Notas iniciais
Pois é... eu enrolei muito pra postar essa fic, mas tá aí ^^
Ah, só avisando, a narração muda várias vezes, então prestem atenção nas barrinhas para saber quem está narrando rsrs
Bem, espero que gostem *-*

/História 1/Aki’s POV/

“Ótimo! Eu não tenho uma roupa decente?”

Eu já estava ficando desesperado. Uma pilha de roupas já tinha se formado no meio do meu quarto enquanto eu cavava no meu armário procurando alguma coisa decente pra vestir. Só tinham shorts curtos, blusas apertadas e um monte de outras coisas inadequadas para a ocasião. As roupas que eu usava para o trabalho, são decentes, mas são simples. Eu queria alguma coisa bonita.

Pois é, tenho que sair para comprar roupas. Sabe, eu achei que não precisaria de roupas decentes, já que eu mesmo não sou uma pessoa muito decente.

Eu me chamo Koharu Aki, tenho 23 anos e não sou lá uma pessoa muito exemplar. Para ter noção, acabei ficando conhecido como “a vadia local”. Eu sei que “a vadia” faz parecer que sou mulher, mas eu sou tão promíscuo que me consideram vadia.

Eu faria sexo com qualquer um que pedisse, desde que seja homem, pois hétero é a ultima coisa que eu sou. Vivo frequentando boates e indo à festas. Uso roupas que marcam muito o corpo e faz anos desde a última vez que fiquei com alguém por mais de uma noite.

Já dei para tantos que até perdi a conta. E às vezes, nem me lembro com quem já transei. De vez em quando chega um cara que eu não lembro falando que já dormimos juntos e eu ainda por cima estava sóbrio. Mas são tantos nomes e rostos que não consigo decorar todos. As pessoas já até se acostumaram a não serem reconhecidas por mim, por isso, toda vez que me reencontram, perguntam se eu me lembro, e se eu responder que não, tentam me lembrar.

Apesar de estar vivendo essa vida de vadia, e ainda por cima admitir que sou uma, ás vezes, a carência ataca. Fazia um tempo que estava meio cansado de sexo o tempo todo e queria alguém que gostasse de mim, e não do meu corpo.

Mas é claro que eu nunca ousei chamar ninguém para sair e tentar ter algo mais sério, isso acabaria com minha reputação e ninguém jamais iria querer me pegar. O pior de tudo é que eu gosto dessa minha reputação.

Porém, noite passada eu dormi com um cara chamado Takaro. Ele foi o único que me procurou no dia seguinte e me chamou pra sair. Já que era um encontro, eu não queria usar uma roupa indecente.

Bem, não vamos a nenhum lugar muito chique, como um restaurante francês, apenas em uma lanchonete, mas eu queria uma roupa bonita.

Depois de quase me descabelar procurando roupa, ouvi meu telefone tocar. Era Michi.

Chiharu Michi é minha melhor amiga e é tão promíscua quanto eu. Sempre saímos juntos em baladas que nós dois podemos entrar, já que ás vezes, eu frequento baladas só para homens. Ás vezes até fazemos apostas de quem pega mais.

Tem gente que acha que nós estamos namorando, porque estamos sempre saindo juntos, mas isso seria impossível, já que nós dois gostamos de homens.

Atendi ao telefone com meu típico jeito de falar com minhas amigas:

– Oi amorê!

– E aí, querido! – respondeu ela do outro lado da linha – Tá afim de sair hoje?

“Merda! Que desculpa eu invento agora?” Não posso contar pra ela que vou sair com um cara. Ela já deixou bem claro que me mataria se eu começasse a namorar alguém. Ela odeia relacionamentos sérios.

– Hoje não dá, tô lotado de trabalho – menti

– No sábado? – ela pareceu não acreditar

“Merda”

– É, – tentei convencer – é pra entregar na segunda e eu nem comecei a fazer...

– Você não parecia muito ocupado ontem à noite na balada – ela riu

Ri meio sem graça e respondi:

– É que eu queria aproveitar ontem e deixei o trabalho pra hoje, sabe?

– Aham – disse ela em tom de mãe que finge que acredita na desculpa do filho. Pude visualizar ela levantando uma sobrancelha e jogando a boca para o lado. – Mas enfim – Ela mudou de tom, o que me deixou aliviado – Vai me contar como foi com aquele gostoso ruivo de ontem?

