Delicadamente Intocável
24 Quando o que se tem de melhor vai embora...
Notas iniciais
POV Scorpius
Eu sabia que não iria tardar para nos chamarem a diretoria depois que Rose mandasse uma carta ao pai dela. Mas eu queria que demorasse. Pela primeira vez desde que realmente conheci a Rose, eu temi pelo dia seguinte. Não por mim, nem por ela. Temi por meu pai, porque ele seria culpado de uma forma ou de outra. Era o que sempre acontecia com a família Malfoy.
Era madrugada ainda quando o professor Slughorn me acordou e me levou em direção à sala da McGonagall. Rose já estava lá, assim como seu pai e seu tio. Eles me olharam de forma inquisitiva, mas nada disseram. Alvo estava encolhido em um canto, Alyss o abraçava apertado, com medo e mais atrás, havia uns quatro aurores.
- Sr. Malfoy, a senhora Weasley nos disse que você recebeu um recado do seu pai para que nos contatasse. – McGonagall acenou para que eu me aproximasse – O Sr. Potter e o Sr. Weasley confirmam a história da Srta. Blackmonn devido a suas suspeitas e perguntam o que há de errado com seu pai?
- Ele não tem culpa. – eu me apressei a dizer, olhei para o Sr. Potter – Ele me pediu que o chamasse, disse que era importante que eu ficasse perto dos senhores e que você resolvessem essa história toda! Meu pai só está se defendendo, cuidando de minha mãe e eu!
- Se acalme Malfoy, não estamos julgando seu pai. – foi o pai da Rose quem falou – Só queremos saber se seu pai confirma a história.
- Confirma sim, Alyss é filha de Lord Voldemort com uma trouxa. – eu abaixei minha cabeça, suspirei – Foi criada por comensais e sua missão era atormentar o Alvo, destruir a família Potter. Mas ele não queria isso.
- Ela foi criada com você? – Harry olhou para a loira nos braços do filho, ela não mostrava o rosto, mas eu podia ver pelo descer e subir dos seus ombros que ela chorava
- Não, eu nunca a conheci, mas soube que havia algo de errado assim que ela se aproximou de nós! – eu suspirei, Rose me olhou de forma companheira e eu sabia que acontecesse o que fosse ela estaria ao meu lado – Eu só fui encaixando as peças e descobri quando ela contou ao Alvo toda a história, ou parte dela.
- Que está por trás disso, além do seu pai? – Harry continuou com as perguntas, eu me senti preso em um interrogatório onde eu só sabia o nome do meu pai
- Eu não sei...meu pai não me disse nada disso, só me pediu que contasse ao senhor! – eu dei de ombros – Não acho que ela vá machucar alguém!
- O verdadeiro Tom Riddle também não parecia uma pessoa que pudesse machucar alguém. – Harry continuava a fitar a loira – Precisamos investigar mais a fundo essa história, ela terá de vir conosco Minerva.
- Não.
Eu pensei que fosse a diretora, ou Rose. Mas a negativa saiu da boca do Alvo. Ele encarava o pai de forma resoluto. Ele não deixaria que tirasse a loira dali.
- Alvo, tente entender... – seu pai tentou se aproximar, mas Alvo se afastou alguns passos e apertou ainda mais a loira contra ele
- Eu prometi que cuidaria dela, não vou quebrar minha promessa! – ele suspirou pesadamente – Acredito nela pai, ela não vai me machucar! Não quer fazer isso!
- Precisamos fazer exames, verificar seu estado psicológico, testes e mais testes, é melhor que ela venha conosco! – Harry tentou ser complacente, tentou não misturar os sentimentos também, mas estava fracassando nisso
- Não vai levá-la. Se a levar esqueça que sou seu filho.
- Não diga uma coisa dessas. – o Sr. Potter pareceu amargurado, não havia gostado da resposta
- Desculpa pai, mas entenda uma coisa, eu a amo e não vou deixar que a leve, nem que precise lutar para isso.
