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8 I Choose You
Notas iniciais
I choose you
*
“Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.”
(William Shakespeare)
***
“Então, você pode escolher. É sempre sua decisão.”
E eu escolhi, Stefan. Novamente ficou sobre meus ombros o peso das decisões de vida e morte. E, nesse caso, uma decisão de morte. Minha morte.
***
Joguei meu corpo para trás, num sobressalto involuntário, inspirando todo o ar que foi repentinamente vedado aos meus pulmões. Havia tido três sonhos, estranhamente vívidos. Os dois primeiros, tão doces e incríveis, me fariam acordar com um sorriso nos lábios, se não fosse à existência do último: o vulto no meio da estrada, o carro derrapando... Um acidente! E, se não fosse também, pela presença de mais duas pessoas no recinto.
— Que lugar é esse?— perguntei, olhando para os lados. Eu não me lembrava de ter estado ali antes.
Era um quarto simples com uma cama de casal forrada por lençóis brancos, ladeada por um par de criados mudos com abajures em cima. As paredes tinham tom de areia e havia um pequeno armário e uma porta, que provavelmente dava acesso ao banheiro.
—Um quarto de hotel, em Lynchburg — Stefan respondeu. Estava sentando na beirada da cama.
—O que aconteceu?
Sua expressão era grave, o que me deixou apreensiva.
— Você sofreu um acidente.
Então havia uma razão para o sonho ser tão vívido. Era real. Eu abri a boca e a tapei com a mão.
— Oh, meu Deus! Matt! Como ele está?
— Ele está bem. — Stefan assegurou, apertando meu joelho por cima do cobertor. Eu assenti. Ainda sentia minha respiração acelerada por conta do susto. Já havia perdido pessoas demais na minha vida num curto espaço de tempo, não suportaria perder mais uma.
—Teve alguns ferimentos, mas conseguimos curá-lo — Damon disse, com voz grave. Sentado mais ao fundo, no parapeito da janela, havia mantido silêncio até agora, com um olhar distante como se meditasse sobre algo.
—Ótimo!— eu exclamei sorrindo, mas algo na expressão dos dois fez meu sorriso murchar.
— Que foi?
Stefan suspirou:
— Quando você teve aquela contusão na cabeça, era um pouco mais grave que a gente imaginava. Meredith fez uma escolha: ela te deu o sangue do Damon.
— No momento do acidente, você ainda estava com sangue de vampiro no sistema. — Damon completou — E quando eu encontrei vocês — fez uma pausa — Matt ainda estava consciente, mas você...
Eu não consegui deixá-lo terminar:
—Eu estou morta?
***
Todos os dias fazemos pequenas escolhas que somadas ao longo de um mês, um ano, uma década, compõe os nós da intrincada teia que é a nossa vida. Existem aquelas ocasiões, entretanto, nas quais as decisões são maiores. O peso das opções em jogo pode desviar todo o curso do bordado: mudar de cidade ou permanecer no lugar de origem; trabalhar em um emprego tradicional num escritório ou largar tudo e abrir um quiosque na praia; ter um filho, viajar pelo mundo; casar-se, divorciar-se...?
E dentro dessa nuvem de escolhas importantes, pode suceder ainda ocasiões que simplesmente te encurralam, não deixando outra saída, a não ser, decidir. E apesar de penoso e complicado, às vezes, são de momentos como esses que nós precisamos.
Já fazia algum tempo que eu vinha cozinhando em banho Maria os irmãos Salvatore. Tinha plena consciência de que era errado e me condenava por isso. Acontece que se eu escolhesse um, estaria automaticamente perdendo o outro e, pode ser até egoísta o que eu vou dizer, mas depois de lidar com tantas perdas na minha vida, a última coisa que eu desejava era perder mais alguém.
Mesmo assim, não seria justo deixá-los em suspense eterno e nem ficar com um, ludibriando o outro. Era preciso deixar um deles ir. E eu tinha a resposta. Na verdade essa resposta vinha sendo formada e solenemente ignorada por mim há quase um ano. Mas ali, dentro daquela caminhonete com Matt, sabendo que havia a possibilidade de não ver um deles pelo resto da vida, não teve como fugir.
.
— Elena, Damon não está com eles.
— O que?
— Ele está há cem milhas da cidade. Eu posso continuar dirigindo até ele ou eu posso dar meia volta até o Stefan. A escolha é sua.
Então era isso. O momento conclusivo. Confesso que planejava uma situação um pouco mais tranquila pra comunicar minha decisão, mas se havia alguma ocasião oportuna, era essa. Respirei fundo e pedi para que Matt me entregasse o celular.
À medida que o número de chamadas ia aumentando, o meu ritmo cardíaco ia acelerando junto. Estava quase desistindo, quando finalmente fui atendida:
— Elena? Onde você está?
— Na estrada, com Matt, há umas cem milhas da cidade, — eu respondi. — E você? Caroline e Tyler estão bem?
— Sim. Eles estão aqui. Eu acho que isso não vai dar em nada,— ele afirmou, otimista.
Eu assenti com a cabeça, como se pudesse me ver. Houve uma pausa do outro lado da linha.
— Saindo ou voltando para Mystic Falls?
Minha garganta secou.
— Stefan, eu...
— Você está indo até ele, não é? Até Damon.
Soltei um longo suspiro.
—Sim.
Outra pausa.
— Não posso dizer que essa resposta foi totalmente inesperada. Eu estava percebendo isso acontecer diante dos meus olhos. Desde quando eu aceitei esse acordo com o Klaus, de alguma forma, eu sabia que havia te perdido...
—Não é bem assim, Stefan, — eu contestei. —Por mais que eu tenha um... sentimento por seu irmão, eu nunca vou deixar de me importar com você. Você faz parte da minha vida, uma parte muito importante, não gostaria que isso mudasse. Mas eu precisava comunicar essa decisão, entende? Não era justo deixá-los esperando.
O período de silêncio foi tão longo dessa vez que se eu não ouvisse sua respiração, julgaria que não estava mais lá.
— Eu entendo, quer dizer, estou procurando entender. Vai levar um tempo pra eu conseguir assimilar a situação nova... é muito para administrar de uma vez, mas...— expirou —Tomem cuidado no caminho.
— Eu sei. — eu disse, com a voz embargada.
Comunicar o término de uma relação longa, por telefone, com riscos de nunca mais ver aquela pessoa que você ainda considera querida, não é a mais feliz das experiências.
— Por favor, me mantenha informada se alguma coisa acontecer.
— Certo.
— Tenho certeza que o Klaus é um grande mentiroso.
.
Tomar essa decisão fora uma das coisas mais difíceis que eu já fizera na vida. Mas, de certa forma, foi como arrancar um esparadrapo há muito tempo colado na pele: doloroso, porém seguido de um alívio instantâneo e renovador. Meia tonelada arrancada dos meus pulmões. Podia respirar com facilidade outra vez.
Eu o veria. Diria que o amava. Que agora era certo.
Antes da expectativa dos novos pensamentos dominar completamente o meu espírito, nos deparamos com um vulto loiro no meio da estrada.
Foi muito rápido. Eu me lembro de ter soltado um grito e de Matt ter girado o volante pra desviar o carro para o acostamento. O automóvel perdeu o controle e rolou ribanceira abaixo, deu voltas e mais voltas até tudo ficar escuro.
***
Eu estava uma pilha de nervos. Perdera a noção do tempo que se passara comigo trancafiada naquele quarto de hotel. O mundo, de repente, virou um lugar muito barulhento de se viver.
Antes de tudo acontecer, eu não fazia ideia do quanto o ruído de descargas, pigarros e passos poderia ser irritante. E ainda tinham os ponteiros de um relógio de cabeceira, que eu alegremente destruí num acesso de fúria.
