Dentro De Mim
12 Capítulo 12
Notas iniciais
/História 3/Yuu’s POV/
Toquei a campainha e esperei o Kioshi-sensei abrir a porta. Ele me recebeu com a mesma expressão mal-humorada de sempre, assim como fez em todas as aulas particulares. Eu já tinha ido à casa dele várias vezes, e poderia dizer que estou ficando realmente ótimo em matemática. Ele já se acostumou com minha presença, apesar de parecer meio entediado quando está me dando aula.
– Está atrasado – ele me repreendeu.
– Eu sei! – respondi, sem desfazer o sorriso – Desculpe, é que eu tive que vir andando e estava quente de mais. Vim me arrastando praticamente. Sabe, eu odeio calor! A gente fica suado, pode queimar e tira todas as forças. Frio é mais legal! A gente pode usar aquelas roupas legais, ficar enrolado no cobertor o dia todo... – falava sem parar.
– Yukira! – ele me interrompeu em um tom bravo – Cala a boca! Você fala de mais!
Eu apenas ri e me desculpei novamente. À medida que eu ia à casa dele, fui me sentindo mais a vontade, e consegui ser falante como eu era. Infelizmente, esse meu jeito meio eufórico incomodava ele. Mas não posso impedir de ficar feliz quando estou ao lado dele.
– Vamos logo com a aula – ele disse, depois de um suspiro entediado.
Nos sentamos na mesinha, como sempre fazíamos na hora da aula e começamos a estudar. Ele estava passando a última parte da matéria, e por incrível que pareça, eu estava entendendo.
Enquanto fazia um cálculo, a ponta do meu lápis acabou quebrando. Olhei para o pedaço de madeira em minha mão e comecei a falar:
– Ah, odeio quando ponta de lápis quebra! Dá uma preguiça de apontar! Quando eu crescer vou inventar um lápis que nunca quebra. O pior é que aqui diz “mais resistente”. Isso é propaganda enganosa né? Você também odeia propaganda enganosa? Dá vontade de ir na própria fábrica reclamar...
– Se concentra na atividade! – ele me interrompeu com raiva, como de costume.
Sério, às vezes eu acho que ele quer me jogar pela janela do prédio, de tanto que eu falo. Porém, eu não consigo parar de falar quando estou empolgado. Às vezes, me pergunto se ele desconfia de meu sentimento.
A mestre Keiko tem me recomendado não dar em cima dele, já que parece que ele não gosta muito de mim, mas devo demonstrar que fico feliz na presença dele. Bem, isso é fácil.
Ela me mandou esperar um pouco até que ele se acostume comigo. Tem sido difícil para ela me orientar. Até me lembro das palavras dela: “Ai, isso é complicado! Eu sou acostumada com Ukes tradicionais. Sabe, daqueles fugitivos, mas você que corre atrás do seu Seme. Isso é meio raro. Pera, vou assistir mais uns Yaois, depois eu te falo!” Bem, vou confiar na mente fujoshi dela.
Depois de terminar a atividade, o Sensei corrigiu e disse:
– É... Pelo visto você aprendeu mesmo. – sorri, enquanto ele se levantava – Espero que suas notas não voltem a cair.
– Hai! – respondi
Ele olhou para o relógio e se espantou:
– Meu Deus! Já são 5 horas??? Estou atrasado para um compromisso. É melhor você ir embora.
Concordei e comecei a arrumar minhas coisas. Ele já estava colocando seu casaco quando me levantei, e ele disse:
– Essa foi nossa última aula, não precisa voltar aqui.
Meu coração disparou. “Última aula??? Como assim? Não ia ter mais?”
– Não? – perguntei
– Você já aprendeu o que tinha que aprender – ele disse, enquanto colocava alguns papeis numa maleta.
Me desesperei. “Quer dizer que não vou mais voltar aqui? Mas... Mas... Eu não quero que acabe. Estava gostando tanto de passar mais tempo com ele...”
Nesse momento, me vi em um dilema: “Conto ou não o que eu sinto? Quando eu terei outra chance de estar sozinho com ele? Na escola teria um monte de gente e seria meio arriscado. Eu achei que teríamos mais aulas, por isso não tentei demonstrar nada. Ai que merda, por que Keiko não está aqui agora?”
Ele foi saindo do apartamento e se dirigindo ao corredor. Corri atrás dele gritando:
– Sensei, Espere!
Ele parou de andar e se virou para mim. Fiquei meio hesitante, mas decidi que seria a hora de contar a verdade:
– Eu... Quero te falar uma coisa...
– Então fale logo. – ele me apressou – Tenho que sair agora.
Eu estava totalmente corado e não conseguia olhar para ele, mas eu juntei todas as forças e consegui dizer:
– Etto... E-eu... Eu gosto de você.
Eu falei tão baixo que nem sei se ele ouviu. Ele fez uma cara confusa, não sei se foi porque ele não ouviu ou porque não entendeu.
– Gosta? – ele perguntou sem entender, me fazendo ter certeza de que ele ouviu – Como assim?
– Sabe... – meu rosto queimava de tão corado – Daquele jeito. Eu fico pensando em você... M-meu coração bate forte quando estou com você e... Sei lá, eu... Eu te amo.
Ele arregalou os olhos e ficou paralisado. Eu tremia e esperava que ele falasse alguma coisa. Ficou um silêncio constrangedor por um tempo. Só de vê-lo abrir a boca quase tive um ataque cardíaco.
– É proibido para menores ingerir álcool – ele disse com seu tom frio de sempre.
– Eu não estou bêbado! – me estressei – Isso é sério!
– Agora não é hora para piadinhas, Yukira – ele respondeu estressado e desceu as escadas, me deixando lá.
Fiquei um tempo parado lá, tentando digerir a informação. “O que acabou de acontecer aqui?” Eu não sabia se ele tinha acreditado. Pelo visto não. “Merda, não deu certo! Por que ele tinha que ir embora? Agora o assunto vai ficar no ar e não vou ter outra chance de conversar sozinho com ele”
Desci as escadas também, na direção contrária a ele e fui indo embora para casa. Senti uma lágrima escorrendo em meu rosto enquanto caminhava até a estação.
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/Hoshiro’s POV/
Enquanto caminhava em direção ao local onde seria a reunião dos professores, pensava no que tinha acabado de acontecer. “O que aquele pirralho irritante quis dizer com aquilo? Me amar? Pirralhos não devem nem saber o que é amor!”
Eu disse a ele que não acreditei, mas no fundo aquilo me intrigava. Por que alguém me amaria? Seria mesmo verdade?
“Não! Não deve ser verdade. Aposto que foi só uma brincadeira de pirralho. Melhor me concentrar no meu trabalho”.
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