calada, ela disse:
– É... Talvez você tenha feito o certo. Mas o que ele te respondeu?
– E-eu não sei... – voltei com minha expressão triste – Acho que ele não acreditou. Não que ele tenha me dado um fora, mas...
Ela colocou uma mão em cima da minha cabeça e acariciou meus cabelos pretos. Olhei para cima, meio sem entender, então ela falou sorrindo:
– Tudo bem, querido Uke. Ele não te deu um fora, então talvez não seja o fim, ok?
Fiz uma cara meio zangada por ela ficar toda hora me chamando de Uke. É, não devia ter feito isso, pois ela apertou minhas bochechas com muita força e disse histericamente:
– Owwnnn!!! Você fica tão fofinho quando tá puto! Faz de novo?
– K-keiko-chan – eu disse tentando tirar suas mãos de minhas bochechas – M-me solta, tá machucando.
Para minha salvação, a professora de biologia entrou na sala e Keiko se virou para frente, finalmente largando minhas bochechas, que já estavam marcadas por causa da força dela. Massageei meu rosto e tentei prestar atenção na aula.
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/Hoshiro’s POV/
Finalmente chegou o último horário. Hoje eu estava mais mal-humorado do que o comum, porque não dormi muito essa noite. Fiquei pensando no que aquele pirralho falante quis dizer com aquilo. Dá um ódio só de pensar que fiquei acordado praticamente a noite inteira por causa de uma criancinha.
Falando nele, fiz de tudo para evitá-lo. Até cheguei um pouco atrasado para não nos vermos antes da aula e durante o intervalo fiquei na sala dos professores. Nem sei por que eu estava fugindo. Acho que estava meio com medo de saber se era verdade mesmo.
Porém, eu não tive como evitá-lo para sempre. O último horário era na turma dele, e eu rezava para ele ter faltado. Mas não, entrei e logo o vi sentado em seu típico lugar.
Decidi ignorá-lo e prosseguir com minha aula. Enfim, deu tudo certo. Assim que o sinal bateu, eu fiquei meio aliviado achando que todos iriam embora. Eu fiquei na sala terminando de fazer algumas anotações, até que vi aquele pirralho parado na frente da minha mesa.
– Sim? – disse com naturalidade, tentando disfarçar minha agonia.
– Etto... – ele olhava para o lado e estava corado – V-você pensou no que eu disse?
– Do que está falando? – me fiz de desentendido. Não queria admitir que tinha pensado naquilo. E muito.
– Do que eu falei ontem...
– Era sério? – perguntei com medo da resposta
– Claro que era! – respondeu o que eu não queria ouvir, finalmente olhando para mim.
Apoiei meus cotovelos na mesa e passei as mãos pelos cabelos, dando um longo suspiro entediado. Olhei para ele com meu jeito inexpressivo e disse:
– Você só pode estar brincando. O que quer que eu faça? Seja seu namoradinho?
Ele me olhou um pouco assustado e ficou mais ofegante, provavelmente porque seu coração disparou. Percebi que ele ficou meio ofendido, e depois disse bastante corado:
– Não... Eu só...
– Quantos anos você tem? – interrompi – 14?
– 15! – respondeu-me ele, parecendo bem orgulhoso por ser mais velho do que eu deduzi.
– Eu sou 10 anos mais velho que você. Quer que eu seja acusado de pedofilia? – mantinha um tom frio
– Não... – ele disse bem baixo, sem olhar para mim
– Eu sou seu professor! Se descobrirem dessa sua besteira eu posso perder meu emprego! – comecei a aumentar o tom de voz
– Eu sei... – ele continuou falando bem baixo
– Além do mais, somos dois homens! Na verdade, eu sou um homem e você um menino! O que achou que fosse acontecer entre nós?
– Mas... – ele ainda não levantou os olhos
– Esqueça isso, Yukira! – disse gritando. Me levantei, apoiando minhas mãos na mesa – Largue essas bobeiras de pirralhos! Essa sua paixãozinha é estúpida! Amor é uma coisa estúpida! Cresça logo e aprenda!
Ele me olhou com uma expressão totalmente abalada, e pude ver seus olhos enchendo d’água. Ele saiu da sala correndo com a mão no rosto, tentando esconder o choro.
“Ah, foda-se se fiz esse pirralho chorar! Ele precisava ouvir umas coisas. Quem ele pensa que é? Do nada ele chega e diz que me ama e espera que eu retribua? Sinto muito, mas não vou fazer isso.”
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/Yuu’s POV/
Saí correndo da sala sentindo um enorme peso no coração. “Por que ele tinha que dizer tudo aquilo?” Não conseguia conter as lágrimas.
Saí da escola e me agachei perto de uma árvore grande, deixando as lágrimas saírem naturalmente. Meu coração doía e eu não conseguia parar de chorar, apesar de tentar.
– Yuu? – uma voz conhecida perguntou preocupada.
Nem me dei ao trabalho de responder Keiko, que se agachou ao meu lado, tocando meu ombro. Apenas afundei meu rosto nos joelhos, ainda entre soluços.
– O que aconteceu? – disse ela com uma voz serena, me abraçando
Saí do abraço e me levantei, tentando sair de perto dela. Não queria falar sobre isso. Porém, assim que eu ia andando, ela agarrou minha mão e disse:
– Por favor, conta pra mim!
– E-eu... – tentei falar entre soluços – Falei com ele... E... – não conseguia terminar as frases
– Você falou com o Kioshi-sensei??? – ela perguntou meio espantada.
Apenas concordei com a cabeça. Seria mais fácil se ela me fizesse perguntas. Coloquei a mão no rosto que já estava todo inchado e me agachei novamente.
– E ele te deu um fora, foi? – ela perguntou, se abaixando também. Concordei de novo – O que ele falou pra você que te magoou tanto?
Eu não ia conseguir explicar, por isso apenas balancei a cabeça de um lado para outro, dizendo que não queria falar.
– Tudo bem então. – ela fez uma cara decidida e se levantou – Pode deixar que eu resolvo isso.
Enxuguei meu rosto e me levantei também, perguntando logo em seguida:
– Espere! O que você vai fazer?
Ela virou apenas a cabeça para mim e disse com um sorriso malicioso:
– Logo você verá. Nunca duvide do poder das fujoshis.
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