Delilah

7 Dizem por aí que seu coração é volúvel


Notas iniciais
Demorei outra vez, porque minha beta reader andou sem computador esses dias. E também teve essa história de Natal... -NN
Esse capítulo é bem compridinho, vai entreter vocês por algum tempo. Infelizmente a próxima atualização vai demorar bastante, pois viajarei e só retornarei em meados de janeiro. Mas já deixei alguns teasers dos próximos capítulos registrados nas entrelinhas deste.
Nesse capítulo teremos LEMON! Isso mesmo! Peço compreensão de vocês pelo fato de ser a primeira vez que escrevo um UKUS... O Artie é bem dominante como pirata, mas tenho dificuldades em vê-lo assim na sua forma "atual". Mas prometo aperfeiçoar a técnica.
Peço clemência dos leitores se houver incongruências em algumas partes (e que me avisem, para que eu corrija ao retornar), pois mudei algumas cenas depois da betagem e como eu queria atualizar antes de viajar, decidi não mandar de volta para averiguação.
Gostaria de dar um aviso: mudei a url do meu tumblr, então as pessoas que acompanhavam o azabachelparade agora podem me acompanhar pelo drinkingwithunicorns. Prontamente atualizarei a url na minha página de perfil daqui do Nyah.
Agradeço a todos os leitores que acompanham essa fic. Desejo um feliz Natal com atraso e um próspero ano novo para vocês! Divirtam-se.

No sábado de manhã, Alfred e o irmão, Matthew, saíram de casa com algum atraso. Matthew reclamava porque o irmão dormira tarde demais e, portanto, acordara depois de muito sacrifício, o que atrasou as compras do dia.


Pudera. O que Matthew desconhecia era que o irmão passara praticamente a noite inteira acordado, pensando na patética conversa que tivera com Arthur. Ele havia perdido, definitivamente. De nada adiantara o esforço de Feliks em conseguir o telefone do inglês, a não ser talvez apenas devolver Alfred para a realidade.


“De novo, de quem é esse aniversário que vamos mesmo?”


“De meu chefe. Você não o conhece.”


“Okay... Mas se é assim, por que eu tenho que ir?” Reclamou, encostando-se no banco do passageiro.


“Você é minha família. Faz tempo que não saímos juntos, você é todo ocupado e... Bom, você tem estado meio ausente esses dias. Isso me preocupa.”


Alfred encarou o irmão e sorriu.


“Agradeço a preocupação, Matt.”


Matthew sorriu, sem tirar os olhos da direção.


“Quando você se sentir à vontade para conversar, estou aqui.”


Alfred assentiu. Ele não estava ainda. Não contara nem para Kiku o ocorrido, por vergonha e raiva de si próprio. Tantos são os sentimentos que inundam um ser após uma rejeição que sua definição se torna exaustiva, senão confusa.


“Vamos parar no shopping antes de ir. Ainda não comprei o presente.”


“Okay...” Suspirou. “Algo em mente?”


“Ainda não. Mas acho que não vai ser difícil encontrar.”


Alfred assentiu e tornou a olhar para a rua. Em mais dez minutos, estariam no shopping, com o mais alto bocejando de cinco em cinco minutos atrás de Matthew.


“Cara, por que tanta demora? Achei que fossem compras mais simples, sei lá. Que saaco. Minhas pernas doem.”


“Eu disse que não tinha nada em mente! E se suas pernas doem, você pode me esperar sentado ali.” O irmão apontou para os sofás no meio do corredor.


“Tá.” Alfred bufou, caminhando com as mãos nos bolsos na direção do sofá. Matthew sorriu e disse que tentaria não demorar, já que eles já estavam atrasados. Os pensamentos de Alfred enfatizaram o tentaria.


Ele tirou o celular do bolso e começou a jogar, alienando-se do que acontecia à sua volta. Ele não pensaria em Arthur, de modo algum. Seu maior interesse agora era encontrar o maldito baú para poder passar para a maldita fase seguinte e ele estaria tão concentrado nisso pelos próximos quinze minutos que só acordaria novamente ao sentir uma presença bem ao seu lado... Olhando exatamente para a tela do seu celular.


Ele se assustou ao ver o garotinho lhe encarar com aqueles olhos azuis expressivos. Ele aparentava não ter mais do que oito anos, mas algo em sua expressão indicava uma perspicácia digna de um garoto mais velho.


“Uh. Desculpe... Você gosta desse jogo?”


O garoto assentiu efusivamente e abriu um enorme sorriso. “Sim!”


Por alguns breves segundos, os olhos de Alfred se fixaram no rosto do garotinho. Ele piscou uma, duas vezes e, por fim, sorriu de volta.


“Legal! Você já chegou em qual fase?”


“Na fase 15.” Disse, com algum orgulho próprio na voz.


“Incrível! Você sabia que na fase 16 existe uma passagem secreta que leva até o penúltimo mundo?” Alfred disse, em tom de confidência.


O menino pareceu surpreender-se. “Não! Tem? Como faz pra chegar nela?”


Alfred começou a dar as coordenadas no próprio celular, entretendo-se com a companhia por um bom tempo até ele perceber que o garotinho estava sozinho.


“Hey, garoto, onde estão os seus pais?”


