Delirious

20 20. Cada um com seus problemas.


Notas iniciais
Capítulo dedicado a duas pessoas primeiro á Naomi Manzuma que fez a sétima recomendação e me fez o ser humano mais feliz do mundo, querida desculpa a demora pra agradecer pela recomendação maravilhosa. AMEI CADA PALAVRA ESCRITA. Obrigada. E também á Daisuke Hana que adivinhou o diálogo do Pablo ( bagaceiro ) no face. Obrigada pelo apoio amor. Boa leitura. Lembrando se encontrar erros pelo caminho aponte.

Capítulo 20. Cada um com seus problemas.

Narrado por Miguel

Estava com o pé na porta de casa, feliz da vida e prontinho para sair quando...

— Pare aí mesmo, aonde pensa que vai?

Estanquei no meio do caminho com a chave na mão, ergui uma sobrancelha, era Pablo e a expressão que sustentava no rosto não era das melhores. Cocei a cabeça, sofrendo antecipadamente com o empecilho que estava ali para ferrar meus planos.

— Ah não cara! Estou de saída... — Tentei usar um tom firme, mas não funcionou.

— Olha a minha cara de preocupação para sua saída!

— Como é?

— Liga agora para tua putinha e avisa que não vai mais. — Encarei estático seu rosto inexpressivo. — Não me olha desse jeito porra, eu tô sempre quebrando teus galhos, quando faz merda é no meu ombro que chora. Então agora é a minha vez de babar teu ombro.

Observei-o mais uma vez, chocado, depois tentei fazer uma cara de miséria, mas não surtiu efeito. Ele se escorou na parede e ascendeu um cigarro e não dando a mínima para minha cara de criança cagada.

Porra! Eu tinha planos.

Ia dormir na casa do anão. Olhei mais uma vez para ele e cheguei a conclusão de que algo muito ruim deve ter acontecido. Conheço essa peça melhor que ninguém.

Suspirei derrotado.

— Anda vomita! — Falei me escorando na porta.

Pablo prendeu o cigarro nos lábios encarando um ponto fixo e inexistente a sua frente, como se estivesse lembrando de algo, fez uma careta dolorida. E por fim bufou!

Descansou o cigarro nos dedos e assoprou a fumaça para o lado.

— Aqui não, vamos entrar. — Girei olhos e cedi espaço para que entrasse, Pablo o fez e quando passou por mim choraminguei em pensamento:

O anão vai me matar.

Pablo sentou no sofá, de modo descuidado e relaxado. Estava sozinho em casa, meus pais... Sei lá onde se enfiaram, provavelmente os dois estavam em algum boteco.

Bati a porta e puxei uma cadeira, posicionando-a na frente do sofá. Ascendi um cigarro também e fiquei encarando-o no aguardo de seu choro.

— Vou começar sem rodeios, você sabe que odeio enrolação. — disse ele. Concordei com a cabeça. — É o Pê!

Pê... é o Pietro, só para esclarecer.

— Imaginei que fosse. — comentei sem me surpreender.

— Brigamos. Na verdade nos agarramos no pau, a coisa foi bem feia.

— E porque brigaram dessa vez?

— Pelo mesmo motivo de sempre, mas dessa vez ele... — bufou. — Ele perdeu a noção do perigo. Passou dos limites!

— O que ele fez?

— Porra, quer calar a boca e me deixar falar?!! — Ergui as mãos, mostrando as palmas em sinal de paz. — Acredita que ele disse na minha cara que vai fugir com o maldito moleque do colégio?!

Não disse nada, apenas ergui uma sobrancelha intrigado. Quanto menos ele puder ouvir minha voz mais chances tenho que sair daqui vivo e... Hoje!

— Ele me deixou louco!! — se alterou. — Desferi um soco na cara dele. E foi um soco com vontade... Ficou roxo, sabia?!

Traguei o cigarro, olhei para o relógio na parede, eram oito horas da noite, inconsequentemente comecei a bater o pé esquerdo impaciente. Aquela conversa ia durar e... Eu não estava a fim de tê-la naquele momento.

Porra, eu sei que o cara é meu amigo, entendo que está passando por dificuldade, mas... Ele também precisa entender o meu lado.

Já tinha meus compromissos.

— Pablo... Espera um pouco, vou ter fazer uma ligação. Tenho que avisar o Natan que não vou mais.

