Delirious

21 21. Surpresas


Notas iniciais
Agradecimentos pelas cinco recomendações que Meilyn, Kuma Chan, Ayaka, Mimika e Onee Chan fizeram a Delirious. Meninas, achei todas lindíssimas, nem tenho palavras para expressar o tamanho do meu carinho pelas palavras de vocês. Obrigada! Só não desejo esse capítulo a vocês porque tenho algo muito mais especial para comemorar as CINCO recomendações que recebi fiquei tão feliz que dessa vez me empolguei hahaha Leiam as notas finais. Todavia espero que possam aproveitar este capítulo também. ;) Peço desculpas pela imensa demora, mas dessa vez vou compensar a todos.

Capítulo 21 – Surpresas

Narrado por Natan:

Sabe aquele momento onde sua fantasia de infância é completamente destruída, de forma brusca?! Foi basicamente isso que aconteceu comigo. Eu pensava que seria “o espetáculo”, mas não foi nada disso. Não havia cortinas, nem luzes florescentes, câmeras por todos os cantos e muito menos telão no fundo do palco.

Quando Miguel Dorneles disse que eu ia subir no palco com eles... Nossa, fiquei sem chão, perdi as palavras, fiquei completamente desnorteado. Pensei: Porra, eu vou subir no palco junto com eles, vou ver de pertinho uma banda punk tocar, vou ficar por dentro de tudo o que acontece nos bastidores... É, mas nada disso rolou. Quando subiram no palco e tomaram seus lugares, não vi nada de muito interessante acontecer.

Pareciam soldadinhos de brinquedos sendo comandados por alguém.

O baterista deu um sinal batendo três vezes as baquetas e a apresentação oficialmente começou. Parecia um bando de latas velhas e enferrujadas se batendo.

Queria sumir de lá o quanto antes, aquela barulheira toda machucava meus ouvidos. Doía pra caralho.

Era um inferno aquilo tudo.

E de repente um aglomerado de meninas retardadas grudaram na frente do palco, gritando pelo Vini. Algumas jogaram peças íntimas, outras invadiram subindo no palco, sem pudor, a fim de agarrar os membros. Aquilo mais parecia uma apresentação de boyband que show de rock.

Teve uma garota que pulou no pescoço do maldito Dorneles quase derrubando-o no chão. Fiquei irritado. Porque aquele desgraçado tinha tanta mulher no pé dele?! E eu aqui sem ninguém?

Que mundo injusto.

Um cara alto e gordo chegou no meio da multidão e puxou a mocreia de volta a pista. Miguel fez uma cara que de quem comeu e não gostou para a garota, mas continuou a tocar como se nada tivesse acontecido.

Não sei exatamente quanto tempo passou quando aquela barulheira sem fim finalmente terminou.

No fim acabei ajudando os rapazes a guardarem os instrumentos dentro da vam.

Pablo sumiu e Vini também.

No suposto “camarim” só estava o baterista e o vocal sentados num banco bebendo cerveja. O batera era do tipo calado, porém ao menos era simpático, me pagou uma bebida. Já o vocalista — um tal de Juninho — falava pelos cotovelos e parecia um pouco chatinho.

Fiquei um tempo ali com eles. Miguel estava junto, claro.

Jogamos conversa fora, falamos sobre diversos assuntos, até que senti falta dos meus amigos. Chamei Miguel num canto dizendo que ia procurá-los. O punk me olhou com desconfiança e tentou me convencer a ficar ali com eles, mas não cedi.

Fomos procurar pela dupla. Foi difícil encontrá-los os dois haviam simplesmente sumido do mapa, vasculhei nos banheiros, em outras salas fechadas e nada dos dois. Comecei a me desesperar.

— Calma, eles devem estar por aí. Esquece, já são bem grandinhos. — Miguel disse tentando me reconfortar.

— Ah obrigado. — ri desacreditado. — Saber que meus amigos estão “por aí”, me deixa mais aliviado, de verdade.

— Não seja sarcástico comigo. — avisou aborrecido.

— Quer saber? Vai para o inferno. Vou procurá-los sozinho, você é muito irritante. Tchau! — vociferei girando os calcanhares. Mas o maldito me deteve segurando meu braço.

— Espera! Eu vou com você. — ele disse.

— Não precisa você só vai atrapalhar.

— Já tentou ligar para eles? — ignorou minhas palavras. De repente me dei conta de que não tinha feito aquilo ainda.

— N-Não. — sorri amarelo.

O maldito loiro rodou os olhos.

— Porra, então faça isso logo!!— berrou.

— Não grita comigo!! — gritei de volta.

Ele bufou passando as mãos na cabeleira loira. Suspirei relaxando a expressão. Busquei meu telefone no bolso da calça e disquei para Matheus.

Alô! — uma voz rouca atendeu.

— Onde inferno você se meteu animal?!?!