Ele deu de ombros. “Acho que me perdi da minha mãe. Sempre que isso acontece, me dizem pra esperar parado em um lugar e pra não falar com estranhos. Mas você está jogando esse jogo, logo, não é um estranho.”


Alfred riu. “Não, não, não! Nunca confie em pessoas estranhas, mesmo que elas estejam jogando. Exceto eu. Eu sou legal porque sou um herói!” Apontou para si mesmo. “Mas você precisa ter mais cuidado.” Sorriu carinhosamente, afagando os cabelos loiros do garoto. “Bom, estou esperando meu irmão. Enquanto isso, eu posso te emprestar o celular para jogar, que tal?”


“Mas e você? Como vai jogar?”


Alfred fez um pequeno suspense antes de tirar outro celular do bolso. “Ta-da!”


Wow, legal! Você tem dois celulares?”


“Hahaha, não, esse celular é do meu irmão. Ele esqueceu comigo.”


“Ah!”


“Que tal jogarmos online?”


“Massa!” Os olhos do garotinho brilhavam.


Eles jogaram por mais algum tempo antes de Matthew aparecer e presenciar a estranha cena.


“Alfred?”


“Matt! Terminou as compras?”


“Sim.” Ele olhou para o garotinho ao lado do irmão. “Quem é ele?”


“Uh, ele se perdeu da mãe dele então começamos a jogar.”


Matthew suspirou. “Se perdeu?” Perguntou ao garotinho, que assentiu. Em seguida, tornou a se dirigir ao irmão. “E agora, o que fazemos?”


Alfred deu de ombros, se levantou e se aproximou do irmão para cochichar em seu ouvido.


“Não podemos deixá-lo sozinho aí!”


“Mas também não podemos nos atrasar ainda mais para a festa.”

Eles ficaram alguns minutos em silêncio, pensando em alternativas enquanto observavam o garotinho jogar. Alfred estava a ponto de desistir quando ouviu um grito, meio desesperado, meio aliviado, ecoar pelo corredor.


“PETER, FINALMENTE TE ENCONTREI!!”


Alfred e Matthew se viraram assustados para a mulher, que corria em sua direção parecendo, no mínimo, furiosa.


“Muito bonito, rapazinho! Como você me dá um susto desses?”Enquanto a mulher brigava com o garoto, Matthew cutucou o irmão com o cotovelo. Ele quase implorava, silenciosamente, para que saíssem logo dali antes que ela os percebesse. Mas os avisos discretos de nada serviram. Alfred parecia hipnotizado por aquela cena e permaneceu ali tempo o suficiente para que sua presença fosse notada. Ao se virar, ela lançou um olhar desconfiado para os dois rapazes parados quase à frente de seu filho.


“E vocês? Quem são?” Seu tom era ameaçador.


Matthew engoliu seco e olhou para Alfred, incitando-lhe a dar uma resposta. “Eh? Ah, Alfred F. Jones, ao seu dispor, senhorita! Desculpe-me, senhora, é que seu filho sentou aí e avisou que estava perdido, daí emprestei meu celular para que ele jogasse.”


Os olhos da mulher pareceram perder o tom de ameaça e ela abriu um sorriso tão iluminado quanto o que Alfred estava habituado a dar.


“Oh! Perdoe-me o comportamento grosseiro. Eu estava muito preocupada com esse rapazinho.” Ela apontou para o filho, a quem segurava pelo pulso. “Não é a primeira vez que ele se perde por aí.”


Alfred riu e afagou os cabelos de Peter.


“Então, seu nome é Peter? Você não pode dar todo esse trabalho para a sua mãe, ouviu, amiguinho?”


Ele sorriu meio tímido e se desculpou.


“Alfred, nós realmente precisamos ir...” Matthew falou o mais baixo que pôde.


“Hm, ok. Desculpe o incômodo, senhora.” Ela acenou com a cabeça. “E Peter, seja mais obediente, ok?” O pequeno assentiu e estendeu o celular de Alfred de volta para ele.


Matthew se despediu baixinho e saiu atrás do irmão. Eles chegariam com, oficialmente, uma hora e meia de atraso na festa.


A vizinhança era agradável, composta por prédios baixos, com no máximo quatro andares. A rua, até seu final, era ornada por várias árvores à beira da calçada. Matthew estacionou na frente de um prédio de tijolos alaranjados, com um modesto, mas belo jardim na frente. Antes de subirem os três lances de escada que os levariam para o apartamento de seu chefe, ele pareceu respirar fundo. Seu comportamento nervoso não passou despercebido pelo irmão.


“O seu chefe tem alguma irmã ou algo do gênero?”


“Acho que não. Por quê?”


“Você parece nervoso, quase como se fosse para um encontro.”


Matthew enrijeceu.


“M-mas é claro que estou nervoso! É o primeiro aniversário do meu chefe para o qual sou convidado! De onde você tirou essa ideia, Alfred? N-não tem nada a ver com encontros!”


Alfred fez um bico e suspirou. “Então tá. Mas tenta relaxar, pelo menos.”


Matthew sorriu e assentiu. Caminhou até o final do corredor e tocou a campainha, prestando atenção em uma porta que era, no mínimo, excêntrica.


