Delilah

6 Mentiras amargas


Notas iniciais
Capítulo pequeno por mudança de plano nos últimos segundo de jogo. Prometo que o próximo vai ser bem grande. Estou tecnicamente de férias agora, we shall comemorar.
Então boa leitura!

Arthur engoliu seco, seu coração apertando enquanto seu lábio inferior tremia. Nunca fora bom em esconder as coisas de Emily, a princípio porque não precisava. Tentara algumas vezes e chego a quase ter sucesso em uma delas, quando decidira fazer-lhe uma festa surpresa para comemorar o aniversário juntos, mas se denunciou na véspera. Ele deu um sorriso amarelo.

“E-eu sai com o Francis, lembra?”

“Sim. Até onde eu sei, isso foi ontem.”

“Eu bebi além do meu limite e apaguei. Francis me levou para casa.”

O olhar inquisitivo de Emily percorreu todo o corpo de Arthur, a desconfiança evidente em seus olhos.

“Olha, Em, eu juro que eu e Francis só saímos para beber, casualmente. Você sabe que eu só fiquei com ele uma vez e uma vez somente, e não tornaria a fazer isso de novo.” Mas, em compensação, você arrumou um amante cinco anos mais jovem que você. “E-eu juro que foi a bebida.” O olhar dela ainda era inabalável. “Vamos, Em, acredite em mim! Você me conhece...”

“O suficiente pra saber que seus maiores porres também só ocorrem quando há algo errado.” A voz dela falhou e seus olhos começaram a ficar marejados. “É o quê, Arthur? A nossa vida, ela já deu pra você?”

Quando Arthur abriu a boca para responder, o telefone tocou uma, duas vezes. Emily o olhou de relance, limpou as poucas lágrimas que já ameaçavam cair e caminhou até a cozinha para atender. Arthur, preocupado, seguiu a mulher e parou bem à sua frente, sob seu olhar repreensivo.

“Residência dos Kirkland.” Ela disse com a voz embargada. “Emily falando... Oh, Francis...” Ela lançou um olhar frio para Arthur, que escondeu o alívio, apesar de ainda estar apreensivo pelo que Francis teria a dizer. Mas por um minuto, por um mínimo minuto, ele jurou que Alfred havia dado um jeito de descobrir o seu telefone – nem se passando por sua cabeça o fato de isso ser impossível. “Ele chegou sim, por quê?” Arthur engoliu seco, tentando imaginar o que Francis dizia à mulher à sua frente. Ele nem conseguiu acompanhar o resto da conversa de tão nervoso e só conseguiu retornar à realidade quando ouviu Emily desligar o telefone.

Ela o encarou e ele a encarou de volta.

“Então...” Ele pigarreou. “O que esse frog queria?”

“Perguntar como você estava.” Emily parecia em dúvidas. “Ele disse que você apagou ontem e acordou com uma ressaca tão grande que não tinha condições de vir para casa. E que você está com problemas no trabalho. Arthur, por que você não me contou?”

Um peso enorme pareceu sair dos ombros de Arthur ao mesmo tempo em que outro tomava o seu lugar. O peso da culpa, do remorso. Ele era um monstro, o pior dos monstros, se aproveitando da inocência e da confiança da pessoa que amava daquele jeito.

Ele sabia disso, estava perfeitamente ciente. Engoliu seco, sentindo a garganta fechar e uma vontade incontrolável de chorar. Largou o casaco no chão e envolveu Emily em um abraço apertado.

“Me desculpe.” Disse, com a voz abafada pela roupa. “Eu não queria envolver você.”

A ingenuidade de Emily a fez pensar que Arthur se referia ao assunto do trabalho. E enquanto ela achasse que realmente era isso, ela seria feliz. Docemente iludida, mas feliz.

USUK

Alfred olhava do telefone para o pedaço de papel ao lado do aparelho enquanto mordia o próprio polegar. Duas semanas se passaram desde que dormira com Arthur e ele não tinha nenhuma pista de como falar com ele novamente. Afinal, será mesmo que tudo não passara de um caso de uma noite apenas? Será que um dia eles tornariam a se encontrar, pela força do acaso – ou restaria a Alfred lembrar aquilo como uma aventura muito bem sucedida da qual ele poderia se vangloriar quando tudo tivesse passado? Ele encostou a testa na mesa e cobriu a cabeça com os braços. Independente do que aconteceria no futuro, aquela indefinição do presente estava lhe matando.

“O que é essa pose dramática? Oh, não me diga que você já está pensando nele. Parece uma garotinha enamorada, sabia?” Alfred levantou a cabeça e Feliks o encarava com um enorme sorriso enviesado. “Olha.” Ele colocou a pequena pilha de papéis que tinha em mãos sobre a mesa do americano. “Esses são os relatórios das reuniões de ontem que você pediu. Mais alguma coisa?”

“Sim, sim, tudo bem.” Alfred suspirou e deu uma olhada rápida nos papéis, franzindo o cenho, não muito empolgado.

“Por que você não se demite?” Feliks perguntou, olhando o movimento no escritório através da parede de vidro da sala.

“Por que eu me demitiria?” Ele arqueou a sobrancelha, sem tirar os olhos dos papéis.