Os cheiros de alvejante, pó e lavanda infestavam as narinas... Mas nada era mais incômodo fisicamente do que a luz natural incidindo na retina e, é claro, os pensamentos obsessivos envolvendo o líquido da vida.
Só Deus sabe o teste de resistência que enfrentei para não me esgueirar pelos quartos do hotel e atacar a primeira pessoa no caminho. A porta trancada ajudou nessa minha “resistência”.
As cortinas encontravam-se fechadas, mas pelo que eu pude observar agora a pouco, sem mais necessidade. A tarde caíra e o manto negro da noite começava a cobrir o céu.
Quando soube que estava em transição, confesso que tive um miniataque de pânico. Eu nunca, nem nos meus dias mais românticos, planejara isso. Não imaginava viver dessa forma. Aliás, viver? Estava me forçando a aceitar que sim, de certa forma, era uma vida. Afinal de contas, Caroline era uma vampira e parecia lidar muito bem com isso. E Stefan e Damon...
Em pensar que tudo poderia ser diferente se eu não tivesse aceitado esse acordo com Elijah. Agora, as consequências pareciam tão óbvias que eu me sentia tremendamente estúpida por não tê-las previsto antes.
Confiar em Elijah era uma coisa, mas pensar que os ‘irmãos originais’, depois de centenas de anos, iriam mesmo passar mais meio século fugindo e correndo o risco de serem pegos a qualquer momento, foi muita ilusão da minha parte.
Kol e Rebekah não deviam nada a mim. Eram mais fortes que os Salvatore e, se me matar acabaria com seu perseguidor, no caso o alter ego louco do Ric, é óbvio que eles não hesitariam.
Damon apontou tudo isso — por telefone. E é constrangedor admitir, mas eu gostaria que ele estivesse presente in loco. Ele iria brigar comigo e colocar algum senso na minha cabeça que desfizesse todo o discurso de amor fraternal do Elijah.
Porque no fundo, era isso. Eu sabia das possíveis consequências práticas da minha escolha, só não queria me atentar a elas. Meu coração de manteiga comoveu-se com as intenções nobres do mais elegante dos originais. E com o Stefan ao meu lado, apoiando sem jamais contrapor meus juízos, não teve como pesar as outras possibilidades.
Mas eu não podia acusá-lo. Ironicamente essa era uma das coisas que eu mais valorizava na nossa relação. Além disso, fui eu quem escolhi, então seria eu quem enfrentaria as consequências.
Stefan disse que poderia haver um jeito. Bonnie já tinha consertado tantas coisas, quem sabe mais essa? Damon, com seu habitual pessimismo prático e, na maioria das vezes, irritantemente correto, disse que só havia duas opções: completar a transição ou morrer.
Mesmo assim, eu tentei me apegar a esse último lampejo de esperança, já começando a me arrepender de tê-lo feito. Não ia me perdoar se algo desse errado, se Bonnie machucasse no processo, eu nem sei o que... Enfim, deu pra perceber que a minha pilha de nervos não era só fisiológica. As preocupações borbulhavam na minha cabeça.
Stefan foi atrás de Bonnie ver se conseguia encontrá-la e eu concordei de ficar no hotel esperando. Por conta da descoberta dos vampiros pelos membros do conselho, Mystic Falls estava uma loucura. E eu também não podia correr o risco de machucar alguém.
Damon saiu junto, mas pela sua cara, eu tinha certeza que não foi para procurar Bonnie. E essa era a minha maior preocupação.
Se nesses meses todos de convivência, eu aprendera alguma coisa sobre o Salvatore mais velho, é que ele era extremamente impulsivo e vingativo. Pouco ligava para o fato de ser muito mais fraco do que a “Barbie Original”. Ele iria atrás dela.
Enquanto parte de mim o amaldiçoava por ser tão teimoso, a outra rezava em silêncio para que estivesse bem.
Com todas essas questões revolvendo a minha mente, demorou alguns instantes até que eu percebesse e reconhecesse as vozes no corredor.
—Não! Ainda é cedo, você não vai dar isso a ela! — Stefan, exclamou do lado de fora.
—Ah não, então você prefere o quê? Que a Elena esteja agonizando os últimos suspiros de vida até que tome uma única gota salvadora? Seria poético, não? Sua cara.
—Se você levar essa bolsa de sangue, ela pode beber sem pensar, não vai dar tempo de escolher.
—Bingo! Essa é a ideia, irmão.
—Damon, — Stefan o repreendeu. — Você não pode fazer isso. Não pode privá-la de suas decisões.
— O que eu não posso é ficar aqui parado assistindo enquanto a Elena faz mais uma escolha suicida. — Damon esbravejou.
— Nisso você tá certo. A Elena está cheia de escolhas suicidas ultimamente. A última delas, eu ainda estou sem acreditar. Eu realmente não sei o que está passando pela cabeça dela. — Stefan despejou.
Ele estava mesmo se referindo dessa forma ao irmão? Como se ele fosse a pior a pessoa na face da Terra com quem eu poderia ficar?
— Do que você está falando?
Antes que as coisas piorassem, resolvi interferir.
— Abram essa porta!— Espalmei com força contra a madeira.
—Você já vai ficar sabendo. — Stefan ainda respondeu ‘enigmático’.
O barulho dos meus murros insistentes na porta levou-os a deixar a discussão de lado e entrar.
Stefan foi o primeiro a se pronunciar:
—Está uma confusão na cidade e eu não consegui encontrar a Bonnie. Eu sinto muito, Elena.
—Caroline?
—Ela parece ter conseguido escapar. O pastor Young juntou-se ao resto do conselho...— ele foi relatando os últimos eventos de Mystic Falls, mas à medida que falava, sua voz ia ficando cada vez mais distante na minha consciência, tudo que o que eu conseguia captar era a presença de Damon e da maldita bolsa de sangue que ele escondia em uma das mãos.
—Não precisa se desculpar, Stefan. Eu sei que você tentou, sou muito grata por isso. — eu disse, surpreendida pelo meu tom seco.
Sim, eu era grata. Mas ainda estava digerindo o que tinha ouvido. Há bem pouco tempo, Stefan cogitara a possibilidade de eu estar apaixonada por Damon e, por mais que isso fosse doloroso pra ele, nunca se mostrou avesso ao que eu poderia sentir, como algo errado em si. Essa última conversa dele com o irmão foi como se o pedaço de uma máscara caísse.
Ele limpou a garganta.
— Eu deixei mensagens no celular da Bonnie. Ainda temos algum tempo. Pode ser que ela veja e...
— Acho que não tem mais jeito, — eu o cortei, com um sorriso conformado no rosto. Ele concordou com a cabeça. — Damon...
—Acho melhor deixar vocês a sós — Stefan disse, e com essa fala conseguiu evitar o constrangimento do pedido que eu faria em seguida. Ainda virou para trás e me lançou um último olhar sofrido, antes de sair fechando a porta atrás de si.
Soltei um suspiro longo e ajeitei uma mecha de cabelo atrás da orelha. Então, essa era a hora. Por onde iria começar? Damon me espreitava com uma expressão curiosa, como se começasse a se dar conta do que estava acontecendo, mas ainda não conseguisse acreditar.
Minhas pernas me guiaram em direção à janela do quarto. Abri os vidros e debrucei-me, almejando um pouco de conforto no toque fresco do vento no rosto. Estávamos no terceiro andar. Lá em baixo, um fluxo de veículos e pedestres, provavelmente retornando ás suas casas, fazia certo tráfego no que deveria ser uma das principais avenidas da cidade. Permaneci na mesma postura, até sentir minha temperatura elevar alguns degraus.