E depois dessa declaração meu mundo parou. Eu amava a Rose e ela me amava, mas estávamos os dois com medo de contar tudo aos nossos pais e a sociedade bruxa. E eu ainda acreditava que o Alvo podia gostar da Rose. Grande engano. Ele amava tanto a Alyss que deixaria seu pai de lado se fosse preciso, ele enfrentaria tudo e todos por ela, mesmo que ela não o amasse e o machucasse no final. Aquilo sim era amor.
- Posso ao menos retirar uma amostra de sangue dela? – o Sr. Potter pegou um frasquinho no bolso e se aproximou com cautela
Alvo a fez esticar o braço, com um pequeno aceno de varinha Harry fez abrir um leve corte no pulso dela de onde escorreu um filete de sangue para dentro do frasco. Depois se afastou olhando somente para o filho.
- Prometa que vai se cuidar.
- Sabe que sim. – Alvo sorriu de lado
- E quanto a meu pai? – eu perguntei de repente, Rose havia me aberto os olhos quando me fez compreender que fosse quem fosse, eu sempre amaria meu pai, agora eu estava preocupado com ele – O que vão fazer com ele?
- Teremos de prender seu pai, para a própria segurança dele. – Ronald Weasley deu um sorriso de lado – Não que eu despreze essa idéia.
- Não vai mandá-lo para Azkaban, vai? – Rose deu um passo à frente, assustada – Ele podia ter me atacada hoje em Hogsmeade, mas não me atacou!
- Manteremos ele em algum local seguro, pequena. – ele abraçou a Rose de forma apertada – Assim como sua mãe, Scorpius. – ele me encarou por fim – Você deve ficar dentro da escola e sempre ser acompanhado por alguém, e, por favor, não meta a minha filha na história!
- Não vou deixar de andar com ele. – Rose foi resoluta, cruzou os braços e começou a bater um pé no chão
Eu nunca vi esse lado dela, mas gostei, só mostrou que ela tinha opinião e seguia firme nela. Sorri inconscientemente.
- Não vou deixar que ninguém a machuque Sr. Weasley, eu prometo. – eu o encarei de forma decidida, ninguém me afastaria dela, nem agora e nem nunca
Ele acenou com a cabeça, os dois se despediram e saíram sendo seguidos pela diretora e pelos aurores. Nós quatro continuamos ali, sem saber o que falar um ao outro.
- Alyss está tudo bem. – Alvo sussurrou afastando a garota de si – Eles já foram.
- Você prometeu que não contaria. – ela suspirou – Seu pai me odeia, o mundo bruxo vai me odiar, serei presa até!
- Fui eu que contei, Alyss! – Rose se aproximou alguns passos – Seria um problema para todos se continuasse as escondidas com essa história.
- Meu pai nos procurou também, pediu ajuda e eu não podia negar. – tomei partido pela minha ruiva – Agora, se tudo der certo, as coisas irão se resolver.
- Como? – Alvo se manifestou – Eu odeio pensar assim, mas...nunca vão confiar na Alyss!
- Você acabou de dar uma lição de moral em mim e na Rose! E agora vem com essa? – eu suspirei indignado – Rose e eu temos medo do o mundo bruxo vai falar sobre uma Weasley e um Malfoy juntos, e, no entanto, você acabou de enfrentar seu pai para ficar com a Alyss! Se você confiar nela, ninguém mais precisa confiar!
- Valeu Malfoy, é a primeira vez que aceito suas palavras. – Alvo Potter me encarou de forma admirada, eu jamais pensei que ele me olharia assim – Só peço uma coisa agora...vou precisar de ajuda, para qualquer coisa que possa vir pelo nosso caminho, principalmente um bando de comensais furiosos que possam vir atrás dela!
- E de mim não é? – eu dei um sorrisinho nasalado – Afinal, meu pai os traiu...e se conheço bem as histórias, um comensal não vai matar o traidor, vai acabar com o que ele mais ama! Como todo mundo acha que ele não ama minha mãe...sobrou uma única opção.
