Dentro De Mim
27 Capítulo 27
Notas iniciais
/História 3/ Yuu’s POV/
Acordei com o barulho do meu despertador. Lembro-me perfeitamente que antes eu odiava aquele som, pois ele me lembrava de que eu tinha que acordar para ir para escola.
Mas nos dias que tem aula de matemática, eu fico até feliz de ir para a escola. Apesar de odiar a matéria, só o fato de eu poder ver o Kioshi-sensei já me deixa feliz.
Levantei da minha cama disposto. Quando fui à casa do Sensei, saí de lá cheio de esperanças. Eu sabia que de alguma forma, eu podia conquistá-lo. Ele não teria me dado aquele beijo só para me fazer calar a boca. Ele poderia ter usado as mãos, mas não, ele me beijou! Tem algo nisso...
Depois de cuidar dos meus bichinhos, saí de casa em direção à escola. Keiko estava sabendo de tudo que aconteceu, e estava me ajudando muito também.
– Nós temos que ficar de olhos nas pistas! – disse ela, assim que sentamos em nossos lugares na sala – Se ele der qualquer indício de que gosta de você, você ataca! Rawn! – ela fez gesto de garras com as mãos.
– E-eu não vou... “Atacar”, só vou fazer de tudo para impressioná-lo! – respondi – Vou fazê-lo gostar de mim!
Não pudermos terminar nossa conversa, pois logo a professora de história entrou em sala. Eu só esperava que a aula de matemática chegasse logo.
Assim que o sinal bateu, vi Kioshi-san entrando na sala e meu coração disparou. Ele estava com aquela típica cara mal-humorada, e parecia estar com mais olheiras do que o normal. Será que ele está dormindo menos?
Ele não olhou para mim em nenhum momento da aula. Não o culpo, aliás, ninguém pode perceber o que aconteceu entre nós. Não quero causar problemas para ele...
Assim que a aula acabou, todos os alunos saíram correndo para o intervalo. O Sensei ficou na sala, mexendo em alguns papéis, então decidi ficar na sala também. Só de ficar no ambiente que ele, já fico feliz.
Além de mim, na sala também estava Keiko, e três meninas que sentam perto de nós. Elas olharam para a nossa direção e vieram até nós:
– Ei, Keiko-chan, Yuu-chan! – disse uma delas – Nós vamos ao cinema depois da aula! Querem ir com a gente?
– Por mim, tudo bem – respondeu Keiko.
– Ah... Eu não sei – respondi – Tenho que pedir para os meus pais.
– Ah! – outra delas disse – Vem com a gente! Queremos que um menino fofo como você saia com a gente um dia.
– Hã? Fofo? – corei.
– Awwwnnn! – a outra finalmente se pronunciou – Que lindinho! Ele ficou corado, meninas!
E com isso, elas me rodearam e ficaram apertando minhas bochechas e bagunçando meu cabelo. Disseram que eu era muito fofo, que parecia um coelhinho, ou um bebê. Até Keiko se juntou a elas. Eu fiquei completamente constrangido. Elas já fizeram isso outras vezes, mas nunca as quatro juntas.
Olhei para frente e percebi que o Sensei estava olhando para aquela cena, com uma cara completamente séria.
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/Hoshiro’s POV/
Eu olhava para aquilo com desgosto. O que aquelas loucas estavam fazendo? Elas estavam deixando as bochechas daquele pirralho todas vermelhas, não só pelo fato dele estar constrangido.
Fiquei olhando, para ver se uma hora elas iriam parar, mas nada. Aquelas vadias não estavam percebendo que ele não estava gostando? Vou dar um jeito nelas.
Levantei-me da minha cadeira e me aproximei delas, dizendo com um tom assustador:
– Assédio sexual é crime! – olhei para cada uma delas friamente.
Os 5 ficaram um tempo calados, apenas se entreolhando, e depois, uma delas respondeu, timidamente:
– N-não estávamos assediando...
– Não interessa se estavam ou não – respondi com um tom bravo, e ela desviou o olhar – De qualquer forma, namoro na escola é proibido para que não haja essas pegações! Parem com isso, senão levo todos para a diretoria.
E com isso, eu fui embora daquela sala. Ciúmes? Claro que não! Eu simplesmente estava sendo um bom profissional e impedindo que os alunos descumprissem as normas da escola, claro.
Tentei me concentrar ao máximo no meu trabalho pelo resto do expediente. Pensar naquele pirralho me deixava tenso. Ele disse que nunca ia desistir de mim, então eu não podia imaginar o que ele ia fazer desta vez...
Assim que a aula acabou, saí correndo da escola, porque tinha certeza de que logo aquele diabinho em forma de criança viria atrás de mim. Porém, não fui tão rápido quando gostaria.
– Kioshi-sensei! – ouvi ele gritando atrás de mim.
Fingi que não escutei, e continuei andando em direção ao meu carro. Quando ele pareceu se aproximar, eu acelerei o ritmo dos meus passos.
– Kioshi-san! Me espere!
Percebi que ele estava perto e acelerei mais ainda meus passos, estava quase correndo. Porém, uma coisa me fez parar.
