Delicadamente Intocável
25 A Dor Que Nos Torna Crianças...
Notas iniciais
POV Scorpius
Rose, eu só queria que você entendesse...
Olha, me deculpe! Eu só queria tentar dizer...
Eu sei que errei, mas é o que penso e...
Fui um idiota e...
Sinto tanto a sua falta, mas queria que soubesse...
Aff, desisto!
Uma semana sem falar com ela. Uma semana que parece que eu havia perdido minha alma naquela maldita briga que eu comecei. Eu era tão idiota assim? Sério, eu tinha meus motivos para fazê-la ver o que estava na frente dela! Por Merlin, eu não sou assim! Eu só ajo assim com ela, mas estou cansando de ser o cara bonzinho! Não que eu vá machucá-la, longe disso, mas será que era pedir muito para ela se apaixonar por quem eu verdadeiramente sou?
Acho que fiz da minha vida um inferno. Preciso dela, isso é um fato. Amo ela, outro fato. Só preciso dar um jeito para que ela entenda que eu preciso voltar a ser o que era, mas que ainda a amo com todo o meu coração, corpo e alma.
– Scorpius?
Luke estava em pé ao meu lado, era a primeira vez que eu o via longe da Potter desde que eles entraram naquele consultório improvisado em Hogsmeade. Eu já estava sentindo falta do meu amigo.
– Senta aí. – abri espaço para ele no banco
Observei Rose entrar no Salão Principal acompanhada do Alvo, ele deu um rápido selinho na Alyss que já estava saindo e seguiu com ela para a mesa da Grifinória. Agora eu me contentaria em olhá-la durante o café da manhã.
– Eu acho melhor não. – Luke respirou profundamente e me estendeu o Profeta Diário – Leia com calma.
Eu o encarei confuso e depois observei o resto do salão, todos me observavam de forma muito séria. Rose estava em pé, com o mesmo jornal na mão lendo sem parar nenhum momento.
Peguei o jornal que Luke me estendia e passei os olhos sobre o título da página. Acidentes e catástrofes mágicas. Havia muito tempo essa página trocara de nome para o atual. Antes era sobre Assassinatos. Porém, hoje havia a história de um assassinato não solucionado.
“...Harry Potter, chefe dos aurores, e Ronald Weasley, seu braço direito, marcaram uma reunião particular com Draco Malfoy e esposa em sua residência, logo após o almoço do dia de ontem. O pelotão dos aurores foi rapidamente recrutado assim que os dois primeiros chegaram a famosa Mansão Malfoy.
Em seu interior, ainda com todos os feitiços de proteção e com a casa trancada, os dois proprietários jaziam mortos em sua sala de estar. Não havia sinais de sangue ou veneno, e o único objeto desaparecido foi as varinhas dos dois.
Os aurores estão em plena ação de investigamento do caso, porém sem sucesso algum até o momento. Resta esperar para descobrir qual foi o motivo de tal vingança, afinal eles eram Malfoy’s e a maioria ainda os odiava...”
Eu não sei se eu consegui ler ou estava apenas olhando para o jornal, mas aquilo não entrava na minha mente, não daquela forma. Meus pais não estavam mortos. Não tinha como estarem, eu havia falado com meu pai na semana anterior, o Sr. Potter e o Sr. Weasley havia prometido protegê-los. Eles estavam bem.
– Scorpius? – Luke chamou de novo, eu ergui meus olhos para ele – Você está bem?
– Eu...vou falar com meu pai... – eu nem sei porque eu disse isso a ele, mas eu disse
Ele me encarou e respirou fundo, penalizado e então eu saí sem nem mesmo olhar para trás. Desci as escadas para as masmorras e adentrei a Sala Comunal e o meu quarto sem ver se havia alguém na frente ou não. Abri meu malão e procurei em todos os lugares, mas tudo que encontrei foi cacos de espelho.
Eu havia quebrado o espelho que meu pai me dera. A única comunicação imediata que eu tinha com ele e minha mãe. Suspirei pesadamente e ergui a varinha murmurando um Reparo. Por sorte tudo se encaixou no exato lugar. Sentei no chão, encostado aos pés da cama e olhei de forma firme para o espelho. Estava tudo bem.
– Draco Malfoy.
Nada. Ele não apareceu.
– Pai? O senhor está aí, não está? – chamei de novo, ele não me respondeu – Responda, por favor! Vamos, responda!