Pablo me olhou com os olhos estreitados e em seguida começou a gritar:

— Caralho, ainda não fez isso?!! — Me deu um tapa na nuca. Quase caí da cadeira. — Faz logo! E depois não quero ouvir você falar desse franguinho enquanto eu estiver aqui, entendeu?!!!

Até fechei os olhos.

— Tá entendi. — respondi. — Mas também não precisa gritar, não sou surdo, caralho. E como eu ia ligar se estava te atendendo?!!

— Tá ficando surdo?!! Ah!!! Deve ser influência daquele nanico, deve ser doença contagiosa!!!!!

— Não fala assim dele... — Murmurei apontando o dedo.

Ainn! Não fala assim dele... — Repetiu com voz de veado. — Lá fora eu disse: liga pro' franguinho avisando que não vai mais!!!

Bufei, ele estava nervoso, discutir só pioraria tudo. Peguei o celular no meu bolso e saí na rua. Me encostei na parede e suspirei. Merda! Disquei, engolindo seco, ele ia ficar puto.

Chamou uma vez e ele atendeu.

— Tá atrasado! Já viu que horas são? — foi à primeira coisa que ouvi quando me atendeu. Porra, mas nem um oizinho primeiro?

— Seguinte: Mudança de planos, não vou mais.

— O que??

— O Pablo tá aqui em casa e ele não tá legal.

— O que ele tem? — Perguntou curioso.

— Brigou com o primo e tá chorando muito... — Neste momento dentro de casa uma voz muito irada gritou:

— Miguel seu filho da puta, vai me deixar aqui esperando até que horas?!?! A punheta no telefone tá boa pelo jeito!!!

Ah sim tô vendo que ele tá chorando, tá malzão! — observou sendo irônico. — Então tá, vai lá secar as lágrimas dele. Fazer o que, né?!

Sorri amarelo, me despedi e desliguei.

Voltei para dentro de casa e Pablo estava lá, sentado com as pernas separadas e os cotovelos apoiados nelas.

Muito tenso.

Voltei a sentar a sua frente e de péssimo humor falei:

— Precisava fazer todo esse escândalo? — Perguntei aborrecido.

— Pro' inferno. — Respondeu. Revirei os olhos.

— Continua de onde parou, eu tou' aqui agora, sou todo seu satisfeito? — Ele se jogou para trás e bufou.

— Vamos sair pra beber! — Disse de repete e não esperou pela minha resposta, no mesmo instante já estava se erguendo e caminhando até a porta.

No fim não vi alternativas, ainda não sei como eu (com a fama que tenho) consigo me submeter a este tipo de coisa. Acho que talvez seja pelo fato dele ser o cara que... Digamos assim: Me acolhe quando estou desamparado.

(#)

Pablo bebeu todas. Gritou, se lamentou, riu feito um louco desvairado, chorou e até lutou com um gordão no boteco.

Tive que levá-lo para casa e durante todo o nosso percurso ele não falou nada que tivesse sentido. As únicas coisas ditas por ele que realmente foram sinceras foi quando disse que não queria ser deixado pelo primo e que não ia admitir de jeito nenhum que o moleque fugisse de casa.

Vou confessar que fui surpreendido com suas palavras, nunca tinha visto-o ficar naquele estado, era novidade. Quando chegamos em sua casa, a mesma se encontrava escura... Ele se desesperou imaginando o pior. Chorou quando colocamos os pés lá dentro e percebeu que estava tudo silencioso. Levamos um enorme susto.

Pablo entrou em casa como um furacão derrubando tudo que via pela frente, mas não tardou a fomos aliviados quando encontramos no íman da geladeira um bilhete assinado pelo Vinicius, onde relatava que ele tinha levado Pietro para sua casa com intenção de acalmar o moleque e tentar colocar um pouco de juízo naquela cabeça ruiva.

Senti como se minha alma tivesse abandonado meu corpo por conta do imenso choque. Pablo caiu na cama e entre resmungos e lamentos sobre seu primo, ferrou no sono.

— Que noite! — Resmunguei respirando fundo.

Estava sentando no chão ao pé da cama, ascendi um cigarro e fiquei um tempo ali divagando sobre tudo que aconteceu. E o que não aconteceu, mas que poderia ter acontecido nessa noite.

Olhei o relógio na parede, era meia noite e trinta minutos, o sábado começava tenso.

— Mas ele bem que poderia começar de outro jeito... — pensei alto.

E do nada me via ligando para o anão. Ele demorou séculos para atender a droga do telefone, mas atendeu.