Agora sim, adoro meus papos de vadia com ela. Sempre rio muito quando converso com ela.

– Ah, não peguei esse, foi o moreno. O ruivo não quis me pegar, hahaha!

– Como assim? – ela pareceu indignada – Por que não? Quem ele pensa que é? Você é uma delícia! Até eu pegava!

Ri de seu comentário e respondi enquanto caminhava pelo meu quarto tentando não tropeçar na bagunça que eu mesmo tinha feito:

– Ah não, não gosto de foder com mulheres.

– Por que não?

– Por que com mulheres eu teria que ser o ativo, e você sabe que eu sou sempre o passivo. Sou daquelas pessoas que nasceu pra levar – eu ri.

– Ah, eu tenho um dedo – Disse ela começando a rir.

Eu ri bastante também. Sabia que ela estava só brincando, então entrei na brincadeira:

– Ok, ok, qualquer dia eu deixo você me pegar bêbado.

– Hehe, veremos! Mas voltando ao assunto, se você não vai sair comigo vou chamar outra pessoa então, tudo bem?

– Claro, a gente se vê outro dia! Beijo amiga!

Desliguei o telefone e o joguei na cama, voltando a vasculhar meu armário. Acho que é a mesma coisa que procurar comida na geladeira, você sabe que não tem nada, mas mesmo assim fica olhando de 5 em 5 minutos.

“Ah, quer saber? Foda-se! Vou botar qualquer merda mesmo!” Peguei uma das roupas que uso para trabalhar. Sou designer de videogames. Desde criança eu era apaixonado por videogames. E apesar desse não ser um trabalho sério, não dá para ir com roupas de ir a boates, né?

Coloquei uma calça jeans, uma camiseta branca e um casaco vermelho. Não estava lindo, mas estava bom.

Olhei para o relógio e vi que já se passava das 7:30. Coloquei meu celular e minha carteira no bolso da calça e saí de casa.

Tive que andar até a estação de trem. Pois é, infelizmente tenho que pegar trem, já que não tenho dinheiro o suficiente para comprar um carro ou uma moto.

Cheguei à lanchonete que tínhamos combinado umas 8:05. “Tudo bem, 5 minutos de atraso não é muito tempo”. Entrei no local e fiz uma ronda com o olhar procurando Takaro. Não o encontrei. “Será que ele cansou de me esperar e foi embora? Ou será que ele ainda não chegou?”

Bem, resolvi me sentar e esperar mais um pouco. Talvez ele tenha se atrasado por algum motivo. Sentei-me em uma mesa vazia e comecei a observar as pessoas.

As pessoas pareciam felizes. Alguns estavam com amigos, outros com namorados, outros com família, etc... Eu também estava feliz, ninguém nunca tinha me procurado no dia seguinte e pedido para sair comigo. As pessoas podiam conhecer cada mísero detalhe do meu corpo, mas não conheciam quem eu era e eu também não as conhecia. Eu não queria manchar minha reputação, mas também queria ser feliz.

Fiquei esperando por uns 15 minutos e nada dele aparecer. Pedi um refrigerante para passar o tempo.

Eu estava brincando com o canudo e com a cabeça apoiada na mão direita, enquanto estava quase convencido de que ele não ia aparecer e queria ir embora. Mas antes, senti vontade de ir ao banheiro.

O local estava meio cheio, se eu saísse, provavelmente iriam ocupar a mesa, mas não tinha problema, eu já pretendia ir embora mesmo. O banheiro estava vazio, assim como deve ser um banheiro masculino.

Depois de usar o banheiro, fui lavar minhas mãos. Já pretendia sair de lá, quando vi alguém entrar. Era Takaro.

Não sei se me senti aliviado por não ter levado bolo, ou com raiva por ele ter me feito esperar.

– Takaro! Achei que você não ia vir – eu disse, dando meu típico olhar malicioso.

– Desculpe pelo atraso, aconteceu um imprevisto.

Eu já ia responder que estava tudo bem, mas ele me impediu quando me agarrou e enfiou a língua na minha garganta.

