Delena Pay Per View
6 So Close...
Notas iniciais

"E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam."
(Tati Bernadi)
O sangue manchava minha mão de vermelho a cada vez que eu torcia o pano. Respirei fundo e mais uma vez coloquei o tecido rubro debaixo da água corrente.
Tudo estava fora de controle...
O pensamento do caos em que minha vida havia se tornado me deixava sem boas perspectivas. Eu iria enlouquecer, pensei ouvindo a porta da sala se abrir. Pelo canto do olho vi Damon entrar na cozinha e parar atrás de mim.
– Se livrou dele? – perguntei tentando soar o mais calma possível. O dono do sangue na minha varando era um hibrido de Klaus, que havia tentando atropelar Jeremy mais cedo e que há minutos atrás Jeremy havia decapitado com uma grande faca de cozinha.
– Sim, deixei o corpo no fundo de uma mina... – ele respondeu simplesmente. Aquilo não era novidade para Damon.
– E Alaric? – perguntei preocupada continuando a lavar o pano encharcado de sangue em minha mão.
– Já cuidei disso também. Levei Ric ao hospital e aparentemente ele vai passar a noite por lá, em observação. O anel o ressuscitou do atropelamento, mas não o curou completamente. – Damon me explicou. – Ele vai ficar bem... – suspirou. — E você?
– Consegui tirar o sangue que estava na varanda... — respondi em meio a um suspiro.
– Elena... Olhe para mim. – pediu e eu suspirei me virando para encará-lo. – Vai ficar tudo bem. – prometeu. Sem querer discutir, concordei com um manear de cabeça.
– Eu preciso confessar uma coisa... – falei devagar. Ele me olhou confuso. – Eu entreguei o corpo de Rebekah a Klaus. – disse rapidamente. Eu havia cravado a adaga dos originais em Rebekah antes de tentarmos deter Klaus, mas a tentativa dele de matar Jeremy me fez tomar medidas desesperadas. Talvez ele deixasse meu irmão em paz em troca da irmã dele, eu havia pensado.
– Você fez o que?! – foi quase um grito. A reprovação estampado no rosto de Damon. – Não, não. Assim que ela acordar, vai vir atrás de você, Elena... Mas que droga! – repreendeu irritado.
– O que você queria que eu fizesse? Foi um acordo, Damon! A vida da irmã dele pela do meu irmão. – falei exasperada.
– E agora você confia nele?
– Não! – eu suspirei fechando os olhos por um minuto. – Eu... Eu não confio nele. Não confio em Stefan, eu não confio em mais ninguém, só... – minha voz falhou levemente. – Só em você. – Eu o encarei. – Eu só... Eu só não sei mais o que fazer Damon. Eu preciso consertar isso. Eu preciso cuidar do meu irmão. Ele tem 16 anos e... Ele matou um hibrido na varanda hoje! – senti meus olhos marejarem e tentei a todo custo evitar chorar. – Isso não é justo. – murmurei dando-lhe as costas caminhando até a pia e voltando a lavar o pano rubro que eu ainda tinha em mãos.
– Nós vamos consertar isso... – ele murmurou vindo até mim e me virando para encará-lo novamente. – Eu prometo que vamos, ok?! – prometeu segurando meu rosto entre as mãos quentes. Seu rosto próximo de meu. Passei a língua entre os lábios e o encarei balançando a cabeça afirmativamente. Respirei fundo antes de falar o que eu precisaria.
– Ainda preciso te pedir uma coisa...
***
– Eu me sinto uma pessoa horrível... – murmurei caminhando até a escada da varanda e fechando os olhos momentaneamente. Indo contra o que eu julgava ser correto, eu havia pedido a Damon para compelir Jeremy a esquecer tudo o que estava acontecendo em Mystic Falls e mandá-lo sair da cidade. Meu coração se apertava em meu peito com a culpa do que eu havia pedido e que Damon não hesitara em fazer. Suspirei. A noite estava fria e o vento bateu em meu rosto suavemente.
– Você salvou a vida dele, Elena. – a voz de Damon me fez abrir os olhos novamente encarando a noite escura. – Vai por mim. Distante é ruim, mas morto é pior. – justificou em tom de piada. Ele sabia que eu não gostava daquela situação. Eu detestava esse modo dos vampiros manipularem a mente e a vida das pessoas e eu tinha acabado de fazer aquilo com Jeremy.