Nat?

— Não, é o papai Noel!! Diz logo onde você tá!!!!

Não grita comigo desgraçado!! — reconheci aquela voz, não era Matheus, era o Edu. — Estamos na rua. Nos fundos dessa budega. O imbecil do Matheus bebeu todas e tá vomitando até as tripas.

— Tá bem, não sai daí, tô indo aí imediatamente. — falei desligando em seguida, sem deixá-lo dar mais explicações.

— O que houve? — perguntou o punk.

— Eles estão nos fundos, parece que o Matheus tá passando mal.

Miguel rodou os olhos, desacreditado.

— Não posso acreditar. Tinha que ser aquele traveco loiro.

— Não fala assim dos meus amigos, sabe que eu não gosto...!

— Azar, vamos logo!

— Miguel! — uma voz intrusa atraiu nossas atenções, juntos giramos os pescoços encontrando um rapaz moreno de olhos expressivos.

Porra, eu conheço esse cara...

Foi então que tive um flashback e não foi muito agradável. Não sei por que exatamente, mas senti meu estômago revirar só de encarar aquele rosto sorridente.

— Podemos falar um minuto? — ele pediu sorrindo.

— Agora não, Daniel.

— Por quê? — perguntou o intruso fechando a cara e adotando uma postura irritada.

— Não tá vendo que eu tô ocupado?! — e agora a voz do punk ficou alterada. — Vamos Natan!! — ele disse puxando meu braço e saindo de lá sem mais dificuldades.

Embora estivesse tentando me concentrar na minha preocupação com Matheus, aquela sensação incomoda ainda estava presente em meu íntimo. Como pude esquecer aquele cara?

Se o beijo dos dois aquele dia na escola ainda estava entalado na minha garganta?!

Andava tão apressado que sem perceber tinha ultrapassado o desgraçado. Deixei o maldito para trás, ele chamava por mim impaciente.

— Ei, eu tô falando com você, será que dá pra me escutar?!! — Miguel agarrou novamente meu braço com força.

— Me solta! — vociferei puxando meu braço e me desprendendo daquela mão. Estava irritado e não sabia com o que exatamente, mas estava irritado.

— O que deu em você de repente? — perguntou ele ficando chateado com meu tom.

— Nada que te interessa. — me alterei. — Se não tá gostando volte pra aquele idiota.

Miguel arqueou uma sobrancelha intrigado com minha súbita mudança de comportamento. Cruzei os braços a cima do peito sentindo meu rosto inteiro formigar.

— Você... — ele murmurou abrindo os olhos em dobro de tamanho. — Está com ciúme?

Arregalei os olhos subitamente, o sangue subiu as faces com velocidade. Descruzei meus braços e voltei a caminhar pisando duro no chão.

— Como se isso pudesse acontecer, não diga bobagens, otário!

— Não é bobagem. — ele disse vindo atrás de mim. — Eu sei perfeitamente quando alguém tá com ciúme, já experimentei diversas vezes o gosto amargo desse sentimento e sei que você tá morrendo de ciúme.

Ele riu convencido, adorando aquelas ideias.

Fiquei extremamente irritado com suas suposições absurdas, era óbvio que não estava com ciúme porcaria nenhuma. Onde já se viu... Eu com ciúme do Miguel Dorneles?!

Never!

— Deixa de ser idiota, eu te odeio!! — Vociferei com os punhos fechados. — Pare de tirar conclusões precipitadas... Eu não sou veado para ter ciúme de um cara!!

Miguel ficou irado com minhas palavras, seu sorriso morreu e os olhos claros estreitaram-se perigosamente.

— Não me provoque. — ele disse pausadamente.

— Ou o que?!

— Escuta Nat! Tenho sido muito paciente com você. Só que ás vezes você extrapola os limites e eu sinto vontade de te socar... De verdade!

— Então manda a ver!! — provoquei.

Ele mordeu os lábios com força, fechou a mão em punhos, mas conteve-se quando sua atenção foi desviada para um acontecimento inusitado atrás de mim.

Mesmo a contragosto girei o pescoço e a cena a seguir me deixou estático. Matheus estava sendo carregado por Pablo em direção a um carro. Fiquei tão pasmo que não tive reação a principio.

Aqueles dois se odeiam mais que eu e o maldito Dorneles nos odiávamos.

Então porque?

Corri para perto deles, estranhando não enxergar Edu por ali. Mas não me apeguei muito aquela ideia, pois o estado incomum de Matheus me deixou mais assustado.

Matheus estava completamente desacordado. Seu estado era deplorável, parecia um lixo. Os cabelos estavam banhados de suor e sua camisa estava molhada.

— Ei, Matheus! — chamei batendo de leve em seu rosto, mas não obtive nenhuma resposta.

— Não adianta, ele tá péssimo. — Pablo disse. — Não vai te ouvir.