- Você não pode falar assim. – Rose se aproximou de mim e segurou minha mão – Você está seguro aqui.
- Eu acho que ninguém está seguro aqui. – Alyss nos dirigiu a palavra pela primeira vez – Se eu consegui passar, todo mundo consegue.
- Mas se passarmos por isso juntos, ninguém mais nos separa. – Alvo a abraçou pela cintura – Nunca fui muito positivista, mas...vai dar tudo certo! Acredito no meu pai!
O silêncio permaneceu entre nós dali em diante, seguimos juntos por um bom tempo, até eu parar e ficar para trás. Rose ficou comigo, apenas observando-me. Eu suspirei sonoramente. Ela sabia o que eu estava pensando e não iria gostar nada quando eu dissesse em voz alta.
- O Alvo realmente a ama.
- E você acha que não nos amamos o suficiente. – ela completou meu pensamento, eu abaixei a cabeça e fitei o chão por uns segundos
- Não enfrentaríamos nossas famílias e o mundo bruxo por nosso amor. – eu dei de ombros
- Eu acho que você se enganou Scorpius, quando conversamos sobre tudo isso. Ou melhor, quando não conversamos sobre isso, porque você está pensando tudo sozinho. Nós temos medo do que possa acontecer, mas eu nunca disse que não enfrentaria tudo para ficar com você!
Eu a encarei, sério. Ela tinha o dom de me dar pauladas na cabeça em forma de palavras. Ela sempre conseguia me pôr no rumo certo.
- Minha família não é legal. – eu sorri fracamente – Talvez eu não seja o melhor para você.
- É talvez você não seja mesmo. – eu a encarei rapidamente quando ela disse isso – Por aí deve ter um outro garoto que seja perfeito para mim, que goste das mesmas coisas, que me faça surpresas, que me ame e me fale coisas legais. Com certeza ele deve estar por aí, só esperando a chance de me conhecer.
- Então por que ainda está comigo? – eu perguntei enciumado, nunca pensei me sentir assim por alguém, com raiva de mim mesmo – Pode esperar esse cara aparecer e escolher a ele.
- Quando esse cara aparecer, meu coração ainda vai escolher você. – ela sorriu – Você não entende nada sobre o amor não é? Ou está tão preocupado com a situação do seu pai que esqueceu que não temos nada haver com a história da Alyss e do Alvo, isso é uma coisa deles e não devemos nos meter demais! É claro que sofreremos algumas consequências, mas nada que afete o que temos. Pelo menos é o que eu penso.
- E se não for o que eu penso? – eu entendia o que ela queria dizer, só queria saber o que aconteceria quando discordássemos
Nossa vida estava perfeita demais e eu sabia que não duraria para sempre.
- Então devemos discutir sobre isso e entrar em um consenso. – ela deu de ombros
- Isso foi tão profissional. – eu estranhei seu tom de voz e suas palavras
- Eu não sei o que você quer Scorpius! Juro que não sei por que quer estragar algo tão perfeito! – ela cruzou os braços e me encarou de forma decidida a saber o que eu queria realmente dizer, e eu satisfiz sua curiosidade
- Eu só quero dizer que nosso amor não é perfeito e nem nunca vai ser.
Ela cambaleou para trás, eu fiquei com medo de tê-la magoado muito, mas eu tinha que colocar aquilo para fora, de alguma maneira, eu tinha que dizer o que sentia, por mais que a machucasse. No fundo eu sabia que estava estragando tudo, meu medo de perdê-la estava fazendo minhas atitudes agirem para isso.
Pensei que ela me diria algo, brigaria comigo, mas ela me deixou ali. Sem falar mais nada, sem ao menos me dar a chance de eu dizer que era um idiota. E o pela primeira vez em muito tempo, eu me senti sozinho.
Fale com o autor