“Cara, isso é couro de alguma coisa?”


“Uh. Não sei.”


Eles trocaram olhares e Matthew deu de ombros. Podiam ouvir música e vozes vindas de dentro do apartamento.


Attendez, attendez... Já estou chegando.” Um homem uns poucos centímetros mais baixo que Alfred, loiro e com os mesmo olhos azuis celestes, os recepcionou. O americano notou com alguma curiosidade a barbicha que ele deixava crescer em seu queixo. “Ohlala, Mathieu! É um prazer vê-lo! Já estava deprimido pensando que você havia se esquecido de mim, mon petit.”


Alfred não entendia muito bem as passagens em francês do sujeito, mas pela forma que Matthew corou, ele decidiu que não ia lá muito com o sotaque do sujeito.


“Francis, esse é meu irmão, Alfred. Já te falei sobre ele antes.”


Francis analisou o aludido da cabeça aos pés e deu um sorrisinho, estendendo a mão. “É um prazer conhecê-lo.”


Alfred devolveu o cumprimento, um pouco desconfiado. Francis pediu para que entrassem, mas tomou toda a atenção de Matthew para si. Contrariado, Alfred foi deixado à vontade para circular pelo pequeno apartamento sozinho.


Não muito tempo depois e oficialmente entediado, Alfred praticamente ruminava o último canapé que conseguira pegar antes de seu colega de sofá avançar sobre a bandeja. Para efeito de informação, o americano dividia o espaço com dois sujeitos um tanto estranhos: um espanhol que ele inicialmente imaginara ser mexicano, porque, bem, ele falava espanhol e Alfred só podia presumir que ele deveria ser no mínimo isso, já que eles estavam nos Estados Unidos e tudo mais; e um sujeito meio albino cuja nacionalidade Alfred ainda não conseguira definir. Era exatamente o mesmo sujeito que atacara os canapés e ficava tagarelando o quão incrível ele era, sendo que sequer percebia que Alfred, o herói, estava bem ali ao seu lado. E se ele era um herói, obviamente que o sujeito não poderia ser o mais incrível, e sim Alfred. E a discussão perpassava por aí até ser brutalmente interrompida por outro sujeito de óculos com um ar pedante e um sinal no mínimo gay no rosto, que se encontrava de pé ali perto. E o ciclo se repetia.


Foi por volta da hora em que começaram a servir doces, quando justamente o cara de óculos – que se apresentou como Roderich – decidira ser perda de tempo continuar a gastar o verbo com o albino egocêntrico e Alfred finalmente conseguira uma conversa entretida sobre tacos com o sujeito que se chamava Antonio, que a campainha tornou a tocar. Na verdade, o americano sequer prestou atenção nisso, apesar de o sofá ficar a menos de seis passos da porta. E como ninguém ali alojado se moveu para abrir a porta, o próprio Francis surgiu da cozinha. O anfitrião chamou a atenção de Antonio e do albino – que se chamava Gilbert – comentando o quão legal seria se seus dois melhores amigos começassem a se mobilizar para não abrir somente a porta da geladeira, conforme lhes conviesse. Como era de se esperar, nenhum dos dois deu muita atenção.


Alfred não estava tão concentrado falando sobre tacos com seu mais novo amigo a ponto de não perceber Arthur cumprimentar e logo em seguida xingar Francis por algum provável comentário inadequado do anfitrião. Ele acompanhou embasbacado o inglês entregar um singelo embrulho que não lhe era estranho nas mãos do francês e caminhar para dentro do apartamento, justamente na direção do sofá.


E então, ambos os olhares espantados se encontraram.


O coração de Alfred acelerou, praticamente tentando rasgar seu peito. Ele começou a engolir seco, pensando em um provável lugar para esconder o rosto. Da outra parte, o sentimento de Arthur era o mesmo, mas por estar em pé, inconscientemente retrocedeu um passo e apontou involuntariamente na direção de Alfred.


“O-O que diabos você está fazendo aqui?” A festa inteira pareceu parar para observar o estranho comportamento do recém-chegado e o som dos cochichos invadiu a sala. Com os lábios tremendo de nervosismo, Arthur sequer percebeu as atenções voltadas para si.


“Eu é que pergunto isso, velhote!” Rebateu Alfred. “Você não devia estar tricotando na sua cadeira de balanços, ou algo assim?”


“Ao contrário de você, pirralho, eu tenho idade para ficar fora de casa depois das dez. Então se você quer um conselho, aí vai: tenha cuidado, a mamãe pode ficar zangada se você desobedecê-la.”


O ambiente se tornou extremamente desagradável para os ouvintes, que assistiam a cena uns desconfortáveis e outros entretidos. Alfred se levantou e cerrou os punhos. Ele sustentava um sorriso forçado no rosto.


“Me desculpe, é falta de educação não deixar os idosos sentarem. Aqui está o seu lugar, vovô. E as sobrancelhas, vão bem?”


“Arthur, até que enfim você chegou.” Francis surgiu do corredor, acompanhado de um Matthew apreensivo e uma garota que Alfred não conhecia. Seu tom estava dividido entre a preocupação e uma sombria vontade de esganá-lo junto a Arthur pelo espetáculo que estavam dando.