—Então... — eu comecei, virando para trás. Damon erguia, em uma das mãos, a bolsa de plástico contendo sangue doado a algum hospital e, mesmo estando extremamente nervosa — e por mais de uma razão— um sorriso leve repuxou meus lábios.
—Minha escolha, huh?
—Claro. — ele também sorriu. —Você pode escolher entre esticar a mão e beber pacificamente ou engolir tudo goela abaixo.
Eu ri. Uma genuína e calorosa risada que eu tive que recolher forças para conseguir parar. Emoções exaltadas.
—Você parece mais tranquila —constatou, sondando-me com cautela.
Depois de presenciar o surto que eu dei pela manhã, qualquer reação minha pareceria mais calma.
—É, acho que tem razão. Após o susto inicial, estou tentando me habituar com a ideia. Mas não se engane! Estou morrendo de sede. Desde que você entrou, não paro de pensar um segundo nessa bolsa de sangue aí — mordi o lábio, encarando meu objeto de cobiça.
—Não seja por isso, — Damon estendeu a mão e, ao ver a minha hesitação em pegar o que me oferecia, recolheu para si, desapontado.
—Você...— ele passou os dedos pelo cabelo, exalando o ar sonoramente pelas narinas.
Deus! Como um gesto simples como esse podia vestir tão bem nele? Sério, muito sexy! Seus lábios rosados comprimiram-se numa linha fina e ele me olhava como se quisesse quebrar alguma coisa ao meio. E por que eu estava pensando nisso, mesmo? Forcei minha atenção de volta para a conversa.
— Eu não vou nem perguntar, Elena. Porque uma ideia absurda como essa não pode estar passando nessa bela cabecinha. —falou, num tom quase exasperado.
Havia interpretado de maneira errada à minha reação. Achava mesmo que eu preferia morrer? Era hora de eu começar a falar:
— O acidente aconteceu próximo à Lynchburg. Sabe o isso que significa?
Damon ergueu as sobrancelhas.
— Admito que essa informação rondou à minha cabeça por mais de duas vezes durante o dia, mas não quero me precipitar. Por que você não me diz?
Eu estendi o braço e tomei a bolsa de sangue de sua posse.
— Significa que eu não corri ao seu encontro pra morrer ressecada no outro dia, — respondi. E num ímpeto, rasguei o plástico com os dentes e ingeri o primeiro gole.
O líquido foi deleitosamente abraçado por minhas papilas gustativas. Tinha o gosto enferrujado típico de... sangue. É, pode parecer ambígua à informação, mas muita gente imagina — inclusive eu já cheguei a pensar — que para os vampiros, o sangue tem um gosto diferente do que sentimos. E de fato tem. Não chocolate, mel ou qualquer outra iguaria considerada agradável ao paladar humano, mas sangue, como o que a gente chupa quando espeta uma agulha no dedo, só que incrivelmente saboroso.
Passei a verter com avidez, cerrando os olhos para desfrutar melhor a sensação.
— E aí?— Damon perguntou. Mas eu ainda não tinha finalizado. Só me permiti abrir os olhos quando o saquinho estava devidamente drenado.
— É... nem sei o que dizer — sorri. Damon me encarava com uma expressão satisfeita no rosto. — Foi a coisa mais prazerosa que experimentei na vida.
— Realmente, a sensação de beber sangue humano é incomparável. Melhor ainda quando é direto da veia — ele abriu um sorriso torto. — E eu diria que há uma ou duas coisas mais prazerosas do que isso, mas você terá uma eternidade para descobrir. —piscou-me. E eu senti meu corpo hiperventilar.
Era tão engraçado isso. Mesmo vampiros mantemos todas as reações fisiológicas. Era reconfortante, na verdade. Fazia me sentir um pouquinho mais humana.
— E você vai me mostrar?—eu perguntei, aproximando nossos rostos.
Não sei o que deu em mim pra dizer essa frase. Vampirismo nos torna mais ousados? Quando eu vi, ela saiu.
O sorriso dele se alargou.
— Com certeza.
E então eu senti: um incômodo tremendo nos meus dentes. Não chegava a ser uma dor, estava mais para uma cócega misturada com formigamento. Não dá pra fornecer uma explicação fiel tendo somente às sensações humanas normais como recurso de comparação.
—Oh meu Deus, — eu dei um passo pra trás.
—Suas presas! — Damon exclamou e se eu não tivesse tão abalada pela novidade, afirmaria com segurança que havia um brilho de admiração nos seus olhos.
Corri para o banheiro. Tinha um grande espelho quadrado acima da pia. Por ele eu contemplei com a testa franzida, a minha figura. O cabelo ainda estava um pouco molhado por conta do banho de uma hora atrás. Damon e Stefan fizeram a gentileza de deixar uma muda de roupa para eu usar depois de acordar: um vestido curto de alcinha estampado com florzinhas brancas minúsculas. Mas não foi exatamente esse detalhe da minha aparência que prendeu minha atenção: as presas eram enormes e pontudas, veias horríveis destacavam-se ao redor dos meus olhos completamente avermelhados.
— Eu me tornei um monstro — murmurei comigo mesma.
Damon surgiu nas minhas costas, escorado no batente da porta e, pela sua expressão no reflexo do espelho, havia me ouvido. Droga! Eu não queria dizer isso.
—Eu poderia falar que não, Elena. Que você é a mesma garota de sempre e nada vai mudar. Mas essa não é a verdade. Essencialmente você ainda é você,— seu tom era calmo e pausado — Vai continuar se reconhecendo em boa parte das atitudes e pensamentos. Mas o vampirismo confere a nós uma nova natureza. Mais selvagem, impulsiva, exaltada. E por que não dizer, mais corajosa e ousada, também?— sorriu de canto, depois ficou sério:
— Quanto mais rápido aceitar, mais fácil vai ser.
— Foi fácil pra você? — a pergunta saltou dos meus lábios antes que eu refletisse e eu me virei para olhá-lo nos olhos.
Damon enfiou as mãos no bolso da calça jeans e deu de ombros.
—Pra ninguém é fácil.
Eu balancei a cabeça, abaixando o olhar.
—Mas ei, também não é esse pesadelo todo — ele ergueu o meu queixo, forçando-me a encará-lo.
— Acredite, na maior parte do tempo, ser vampiro é bem legal. Não é todo esse dramalhão mexicano que alguns tentam fazer parecer, — me incentivou com um de seus sorrisos tortos que eu tanto adorava.
Eu também sorri. Os olhos de Damon se fixaram na minha boca e ele passou um dedo ao redor dos meus lábios. O sentido da sua atitude ficou claro, quando vi a mancha vermelha em sua pele. Ele levou o dedo ‘sujo’ à própria boca, sugando-o com um gemido de apreciação.
Hipnotizada pelo gesto, perguntei-me como seria experimentar minha nova bebida favorita direto de seus lábios, e pela forma como me olhava, podia dizer que tinha perfeita noção dos tipos de pensamentos que estava provocando.
Antes que qualquer um de nós se movimentasse, um barulho forte desviou as atenções.
—Really?— eu não contive uma exclamação de desgosto. Meu estômago reclamava alto.
Damon sorriu.
—Vem comigo, — ofereceu a mão direita, de forma cavalheira. — Você precisa ser propriamente alimentada.
*
Por ‘propriamente alimentada’ Damon queria dizer “beber sangue quente direto da veia”. Minha boca salivava só de imaginar, mas ainda assim eu tinha medo. E se eu perdesse o controle? Não conseguia suportar a ideia de machucar alguém por causa de impulso tão egoísta. Damon disse que só havia um jeito de desenvolver autocontrole: testando-o.
Mesmo assim, eu tentei convencê-lo de que poderíamos fazê-lo num outro dia. ‘Uma eternidade?’ Não foi isso que havia dito? Ele se deixou dissuadir, não muito satisfeito ao ver suas próprias palavras sendo usadas contra si, mas me advertiu de que mais cedo ou mais tarde eu precisaria aprender. E ele estaria lá pra me ajudar.