— Filho de uma égua... me diz que o que você tem para falar a essa hora é muito importante... talvez que Pablo tenha levado um tiro na cara ou coisa do tipo... porque se for besteira juro que amanhã arranco suas bolas.

Sabe quando você fica sem palavras? Não por estar com medo da ameaça ou algo do tipo, apenas por ter faltado palavras para articular uma resposta pra dar a tanta idiotice dita.

— Não imbecil ninguém foi baleado. Vira essa boca suja pra lá. — Ouvi um suspiro inconformado do outro lado da linha. — Liguei para avisar que estou indo pra aí agora mesmo.

— Como é...? — riu desacreditado. — Nem pense nisso, sabe que horas são?

— Que se foda, tou' saindo agora mesmo da casa do Pablo. — Falei me erguendo e apanhando meu casado sob a cama. — E quero que você me atenda ou vou fazer um enorme fiasco aí na frente, entendeu?

(#)

Já era a quinta pedrinha que acertava na janela e nada de ele aparecer.

— Hei... Anão desgraçado, abre a porta! — Sussurrei. O sangue começou a subir pra cabeça.

Ele fazia de propósito.

— Hum... Vai embora! — resmungou sonolento dentro do quarto.

— Tá brincando? Eu vim até aqui a essa hora. Abre agora a porra da porta! — Falei me contendo para não começar a gritar.

— Ninguém mandou cê' vir, veio por livre e espontânea vontade. Em nenhum momento falei que ia abrir a porta.

— Vou te matar! — grunhi e ele riu dentro do quarto. Não demorou e logo ouvi o som dos trinques da janela sendo abertos.

Logo consegui ver seu rosto sonolento, porém sorrindo maroto.

— Anda maldito entra! — disse abrindo espaço para que eu pudesse pular. Fiquei um tempo encarando seu rosto... engoli seco, sentindo uma involuntária pulsação no meu peito enquanto encarava aquele rosto.

Droga... Passei o dia inteiro pensando em ontem. Engoli seco novamente e me aproximei da janela, seu sorriso fraco foi substituído por uma expressão de curiosidade.

Passei meu braço em volta de seu pescoço, agarrando sua nuca de leve e lhe tasquei um beijo, suave, mas demorado. Como o previsto a principio houve uma pequena resistência, mas aos poucos pude sentir aquela sensação gostosa de ser correspondido de um jeito tímido, contido e envergonhado, porém não menos adorável.

Me afastei um pouco e ainda acrescentei um selinho antes de me separar completamente dele.

Natan ficou fechando a janela atrás de mim. Retirei minha jaqueta jogando-a na cadeira em frente ao computador.

Depois de fechar a janela, ele ligou o abajur, girei meu pescoço a fim de encará-lo, e me deparei com seu rosto um pouco rubro e os olhos fitando o chão. Sei que essa reação é fruto das minhas ações, ainda é muito difícil para ele se acostumar e eu o compreendo perfeitamente, mesmo assim não consigo deixar de achar lindo.

Me sentei na cama cruzando uma perna e ficando bem a vontade, por falta de assunto perguntei:

— Tá tudo bem?

Ele afirmou balançando a cabeça.

— Foi mal, não pude vir mais cedo. — ele assentiu. Naquele momento pela primeira vez na minha vida desejei que ele tivesse feito uma piada maldosa.

Sei lá... estou começando a sentir falta daquele anão irritadiço. Suspirei observando seu silêncio incomodo.

— Ei! Não precisa ficar todo envergonhado por causa de um beijo.

Ele colocou a mão no rosto desacreditado, morrendo de vergonha, provavelmente me achando um tremendo cara de pau.

— E você, por favor, seja mais discreto quando falar sobre isso. E... mais: Não fica achando que pode me beijar sempre que sentir vontade, tá legal?! — rebateu apontando o dedo a minha cara.

Rodei os olhos.

— Discreto? Vou tentar, prometo. Mas você vai ter que mudar essa sua postura. Sabe acho que tou' começando a sentir falta do velho Anão.

— Ah não começa. Eu sou assim e pronto porra, isso nunca vai mudar. Se conforme. — Disse ele cruzando os braços e virando o rosto para o lado.

— Não. Este não é você, acredite. — teimei. Ás vezes amo minha teimosia. O rosto pálido e sardento se contorceu.

— Então vai tomar no cu. — revidou irado.

Arreganhei meus dentes.

— Este sim é você. — ralhei. — Esse é o anão que eu conheço.

— Pare de me chamar de anão, isso é bullying, sabia?

