Dentro De Mim
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Espero que gostem *-*
/História 1/Tsuki’s POV/
Depois de um dia cansativo de trabalho, nada melhor do que poder voltar para casa em paz. Bem, seria em paz se eu não tivesse que pegar o trem lotado das 8:30.
Meu carro deu um defeito e está na oficina, por isso, durante alguns dias terei que enfrentar isso. Mas como eu, Tadashi Tsuki, de 24 anos, gosto de ver as coisas pelo lado positivo, não me incomodei.
Pensei o seguinte: no trem há muita gente, e já que eu sou roteirista de mangá shoujo, gosto de observar as pessoas. Observando comportamentos diversos, acabo tendo inspiração para alguma nova história ou algum capítulo novo da atual, por isso, costumo ir a locais públicos apenas para observar.
Já disseram que eu sou louco por fazer isso, mas não me importo com o que pensam de mim. Isso fará meu trabalho ficar melhor, então vale à pena aturar as críticas.
Bem, até agora nada de ideias. As pessoas do trem estavam cansadas e sonolentas. Nada legal para minha história. Olhei para o meu reflexo no vidro do trem. Eu também estava cansado. Meu cabelo preto meio azulado estava bagunçado e meus olhos negros tinham leves olheiras. Mal podia esperar para chegar em casa, tomar um banho e ir dormir.
O trem parou na próxima estação. Algumas pessoas entraram, outras saíram, mas mesmo assim, o trem continuou lotado e não havia mais lugares para se sentar. Por sorte, entrei no trem quando ele ainda estava vazio.
Eu estava distraído, pensando em coisas aleatórias, quando senti alguém caindo em cima de mim. Olhei espantado para a pessoa, que percebi que tinha se desequilibrado quando o trem partiu.
– Ah, me desculpe – disse o cara se levantando.
Ele segurou na barra do trem bem na minha frente, pois era o único lugar disponível. Comecei a reparar nele. Ele estava com casaco vermelho e calças jeans. Percebi que ele estava usando o capuz e seus cabelos loiros para esconder o rosto inchado. Pude ver que ele estava chorando, pois quando ele caiu em cima de mim e nossos rostos ficaram centímetros de distância, nossos olhares se encontraram. Ele tinha olhos azuis lindos, mas estavam vermelhos por causa das lágrimas.
Não posso ver uma pessoa chorando que fico com pena. Fazer o quê? Eu sou uma pessoa meio sensível. Também sou curioso, e queria saber o motivo daquele belo rosto ter ficado vermelho, mas não gosto de me meter na vida dos outros.
Olhei para o lado e percebi que minha mochila estava ocupando um lugar que alguém poderia estar sentando. Olhei em volta para ver se tinha algum idoso, gestantes, ou mulheres com crianças para oferecer o lugar. Pensei até em ficar de pé, caso tivesse mais de uma pessoa com necessidade.
Porém, não tinha ninguém que se enquadrasse nessas condições, então pensei em oferecer o lugar para o cara que estava na minha frente.
Tirei minha mochila e coloquei no chão.
– Hei, você! – ele olhou para mim – Quer se sentar?
– A-arigatou – disse ele com voz baixa, se sentando ao meu lado.
Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e a testa nas mãos. Eu, que estava sentado de um jeito meio jogado, encostando as costas no apoio do banco, pude ver uma lágrima pingando em sua calça.
Senti um aperto no coração. Abri minha mochila e procurei um lenço. Quando achei, cutuquei-o de leve para fazê-lo olhar para mim e estendi o lenço, oferecendo-o.
Percebi que ele ficou meio constrangido por eu ter percebido que ele estava chorando, mas aceitou o lenço mesmo assim e agradeceu.
Ele usou para enxugar as lágrimas, enquanto fungava. Não resisti, tive que perguntar:
– Olha, eu sei que não é da minha conta, mas, você está bem?
Ele olhou para mim meio surpreso. Acho que ele não esperava que algum desconhecido fosse se importar com ele.
– Hai – respondeu ele enquanto tombava a cabeça para baixo novamente.
– Se estivesse tudo bem você não estaria chorando.
Ele não respondeu. “Será que o que eu disse o ofendeu?”
– Tem razão, – ele disse, sem olhar para mim – não está tudo bem, mas não quero falar sobre isso.
– Não quer falar sobre isso com um estranho, não é? – deduzi o que ele disse – Tudo bem, eu também não deveria me meter.
– Não quero falar disso com ninguém – ele se encostou ao banco e cruzou os braços.
– Nem com um amigo? – “Porra, porque eu continuo insistindo? Ele deve estar me achando muito intrometido”.
– Nem sei se tenho amigos – ele disse, olhando para o teto do trem.
Ok, agora sim ele apelou. Estava pedindo para eu me meter nisso. Senti um aperto no coração e uma espécie de tristeza também.
– Bem... – acabei falando – Eu sei que a gente nem se conhece, mas... Se precisar falar com alguém... Eu sou uma pessoa confiável.
Ele olhou para mim apenas com os olhos e deu um leve sorriso. Depois, ele disse:
– Arigatou, mas... Não foi nada de mais. Digamos que eu não tenha muita sorte no amor.
Com isso pude deduzir um monte de coisas. Talvez ele tivesse terminado com alguém, ou não sido correspondido, ou talvez tido uma briga, mas eu não ia perguntar, seria me meter de mais.
– Não diga que não é nada de mais se te faz sofrer. Eu não vejo motivos em sentir vergonha de chorar. Tristeza é apenas um sentimento como outro qualquer. Ninguém sente vergonha de rir, ou de gritar, então não precisa sentir vergonha de chorar. Cada lágrimas que escorre no rosto, é como se estivesse lavando a tristeza do coração.
Ele olhou para mim meio admirado. Não tenho culpa de ser bom com as palavras. Além do mais, eu sou escritor.
O trem parou na próxima estação. Ele se levantou e disse:
– Eu desço aqui. Valeu mesmo pelo o que você disse... Me ajudou.
Sorri e disse:
– Não foi nada. Eu gosto de ajudar. E... Bem, eu não sei o que você está passando, mas... Espero que fique tudo bem.
Ele deu um sorriso sutil e me agradeceu. Quando ele percebeu que ainda estava com meu lenço na mão, o estendeu, na intenção de devolvê-lo.
– Pode ficar – disse eu, fazendo-o recolher o braço e agradecer novamente.
Ele acenou e saiu do trem. Fiquei o observando enquanto ele saía. Ele era realmente muito bonito. Aqueles olhos azuis e aquele cabelo loiro o davam um ar exótico. E ainda por cima, o que ele disse me comoveu. Queria tanto poder saber o que estava acontecendo com ele e poder consolá-lo direito. Comecei a sentir vontade de abraçá-lo e dizer que vai ficar tudo bem.
Fiquei o caminho de casa inteiro apenas pensando nele, e toda vez que sua imagem me vinha à cabeça, eu sentia meu coração bater mais forte.
Fazer o quê? Eu tenho esse problema de me apaixonar rápido de mais.
Notas finais
Bem, como podem ter percebido, tem algumas palavras em japonês, mas isso é o básico do básico, e qualquer um deve saber '-'
Mas para quem não sabe: Arigatou = obrigado, Hai = sim.
Ah, só para constar, eu já escrevi grande parte dessa fic e só estou publicando agora, ou seja, o próximo capítulo já esta pronto. O tempo para eu postar vai depender dos leitores kkk ^^
Kissus *-*
PS: Próximo capítulo: História 2
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