Eu concordei. Queria mesmo funcionar como vampira. Stefan que me perdoasse, mas em menos de meia hora de vampirismo, eu estava plenamente convencida que esse lance de privação e beber sangue animal não era uma boa forma de encarar a coisa.
O Lynchburg General Hospital não ficava muito longe do hotel. Era um hospital de médio porte, mas com toda a certeza maior do que o de Mystic Falls. Damon me indicou o caminho que ele mesmo percorrera para roubar a primeira bolsa de sangue. Vez ou outra, topamos com algum funcionário questionando a nossa presença. Nesses momentos, ele fazia questão de que eu hipnotizasse.
Eu me sentia uma criminosa. E não me entendam mal, é no bom sentido da palavra. A sensação da adrenalina eriçando os poros, os batimentos cardíacos acelerados... é incrível. Mais legal ainda foi constatar que as minhas habilidades ‘hipnotizantes’ não eram nada más.
O banco de sangue ficava no saguão mais isolado do hospital. “Jantamos” por ali mesmo e ainda levamos, cada um, mais uma bolsinha de sobremesa, a tiracolo.
Caminhamos pelas ruas, a esmo, apenas jogando conversa fora. A cidade de Lynchburg contava com uma área verde enorme que se misturava às construções, conferindo um odor agradável de eucalipto ao ar. No meio do caminho, paramos num bar. Damon comprou uma garrafa de Bourbon.
Enquanto fazíamos o trajeto de volta para o hotel, um sorriso discreto brincava nos meus lábios. Não me lembrava de me sentir bem assim por... Muito tempo. Em pensar que nesse mesmo dia havia me considerado o mais miserável dos seres. Eram tantas reações conflitantes, tantas novidades e ao mesmo tempo, uma sensação indescritível de liberdade se espalhava no meu peito. Precisava tomar cuidado para não pirar.
Bem perto do hotel, tinha o que se pode chamar de um dos pontos turísticos do lugar. Uma ponte rochosa formada pela ação da natureza. Logo abaixo dela, escorria um córrego. Uma mureta de pedra, de mais ou menos um metro, o contornava. Escolhemos esse lugar como assento.
—Você nos encontrou no carro — afirmei, rompendo o silêncio.
Damon, que bebia whisky direto na garrafa, deixou ela de lado e respirou fundo:
— Foram os segundos mais difíceis da minha existência. E olha que eu estou por aqui já faz algum tempo. — ele abriu um sorriso que não alcançava os olhos, depois fechou o semblante desviando o olhar para algum ponto à sua frente. — Interessante como são as coisas, assistir Ric perdendo as forças, foi muito mais desesperador do que a perspectiva de apanhar até morte. Acho que o instinto de sobrevivência falhou ali. —ironizou, conduzindo a garrafa de volta à boca.
Mordi a língua. E essa era maneira como Damon interpretava o fato de colocar a vida do amigo e a minha acima da sua. Havia alguma coisa muito sombria e errada na forma como esse vampiro se enxergava. Mas esta não era uma discussão para o momento. O que não significava que eu não faria algum dia.
— Ric, — eu suspirei, sentindo os meus olhos começarem a arder com as lembranças. — A gente já tinha se despedido dele antes, mas com essa volta, mesmo sendo um alter ego maluco e não ele de verdade, ainda era o mesmo corpo.
Damon concordou com a cabeça.
— E isso foi apenas uma parte do sofrimento. A morte do Ric significava também que você estava morta. E eu não sei o que eu faria se... — ele parou, fitando os meus olhos. A sinceridade do seu desespero transpareceu toda nas íris azuis.
Puxei a mão que estava apoiada na mureta e coloquei entre as minhas.
— Mas você me encontrou. — eu o lembrei, e um ligeiro sorriso se projetou nos lábios dele.
É um detalhe que pode parecer bobo, mas eu realmente fiquei feliz em saber que fora ele quem me encontrou. Não Stefan, ou qualquer outro amigo, mas sim o cara que esteve comigo durante todos esses meses e que, no final do dia, sempre estava lá para me resgatar. Seja fisicamente ou emocionalmente.
— Assim que percebi, liguei para o Stefan e saí correndo pela estrada. O carro estava há uns cinquenta metros da rodovia. Eu gostaria de ter sido mais rápido, ter chegado antes. Apesar de eu brincar um pouco com a situação, pra tentar te fazer relaxar, eu sei que você não queria essa vida. — disse. E foi a vez dele de apertar meus dedos.
— Você fez o que pôde, tá? Além do mais, ninguém garante que se tivesse chegado imediatamente após o acidente, me encontraria viva. E eu vou tentar me adaptar. Vou sobreviver a isso, nó...
— Nós sempre sobrevivemos. — ele sorriu completando o que podia ser considerada a nossa frase.
Em todo esse tempo, ainda não tínhamos tocado no assunto 'minha escolha'. Em parte por causa dos problemas imediatos que foram surgindo, em parte porque estava gostoso ficar assim. Já sabíamos o que ia dar, estávamos apenas esticando e aproveitando o momento.
— E esse whisky, aí?— eu indaguei, sobre a garrafa de Bourbon em cima da mureta.
— Você quer?
—Aham.
— Stefan diria que é bom para aliviar a sede por sangue, eu digo que Bourbon dispensa recomendações. Ele me ofereceu a garrafa.
Bebi alguns goles, sentindo o meu corpo imediatamente relaxar sob efeito da bebida destilada. O som das águas do córrego batendo contra as pedras e o eco vivo da mata quase me fazia esquecer que estávamos no perímetro urbano.
— Achava que você odiava Whisky —comentou, um tanto surpreso.
— Eu não costumava gostar, sabe? É uma bebida muito forte.
Damon assentiu, me encarando com atenção.
— Pode levar alguém facilmente à embriaguês, à perda dos sentidos. E a ressaca, meu Deus, é de matar.
— Tudo isso é verdade — ele concordou— Então eu fico me perguntando, por que alguém se interessaria por um tipo tão terrível de bebida ao invés de optar por, sei lá, suco de cenoura? — ele sorriu. E não teve como não sorrir de volta. Nessa altura da conversa, não era exatamente de bebidas que estávamos falando.
— Porque talvez seja exatamente disso que essa pessoa precisa. Algo intenso e consumidor como o whisky.— eu disse, lançando-lhe um olhar que, pelo menos, na minha mente, foi sedutor. Tornei a beber, bem devagar, fechando os olhos por um instante para apreciar, depois voltei a fitá-lo:
— Em um primeiro momento, ele queima a garganta, como brasa, mas depois, quando você se permite realmente sentir o sabor, chega a ser levemente adocicado. Nunca ouviu dizer que o risco das consequências ruins vale a pena por causa das boas? — eu sorri, levando a garrafa novamente à boca.
Damon balançou a cabeça e estalou a língua, numa falsa repreensão, com um sorriso que dizia: Garota, você não sabe onde está se metendo!
Ah, eu sei muito bem!
Ele levou uma mão até meu rosto e passou a alisar a minha bochecha com o nó dos dedos:
—Você sabe que essa é a decisão mais maluca de toda a sua vida, não sabe?
—Sim.
Embora estivéssemos completamente sozinhos, conversávamos baixo, quase sussurrado. O que só servia para aumentar a tensão, que já não era nem um pouco pequena. Seria possível que eu já estivesse sem fôlego?
—E se você está esperando algum gesto heroico da minha parte, do tipo deixar você, porque acho que não te mereço, saiba que eu posso até acreditar nisso, mas sou egoísta demais para fazê-lo, baby.
—Estou contando com isso.