– Hoshiro-san! – gritou ele
Parei de caminhar, e percebi que ele também. Virei-me para trás e vi que ele estava meio cansado e ofegante por ter corrido até mim. Lancei um olhar frio e disse:
– Desde quando eu te dou essa intimidade de me chamar pelo nome?
– Desculpe... – a voz dele mal saía, devido aos ofegos – Só queria chamar sua atenção. Acho que você não estava me ouvindo...
– Eu estava ouvindo sim, só que tenho coisa melhor para fazer – respondi mesmo. Não ligo de ser grosso. Se ele passasse a me odiar por ser ignorante, seria muito mais fácil fazê-lo desistir de mim.
Ele me olhou meio ofendido, mas logo recuperou a pose alegre e disse:
– É que... Eu queria saber se você quer sair comigo!
Ele ficou louco? Ah... Parece que esses pirralhos não têm noção do que falam.
– Sair com você? Mas é claro que não! Qual parte do “eu posso perder meu emprego e até ser preso” você não entendeu? Não era nem para eu estar falando com você agora, em público.
– Mas qual o problema de falar comigo na escola? – disse ele – Se alguém perguntar, diz que eu estava tirando uma dúvida de matemática! E sobre a gente sair... Eu vou disfarçado, não importa! Eu... Só queria passar um tempo com você...
Ele fez aquela carinha tímida consideravelmente fofa. Respirei fundo e disse, me controlando para não soar tão rude:
– Não dá! Não vou! Fim!
Ele pareceu ficar decepcionado, mas logo recuperou a pose. Parecia que ele não ia desistir tão cedo.
– Mas você não gosta de mim? Nem um pouco?
– O que te faz pensar que gosto de você? – perguntei, fazendo uma cara de desgosto.
– Aquela sua cena na sala! – ele riu – Parecia que estava com ciúmes das meninas me “assediando”.
– O quê? Mas é claro que não – neguei – Eu só estava sendo um bom profissional! Não posso deixar que esses alunos fiquem fazendo obscenidades na escola! É contra as regras!
– Não estávamos fazendo nada de mais! – ele sorriu como se estivesse se divertindo com a situação. – Até as meninas disseram que pareceu que você estava com ciúmes...
Arg! Droga! Eu deveria ter me controlado mais. Não posso deixar mais ninguém perceber o que aconteceu entre nós...
– Olha... – respirei fundo – Não podemos ser vistos juntos em público. E tem outras coisas também. Definitivamente, nós não podemos ficar juntos, Yuu...
Achei que ele faria de novo aquela cara de decepcionado, mas ele abriu um sorriso enorme. Os olhos dele brilharam, e isso me deixou totalmente confuso, então, perguntei:
– O que foi? Por que está me olhando assim?
– Você me chamou pelo nome! – o rosto dele se iluminou ainda mais.
– Porra! – não pude evitar soltar um palavrão.
Só queria que tivesse um buraco para eu me enterrar naquele momento. Por que eu chamei ele pelo nome? O que deu em mim?
– Desde quando eu te dei essa intimidade? – ele riu, repetindo as mesmas palavras que eu tinha dito antes para me caçoar.
– Cala a boca! – gritei – Foi sem querer, eu não tive a intenção...
– Tudo bem! – ele parou de rir e me olhou com aquela carinha fofa – Eu adoraria que você me chamasse assim...
Eu não disse nada, apenas fiquei olhando para aquela criaturinha pequena, que tem uma coragem enorme. Como ele viu que eu não ia dizer nada, me olhou novamente com aqueles olhos apaixonados e disse:
– Seu nome é tão bonito... Queria poder te chamar assim... – o rosto dele mudou para um tímido – Bem... Desculpe ter te incomodado... Só queria que você se divertisse comigo. Eu quero te fazer feliz!
Depois disso, ele não disse mais nada, ficou apenas me olhando daquele jeito fofo. Eu não sei o que eu senti. Só sei que me senti muito bem por alguém ter finalmente se importado comigo.
Não consegui me controlar. Ele estava lá, parado na minha frente, me olhando de um jeito tão bonitinho. Olhei em volta e vi que não tinha ninguém por perto. E então taquei o foda-se.
Segurei o rosto dele com minhas duas mãos, o aproximei de mim, e então o beijei. Não sei por que fiz isso, apenas não consegui me controlar. Ele retribuiu o beijo, abrindo a boca para me dar passagem.
Não demorou muito, pois alguém poderia acabar vendo. Assim que saí do beijo, olhei para o rosto dele. Ele ficou completamente corado e com os olhos brilhando.
– Mas... – disse ele, abaixando a cabeça – Eu não estava falando nada dessa vez...
Lembrei-me que da última vez que eu o beijei, disse que foi para ele calar a boca. Bem, dessa vez não foi por esse motivo.
– Eu sei – respondi.
Afastei-me dele e então finalmente entrei no meu carro. Ele não correu atrás de mim de novo, apenas ficou lá, me olhando ir embora.
Definitivamente, não sei o que está acontecendo comigo...
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