“Nós sabemos que você odeia esse trabalho.” Ele sorriu, sem olhar para Alfred. “Eu acho que você, tipo, totalmente tem que fazer o que você gosta.”

“É fácil falar...”

“O que não quer dizer que seja impossível de fazer.”

“Não estávamos falando de Arthur?”

Feliks assentiu. “E por que você acha que isso não tem a ver com Arthur? Não está mais do que na hora de dar um jeito na sua vida, Alfred? A começar por Arthur.”

Alfred abriu a boca para objetar, mas Feliks não permitiu que continuasse.

“Kiku também acha a mesmíssima coisa, só pra, você sabe, constar.”

“Desistam, eu nunca vou encontrá-lo de novo.” Ele suspirou. “Não tenho nenhuma pista e por mais que eu ligue para aquela rádio estúpida, eles dizem que faz muito tempo desde o programa e que eles não guardam os dados assim.”

Feliks colocou as mãos sobre a mesa. “Então é o seguinte: eu consigo o telefone do Artie pra você e, em troca, você começa a procurar o emprego dos seus sonhos. A partir do momento que você telefonar pra ele, te dou seis meses para estar fazendo o que gosta.”

Alfred encarou o loiro à sua frente com uma expressão incrédula.

“E por que você faria isso?”

“Quem sabe? Mas quando eu precisar de uma, você vai ter que vir correndo pra me ajudar.”

USUK

Era quarta-feira à noite quando Feliks telefonou e alimentou esperanças que viriam a ser esmagadas apenas alguns minutos mais tarde.

Você, tipo, totalmente tem seis meses para sair desse trabalho.”

Alfred arqueou a sobrancelha.

“Posso perguntar por quê?”

Não! Checa meu último sms! Beeeeijos.”

Alfred fez o que Feliks sugeriu e corou ao ver o recado que se seguia a um número estranho de celular.

Número do nosso inglês ;) faça bom proveito!

Então era isso.

Ele finalmente tinha o número de Arthur.

Repentinamente, suas mãos começaram a suar frio.

Ele discou o número que via em sua tela, desajeitado e nervoso. Chamou uma, duas, três vezes, até que alguém finalmente atendesse e uma voz conhecida lhe viesse ao ouvido.

Arthur Kirkland falando.

Era Arthur.

De fato, era Arthur.

Como Feliks havia conseguido aquele número, isso era um verdadeiro mistério. Alfred bem sabia que lhe custaria para descobrir isso mais tarde.

Ele ficou em silêncio. Engoliu seco, mas sua voz não saía. Aquilo não era típico de Alfred. Onde estava sua autoconfiança?

Alô?

Silêncio.

Não tem nenhuma graça passar trote para as pessoas. Se você não tem nada para dizer, então passar be...

“Não, não desliga! Sou eu, Alfred!”

Alfred não estava do outro lado da linha, mas ouviu o engasgo sonoro de Arthur. Talvez fosse pelo longo silêncio que se seguiu e o tom sério do inglês ao pedir para que aguardasse um momento, talvez fosse apenas impressão da sua mente nervosa. E ele queria muito que fosse.

A-Alfred? Git! Você pode me explicar como diabos você conseguiu meu número?

“Uh... Nem eu sei exatamente... Um amigo me passou.”

Você não devia ter ligado!

O tom de Arthur era indignado, preocupado, aliviado e irritado ao mesmo tempo.

“Mas por quêe? Eu queria falar com você?”

Eu sou comprometido, você sabe disso!

“Mas isso não nos impediu de dormir juntos.”

Um silêncio se seguiu do outro lado.

“Uh... Artie?”

Você tem razão. Não impediu.

Alfred não teve tempo para se preocupar com o tom seco na voz do inglês.

Mas nada me impede de evitar que isso fuja do meu controle. O que nós tivemos foi ótimo. Não! Droga! Foi a melhor coisa que me aconteceu, por mais que me custe admitir. Mas nós não temos mais nada a ver um com o outro.

“Por que você está me dizendo isso então?”

Um princípio de soluço veio de Arthur.

Não sei, droga! Só estou dizendo!

“Então qual é o problema? Eu gostei do que tivemos! Por mais que tenha sido por uma noite, eu realmente gostei! Você também gostou! Por que não podemos tentar...”

Pelo amor de Deus, Alfred! Pare com isso! Eu amo a Emily! Você não pode pretender que uma noite vá destruir meu relacionamento de anos com ela!

“Mas você não a ama como mulher, não é? Digo, romanticamente falando. Não foi por isso que telefonou para aquele programa idiota? Não é porque você tem medo de assumir isso?” O tom de Alfred era ressentido.

Alfred...

“Não sei o que é pior: você ter dormido uma noite comigo ou você passar o resto da sua vida iludindo uma pessoa sobre os seus sentimentos enquanto a trai pelas costas!” Ele quase gritava. Seguiu-se um silêncio após a alteração e ele podia jurar que ouviu Arthur engolir seco. Em sua resposta, sua voz tremia.

Que saber? Acabou. Mesmo. Não deveria nem ter começado. Nunca mais torne a me telefonar, ou eu chamo a polícia.

Notas finais
Continuem acompanhando, o próximo capítulo terá altas emoções e algumas revelações... ;)