Só ouvi o pio de uma coruja ao longe. Nada. Meu pai não estava ali e nunca mais me responderia. Nunca mais. Senti uma lágrima quente escorrer pelo meu rosto. Atirei o espelho do outro lado do quarto sem piedade. Quando os cacos voaram por todos os lados, senti que a ligação com meu pai também havia sido quebrada. Ele se fora.
Ouvi a porta se abrir com um rangido, mas não quis olhar quem era, apenas focalizei-a porque ela se sentou a minha frente com as costas apoiadas na outra cama. Ela ficou ali em silêncio por um bom tempo, enquanto escorria minhas lágrimas ela nada dizia, ou se movia. Ela só ficou ali me olhando.
Então aos poucos o choro foi passando, não que a dor houvesse sumido, ao contrário, ela permanecia cada vez mais profunda em meu ser, era como se eu nunca fosse me livrar dela, como se eu tivesse de aprender a conviver ao seu lado, porque ela sempre estaria ali, atormentando-me até o fim dos meus dias.
– Eu escrevi uma coisa para você.
Eu disse simplesmente e peguei um papel amassado do bolso interno das vestas, ela o pegou quando lhe estendi e me encarou curiosa.
– Copiei de um livro trouxa, o autor chama-se Luis Fernando Veríssimo.
Ela suspirou sorrindo fracamente e desdobrou-o lendo em voz alta.
“A Pessoa Errada
Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas.
Mas nem sempre precisamos das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor.
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é para na hora que vocês se encontrarem a entrega seja muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma inesquecível noite de amor.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar toda a vida esperando você.
A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo, porque a vida não é certa, nada aqui é certo.
O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, pensando, agindo, querendo e conseguindo.
Só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus, deu tudo certo!", quando na verdade, tudo o que Ele quer, é que a gente encontre a pessoa errada, para que as coisas comecem a realmente funcionar direito prá gente.
Nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.”
– Por que resolveu me dar isso? – ela pediu baixinho, engatinhando até o meu lado e entrelaçando nossos braços
– Porque eu sou a pessoa errada. – eu dei de ombros – Tentei dizer de outras formas que eu não era aquele garoto que estava com você o tempo todo, que minhas atitudes nem sempre eram aquelas, que eu não pensava daquele jeito, mas falhei nas tentivas. Meu medo, de que depois que você descobrisse como eu era de verdade, você deixasse de me amar, prendi-a me naquele garoto perfeito dos seus sonhos. Eu sou um Sonserino afinal, tenho características dessa casa.
– E agora você não tem mais medo? – ela deitou a cabeça em meu ombro
– Tenho. Mas se dói tanto assim perder uma pessoa que a gente ama, prefiro sofrer tudo de uma vez. Prefiro perder meus pais e você ao mesmo tempo, assim sofrerei só uma vez.
– Não me apaixonei pelas suas atitudes, gestos ou pensamentos, apaixonei-me pelos seus olhos que sempre brilham ao me ver chegar, pelo seu coração que apesar de inseguro e confuso é capaz de amar alguém mais do que a si mesmo, pelo carinho com que me trata e pelo modo como gosta de agir da maneira correta. Apaixonei-me simplesmente porque um dia você me salvou e nada irá mudar isso. Podemos discordar de muitas coisas, você pode ser arrogante e frio de vez em quando, desde que guarde o calor dos seus braços para vi. Você pode ser distante desde que deposite sua confiança na pessoa que te ama tanto e está ao seu lado. Você pode me odiar por um segundo, desde que me ame em todos os outros. Não vou deixar você, nem que você queira.
Eu respirei profundamente e puxei sua mão para que ficasse entre as minhas. Eu estava aliviado e agora mais do que nunca eu lutaria por nós dois, porque ela me amava do jeito que eu era e eu a faria feliz, mesmo que toda a família dela me odiasse quando eu a tirasse de casa para viver comigo no futuro.
A porta se abriu novamente, Luke, Lylian, Alyss e Alvo entraram em silêncio e sentaram-se em círculo a minha volta. Alvo segurava um espelho, como o meu. Deveria estar tentando falar com o Sr. Potter, assim como eu tentei falar com o meu pai.
O silêncio durou por minutos, não falaram comigo, mas não precisava. Eu sabia que eles estavam ali. No fim, eu arranjei amigos. E me senti feliz por isso.
– Diga que está tudo bem.
A voz saiu baixa e furtiva. Sem imagem no espelho. Alvo encarou o objeto com os olhos semicerrados, mas sorriu em seguida.
– Eles estão sendo vigiados. – eu disse dando de ombros, eu sabia que isso iria acontecer afinal
– O recado foi para você. – Alvo levantou os olhos para mim sorrindo
Era a voz do meu pai.
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