Mas o que eu podia fazer? Esperar Klaus tentar matar meu irmão novamente?
Isso não era uma opção!
Eu queria concordar. Com todas as forças do meu corpo eu queria acreditar que compelir Jeremy para ir a Denver era o melhor caminho.
Não há outra forma de mantê-lo seguro...
Eu lamentavelmente repetia as palavras em minha mente como um mantra. O dia tinha sido uma clara prova do caos que havia se tornado a minha vida e a de Jer. Klaus estava nos ameaçando para ajudá-lo a fazer Stefan devolver os caixões que havia roubado dele e naquele dia, mais de uma vez a vida do meu irmão de apenas 16 anos havia sido ameaçada.
Aquilo não era normal. Nada em nossa vida era normal.
– Eu não consigo esquecer o que aconteceu na ultima vez que você o compeliu... – murmurei começando a andar de um lado a outro na varanda.
– Ele descobriu e superou. – Damon disse dano de ombros. – Pelo menos ele não está morto. – retrucou vindo até mim e me segurando pelos ombros. – Ele tem sorte de ter uma irmã como você. – um pequeno sorriso se insinuou na boca rosada. Eu quase sorri.
– Obrigada. – falei suspirando.
– Sem problemas.
– Não por isso, Damon. Por... Tudo. – eu olhei em volta logo voltando a encará-lo e me forçando a dizer o que a muito estava preso em minha garganta. – Eu não sei o que faria se você não estivesse aqui. – murmurei encarando os olhos azuis. Ele engoliu sem em seco como se minhas palavras fossem perigosas demais para serem ditas. Ele me encarou serio por alguns segundos.
– Você precisa saber de uma coisa... – disse dando um passo pra trás como se subitamente a distancia fosse mais segura. Ele suspirou e me encarou seriamente. – Stefan não nos entregou. Até entregou, mas ele tinha um bom motivo. – disse rapidamente.
– Qual motivo? – perguntei confusa. Damon me encarou travando o maxilar.
– Ele salvou Klaus pra me salvar. – franzi o cenho levemente. – E roubou os caixões pra se vingar. – concluiu. Engoli em seco tentando digerir as informações.
Stefan havia nos ajudado?
– Damon, se ele fez isso pra te proteger então ele... – gaguejei sem entender o que aquilo significava. – Por que ele faria isso? – suspirei. – O que isso quer dizer? – perguntei mais pra mim mesma do que para ele.
– O que quer dizer? Que eu sou um idiota. – murmurou irritado voltando a me olhar. – Por que eu pensei por um segundo que não precisaria mais me sentir culpado. – lamentou com a voz estranhamente baixa.
– Do que você esta falando? Culpado pelo que? – perguntei o encarando ainda mais confusa. Ele suspirou levemente me encarando e parando a centímetros do meu corpo.
– Por querer o que eu quero... – murmurou suavemente. Minha respiração falhou. Por um momento um incomodo agudo se espalhou pelo meu peito enquanto os olhos azuis me analisavam. Eu abri e fechei a boca algumas vezes antes de minha voz se fazer presente em um sussurro.
– Damon...
– Não. Eu sei. – lamentou encarando minha boca. – Acredite, eu entendo. Namorada do irmão e tudo mais. – disse dando um meio sorriso. Engoli em seco olhando a boca rosada com o sorriso triste. Aquilo me doeu, de um jeito estranhamente familiar. Sem me deixar responder, Damon se virou e desceu alguns degraus da escada. Eu fechei os olhos brevemente tentando recuperar o rumo dos meus pensamentos. – Não. – sua voz me fez abrir os olhos e encará-lo. – Não! Você quer saber? – perguntou voltando-se pra mim novamente. – Se é pra eu me sentir culpado, que seja por isso. – murmurou caminhando até mim.
Antes que eu entendesse o significado da frase a boca quente capturou a minha. Seus lábios tomando os meus de forma branda e intensa ao mesmo tempo. Minha respiração falhou enquanto meus olhos teimaram em se fechar. Suas mãos se embrenharam entre meus cabelos e minha nuca em uma carícia leve. Eu gemi, foi quase inaudível, mas eu soube que era de satisfação.
Eu me lembrava do gosto dele.