O inglês passou a mão pelo cabelo e pigarreou, percebendo finalmente o clima desagradável aliado a um silêncio sepulcral na sala. “Desculpe pelo atraso, tive um imprevisto.”


Francis assentiu e olhou ao seu redor.


“Tudo bem pessoas, esses dois idiotas aqui são amigos de longa data e sempre que se encontram eles têm essa maneira... Er... Peculiar de se cumprimentar.”


Repentinamente, exceto pelos companheiros de sofá de Alfred, todos os presentes voltaram a se dedicar ao que faziam antes da confusão. Por outro lado, o americano e o recém-chegado compartilhavam o mútuo sentimento de vergonha após tomarem consciência da infantilidade de suas atitudes. Francis suspirou e quando pretendia intimar ambos para uma conversa privada na cozinha, a realidade o atingiu como um raio. Como Arthur conhecia o irmão de seu subordinado? Pior – ou melhor – como ambos se implicavam como se tivessem algo em comum a compartilhar? E por que, de repente, Alfred pareceu se encaixar perfeitamente na imagem mental de Francis sobre o tal sujeito com quem Arthur havia dormido havia algumas semanas? O anfitrião ficou bestificado e, por alguns minutos, manteve-se encarando o nada enquanto calculava a probabilidade de suas hipóteses se encaixarem a realidade. Então, ele olhou para Arthur e convidou-o a participar de uma reunião particular na cozinha.


“Me diz que o Alfred é aquele garoto da sua aventura.”


Arthur corou violentamente.


“Mas que infernos, frog!” Ele desviou o olhar, fez um bico e não respondeu mais nada.


Honhonhon, e não é que é ele mesmo?” Francis sorriu. “Não é muita sorte a Em não poder vir?” Provocou.


“O-o-q... Pare com isso, frog! Eu absolutamente não vou fazer nada com ele. O que nós tivemos foi um erro grotesco que não se repetirá. Estamos terminados.”


Arthur sequer deu direito de resposta a Francis. Não. Ele simplesmente abriu a porta e saiu dali o mais rápido que pode, porque não queria que o amigo percebesse que, no fundo, sua tão convicta opinião vacilava. O francês, por outro lado, se viu, pela primeira vez em anos desde que construíra uma amizade de fato com Arthur, desde que eles finalmente pararam de gastar o tempo brigando durante o dia e fazendo sexo durante a noite e que Arthur finalmente conseguira alguma felicidade e estabilidade com Emily, dividido entre um dever moral de ajudar o amigo e o peso da confiança de uma amiga. Não era fácil. E se não era fácil, ele só tinha uma opção à qual recorrer. Ou melhor, duas: Antonio e Gilbert.


Não foi difícil encontrar os seus melhores amigos de universidade. Antonio, o estudante de intercâmbio espanhol que lograra sucesso com um célebre restaurante da comida de seu país e Gilbert, seu grande e egocêntrico amigo de família germânica ainda permaneciam sentados na sala, socializando entre si enquanto o lugar que Alfred antes ocupava estava agora vazio. Muito prontamente, Francis sentou entre os amigos e envolveu ambos com os braços, aproximando-os de si.


“Preciso da ajuda de vocês.”


“Por que você está cochichando?” Perguntou Gilbert em tom nada discreto.


“Shh. É sério.” Francis olhou ao seu redor para garantir que ninguém estava prestando atenção neles. “Sabem aquele sujeito que estava com vocês há pouco?”


Antonio e Gilbert assentiram ao mesmo tempo.


“Ele e Arthur tiveram uma briga há algumas semanas e por isso não estão se falando.” Francis mentiu, porque no fundo ele ainda estava inseguro se o que estava para fazer era o certo e, portanto, mentir era o mais conveniente para evitar uma possível censura dos amigos. Então ele preferia fazer de conta que tudo não passava de mais uma de suas ‘inocentes’ brincadeiras entre amigos. “E eu, vocês sabem, não posso deixar que duas almas envolvidas pelo l’amour fiquem separadas.”


“De novo essa história de l’amour!”


“Oh, amigo, eu te entendo! La passión no se detiene!”


“Qual é o plano?”


Francis sorriu e falou tão baixo que os amigos precisaram esticar o pescoço máximo que podiam para ouvir.


Enquanto isso, Arthur se empenhava na difícil missão de evitar topar com Alfred naquele apartamento de pouco mais de cem metros quadrados. Ele encontrou um pouco de paz no quarto de Francis – que certamente não se importaria com sua presença ali a menos que decidisse praticar sua filosofia do l’amour – e deitado estava, contemplando o teto.


Que cruel, que cruel era o destino fazendo-o reencontrar Alfred daquela forma em lugar e condição tão propícios. Logo Arthur, que lutara para se convencer que em uma noite era impossível de viciar-se tão doentiamente em alguém, a ponto de arriscar sua própria estabilidade doméstica. Logo ele, que aproveitara seus anos iniciais de faculdade – isso antes de mudar de graduação – e fizera um vigoroso exercício psicológico para se convencer de que tudo fora puramente efêmero, uma fantasia adolescente em hora errada – e muito errada. Mas então aquele garoto ressurge à sua frente, como uma ironia e uma provocação do destino, que parecia insistir em lhe por o pé para fazê-lo tropeçar. Tão injusto.