Damon abriu um sorriso enviesado e, no instante seguinte, foi como se tudo ao nosso redor tivesse rompido o curso e parado, só para nos assistir. A garrafa que estava em minha posse foi calmamente retirada e colocada no chão. A mão dele veio para o meu rosto e, num movimento muito semelhante ao que fizera no banheiro do hotel, tracejou meus lábios com o dedão.
Seu olhar se deteve por uma fração de segundo no meu, antes das nossas bocas unirem-se num encontro ansioso e sedento. Primeiro, tocaram-se de leve, como dois velhos amantes que dedicam algum tempo para examinar e apreciar a presença um do outro, após um longo período de distância. Não fazia muito tempo que tivemos aquele momento em Denver, mas seria absurdo dizer que senti falta disso?
Damon roçou a língua nos meus lábios, que prontamente se partiram para recebê-la. Ainda carregava o gosto ferroso de sangue. Emiti um gemido de apreciação. O beijo foi ficando cada vez mais intenso e molhado, tornando quase dolorosa a necessidade de uma aproximação mais íntima.
Enquanto uma de suas mãos abraçava as minhas costas, como se quisesse me trazer para o mais perto possível de si, a outra subia e descia pela lateral do meu corpo, chegando a cobrir parcialmente o meu seio esquerdo e alisar a minha coxa em pontos muito acima do limite da saia curta do vestido.
Eu estava completamente arrepiada.
Meu coração palpitava contra o peito num ritmo desvairado. Este não era um simples beijo. Era um tiro no escuro, o gesto que selava o meu lançar em queda livre em direção ao desejo mais secreto do meu coração. E tudo o que eu esperava, era não me estabacar no final.
Mas, francamente? Eu nem me importava. Era um risco? Claro! Mas o que eu não podia, era passar uma vida inteira lamentando por não ter tentado.
Levei os dedos ao cabelo dele, emaranhando os fios macios e arrisquei a sugar a ponta de sua língua. Damon exalou o ar pesadamente nos meus lábios e afastou, em seguida, somente os milímetros necessários para conseguir falar:
— Eu sei que você disse que estava cansada de ficar presa num cômodo fechado, mas o que acha de voltar para o hotel comigo, agora? —ofegou, com olhos suplicantes.
— Eu acho uma excelente ideia.
Ele abriu um sorriso maravilhoso de menino que acaba de receber um convite à Disneylândia e puxou a minha mão. Bem menos cavalheiro dessa vez. E com muito mais pressa.
*
Corrida sempre fora minha atividade física preferida, mas a supervelocidade recém-adquirida elevava o exercício a outro patamar. Damon e eu, praticamente voamos entre as ruas que davam até o hotel. Se alguém notou um flash estranho, certamente deve ter feito como a maioria de nós incrédulos faz: descartado o pensamento como fruto da imaginação.
Eu não sei muito bem como conseguimos abrir a porta, ou fechá-la depois, já que desde que voltamos à velocidade normal, não desgrudamos as mãos e os lábios um do outro. Mas o fato é que estávamos lá, dentro do quarto, nos agarrando de uma forma tão profunda e enérgica, que me bambeava todinha a força das pernas.
Nessa altura, já tínhamos chutado os sapatos dos pés e lançado o que quer que fosse que trazíamos em algum canto. Damon esfregava as mãos com firmeza nas minhas costas, enquanto sua boca alternava entre devorar meus lábios, queixo e lóbulo da orelha. O toque tornou-se mais ousado, descendo para os glúteos, num aperto firme e safado. A saia do vestido ia ficando suspensa no meio do caminho e, com as unhas curtas, ele arranhava a pele sensível detrás das minhas coxas.
Eu respirava com dificuldades. Mas minha necessidade imaginária de oxigênio não era nem de longe maior do que o desejo de beijá-lo.
A exploração na parte de baixo do meu vestido prosseguiu, lentamente levantando-o no processo. Quando me dei conta, o tecido já estava dobrado na altura da cintura, permitindo que trabalhasse os dedos em círculos deliciosos em volta do meu estômago. Damon chupou meu lábio inferior e mordiscou meu queixo.
— Esse vestido é bonito, mas... que tal ficar sem ele? — sugeriu, sorrindo.
Eu ergui os braços, numa resposta muda submissa e recebi ajuda para me livrar da peça. A expressão que o rosto dele adquiriu quando me viu foi impagável. Damon ficou um bom tempo olhando descaradamente para os meus peitos, antes de abrir a boca em um sorriso satisfeito:
—Eu sabia que estava sem sutiã!
Resisti à vontade de revirar os olhos. Do jeito que ele me apalpou inteira por cima da roupa, não ficaria surpresa se soubesse até a cor da minha calcinha.
— Vocês não trouxeram o sutiã adequado, precisa ser sem alça pra usar com esse tipo vestido, — expliquei, manhosa, aproveitando pra enlaçar os braços no seu pescoço.
— Ok, vou fazer uma nota mental — Pra nunca comprar o certo! — piscou.
Eu abri um sorriso largo e tive minha boca coberta pela sua, os lábios quentes foram se arrastando pela linha da mandíbula e pescoço. O ar se tornava cada vez mais rarefeito, exigindo maior esforço da minha parte para puxá-lo, à medida que Damon realizava deliciosas sucções em várias porções de pele. Suas mãos encontraram o arco dos meus seios, dando início a uma delicada pressão ao redor.
Ele baixou os lábios para a pele nua dos ombros e lambeu o vão entre os seios, descendo até o meio do abdômen e subindo outra vez. Beijos molhados foram distribuídos por toda a extensão de um seio, enquanto uma mão habilidosa massageava o outro. Negligenciava apenas os mamilos, que a essa altura reclamavam, completamente rijos, por um mísero toque que fosse de seus dedos ou lábios.
Enfiei a mão na raiz macia do seu cabelo, numa tentativa muda de indicar aquilo que eu queria. Ele me lançou um olhar malicioso e foi para o outro seio proceder da mesma maneira. Logo, desceu o rosto por minha barriga, e eu soltei um lamurio de protesto. Damon puxou a pele por cima do meu umbigo com os dentes, os cantos da boca curvados num sorriso perverso, e eu tive vontade de puxá-lo pelos cabelos e trazê-lo de volta.
Ele queria me provocar; estava conseguindo.
Novamente de pé, suas mãos foram para o meu rosto e a boca colou-se na minha, como se não conseguisse obter o suficiente dela. Bem, pelo menos essa era a sensação que eu tinha em relação a ele. Cada beijo nosso tinha o efeito de um combustível: ao invés de aplacar a vontade por outro, só fazia aumentar.
Não demorou muito para que refizesse seu caminho tortuoso de volta para os meus seios. Dessa vez, para a minha felicidade, contornando um dos mamilos com a ponta da língua, enquanto rodeava o outro com o dedão. Inverteu a operação, não levando muito tempo até que abocanhasse um bico e passasse a chupar com avidez.
Conforme a intensidade dos lábios nos meus seios, minhas mãos acariciavam ou puxavam os fios do seu cabelo, divididas entre o desejo de empurrá-lo com força e mantê-lo ali pra sempre. Era uma aflição gostosa, que provocava uma verdadeira inundação na minha calcinha.
Meus joelhos tremiam e eu senti que se não me apoiasse em algum lugar, acabaria caindo a qualquer momento. De modo que tive de arrastá-lo comigo, até o canto mais próximo de parede.
Damon desceu, pela enésima vez, na minha barriga, que se contraiu todinha com o toque de sua boca. Quase tive uma síncope, ao senti-lo pressionar o queixo, 'por acidente', numa parte muito sensível do meu corpo. E ele parou ali, com a respiração quente atravessando o rendado da calcinha, dobrou os joelhos no chão e sentou sobre os calcanhares.