Há pouquíssimo tempo eu o havia provado e prová-lo novamente só despertara em mim o reconhecimento por algo tão simples e tão confuso quando me entregar a ele.
Me entregar a Damon.
Não era como se eu pudesse fugir. Nem como se eu quisesse fazê-lo. Os lábios macios sobre os meus haviam me surpreendido, mas junto com a surpresa o calor conhecido se espalhou rapidamente por todo meu corpo. Minha mão foi até a dele capturando mais do que só um toque inocente. Um carinho entre as peles quentes a se encontrarem. Tentando inconscientemente mantê-lo perto. Muito perto.
Vagarosamente seus lábios se soltaram dos meus. Forcei meus olhos a se abrirem e encarei seus olhos enegrecidos. As pupilas dilatadas enquanto suas mãos seguravam delicadamente meu rosto. Só naquele momento eu respirei. O ar dos meus pulmões saindo suavemente pela minha boca enquanto eu encarava seus lábios rosados com um sorriso escondido.
Ele quase sorria. Era como se tudo em volta tivesse sumido por um minuto. Como se um pequeno beijo pudesse mudar tudo. Engoli em seco tentando recuperar minha capacidade de falar sentindo suas mãos abandonar meu rosto e ele se afastar.
O barulho da porta sendo aberta logo atrás de nós me chamou atenção por um momento. Jeremy nos encarou segurando algumas malas. Olhou de Damon para mim de forma confusa.
– Estou pronto. – disse me fazendo voltar à realidade. Lembrando-me do que havia me trazido até aquela situação. Jemery iria sair de Mystic Falls. Damon o levaria ao aeroporto naquela noite. Engoli em seco vendo Jeremy passar entre mim e Damon dando-me um beijo no rosto em despedida. Encarei Damon novamente sem saber ainda o que dizer. Ele deu um pequeno sorriso com o canto da boca como se lesse meus pensamentos confusos.
– Boa noite, Elena. – despediu-se me deixando sozinha a encarar a noite fria.
***
– Não faça besteiras... – eu disse a Jeremy assim que a voz feminina do auto-falante chamou os passageiros do vôo dele. Recebi um olhar cortante do garoto. – Ou faça. Sua irmã não vai estar perto pra ver mesmo. – sorri. – Só não faça nada que possa te matar. – ele balançou a cabeça em sinal de reprovação enquanto levantava do banco em que estávamos sentados e pegava a mala.
– Diga a ela que vou sentir saudade. – ele suspirou como se fosse custoso falar. – Eu não queria cenas de despedida com choro e tudo mais. – explicou-se. Eu assenti. Jeremy virou as costas e começou a andar em direção ao portão de embarque, mas subitamente parou no meio do caminho e se virou pra mim. – Cuida dela. – pediu.
– Pode deixar. – era uma promessa.
Ele assentiu e caminhou calmamente em direção a porta de embarque. Logo que o vi sumir de vista fui embora.
O dia havia sido complicado. Muito complicado. Klaus estava obviamente desesperado para recuperar os caixões onde “guardava” a própria família e Stefan parecia estar igualmente decidido a não devolvê-los.
Ah Stefan, sempre fazendo a escolha errada...
Não que eu achasse que Klaus não merecia uma lição. Um tipo de castigo depois de tudo que havia feito, mas o plano de vingança de Stefan inevitavelmente não afetava só a ele.
Elena...
O nome em minha mente me fez suspirar inconscientemente enquanto eu entrava em meu carro e saia rapidamente pela estrada. Eu queria ajudar Stefan a acabar com Klaus, mas não a colocando em risco.
Mas não seria a primeira vez em que ele faria uma escolha idiota a qual eu precisaria lidar com a tarefa de protegê-la...
O pensamento me vez apertar o volante. Elena estava desesperada com tanta coisa acontecendo e obviamente temia pela vida das pessoas que ela amava. Eu não poderia contar a ela o que Stefan planejava, mas teria que ficar por perto caso Klaus decidisse fazer algo contra ela por causa do plano de Stefan.
Mas ficar perto dela estava cada vez mais difícil...
Acelerei me lembrando do beijo na varanda. Lembrando do gosto dela na minha boca. Da pele quente contra minha pele. Gemi baixinho tentando reprimir a vontade que eu tinha de agarrá-la e nunca mais soltar.