Não era que ele gostasse de Alfred – e Arthur era sensato o suficiente para saber que essa história de amor à primeira vista era enredo mal contado de novela adolescente. Mas o sexo havia sido tão bom, que o viciara na primeira experiência. E não era só isso, embora Arthur arriscasse ignorar a segunda componente: a perspectiva de ter de volta a vida que sempre negara a si mesmo desde que decidira andar nos rumos o assustava ao mesmo tempo em que o enfeitiçava. Aquela vida dêsregrada e sem responsabilidades na qual fazia o que queria com quem queria.


Ele cobriu o rosto com o braço, pois a pouca claridade que adentrava o cômodo pela brecha deixada pela cortina começava a acentuar sua dor de cabeça.


Paralelamente, Gilbert conseguira deixar Alfred inconsciente com um inocente golpe na nuca. E ninguém na festa se importou muito com isso, afinal, é de Gilbert de quem estamos falando.


“Arthur?” Ele ouviu a voz de Francis ecoar lá de fora, mas não respondeu, internamente desejando que o amigo desistisse de procurá-lo e não o encontrasse. Ele sequer ousou tirar o braço do rosto, mas se o tivesse feito veria o sorriso sinistro de Francis, que o olhava pela brecha da porta entreaberta. Iludido e pensando haver escapado do amigo, Arthur suspirou e retornou aos seus devaneios. Por pouco tempo, certamente.


Ele ouviu a voz de Francis novamente, mas desta vez ele conversava com alguém. Parecia pedir para que a pessoa – quem quer que fosse – procurasse algo em alguma cômoda, enquanto ele estava ocupado terminando a sobremesa. Francis de fato tinha uma paixão clichê por cozinhar o melhor da culinária francesa. Não que ela fosse superior à inglesa, mas Francis tinha seus méritos, por mais que custasse a Arthur admitir aquilo. Enquanto ponderava a respeito, ele não percebeu que Gilbert e Antonio entraram no quarto com um Alfred temporariamente desacordado em mãos, porque estava distraído demais com seus próprios problemas. Que pena.


Em uma questão de segundos, os intrusos derrubaram o americano no chão e saíram correndo. Foi quando, assustado, Arthur tirou os braços do rosto e percebeu a presença do americano no recinto. Com o coração acelerado, ele correu até a porta, tentando abri-la sem sucesso.


E então ele se desesperou.


Diante do barulho que fazia, Alfred acordou e massageou a nuca, que doía horrores. Ele viu Arthur segurando a maçaneta e puxando a porta como se sua vida daquilo dependesse e com uma expressão de pânico no rosto. Ao perceber que o americano já estava consciente, Arthur congelou.


“Mas que infernos você faz aqui?”


“E-Eu que pergunto isso!” Ele engoliu seco. “Eu nem sei como vim parar aqui.” Coçou a cabeça. "Eu lembro que estava conversando com um sujeito almofadinha e, de repente, tudo ficou escuro! Por que você está aí agarrado a essa porta? Parece muito ridículo daqui."


“Git, era uma cilada! É porque estamos trancados aqui! FRANCIS, ABRA ESSA PORCARIA DE PORTA AGORA!”


Ele insistiu por bons dez minutos, mas não ouviu resposta alguma. Maldisse o amigo, com a respiração pesada.


“Estamos... Trancados aqui?” Alfred se levantou enquanto ainda processava a notícia. “Só nós dois... Sem forma de escapar.”


Arthur corou violentamente e se afastou do outro.


“Não se atreva a tocar em mim.”


O americano arqueou a sobrancelha.


“Relaxa, velhote, você parece uma virgem prestes a ser deflorada.” Arthur franziu o cenho. “É verdade.”


“Bom, acho que me exaltei.” Pigarreou, sem jeito. “Peço desculpas.”


Alfred assentiu, sem de fato olhar para o rosto do outro. Ele se sentia constrangido, feliz, envergonhado e, como em raras vezes, sem saber o que dizer ou fazer.


Arthur coçou a nuca, desconfortável. E lá vinha toda a ironia do destino – auxiliada pelo estúpido Bad Touch Trio – zombar de sua cara.


Foi Arthur quem quebrou o gelo primeiro.


“Então... De onde você conhece o frog?”


“Por que você quer saber?” Perguntou na defensiva.


“Só estou tentando ser amigável, git. Deus sabe quanto tempo ficaremos presos aqui. Eles o deixaram desacordado, se não se lembra. E já que isso faz parte de algum plano idiota do Francis e seus amigos, é melhor que conversemos em vez de alimentarmos esse silêncio altamente constrangedor.”


Alfred suspirou pesadamente. “Eu não conhecia o francês aí. Ao que parece, ele é o chefe do meu irmão.”


“Seu irmão?”


“É. Matthew, o nome dele.”


“Matthew Williams, você diz?”


Alfred assentiu, não entendendo o espanto de Arthur. “Qual o problema?”


“Uh. Você sabe... Eu não sabia que o namorado do Francis era seu irmão. Isso é um tanto quanto surpreendente.” E uma coincidência desgraçada, acrescentou mentalmente.


Alfred encarou Arthur por uns bons segundos.