— Tsk, que bullying nada. — desdenhei e ele fez uma careta desgostosa.

— Que trouxa. — resmungou e eu sorri. Ótimo ele está voltando ao normal.

— Certo, estou com fome. Não tem nada pra comer? — perguntei.

—...

(#)

Quando passamos pelo corredor escuro lembrei daquele dia que fingi insônia. Ah, acho que vou repetir a dose esta noite.

Sorri no escuro.

Fomos parar na cozinha, Natan ascendeu à luz e abriu a geladeira. Retirou de lá uma porção de cosias gostosas, dentre elas: presunto, queijo, manteiga, maionese... Eca! Odeio maionese. Pegou pães no armário e um sedutor bolo de chocolate.

— Uau! É impressão minha ou esse bolo me chama? — Tirei uma onda.

— É pura impressão sua, porque esse bolo é da minha irmã, eu vou comer e não vou te dar. — Fiz uma careta e me sentei numa cadeira.

— Se eu fosse você não faria isso. — alertei falando do bolo. Ele sacudiu os ombros e rebateu:

— Que se foda, ela não tá aqui mesmo. Não vai saber quem pegou.

Ah, ela vai sim. E eu não quero nem estar aqui quando ela descobrir, mesmo assim vou me aproveitar em comer essa delicia, pois ela me chama. Natan começou a preparar um pão, fiz o mesmo, mas antes cortei um pedaço daquele bolo.

— Escuta, tá afim de sair comigo amanhã a noite?

— Onde? — perguntou de boca cheia.

— No ninho! — Natan fez uma careta desgostosa. Rodei os olhos e já fui me adiantando. — Minha banda vai tocar lá. — ele sustentou o olhar desaprovador em mim, remexeu as sobrancelhas amenizando a expressão e propôs:

— Só se o Matheus e o Edu forem também.

Oh, não ferrou! Merda.

— Nem pensar. — respondi sem pensar duas vezes. — Não quero aqueles frangotes...

— Ah então nada feito. — meu raciocínio foi interrompido por sua resposta.

Bufei, observando um copo de suco de laranja sendo servido e colocado na minha frente. Mordi um pedaço do meu pão recém preparado.

— Você não tá achando que eu vou implorar, tá? — Perguntei, ele nem me olhou.

Bebeu seu suco e preparou outro pão.

— Não tou' achando nada imbecil. Você me fez um convite e eu te propus minhas condições, mas não houve acordo de ambas as partes, fim.

— Que isso... Tá aprendendo a falar bonito agora, é? — contorci meu rosto e Natan rodou os olhos. — Escuta: porque quer levar aqueles babacas pendurados?

— Não fala assim dos meus amigos ou te bato aqui mesmo! — se alterou. Uma vez anão, sempre anão.

— Qual é o problema de ir só comigo? — perguntei.

— Não quero ficar lá sozinho.

— Eu vou estar lá também. — Falei me sentindo ofendido.

— Com seus amigos estranhos. — Depois de ouvir essa me calei por um minuto.

Ok, não foi dessa vez não consegui conter minhas vontades.

— Mas os meus conhecidos vão estar lá também; da outra vez vocês se deram bem. — argumentei.

— São todos loucos, completamente fora da casinha. — ralhou me encarando fixamente.

— É, mesmo? Porque não foi bem isso que disse da última vez! — e dessa vez quem se alterou fui eu.

— Não grite, meus pais estão dormindo idiota. — Alertou irritado.

— Não fuja do assunto!

— Não estou fugindo. Escuta animal: porque tá fazendo todo esse fiasco? Sério tá exagerando e esse assunto tá me irritando.

— Não gosto daquele maricas. — falei me referindo a seus amigos.

— Miguel... — era a primeira vez que ele se dirigia a mim pelo meu nome. Arrepiei com o timbre. Encarei-o surpreso. — Não me irrite.

— Não quero que leve eles. — fui sincero, apesar de estar um pouco abalado com seu olhar.

— Então eu não vou. — devolveu imediatamente.

— Tudo bem então não vá. — rebati ficando realmente irritado, mas me esforçando para disfarçar.

— Ótimo. — ele disse voltando a comer.

Droga!

(#)

Lá estavam os três escorados na parede. Natan, o boboca dos pelegos e o traveco loiro.

Quando Pablo os notou do outro lado do salão ergueu uma sobrancelha e me fitou questionando, dei um riso sem graça, mas ele não riu. No fim não pude resistir. Maldito anão cada dia que passa fica mais difícil de ficar longe dele.