A calcinha escorregou bem devagar pelas minhas pernas. De repente, o sangue correu todo para as minhas bochechas. A súbita percepção de que eu estava erguida e completamente nua, enquanto Damon estava ajoelhado, com a cabeça bem no rumo da minha... e ainda por cima, com exceção dos pés, (um parênteses para os pés: cumpridos, largos, com os dedos longos e bem cuidados. Nunca tive tara por pés, mas aquele pedacinho único de corpo exposto tava tentando o meu juízo), totalmente vestido, fez com que eu me sentisse vulnerável. E quente. Muito quente.
— Você é linda. — Damon disse, com um sorriso deslumbrado. Um elogio que não causaria tanta taquicardia se ele não tivesse falado isso com um olhar firme no meio das minhas pernas.
— Eu... hmm.
Qualquer que fosse a minha resposta, dissolveu-se completamente com o toque de sua língua. Damon lambeu a parte interna de cada uma das minhas coxas e, quando estava chegando na melhor parte da festa, não sei como, mas eu consegui pará-lo:
— Não precisa— disse, com a respiração falha — Eu já tô muito...
— Molhada? — ele completou, com um brilho divertido nos olhos. — Estou vendo.
Senti meu rosto latejar. Pela minha pouca experiência e conversa com as amigas eu sabia que, apesar de amarem receber, a não ser que haja um propósito claro, os homens, geralmente, não são muito chegados a conceder esse tipo de prazer, digamos, egoísta. Tão logo a garota fique preparada para a etapa seguinte, eles interrompem. E eu já estava preparada, então... Como se tivesse lido a minha mente, Damon prosseguiu:
— Isso não é pra te deixar pronta, meu anjo! Bem, pelo menos não somente. — emendou, com um sorriso sacana.
— Eu tenho uma vontade insana de conhecer todos os seus gostos— ele confessou — Além disso— seus olhos baixaram brevemente para os meus “quadris”, depois voltaram para meu rosto — Vai ser muito divertido te fazer tremer na minha boca.
E eu já estava tremendo, naquele instante. Com a respiração errática e o suor brotando na pele. Já duvidava que a parede fosse suporte o suficiente pra me manter em equilíbrio. Abri a boca, sem saber o que responder.
—Relaxa, Elena! — ele disse, antes que eu falasse algo. — Deixa eu cuidar de você.
Minha cabeça moveu-se quase que sozinha em concordância e ele abriu um sorriso amplo, exibindo todos os dentes perfeitos. Ok, não me venham com esses olhares acusadores. Quando Damon Salvatore está ajoelhado no meio das suas pernas pedindo pra cuidar de você, você deixa ele cuidar de você. Simples assim.
Não havia nada no mundo que eu gostaria de fazer, além de ser cuidada por esse vampiro.
Contrariando a minha expectativa imediata, após tanta insistência, ele resolveu ficar de pé. Agarrou a minha nuca e atacou meus lábios, seguindo para os seios. Apalpou e chupou com ferocidade, depois, foi outra vez para o chão.
Numa velocidade completamente diferente, Damon apoiou as mãos nas minhas nádegas, tomou seu tempo e, sem pressa alguma, deslizou a boca por meu monte púbico, como se o ato de desatino anterior o tivesse acalmado e agora ele tivesse ligado no modo zen.
Os dentes arranharam a minha pele, produzindo uma leve cócega que me fez sorrir. Ele sorriu ao me ver sorrindo, e depois fez um caminho mais pra baixo . Eu já não sorria mais.
Damon usou as mãos para arreganhar a pele e expor as superfícies internas escondidas. Sua respiração suave veio como rajadas contra a minha umidade, e logo foi substituída pelo contato quente e aveludado de sua língua.
Ele tomou os pequenos lábios na boca e puxou delicadamente, chupando como tinha feito antes nos meus mamilos. Alternava entre lambidas, sucções e mordidas, indo somente de vez em quando ao clitóris, para retornar e fazer tudo de novo.
— Meu Deus, isso é muito bom!— eu gemi.
Bom não era um adjetivo suficiente para descrever o que eu estava sentindo, mas foi o que veio no momento. Meus quadris remexiam sutilmente contra o seu rosto, enquanto meus dedos retorciam os fios de seu cabelo.
Sem parar de mover a língua, dirigiu-me um olhar lascivo e cheio de promessas. Assim que finalizou a atividade nos pequenos lábios, escolheu outro local sensível para torturar.
Um gemido sôfrego escapou dos meus lábios, ao senti-lo cavando na minha entrada. Ele também gemeu e se afastou subitamente, protagonizando uma das cenas mais sexys que eu já vi na vida.
Damon fechou os olhos e, ainda ajoelhado ao chão, levou uma mão até o glorioso volume entre suas pernas e se acariciou por cima da calça, passando a língua nos lábios. Depois respirou fundo, como que para controlar as reações do corpo, e voltou a me encarar:
— Você é muito gostosa. Vou ter usar todo um autocontrole, aprimorado a mais de um século, para não acabar melando a cueca.
Essas palavras enviaram uma onda de eletricidade que se alastrou do topo da minha nuca até o último poro da minha intimidade. Imagens mentais do que podia estar escondido embaixo daquelas calças involuntariamente surgiam à minha frente. Mal podia esperar para vê-lo sem todo aquele excesso de roupas.
— Tenho certeza que você consegue. — eu disse, com a voz enrouquecida pelo desejo.
Damon balançou a cabeça, sorrindo com o lábio preso entre os dentes.
—Ah, Elena. Você ainda vai ser o meu fim. — ele disse e só a forma como suspirou meu nome já me deu vontade de esfregar as coxas uma na outra.
Ninguém nunca tinha falado assim comigo durante uma relação sexual. Meus dois antigos e únicos namorados, mesmo após muito tempo de namoro, tomavam todo cuidado para serem carinhosos e românticos, certamente porque achavam que era isso que eu gostaria. Bem, eu também achava.
Mas, contrariando a minha opinião, desprendimento e palavras sujas, não são incompatíveis com romance. Damon estava lá, como ele mesmo disse, “cuidando de mim”. Tomando tempo e adorando cada pedaço do meu corpo como se fosse uma obra de arte. E eu estava amando cada segundo disso.
Ele agarrou minhas pernas e colocou uma delas por cima do ombro. Sua língua contornou minha abertura provocando um ponto prazeroso, bem no início do canal, para depois invadir, pontiaguda e enrijecida, simulando penetrações.
Sentia minhas pálpebras pesarem e já não conseguia mantê-las abertas. Parte do meu cérebro parecia ter sido derretida. Tudo o que eu conseguia absorver era o calor e o toque do pequeno membro que me invadia. Minhas unhas arranharam involuntariamente a pele de seu pescoço e ele gemeu, lá dentro.
Em algum momento, o contato foi rompido, fazendo com que meus olhos se abrissem e meu o sexo contraísse em reclamação. Logo, o vazio foi ocupado pelo seu dedo do meio, enquanto sua língua foi parar no meu clitóris, com movimentos contínuos de varredura. Ele prosseguia mergulhando o dedo, estimulando meu clitóris, ao mesmo tempo em que a outra mão massageava o monte púbico.
Eram muitas sensações boas para uma única Elena processar.
Eu podia sentir o prenúncio de um orgasmo poderoso se formando em contrações deliciosas no meu baixo ventre e já não conseguia conter mais nenhum gemido.
Damon executava toda a sua arte, sem tirar os olhos dos meus, como que para dizer: olha, sou eu aqui, quem está enterrado no meio das tuas pernas, te levando ao delírio.