“Você disse namorado?”


Arthur percebeu o tom perigoso na voz do outro.


“Há uns três meses. Você não sabia?”


Alfred negou com a cabeça. Demorou mais alguns segundos para que ele disparasse em direção à porta, amaldiçoando Francis enquanto socava-a. Arthur suspirou, arrependido de ter falado mais do que deveria.


“Espere até que ele abra a porta para mata-lo, git.”


“Eu não acredito que meu próprio irmão não me contou nada! Três meses já? Cadê a porcaria da consideração nessa família?”


Arthur arqueou a sobrancelha. “Agora que você falou, vocês são mesmo muito parecidos. Mas o sobrenome é diferente. Você é Jones e ele é Williams. Por quê?”


“Uh. Somos gêmeos, mas nossos pais se divorciaram. Eles tiveram uma briga estúpida e enquanto Matthew foi morar com a mamãe, eu fiquei com o nosso pai. Mas ela fez questão de tirar o Jones do sobrenome do Mattie.”


“Ah. Desculpe.”


“Pelo quê?”


“Pela pergunta inconveniente.”


Alfred sacudiu a cabeça. “Não me importo em falar disso. Aconteceu, faz parte.”


Ele disse aquilo com tanta naturalidade e com um ar de sapiência que Arthur não pode impedir que uma leve admiração lhe preenchesse. O garoto era maduro, afinal. Bom, quando queria ser, pelo menos.


Alfred não sabia se comentava, mas se sentiu feliz por Arthur saber seu sobrenome. A julgar pelo estado emocional do inglês, ele preferiu comemorar silenciosamente.


“E você, como conheceu o francês aí?”


“Estudamos juntos na universidade. Éramos colegas de quarto, na verdade. Costumávamos dormir juntos, antes de eu começar a namorar Emily.” Ele sabia que não devia estar dizendo aquilo para Alfred, sabia mesmo. Seu passado e sua relação com Emily não eram problema daquele moleque quase desconhecido. Mas ele não podia evitar. Era como se com Alfred, ele pudesse falar o que bem entendesse pelo simples fato de ele ser um estranho na sua vida. Arthur se sentia tão à vontade com esse estranho. Nada parecia errado, nem loucura. Muito pelo contrário: fazia-o sentir-se leve de um peso que sequer percebia que carregava.


“Dormir juntos? Tipo, essa história de amigos com benefícios?”


“É, tipo isso.”


“Por que eu gosto cada vez menos desse cara?” Pensou alto.


Arthur deu um sorriso quase imperceptível. “Já basta.” Pensou consigo mesmo, imaginando o que fizera para que a vida lhe pregasse tantas peças. Como ele conseguiria resistir ao garoto sendo o mesmo tão adorável? Ele olhou à sua volta. Sabia o que procurava. Era sempre assim quando se sentia no ímpeto de fazer algo errado sem voltar atrás. E, por sorte, ele conhecia Francis o suficiente para saber que acharia o que procurava naquele recinto.


“Isso é vinho?”


Arthur assentiu, destampando a garrafa.


“Por que você vai beber?”


Pela primeira vez desde que foram trancados por Francis ali dentro, Arthur o encarou nos olhos.


“Porque se vamos fazer isso, pelo menos façamos direito.” Ele tomou um grande gole da bebida, limpou os lábios e se aproximou de Alfred, encurralando-o contra a parede.


“O-o quê...? Arthur?”


O inglês puxou o rosto do outro para perto de si.


“Por favor, me prove que estou errado.” Ele sussurrou, seu hálito alcoólico se chocando com o sóbrio de Alfred. Ele, contudo, não falava com o garoto à sua frente. Não. Arthur queria provar, antes de qualquer coisa, a si próprio que estava, de fato, enlouquecendo.


Eles se beijaram, de forma desajeitada. Em parte porque Alfred ficara confuso com a repentina mudança de comportamento de Arthur e não sabia se levava aquilo adiante ou se o continha e, em parte, porque Arthur ainda estava zonzo pela grande quantidade de vinho que ingerira de uma vez só.


Que pena que a mente dificilmente controla o coração. Ou, melhor, o desejo.


Arthur não teve trabalho em tirar a jaqueta de Alfred enquanto o prensava contra a parede, tampouco Alfred em desabotoar a camisa social que Arthur usava. Eles tinham pressa, mas suas mãos tremiam. Os dedos gelados de Arthur acariciaram as bochechas coradas de Alfred, enquanto seus lábios trêmulos se tocavam sem aprofundar qualquer beijo.


Era bom, era muito bom.


Arthur sentiu um calafrio delicioso percorrer sua espinha quando as mãos de Alfred deslizaram de suas costas para baixo e para baixo até apertarem seu traseiro. Ele pressionou seu corpo contra o do amante, sentindo o volume proeminente em suas calças chocar-se com do outro e enviar pequenas correntes de prazer por todo o seu ser.


Arthur estava tão tentado. Ele perdera a razão mais uma vez. Ele continuava a pressionar seu corpo contra o de Alfred, quase que desesperadamente.