Eu sabia que devia protegê-la, como eu vinha fazendo durante todo tempo em que Stefan havia sumido e desde sempre. Mas alguma coisa tinha mudado e seja lá o que fosse, estava me deixando louco.
A nossa proximidade estava a um passo da nossa “amizade” e eu estava perigosamente envolvido com isso. Suspirei parando o carro e olhando para a construção a minha frente. Encarei a varanda e tentei me convencer que eu só havia voltado para ver se ela estava bem.
Desci do carro e com velocidade vampiresca entrei na casa. Subi ao quarto dela. O cheiro doce impregnado no local me envolveu mais rápido do que eu poderia evitar.
Olhei em volta e tudo parecia normal. Encarei o corpo esguio e curvilíneo na cama. Os cabelos espalhados pelo travesseiro. Um livro aberto casualmente ao seu lado.
Ela tentava passar os dias com normalidade...
Suspirei. Nada na vida dela era normal. Caminhei devagar até a cama e passei levemente os dedos no rosto moreno. Engoli em seco lançando um olhar casual pelo corpo cheio de curvas precisas pensando como seria beijar cada centímetro dele.
Minha boca ficou seca inesperadamente com a vontade repentina de transformar meu pensamento em realidade.
Afastando o pensamento, peguei o livro e coloquei na cabeceira. Eu voltaria na manhã seguinte para vê-la, embora ficar ali a observando dormir fosse extremamente tentador.
Franzi o cenho me virando para ir embora. Antes de dar dois passos a voz conhecida me chamou em praticamente um gemido.
– Damon? – fechei os olhos momentaneamente e devagar me virei para olhá-la. Elena sentou-se na cama e o lençol fino escorregou por seu corpo. Ela vestia uma regata fina de cor azul.
– Não quis te acordar. – murmurei. – Só passei pra avisar que o pequeno Gilbert embarcou sem imprevistos. – sorri levemente de lado. Ela engoliu em seco me encarando. Encolheu as pernas e as abraçou contra o peito.
– Obrigada... – sorriu. – De novo.
– Não por isso. – respondi com um meio sorriso.
– Damon... – ela murmurou meu nome hesitante ao mesmo tempo em que colocava uma mecha dos cabelos castanhos atrás da orelha. Encarei seu rosto e ela olhou para os lençóis suspirando. – Nós... É... Tá tudo bem? – perguntou. Franzi o cenho.
– Por que não estaria? Por que eu te beijei e você correspondeu? – sorri de lado vendo o rosto moreno ficar vermelho. – Não precisamos falar disso se você não quiser. – sugeri engolindo em seco. O gosto amargo da rejeição brincando em minha boca.
– Bem... Eu... Eu não sei exatamente o que falar. – admitiu e me encarou. – Só não parece certo. – eu a encarei seriamente. Eu não me importava se era certo ou não. Não me importava com que seria correto naquele momento. Eu só a queria. E queria que ela soubesse disso.
– Não precisa tratar isso como se fosse o acontecimento do ano. – disse direto. – Nós nos beijamos, mas não precisa ficar estranho. Não foi a primeira vez. – sorri ironicamente relembrando quando ela havia me beijado quando eu estava quase morrendo. – Tirando o fato do primeiro beijo ter sido por pena, claro. – concluí grosseiro. Por um momento ela pareceu sem fala. – Não importa. Se precisar de alguma coisa sabe como me encontrar. – disse encerrando o assunto e caminhando para a porta.
– Damon, espera. – ela pediu levantando da cama rapidamente e vindo até mim. Me virei para olhá-la. Ela respirou fundo e piscou algumas vezes parecendo tentar reunir coragem pra falar o que queria. – Por que fez isso? Quer dizer, por que me beijou? Por que agora que... – ela passou a língua pelos lábios em um gesto nervoso e eu acompanhei o gesto com os olhos. – Por que me beijou agora, justamente quando Stefan parece estar recuperando a humanidade dele. Justamente agora que ele mostrou se preocupar com você. Por que só agora, Damon? – a pergunta ficou no ar por alguns segundos enquanto eu a encarava.
Ela mordeu levemente o lábio inferior. E eu desejei secretamente poder fazer aquilo por ela. Caminhei devagar até parar em sua frente. Seus olhos se arregalaram levemente e ela prendeu a respiração.