Eu já sou acostumado a ser cumprimentado com beijos, já que todo mundo acha que pode ficar me pegando o tempo todo, mas esse foi meio inesperado. Me assustei um pouco, mas retribuí, como faria com qualquer um.

Ele foi me empurrando até a cabine, ainda me beijando. Assim que entramos, ele trancou a cabine e começou a passar a mão pelas minhas costas, na tentativa de retirar minha camisa.

Saí do beijo, e com as duas mãos empurrei seu peito, para que ele se afastasse um pouco.

– O que está fazendo? – perguntei

– Ué, eu quero transar com você de novo – respondeu ele como se fosse bem óbvio.

Fiquei meio sem entender. É claro que eu também queria isso, mas não agora, não assim. Primeiro eu queria conversar com ele, depois talvez a gente fosse para algum outro lugar mais reservado.

– O quê? Agora? Não quer comer alguma coisa primeiro? – tentei fugir

– Sim, quero, você! – disse ele tentando me agarrar de novo

– Não! – me afastei novamente

– Como assim? – ele ficou frustrado – Eu te chamei aqui e agora você não quer?

– Espera! – comecei a raciocinar – Quer dizer que você só me chamou aqui pra me comer?

– Claro! – Respondeu ele como se fosse óbvio – Achou que fosse para quê?

– Se era só isso, por que me chamou em uma lanchonete?

– Porque em lugares públicos é bem mais divertido! – ele abriu um sorriso malicioso

Senti um aperto no coração e uma vergonha enorme. Não acredito que pensei que ele queria sair comigo. Ah meu deus, que vontade que deu de me matar!

– Não, espera – ele começou a rir – Não vai me dizer que achou que era um encontro?

Fiquei extremamente sem graça e pude sentir meu rosto corando.

– É que... E-etto... Eu só pensei... – disse eu totalmente sem jeito

Eu tinha que sair de lá. Depois de uma humilhação dessas, eu não aguentaria nada mais com ele. Ele desfez o sorriso e lançou um olhar irritado.

– Eu não acredito nisso! – disse ele com raiva – Achou mesmo que eu queria algo sério com você? Como se alguém nesse mundo fosse gostar da sua personalidade. Que personalidade? Você só presta pra comer!

Sério, aquilo doeu, e muito. Pensei em responder alguma coisa negando, mas ele continuou falando:

– Você é uma vadia, e vadia não tem essa de ficar querendo namoradinho não, por que vadia não consegue namoradinho – “Pare de dizer vadia” pensei, sentindo um nó na garganta – Sabe por quê? POR QUE NINGUÉM AMARIA UMA VADIA – ele gritou. “Não grite comigo” senti ainda mais vontade de chorar – NINGUÉM NUNCA VAI TE AMAR! Talvez amem seu corpo, mas ninguém vai querer alguém que vai trair com certeza. Você também não conseguiria amar ninguém. Vadias não têm sentimentos. Você não tem caráter e JAMAIS vai encontrar alguém que te ame! ENTENDA ISSO!

O empurrei, destranquei a cabine e saí correndo daquela lanchonete. Fui andando pela rua movimentada enquanto pensava:

“Por que ele tinha que dizer tudo aquilo?” não consegui conter as lágrimas “O pior de tudo é que ele estava certo” coloquei o capuz para que ninguém me visse chorar, isso acabaria com a minha reputação. “Eu sou uma merda. Como eu espero que alguém ame uma vadia como eu? Bem feito pra mim, me fodi, escolhi essa vida e agora não tem como voltar atrás. Eu tenho que aceitar quem eu sou agora. Não posso manchar minha reputação.”

Tentei impedir que as lágrimas escorressem pelo meu rosto, mas acabei me rendendo mesmo e desabei. Eu chorava baixo para que ninguém da rua percebesse enquanto caminhava escondendo o rosto até a estação de trem.

Odeio pegar trem a essa hora, está sempre lotado. Mas não é só isso. Odeio minha vida, e odeio a mim mesmo.

Notas finais
É... É isso... O primeiro cap não tem muita coisa, é só para conhecer um dos personagens, por isso eu postei o 2º logo, que tem mais história. Por favor, julgue a fic a partir do 2º kkkkk XD
Bem, mesmo assim, comentem nesse cap pra eu saber o que acharam *-*
Kissus *-*