Que porra esse moleque sardento tem que me deixa desse jeito, idiota? Mel no rabo?

Falando em Pablo a coisa ia de mau a pior, era notável pelo enorme hematoma no canto da sua boca. Confesso que ficaria um charme (e de fato ficou) se não fosse pela carranca mal humorada. Pietro é uma peste, o demoninho vermelho estava negando fogo, ou seja, Pablo estava em abstinência sexual.

A coisa andava feia para o lado dele. Mas quem sou eu para falar dele? Sinto-me virgem de novo.

Quanto tempo faz que não transo? Nossa, nem lembro a última vez que... Olhei para o anão do outro lado do bar. Acho que... Nunca mais na minha vida vou fazer sexo. Ele nunca vai ceder, pensar nisso me deixa impotente.

Sério.

Suspirei. Com passos lentos caminhei em direção à rodinha deles, adiando minha morte lenta. Nessa noite em especial este lixão de lugar está lotado, mais lotado que de costume. Parece que a cidade inteira resolveu aparecer por aqui. Que inferno, detesto multidões, sempre rola confusão no meio da festa, sempre.

O traveco loiro notou minha aproximação, contorceu aquela cara de gatinho siamês e se postou imediatamente na frente do anão como um guarda costa. Rodei os olhos em desagrado total, mesmo assim aquilo não impediu de me aproximar.

— O que você quer dessa vez? — ele perguntou quase encostando a boca no meu nariz.

— Com certeza não é olhar pra essa sua cara azeda. — respondi com bom humor. Voltei minha atenção ao anão escorado na parede com uma cara de quem comeu e não gostou, provavelmente seja por culpa do lugar. — Hei, Nat posso trocar uma palavrinha com você, a sós?

— Cai fora Dorneles... — disse o loiro.

— Não se meta, não tá vendo que o papo é reto? — Estreitei meus olhos olhando diretamente nos olhos dele. — Cara chato. — resmunguei.

Nessa hora ele me deu um empurrão, respirei fundo e antes que pudesse reagir o anão interferiu.

— Hei, he! Vocês dois não comecem! — Disse fazendo uma careta de aborrecimento. — Parem com isso, vocês têm que aprender a se darem bem. Que caralho.

— Diz isso para o seu amiguinho aqui. — Rebati com os olhos fixos no maldito loiro.

— Matheus qual é... Viemos aqui pra nos divertir. — tentou Natan.

— Eu não gosto desse cara, já disse isso um milhão de vezes. — respondeu o loiro.

— Mas por quê? — Perguntou um Natan inconformado.

— Porque sei quais são as reais intenções dele... — respondeu a biba.

— Que...? — indagou Natan.

Ri de canto, um sorriso maroto.

— Claro que sabe... Você entende muito bem e compartilha das mesmas intenções. — Alfinetei sem medo.

— Como é? — A loira ficou irada. Segurou o colarinho da minha camisa com força.

Natan se aproximou de nós tentando amenizar a situação, segurando o punho fechado na minha camisa.

— Hei, hei! Vão parar com isso porra, não vim aqui nesse inferno para assistir vocês dois se matarem. Edu seu merda dá uma força aqui. — O otário do pelego coçou a orelha e deu de ombros. Fazendo pouco caso.

— Tou' fora, deixa que os loiros se matem logo. — Foi sua resposta.

Já de saco cheio de toda aquela novela mexicana, usando agilidade, retirei o punho fechado da gola da minha camisa, peguei o braço do Natan e comecei a arrastá-lo pra fora dali.

O cara ainda tentou nos seguir, mas acabou se perdendo no meio da multidão.

— Hei, pra onde tá me levando? — perguntou o anão.

— Logo vai descobrir.

Fomos em direção aos banheiros naquela parte do inferninho estava mais escuro, era um corredor estreito que dava acesso aos banheiros no final. Ali haviam vários casais se pegado.

— Olha aqui filho da puta, eu não vou deixar você ficar me arrastando como bem quer por aí como se fosse sua boneca. — ele olhou em volta percebendo o que tinha de tudo ali. — Me tira daqui! Anda!

— Hei, quer me dar uma trégua, aquele seu amigo chato fica na cola o tempo todo. — desabafei.

— Droga, porque você-! — Ele ia começar a me xingar, mas interrompi.

— Foi ele que começou tudo, eu estava de boa. Ele veio pra cima de mim primeiro.

— Porque vocês não podem se dar bem... Não precisavam se gostar, mas sei lá... Se respeitem.