Passei a puxar seus cabelos, totalmente insana, quase o sufocando contra a minha pélvis. Isso não pareceu incomodá-lo, pois, no instante seguinte, ele afundou o rosto contra o meu sexo, sacudindo de um lado para o outro enquanto seus lábios e língua percorriam toda a minha vulva, soltando gemidos de apreciação como se ele estivesse faminto — e eu fosse o jantar:
— Hmm!
Isso foi o suficiente para fazer meu corpo convulsionar em seus braços. Enquanto eu tremia da cabeça aos pés, totalmente sensível, ele me lambia devagar, bebendo cada gota como se fosse preciosa.
*
Minha cabeça estava recostada em um lugar firme e ao mesmo tempo aconchegante e cheiroso. O som de batidas ritmadas servia para acalmar as minhas próprias e o carinho gostoso feito no meu cabelo, despertou uma vontade enorme de continuar quietinha.
Precisei piscar por alguns segundos até conseguir focar no par de safiras que me observava.
— O que aconteceu? — perguntei.
Ainda estava nua, agasalhada nos braços do Damon, que encontrava-se sentado, naquele mesmo canto da parede.
— Não me diga que eu...
— Sim, você desmaiou. — ele disse, com alguma nuance na voz e no olhar que o meu estado abobalhado inicial, não me permitiu discernir de imediato.
— Isso foi incrível!— eu exclamei, abrindo um sorriso preguiçoso.
— Eu sei.
— Nunca tinha me acontecido antes.
Não só o desmaio. Ejaculação feminina. Comprovei da forma mais prazerosa que não era mito, afinal.
Damon me encarava com um ar divertido. Era isso. Ele estava orgulhoso de si.
— Não ria de mim. — eu protestei, dando um tapinha no seu ombro.
— Eu não estou rindo. — ele respondeu. De fato sem curvar os lábios, mas com os olhos dançando. Convencido!
— Na verdade isso é uma reação mais comum do que se imagina. — ele explicou e eu estreitei os olhos.
— Claro, 170 anos, não é? Já deve ter feito muita vadia desmaiar. — não contive o comentário ácido.
Damon abriu um sorriso lindo — Eu não chamaria de vadias, é mal educado, sabe? Que boquinha suja, Elena. —traçou o dedo nos meus lábios. Isso já estava virando mania.
— Mas não tem problema.
— Não? — ele ergueu as sobrancelhas.
— Não. Você sabe, elas foram as primeiras — deixei a frase no ar.
— E você...?— incentivou-me a continuar. O safado estava adorando a conversa.
— Eu vou ser aquela que te fará esquecer todas as outras, — pisquei.
E sim, eu acreditava nas minhas palavras. Não confunda modéstia e um pouco de acanhamento com falta de autoestima. Podia até não ser tão convencida quanto ele, mas sabia que tinha o vampiro nas mãos. Nada mais justo, já que ele me tinha da mesma forma.
Damon encostou a cabeça na parede e soltou uma risada gostosa. Ignorando sua reação, meus olhos atentaram-se para outro detalhe:
— Por que ainda tá de roupa?
Ele parou de rir.
— Como ‘por que’? Você estava incapacitada, Elena — justificou-se, fechando os olhos e erguendo um ombro. Fofo! Mas ainda assim, muito convencido.
— Pois agora eu não estou mais — eu disse, levantando-me e levando ele comigo para a cama.
Supervelocidade, Superforça... É, eu podia me acostumar com isso. Enquanto não o fazia, o pobre abajur e criado-mudo ficaram jogados no meio do caminho. Damon caiu embaixo de mim sobre o colchão, eu comecei a retirar o botão da primeira casa e... Quer saber? Pra quê me dar ao trabalho?
Segurei os dois lados da camisa preta e puxei, mandando os pequenos botões para o inferno.
Damon sorriu, mas não era exatamente o seu lindo rosto que eu estava focando no momento. Tá, eu já o tinha visto sem camisa, tipo um zilhão de vezes. O cara andava mais semi-nu do que vestido, parecia até que fazia de propósito.
Então, eu conhecia a vista: toda aquela massa de músculos, sutilmente delineada. Não era o exagero artificial dos caras bombados de academia, nem uma magreza disforme. Era desenhado, era bonito e, Deus, era gostoso. Mas, como eu estava dizendo, eu já tinha visto antes.
O que eu não tinha feito, era o que eu estava prestes a fazer. A palma da minha mão correu livre pela textura firme e macia daquele tronco esculpido de Apolo. Meus lábios foram para o pescoço para descobrir que até a pele dele tinha um gosto bom.
Escolhi uma veia grossa e pulsante e a contornei com a língua, não conseguindo evitar imaginar como seria o sabor do sangue que corria dentro dela. Precisava manter esses pensamentos longe da consciência, antes que as minhas presas emergissem. Já tinha lidado com muita informação e novidade vampiresca para um dia só.
Desci por seu peitoral, as minhas mãos e boca desbravando, famintas, cada pedaço pele. Damon soltava grunhidos roucos e baixos e me incentivava passando os dedos pela curvatura das minhas costas.
Decidi tentá-lo também, testando sua reação ao rodear um mamilo com um com a língua. A resposta não podia ser melhor: ele ofegou e eu sentia o seu peito se expandindo por conta da respiração acelerada. Continuei pelo abdômen, demorando-me um pouco mais na linha que dividia os gominhos, que também não ficaram de fora do meu tratamento.
Eu passava as unhas, beijava e lambia, assistindo eles se contraírem em deleite com os meus toques, até chegar ao início daquelas duas linhas deliciosas, o V definido dos músculos oblíquos ou, no popular, o caminho para a felicidade.
Desafivelei o cinto, abri os botões da calça e desci o zíper. Damon suspendeu o corpo para que a calça fosse retirada. Por conta do pano miserável de uma boxer branca, ainda permanecia mais vestido do que eu. A cueca devia estar comprimindo horrivelmente o pacote que guardava.
— Elena! — ele ofegou meu nome, fazendo com que eu levantasse os olhos para encará-lo. Estava com os ombros erguidos, observando meus movimentos — Tira isso logo, meu anjo, acaba com nosso sofrimento. — ele suplicou.
Ah, ele estava sofrendo? Mas isso não era nada perto do que havia feito comigo.
— Calma! Relaxa — eu disse, abrindo um sorriso nada angelical ao mesmo tempo em que meus dedos faziam um contorno displicente por sua virilha.
Abaixei o rosto e, fitando bem nos seus olhos, comecei a apertá-lo com os lábios por cima do tecido. Damon exalou um longo suspiro e seus ombros se soltaram no travesseiro, num gesto de rendição. Ele gemia frases desconexas e xingava baixinho se remexendo no lençol.
Antes que pedisse novamente, retirei a cueca. Fui até rápida. Muito mais boazinha do que ele fora comigo. A ereção praticamente saltou na minha cara e eu tenho certeza que devo ter engolido em seco.
O pênis de Damon era... como eu posso dizer? Grande. Mas não um 'grande' exagerado de ator pornô, que mete medo até nas mais assanhadas. Um ‘grande’ que eu simplesmente não estava acostumada. Uma veia verde e saltada fazia contraste com a pele uniformemente clara, culminando em uma ponta rosa, circuncidada e bem desenhada. Era grosso e num comprimento perfeito para atingir todos os lugares deliciosamente certos; adornado por um saco denso e volumoso que conferia ao conjunto da obra um aspecto incrivelmente másculo.
Minha mão se dirigiu quase que sozinha para a pele nua recém-exposta e eu o senti latejar, rijo e quente entre meus dedos, que se movimentavam só um pouquinho, para atiçá-lo.
Uma mão fechou-se no meu pulso.
—Eu sei que você quer se vingar de mim e acredite quando eu digo que eu vou adorar receber essa vingança, mas não agora, meu amor. Você tem ideia de que eu estou segurando meu desejo desde a primeira vez que eu te vi? Agora mesmo, tô lutando pra não te jogar nesse colchão e te pegar de jeito, então, que tal ser boazinha comigo, hein?