Seu parceiro, contudo, ainda não estava plenamente convencido. Ofegante, ele inverteu as posições, tendo para si o domínio de Arthur. A vista era linda, de fato. Os cabeços loiros não cobriam de todo o seu rosto, de modo que era possível admirar a expressão repleta de luxúria que Arthur não conseguiria jamais disfarçar. O verde de seus olhos, de algum modo, parecia mais escuro ao passo que uma tonalidade de rosa preenchia lhe as bochechas. E muito embora seu pescoço estivesse avermelhado, sabia-se lá se era em razão dos beijos de Alfred ou de vergonha mesmo.


“Eu...” Ele arfou ao sentir Arthur chocar novamente a ereção contra a sua. “Arthur, você quer mesmo fazer isso?”


Ele assentiu, sem encarar Alfred.


“Mas você disse que estava... Ah... Tudo acabado entre nós.” Ele afastou o corpo do esfomeado parceiro.


“Droga, git.” Maldisse Arthur. “Eu disse isso, disse mesmo! Mas eu estava mentindo.” Alfred pode jurar que os olhos de Arthur marejaram de leve. “Eu estava mentindo, para mim mesmo.” E para Emily. Ele cobriu o rosto com o braço, mas não chorou, apesar da voz embargada. “Mas eu estou aqui, não estou? Droga. Por que você não esquece isso e continua?” Ele não queria falar, ele não queria conversar. Ele estava lutando contra sua consciência, excitado, alto em razão do vinho e prestes a chorar. Eram tantas emoções ao mesmo tempo, que sua cabeça parecia que estouraria a qualquer momento.


Alfred não entendia Arthur. Ele parecia querer, mas parecia hesitar. Seu conflito interno era tão evidente que se manifestava na sua testa franzida e em seus olhos obscurecidos pelo prazer. Seu corpo e sua mente falavam línguas distintas. Por isso, lá estava ele, conduzido pelo álcool, acreditando em um prazer carnal imediato do qual poderia se arrepender no futuro. Mas Alfred não disse nada do que pensava a Arthur. Não dera a entender o que sabia. Isso não seria bom para ele, pois dificultaria seu próprio crime. Um criminoso sabe que está errado, mas para atingir seu fim não poderia deixar que a moral lhe impedisse de agir, não é mesmo?


Por isso, em vez evitar a miséria de Arthur, ele beijou a ponta de seu nariz e depois sua boca, murmurando-lhe palavras doces ao pé do ouvido.


Eles se beijaram com urgência, suas línguas mais uma vez vislumbrando a oportunidade de provarem-se. Suas mãos, sem ordem de preferência, exploravam cada uma cada valioso centímetro do corpo do outro. Seus corpos se esfregavam na busca por contato sem qualquer pudor, de um modo até vulgar. Eles se entregavam um ao outro, permitindo-se após semanas de privação.


Arthur foi o primeiro a se livrar de suas roupas e depois o fez com as de Alfred. Era como se já estivesse implicitamente decidido que naquela noite seria o inglês quem dominaria boa parte do jogo. Ele queria se auto-afirmar, provar alguma coisa para si, algo que fugia ao entendimento de qualquer outra pessoa que não ele próprio. E Alfred não se importava se isso fosse necessário para que tivesse Arthur para si outra vez.


Uma rápida e significativa troca de olhar e Alfred já sabia o que fazer. Ele se ajoelhou, tomou o membro do parceiro em suas mãos e começou a brincar com ele. Aquilo era diferente. Aquilo era extremamente prazeroso. Arthur não conseguia pensar em muita coisa para descrever o que sentia. De fato, ele não deveria pensar em nada, mas apenas aproveitar o calor que o consumia. Suas pernas enfraqueceram e em dado momento, ele precisou se apoiar na parede para não desabar.


Quando pensou ser a hora, ele impediu Alfred de continuar. O encostou contra a parede e o preparou, introduzindo os dedos em seu orifício com alguma gentileza. Ele não precisava que o garoto dissesse que aquela era sua primeira vez como passivo. Ele beijou as costas do mais alto enquanto seus dedos se divertiam dentro de seu corpo. Para Alfred, a etapa seguinte seria bastante dolorosa. Ele mordeu os lábios ao sentir o membro de Arthur entrar em seu corpo. Suas mãos desejavam quebrar aquela estúpida parede como um meio de aliviar aquela sensação de ardência, incômodo e a dor que parecia que o partiria em dois. Mas estava tudo bem, porque ele estava com Arthur.


Alfred não seria obrigado a tolerar a dor por muito tempo. Tão logo Arthur começou a aumentar o ritmo das estocadas, ele passou a desfrutar do ato. O quarto de Francis pareceu então ficar mais quente ao passo que os corpos nus e suados se chocavam em um ritmo sincronizado que duraria somente até que resolvessem mudar de posição. Isso porque nem Arthur, nem Alfred durariam muito tempo se continuassem ambos de pé. Foram parar na mesa-de-cabeceira de Francis e ali eles puderam agarrar um ao outro como se suas vidas disso dependessem. Beijaram-se, provaram-se, gemeram um o nome do outro. Alfred foi o primeiro a vir e Arthur o fez alguns minutos depois.


Arthur beijou uma lágrima no canto do olho do amante. “Doeu muito?”


“Um pouco. Nada que eu, o herói, não possa aguentar.”


Arthur arqueou a sobrancelha.