– Por que se ele voltar, eu quero que você se lembre de como foi me beijar. – eu murmurei chegando a poucos centímetros de seu corpo. Eu podia ouvir o som do pequeno coração batendo loucamente dentro do corpo dela. – Quero que se lembre de quando eu estava aqui... – olhei para a boca rosada que se entreabriu em um convite silencioso. – Do que você sentiu quando estava comigo... – ela engoliu em seco enquanto eu encarava seus olhos castanhos. Sua pupila dilatada.
– Você fala como se fosse certo eu voltar com Stefan. Como se eu fosse esquecer tudo que aconteceu até agora...
– E não vai? – perguntei descrente. Ela suspirou pesadamente.
– Eu... – ela gaguejou. – Eu não sei. É só que, não parece tão simples agora. – ela fechou os olhos por um segundo. – Essa pergunta fica passando pela minha cabeça e... E eu ainda não sei qual a resposta certa.
– O que isso quer dizer exatamente? – perguntei confuso.
– Eu... Não sei, Damon... – balançou levemente a cabeça e se virou de costas caminhando até perto da penteadeira e cruzando os braços sobre o peito. – Desde o inicio do verão eu estava me esforçando pra trazer Stefan de volta e aconteceu tanta coisa. Toda aquela vontade de trazê-lo de volta foi... – suspirou hesitante. — Sumindo e... – ela se virou voltando a me encarar. – E você... – sorriu sem graça deixando a frase no ar.
– O que tem eu? – perguntei sem entender até onde aquilo tudo iria levar.
– Você estava aqui o tempo todo. Me ajudando, cuidando de mim, do Jeremy. Eu sabia que você estaria sempre aqui. Sendo meu amigo, mas aí... – ela balançou a mão como se não houvesse palavras para descrever aquilo. – Mas aí a gente ficou tão próximo, tão... Perto e eu pensei que eu não saberia o que fazer se você não estivesse mais aqui. Se quando Stefan voltasse às coisas mudassem entre a gente. A idéia de que você iria se afastar me perturbando...
– Eu não vou a lugar nenhum. – interrompi. Vi os olhos castanhos me encarando. Um misto de medo e desconfiança brilhando neles. – Não, enquanto você me quiser por perto.
– Damon, eu só sei que essa proximidade tem me deixado... – suspirou. — Confusa... – ela cruzou os braços se abraçando novamente. Andei rapidamente até ela e segurei seu rosto em minhas mãos.
– Quando você fala de proximidade se refere ao que? – perguntei. – De prepararmos a Chilli para a festa de fundadores? Dessa conversa... Ou disso? – aproximei meu rosto levando meus lábios aos dela levemente. Depositei um beijo ali e puxei seu lábio inferior entre meus lábios me afastando devagar. Ela gemeu baixinho e aquilo fez meu corpo tremer. Me afastei abrindo os olhos para encará-la.
– Tudo. – ela sussurrou e eu quase sorri enquanto encarava os olhos castanhos.
Aquilo era demais pra mim, pensei voltando a colar minha boca a dela rapidamente. Eu não queria parar de beijá-la. Enfiei meus dedos no cabelo macio e a puxei para mais perto.
Suas mãos se prenderam em meus cabelos enquanto eu a sentia sugar meu lábio inferior. Uma de minhas mãos correu até sua cintura trazendo-a para mais perto. Minha língua roçando seus lábios e abrindo caminho para o interior da boca quente. Eu gemi quando nossas línguas se encontraram. Quentes e molhadas se saboreando.
As mãos pequenas desceram pelo meu corpo se agarrando em minha camisa e me puxando contra o corpo dela. Colei nossos corpos sentindo-a mais quente, fazendo meu corpo se aquecer instantaneamente. Sua roupa minúscula de dormir me dando acesso à pele exposta.
Senti seus braços enlaçarem meu pescoço e desci minhas mãos por cada curva do seu corpo. Passando pela lateral da cintura, chegando ao seu quadril só para subir de volta em uma exploração das curvas que eu nunca havia tocado. A pele quente da cintura brincando sob meus dedos, as pernas entrelaçando em minhas pernas. Minha ereção pulsando com o calor do corpo dela.
Eu a empurrei levemente até encostá-la na penteadeira. Segurei sua cintura com ambas às mãos e a coloquei sentada ali. Algumas coisas caíram no chão fazendo barulho e possivelmente quebrando algo. A boca dela abandonou a minha em um murmuro de repreensão.