— Impossível. — respondi ascendendo um cigarro.

— Porque caralho?! — Ele se alterou.

A música estava altíssima, mal conseguíamos conversar direito, nossos diálogos eram a base de berros.

Respirei fundo.

— Porque nos dois queremos a mesma coisa. — Natan ergueu uma sobrancelha sugestivamente.

Tão inocente.

— Por favor, explique-se! — mandou, cruzando os braços acima do peito.

— Nem pensar, ao menos não agora. Olha, eu não te trouxe até aqui pra isso, tá legal?! — Ele olhou em volta desfazendo a pose desafiadora e franziu a testa.

Acho que entendeu o recado.

Natan não gostou muito do novo cenário, mas azar, da ultima vez que estivemos ali tinha intenção de arrastá-lo para lá, mas ele não me deu brechas.

Oportunidade me faltou.

Me aproximei dele, quase colando nossos corpos. Percebendo que me aproximava cada vez mais de si, inevitavelmente Natan encolheu os ombros, se exprimindo na parede ficando de cabeça baixa.

— Hei, aqui não, aqui não... Perdeu a noção e se o Matheus nos pega? — eu quero mais é que ele apareça e veja tudo.

Dane-se.

— Olha, este tipo de coisa não se pode controlar. E mais: Eu já esperei demais. Tou' no meu limite. — Falei jogando meu cigarro no chão e pisando em cima dele.

— Q-Que... Que infer-? — A frese morreu quando meus lábios a interromperam e um novo beijo se fez.

Meus braços rodaram sua cintura, entreabri vagarosamente a boca deixando o hálito quente tocar seus lábios fechados.

Ele se encolheu mais ainda contra a parede. Mordisquei seu lábio inferior, em seguida uma de minhas mãos subiu para a nuca. Natan involuntariamente entreabriu os lábios, convidativos demais para minha satisfação. Deixei que minha língua resvalasse para dentro de sua cavidade.

Natan se derreteu como açúcar nos meus braços. Seus pequenos braços agarraram a bainha da minha manga com força. Ele tremia.

E assim ficamos daquele jeito por um tempo. Puxei carinhosamente os poucos cabelos de sua nuca e abracei sua cintura trazendo para mais perto do meu corpo.

Aquilo estava ficando ótimo. Podia morrer naquele momento.

Meu corpo começou a se aquecer, subindo a temperatura numa velocidade tamanha.

— Miguel p-pare... — ele pediu quando minha boca deixou a sua, substituindo-a pela bochecha, trilhando caminho até orelha. Deus, aquilo estava ficando maravilhoso e com ele pedindo para parar então...

— M-miguel... — Mordi sua orelha e puxei o ar com os dentes completamente excitado. Ele resmungou algo desconexo.— I-isso... Isso tá indo longe demais. — Resmungou mais uma vez.

— Só mais um pouco. — Estava no limite da minha excitação. Tanto que inconsequentemente minhas mãos apalparam seu traseiro, ele deu um salto involuntário.

— Desculpa atrapalhar... — Porra!!!! Maldito Pablo.

Quando ouviu a voz dele Natan começou a me empurrar usando certa violência para me afastar.

— E eu não queria atrapalhar, juro que não queria. — Suspirei frustrado. Eu sei o quanto este infeliz queria sim atrapalhar, é notável. Está estampado na cara dele a felicidade de ter feito isso, imaginando o quando eu estava excitado. — Mas temos uma apresentação agora. E não podemos entrar no palco sem o nosso guitarrista.

Natan fez um ruído disfarçado com a garganta, voltando a se encostar na parede, seus os olhos estavam dilatados.

Droga! Olha o estado dele: está completamente excitado.

Porra, me diz como abandonar uma criatura indefesa como aquela num lugar como aquele, cheio de lobos famintos.

Nem nos próprios amigos dele eu posso confiar!

Olhei mais uma vez para ele, vendo-o mexer os ombros desconfortável com a própria excitação. Mordi meu lábio inferior desejando-o mais que... Qualquer coisa, mais que um cigarro.

Péssima comparação.

Suspirei, não encontrando outra alternativa.

— Certo! Mas... Ele vai para o palco com a gente.

Pablo ergueu uma sobrancelha, Natan abriu os olhos dobrando seu tamanho e de repente um brilho surgiu.

Notas finais
É as coisas estão esquentando. Hahaha Agradecimentos a quem chegou até aqui, e a quem for comentar, beijos até o próximo.