— Mas o que aconteceu? — perguntou Miguel, enquanto eu afastava um pouco da franja loura que atrapalhava os olhos de Matheus.

— Ele bebeu todas, ou deve ter usado alguma coisa.

— Como assim? — arregalei os olhos com aquelas palavras, ditas de forma experientes por Pablo. — Você quer dizer... Drogas, é isso?!!

Pablo apenas limitou-se a afirmar.

— I-Impossível!!! Ele não usa essas coisas. — rebati, vendo o punk dar de ombros.

— Nat, isso pode acontecer, é normal em festas como essas. — disse Miguel cem por cento confiante.

— Você deu alguma coisa a ele? — perguntei me dirigindo a Pablo e alterando meu tom de voz.

Sim, eu estava desconfiando de Pablo.

O punk franziu a testa revoltado com a minha atitude.

— Olha aqui franguinho... — ele começou apontando o cigarro aceso na minha cara. — Não fique você achando que é fácil para mim carregar esse cara. Eu o odeio com todas as minhas forças, ok?! Fiz porque senti pena dele, estava jogado não chão como um indigente. Embora seja um baita filho da puta, não tenho coragem suficiente de deixar um cara jogado no chão do jeito que esse estava.

Engoli seco e ele prosseguiu com seu sermão.

— E com essa carinha de menina virgem dele, podia acabar sendo violentando por algum espertinho...!

— Ok, chega Pablo. — Miguel interviu vendo que meu rosto estava ficando contorcido de terror só de imaginar a possibilidade do meu amigo passar aquilo.

Engoli seco e comecei a indagar sobre o paradeiro de Edu.

— Seu outro amigo idiota foi embora abaixo de pancadas, a mãe dele apareceu furiosa. — Respondeu Pablo frio.

— E agora, o que a gente faz? — perguntei mais para mim que para os dois. — Não posso levá-lo para casa assim...

— Eu que não vou cuidar desse cara. — disse Miguel prontamente.

— Deixa que eu o levo pra casa. — Pablo disse atraindo nossa atenção.

Fiquei estático.

Daí lembrei que não seria uma boa ideia já que Pablo é um cara meio sádico e gay. Matheus não estava em boa condição e não saberia se defender se caso Pablo tentasse algo.

— Não se preocupe, não tenho intenção de abusar do seu amigo, apenas quero ver a cara dele quando estiver são, e descobrir que eu cuidei dele. — e riu baixinho, fazendo meus pelos dos braços se arrepiarem. — Vai ser divertido.

— N-Não me parece uma boa ideia. — resmunguei.

— Então vou deixá-lo aqui para virar comida desses caras nojentos, você decide. É pegar ou largar.

Olhei para Miguel que não queria papo comigo e depois para o rosto sério de Pablo. Engoli seco e repousei meus olhos no rosto desacordado de Matheus pedindo perdão antecipadamente.

(#)

No dia seguinte não vi Matheus.

Tentei contatá-lo de várias formas, mas só chamava, fiquei preocupado. E passei o dia inteiro tentando falar com ele.

Minha última esperança era encontrá-lo na escola.

Passei pelo portão da escola desejando um bom dia ao vigilante como sempre faço, e sem pressa subi as escadas sempre olhando para os lados em busca do Matheus.

Quando estava dobrando para entrar no corredor o vejo longe conversando... Não, não: Gritando com Pablo, na verdade!

Apertei o passo visto que ali estava para começar uma nova briga, no entanto algo muito mais sinistro chamou minha atenção. Vi de longe Marcela conversando com alguém e ela parecia mais feliz que nunca.

Sorria e jogava charme balançando os cabelos, mas o que me chocou verdadeiramente foi o fato de que a pessoa com quem ela conversava era ninguém menos que minha irmã.

Priscila sorria de modo leviano, resvalava os dedos nos cabelos de Marcela cheia de segundas intenção e o pior: Marcela parecia estar curtindo aquele momento.

Fiquei pasmo sem saber como reagir, as duas pareiam se dar bem.

Bem até demais!!!

— Desde quando...? — murmurei quando me dei conta do que tudo aquilo significava.

— Desde sempre. — a voz baixa e preocupada de Miguel chegou aos meus ouvidos.

Girei meu pescoço para encará-lo vendo a compreensão mesclada de alivio.

— V-Você sabia?!?!

Notas finais
Estamos na reta final, ainda pretendo postar mais dois capítulo e fim, acabou. Não vou dar spoilers. Como disse tinha um presentão para vocês nas notas finais, eu postarei uma side-story de Delirious com lemon (postada às 00:24 - http://fanfiction.com.br/historia/473763/Inimigos_intimos/). Ainda hoje, rezem para não faltar luz, se não só amanhã para postar. Beijão, obrigada por tudo até o próximo. Por favor, não deixem de comentar. haha