– Damon... – ela gemeu tentando olhar para que eu havia derrubado ao colocá-la sentada ali.
– Deixa... – respondi descendo minha boca pelo rosto e pescoço. Beijei e mordisquei cada centímetro da pele exposta enfiando minhas mãos pela blusa, acariciando a pele morena da barriga e subindo até a curvatura dos seios. Minha boca explorava a curva da clavícula e subia novamente para sugar o lóbulo da orelha.
Eu a ouvia gemer e puxar minha camisa para cima, arrancando-a do meu corpo e passando levemente as unhas pelo meu peito. Eu gemi e com pressa arranquei a regata que ela vestia. Perdi o ar por um segundo quando os seios firmes ficaram expostos. Ela respirou fundo fazendo os bicos rijos subirem e descerem prendendo toda minha atenção.
Senti as veias debaixo de meus olhos pulsarem levemente se insinuando em meu rosto enquanto minhas presas ameaçavam sair. Senti as mãos pequeninas passarem por meu rosto em uma carícia leve e usei toda minha força para não me descontrolar. Travei o maxilar encarando o busto moreno e ouvindo seu sangue correr por suas veias. O pulsar do sangue quente em um chamado sexy clamando por minha boca sugando, chupando e saboreando o gosto dela.
Engoli em seco e levei minha mão até sua cintura subindo devagar a ponta dos meus dedos pelo corpo moreno. Elena se arrepiou e fechou os olhos deixando a cabeça cair levemente pra trás quando acariciei a curva dos seios redondos e arrebitados. Ela gemeu mordendo o lábio para depois hiper-ventilar como se tivesse guardado o ar durante muito tempo dentro do corpo.
Passei a língua entre meus lábios enquanto uma de minhas mãos brincava com o bico do seu seio e ela arfava. Minha outra mão subiu até seu rosto trazendo-o até o meu e eu voltei a atacar sua boca com a minha.
As unhas dela arranharam minha cintura e minhas costas e eu me senti tremer. Meu membro pulsou em resposta ao estímulo e eu me prensei mais a ela. Eu precisava chegar perto daquele corpo. Mais perto. Entrar nela e matar aquela ânsia que me matava há tempos.
Suas mãos trêmulas abriram a braguilha da minha calça ao mesmo tempo em que eu agarrava as coxas firmes e cravava minhas mãos ali. Deixando a marca dos meus dedos na pele quente. Ele gemeu e se remexeu nervosamente. Era quase impossível não enlouquecer com a excitação presa no meu corpo tenso.
Subi minhas mãos pelas coxas torneadas agarrando seu quadril com ambas as mãos e como se ela entendesse o pedido mudo, suas pernas se enlaçaram em volta da minha cintura me puxando para mais perto.
Gemi ao sentir o calor no meio das suas pernas através do pano da calça que me impedia de senti-la completamente.
Cravei meus dedos em sua bunda e a puxei contra meu corpo levantando-a da superfície do móvel e caminhando a passos rápidos até a cama deitando-a ali. Seus cabelos se espalharam pelo travesseiro e ela me encarou por alguns segundos com os olhos nublados antes de eu descer para beijar o pescoço delgado mais uma vez.
Ela tinha um gosto tão bom. O cheiro inebriante me deixava mais duro a cada segundo.
Minhas mãos perdidas em tocar e apertar cada centímetro do seu corpo. Cintura, seios, quadril. Meus dedos brincando e trilhando provocações de cima a baixo daquele corpo enquanto minha boca sugava e arranhava o pescoço, queixo e busto.
Eu desci a ponta da língua saboreando-a devagar ainda brincando com os seios entre meus dedos beliscando, apertando, puxando e a sentindo rebolar embaixo do meu corpo. Meus lábios alcançaram e sugaram o bico e ela gemeu alto me fazendo gemer junto com ela. Eu circulei o bico com a ponta da língua quente e mordi devagar relanceando um olhar para seu rosto corado.
Elena entrelaçou os dedos em meus cabelos me puxando para mais perto e eu quase sorri. Mordi levemente o bico em uma provocação ao ver como ela reagia deliciosamente aquilo para depois sugá-lo com devassidão e força.
Seu corpo se arqueou e eu me aproveitei disso para me livrar do short curto passando-o por suas pernas e jogando-o no chão.