“Acho que fui muito bonzinho com você.”


Alfred riu com tanta vontade, que seu comentário seguinte não incomodaria o amante.


“Você que não tem muita resistência, por causa da idade.”


Era porque seu sorriso era radiante. Era porque Alfred irradiava jovialidade. Era porque ele fora a primeira pessoa completamente estranha a insistir em Arthur. Era por muitas coisas que o inglês estava ali e que o arrependimento não o consumia naquele momento.


“Mais uma?” O americano beijou a testa, a bochecha e o queixo de Arthur.


“O que é você? Uma máquina de fazer sexo?” O tom de Arthur era provocativo e ele tinha um pequeno sorriso no rosto.


“Por você, baby, eu posso ser.”


Era tarde demais para fugir – não que Arthur quisesse. Alfred prontamente ignorou o fato de seu traseiro estar dolorido e se levantou daquilo que um dia foi uma organizada e decente mesa-de-cabeceira. Desta vez, foi ele quem guiou Arthur até a cama.


A quatro paredes dali, na medida em que a noite adentrava, a festa de Francis começava a ficar com as horas contadas. Mas ele estava bastante satisfeito com o resultado. A maioria dos convidados já havia saído, exceto por seus melhores amigos, que estavam há algumas horas do lado de fora do quarto de Francis, cochichando e rindo dos ruídos que de lá provinham. Havia também um italiano emburrado e sonolento no sofá e Ludwig telefonara havia alguns minutos para lhe desejar os parabéns e se desculpar pela ausência. Matthew estava na cozinha, ajudando com as louças. Sua testa franzida em preocupação chamou a atenção do amante.


“Qual é o problema, mon petit?”


“Não vi Alfred a festa inteira. Estava me perguntando se ele já teria voltado para casa.”


“Honhonhon, Mathieu, Alfred com certeza não voltou para casa.”


“O que você quer dizer?”


Francis se aproximou do namorado, como se pretendesse que as paredes não o ouvissem.


“Seu irmão está ali no meu quarto, sonoramente se divertindo com certo inglês mal-humorado.”


“O quê?” Seu tom era incrédulo. “Alfred? Dormindo com um homem?”


Era surpreendente demais para ele. Seu irmão nunca demonstrara interesse pelo mesmo sexo e nem sua atitude era capaz de levantar a mínima das suspeitas. A estupefação de Matthew chegava a parecer hipócrita, mas uma verdade oculta é frequentemente e no mínimo, surpreendente para o circulo mais próximo de uma pessoa. Ele sabia disso. E era por isso que tinha medo de contar sobre Francis para o irmão. Esperava, na verdade, que os sinais que tentava demonstrar transformassem toda aquela situação em algo já esperado, não de todo óbvio, mas não completamente um susto. Mas é Alfred de quem falamos e, com ele, nada não é, no mínimo, um escândalo.


Francis riu ante a expressão escandalizada do outro.


Oui, oui. Parece que não era só você que estava escondendo algo, mon petit.”


Matthew caminhou em direção ao corredor e encontrou Antonio Gilbert sentado em frente ao quarto de Francis. Aparentemente, ambos estavam muito concentrados no que quer que estivessem fazendo.


“O que é isso?”


Eles se viraram para o recém-chegado, pedindo silêncio.


Não muitos segundos depois, um gemido abafado pode ser ouvido no corredor. Antonio esboçou um sorriso vitorioso.


“Parece que eu estava certo, mi amigo.” Constatou, estendendo a mão para um Gilbert inconformado. O albino lhe deu uma quantia em dinheiro, de má vontade.


“Tch. Que patético. O sobrancelhudo não consegue nem dominar por muito tempo.”


“O que vocês estão fazendo?”


“Antonio e eu estávamos apostando quem ficaria em cima dessa vez. Aparentemente, seu irmão inverteu o jogo.”


Pardon, mas vocês estavam apostando sem mim?” Francis pareceu ofendido.


“Perdoe, amigo, mas aquele que não aproveita a oportunidade, passa o resto da vida a pensar nela.”


Os olhares que lhe foram dirigidos eram indecifráveis.


“Profundo.” Atestou Gilbert. Outro gemido pode ser ouvido e Matthew revirou os olhos e suspirou.


“Francis, você me acompanha até em casa? Eu não acho que ele vá sair daí tão cedo.”


Oui, mon petit. Vocês dois vão ficar aí?”


“Claro! Não posso perder a cara do sobrancelha quando ele sair do quarto kesesese.


“Lovi ainda está no sofá, tenho quase certeza que ele já dormiu. Não quero interromper a siesta, então vou esperá-lo acordar para podermos ir ~ ”


“Só tentem não quebrar minha casa, por favor.” Sorriu o anfitrião. “Deixarei uma chave reserva na cozinha para vocês.”


Os amigos assentiram, sem dar muita importância. Francis pegou Matthew pela mão e o conduziu até a saída, apagando a luz da sala para que Lovino pudesse cochilar em paz.


Notas finais
Arthur escolheu permanecer no erro, mas para isso, precisará conhecer melhor o amante. O que acontecerá com Emily? E Como Alfred lidará com o fato de seu irmão ter escondido seu relacionamento com o chefe?