Subi minhas mãos pelas pernas me acomodando entre elas e descendo minha boca pela barriga lisa. Eu a olhei por um segundo e ela abriu a boca para protestar. Senti Elena tentando puxar a quadril como se tentasse me impedir de fazer que eu queria.
– Quietinha... – murmurei soprando o ar contra sua cintura e a segurando com ambas as mãos, uma de cada lado da cintura fina, para que ela não se mexesse. Ela respirava profundamente.
Desci beijos calmos pelo interior de sua coxa e passei a língua suavemente pelo caminho. Senti Elena afundar a cabeça no travesseiro e quase sorri. Olhei rapidamente para ela e a vi fechar os olhos. Passei a língua muito perto da sua intimidade, mas não nela em si e a ouvi arfar em antecipação.
Uma risada fraca escapou de meus lábios pelo modo solto que seu corpo reagia ao menor estímulo. Soltei sua cintura e subi uma das mãos até seu seio apertando o bico levemente. Ela gemeu relaxando um pouco mais.
Devagar, dei um beijo casto em cima de sua intimidade para logo depois passar a língua levemente afastando os grandes lábios e sentindo o gosto doce pela primeira vez na minha boca. Meu membro pulsou doloridamente dentro da calça e eu apertei com mais força o bico do seio entre meus dedos.
Fiz movimentos circulares com a ponta da língua a abrindo para mim. Ela estava tão molhada, tão escorregadia que eu não resisti e suguei inesperadamente a pele quente, bebendo e me regozijando do seu gosto. Ela arqueou o corpo e eu voltei a fazer movimentos leves de cima a baixo me aproveitando da pele quente e pulsante entre meus lábios.
Beijei levemente seu clitóris e a senti estremecer ficando cada vez mais molhada. Minhas mãos abandonaram seus seios por um segundo e desci meus dedos levando-os a entrada do corpo tentador. Massageei ali em uma provocação deliberada e senti sua entrada contrair como se tentasse me sugar para dentro dela desesperadamente.
Cedendo ao pedido implícito naquele corpo enfiei dois dedos dentro dela devagar. Deslizando gostosamente enquanto sentia suas paredes internas se contraírem sobre meus dedos. Quase gozei só de imaginar a delícia que seria sentir aquilo sobre mim quando eu finalmente me afundasse nela.
Mordi e puxei a pele rosada e macia daquela parte quente que me enlouquecia me deliciando em torturá-la com os dedos em sua entrada suave e escorregadia.
– Elena... – chamei abandonando a carícia em seu ponto intimo por meros segundos e relanceando um olhar para ela sem sair do meio de suas pernas. – Elena... – chamei mais uma vez passando levemente a língua em círculos e remexendo meus dedos dentro do seu corpo. Ela gemeu mordendo o lábio inferior. – Abra os olhos. – mandei devagar olhando-a e soprando levemente o ar quente da minha boca dentro dela. – Quero que olhe pra mim quando gozar... – murmurei e vi os orbes castanhos me encararem. Sem esperar um segundo sequer eu a chupei com força e ela gritou.
Eu a ouvi arfar entre um gemido e um suspiro quando a suguei ao mesmo tempo em que afundava meus dedos dentro do seu corpo com força.
– Damon... Eu... Eu... – sua voz saía ansiosa e trêmula e eu me sentia dolorido ardorosamente dentro da calça. Ela rebolou contra minha boca e seus gemidos ficaram altos. Meus dedos se tornando mais escorregadios dentro dela e eu a senti convulsionar pouco antes de ter o líquido quente e doce molhando minha boca.
Ela gritou. Um grito agudo e tão gostoso que eu não consegui me conter mais.
Suguei-a inteira até seu corpo deixar de tremer. Tirei meus dedos e minha boca do meio de suas pernas. Levantei da cama e a vi me olhar enquanto eu tirava rapidamente a calça e a cueca box do meu corpo. Travei o maxilar. Ela respirava fundo enquanto passeava os olhos pelo meu corpo.
O tesão que eu senti ao vê-la me observar me fez pulsar e ela ficou ainda mais vermelha. Me coloquei entre suas pernas e desci minha boca devagar até perto de seu ouvido. Mordi levemente a lóbulo de sua orelha.
– Você não fez o que eu disse... – murmurei rouco e a ouvi engoli em seco e estremecer. Ela sabia do que eu falava. Eu a encarei e vi entreabrir os lábios passando a língua sobre eles. Rocei meus lábios nos seus sempre encarando as orbes castanhas intensamente. – Quero que você goze olhando pra mim... – murmurei e ela gemeu levemente. Senti suas mãos tentar puxarem meu corpo contra o dela e agarrei seus pulsos segurando-os contra a cama. Ela sorriu levemente em descrença. Devagar entrei no seu corpo e quando a vi fechar os olhos levemente parei antes de preenchê-la completamente.
– Damon... – ela resmungou em descrença e repreensão.
– É pra olhar pra mim... – gemi baixinho contra sua pele. Ela engoliu em seco e mordeu o lábio inferior e eu me afundei dentro dela de uma vez. Eu gemi alto quando me senti preenche-la totalmente. Inteiro. Completo. Eu me afastei alguns centímetros fechando os olhos levemente enquanto a sentia contrair. Sem aviso suas pernas se prenderam em volta da minha cintura me puxando de volta para dentro dela com impacto.
– É pra olhar pra mim... – ela murmurou provocando. Um riso debochado escapou da minha garganta e ela sorriu abertamente.
Sorri de lado com a frase, me forçando a sair do seu corpo lentamente e me afundando dentro dela com força logo em seguida. Repetindo o movimento cada vez mais rápido. Elena cravou os dentes em seu lábio e eu me senti tentado a mordê-la e sugá-la loucamente. Minha respiração ficando mais descompassada e entrecortada.
Seus gemidos entrando por meus ouvidos perturbando e provocando minha mente e meu corpo. O corpo dela se contorcia e suava embaixo do meu cada vez mais rápido, com mais pressa.
Eu a sentia contrair e vibrar a cada estocada, a cada vez que o impacto de nossos corpos se chocando se tornava mais violento. Ela gemeu alto gritando meu nome e eu senti seu interior contrair fortemente sobre mim. Todo meu controle me abandonou ou senti-la escorregadia, quente e cada vez mais molhada. A respiração pesada, o corpo tremendo e as pupilas dilatadas.
Ela me olhava.
Me olhava fixamente gozando comigo dentro dela.
Seus olhos cravados nos meus desejosamente enquanto seu corpo sacudia pelo orgasmo.
Eu me afundei nela mais uma vez. Acabando com a vontade que sempre havia me consumido e entrando em êxtase no momento em que eu jorrei dentro dela, cada músculo do meu corpo tremendo e se retesando ao e atingir, o que pra mim, era o mais perto do paraíso que eu poderia chegar.
Eu morreria feliz se o paraíso fosse assim, pensei logo caindo pesadamente sobre seu corpo quando perdi as forças por não conseguir mais me segurar.
Por um minuto só as nossas respirações pesadas se faziam ouvir no ambiente e eu rolei até deitar de costas na cama encarando o teto. Fiquei assim por alguns segundos até ouvi-la sorrir. Virei meu rosto para olhá-la e mais uma vez eu soube que era louco por ela. Elena arqueou uma sobrancelha em uma pergunta muda e atrevida. Eu franzi o cenho.
– O que foi? – perguntei um pouco ofegante sem entender o porquê de a expressão dela parecer levemente debochada.
– Você não olhou pra mim. – ela disse empinando o nariz e eu prendi o ar involuntariamente piscando várias vezes enquanto me dava conta de que ela estava certa. Eu havia fechado os olhos no meio de tanta excitação descontrolada. Sorri.
– Não tem problema. – respondi com um sorriso de lado ao mesmo tempo em que a puxava para perto, beijando sua boca levemente. – A gente pode repetir isso até eu terminar sem fechar os olhos... – sugeri brincando. Seus olhos se estreitaram levemente e um sorriso leve se insinuou em sua boca.
– Algo me diz que vamos ter que repetir muitas vezes então... – debochou. Eu sorri encarando os olhos castanhos e entrelaçando meus dedos nos cabelos macios. Puxei seu rosto para perto do meu.
– Ah, disso você pode ter certeza... – murmurei selando nossos lábios e ignorando qualquer coisa que não fosse saborear o gosto dela em minha boca e aproveitar pela primeira vez a sensação de me sentir feliz com a mulher que eu amava.
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