— Desde a primeira vez?— eu questionei. Apesar da parte do “te pegar de jeito” ter mexido bastante com algumas partes do meu corpo, essa última confissão ganhou meu interesse. —Você fala na mansão Salvatore ou a primeira vez de verdade, meses antes, na rua?
Damon sorriu. — Você lembrou.
— É. Me veio em sonho, hoje de manhã, mas foi muito real.
— Desde a primeira vez de verdade — ele disse, com os olhos brilhando numa intensidade que fez meu coração dar um salto dentro do peito.
Mas por mais que a conversa estivesse boa, não vamos esquecer do detalhe de que o pênis dele ainda estava pulsando na minha mão e que outra parte do meu corpo também pulsava, já totalmente acordada do último orgasmo e cheia de vontades. Eu o queria e o queria de todas as formas.
Enlacei as pernas ao redor dos quadris de Damon, apoiando os joelhos no colchão. Enquanto trocávamos beijos e carícias, uma fricção escorregadia acontecia mais em baixo. Acho que estava bom para ele também, já que em alguns momentos ele interrompia o beijo para grunhir baixinho e morder meus lábios.
Já não aguentando mais a aflição, Damon, com as mãos embrenhadas nos meus cabelos, afastou meu rosto do seu e roçou a boca na minha orelha:
— Ô, linda, enfia logo, vai! Deixa eu te sentir por inteiro.
O ar foi subitamente arrancado dos meus pulmões. Já falei que estava achando o máximo essa experiência de controlá-lo? Fazia com que me sentisse incrivelmente sexy e poderosa. Mas nem mesmo a minha sádica vontade de provocá-lo mais um pouco seria capaz de me fazer resistir a um pedido tão caloroso como esse. Usei uma mão para ajeitá-lo na minha entrada e remexi até acomoda-lo. Ambos arfamos.
Damon agarrou a minha nuca e selou nossos lábios, sua língua acariciando a minha de forma suave enquanto eu começava a me mover devagar sobre ele.
Estar assim com ele era, sem sombra de dúvidas, a melhor sensação do mundo e não digo por razões meramente físicas. Se fosse somente química, luxúria e sexo, já seria muito bom, mas há algo de diferente quando você partilha um momento desse tipo junto a uma pessoa a quem você já foi conectado de todas as outras maneiras. Era química, luxúria, sexo, era paixão, era entrega... E éramos nós dois.
Meu rosto estava entre as mãos dele e nossas bocas apenas se separavam quando a necessidade de ar falava mais alto.
— Se você quiser sentar, eu não vou achar nem um pouco ruim. — ele sugeriu no meu ouvido. — e um arrepio correu minha espinha.
Eu continuei me movendo inclinada sobre ele, sem dizer nada, suspirando pesadamente com a sensação do meu corpo roçando na pele quente e um pouco úmida por conta do suor. Tocava seu rosto e me deliciava com cada pequena reação de prazer que via nele. As mãos de Damon foram parar nos meus glúteos, apertando e guiando sutilmente enquanto eu me movia mais depressa.
Mesmo me sentindo profundamente tentada, ainda não tinha atendido a sua nova sugestão. Esse é o tipo de posição que te expõe completamente aos olhos do outro. Não se tratava de algum problema com o meu corpo, estava mais para uma timidez inicial que eu sentia mesmo não tendo a menor justificativa lógica diante de tudo o que a gente já havia feito.
A lógica não opera muito bem na cabeça quando estamos compartilhando uma relação tão íntima. Ainda mais em cabeças femininas.
Inclinei-me para beijá-lo e ele mordeu meu queixo me fazendo sorrir.
— Senta, Elena. — o pedido veio de novo com uma voz macia e cheia de desejo— Não é possível que você esteja com vergonha de mim. — ele estalou a língua, adivinhando o que acontecia. Filho da mãe! Ou eu sou muito fácil de ler, ou esse vampiro convencido realmente me conhece. — Eu quero te assistir perdendo a compostura. Já tive alguns momentos desses hoje e foram espetaculares — ele sorriu de canto. Falava tudo isso segurando a minha face e fitando os meus olhos. —Veja como é bom esse contato — disse, levantando a pélvis para se encontrar com a minha. — Dita o seu ritmo que eu te acompanho — ele me piscou um olho.
Mordi o lábio, num gesto automático de hesitação. Damon puxou meu rosto e libertou o lábio preso entre os meus dentes passando a língua nele. Suas mãos fecharam-se na minha cintura e seus quadris empurravam contra os meus com tamanha agressividade que me fez cravar as unhas nos seus ombros, gemendo alto, enquanto o sentia entrando cada vez mais fundo.
Após algum tempo nesse ritmo de intensas estocadas, voltou a mover devagar, em penetrações languidas, me fazendo expirar todo o ar retesado. Recostei a cabeça na curvatura suada e cheirosa do seu pescoço, para me recompor, por um instante.
— Já tá cansada? Pensei que aguentava mais.— ele provocou, e apesar de não ver, podia sentir seu sorrisinho petulante.
Levantei o rosto e quase mordi o lábio ao vê-lo levantando as sobrancelhas em desafio. Quase. Essa era a sua demonstração. Vamos para a minha, então.
Interrompi o contato íntimo enquanto apoiava as duas mãos em seu tronco para me erguer. Sentei-me e senti seu pênis escorregar inteiro para dentro, alargando deliciosamente as minhas paredes enquanto era acolhido na nova posição. O ligeiro desconforto provocado pelas dimensões avantajadas do vampiro, rapidamente cedeu lugar a uma sensual sensação de plenitude.
— Boa garota!— ele elogiou, com um sorriso.
Meus quadris se remexeram em círculo. Um gemido surpreso escapou de seus lábios.
— Ou talvez má garota. — disse, com a voz trêmula.
E foi minha vez de sorrir. Eu estava muito excitada. Meu sexo deslizava fácil por todo o seu comprimento.
— Ah, isso, Elena — ele gemeu, no momento em que meus quadris voltaram a se movimentar em círculos. — Rebola! Faz do jeito que é mais gostoso pra você.
Incentivada por suas palavras, iniciei uma variação entre um frenesi de subidas e descidas e “reboladas”, que arrancavam maravilhosos gemidos da garganta dele.
As mãos de Damon foram parar nas minhas coxas, alisavam os calcanhares, voltavam para a minha bunda, mas havia alguns momentos que desistiam, como se o prazer que estava vivenciando o impossibilitasse de fazer qualquer outra coisa. Ele ficava jogado no travesseiro, apenas inclinando os quadris sutilmente, para auxiliar nas penetrações, enquanto me observava, respirando de forma ruidosa.
E foi num desses momentos, que ele ergueu repentinamente o tronco, sentando-se na cama, ainda encaixado a mim. Eu joguei os braços em volta do seu pescoço e prossegui guiando meu corpo pra cima e pra baixo, sem romper o contato visual. Ele aproveitou essa posição para acariciar e abocanhar meus seios.
No calor da excitação, não percebi minhas presas despontando. Quando me dei conta do que acontecia, tentei disfarçar e fazê-las voltar pro maldito lugar de onde saíram, mas antes que me concentrasse, senti uma mão erguendo o meu queixo.
— Você é linda. De qualquer jeito. — ele disse. E havia uma convicção tão implacável no seu olhar que me aqueceu por dentro. Damon encostou a boca na minha — ainda naquele estado transformado— e começou a mover os lábios gentilmente com os meus que logo sentiram o contato de outras presas arranhando.
Essa era a minha realidade agora. E a consciência de que não estava sozinha, não só pela existência milhares vampiros lá fora, ou por ter a sorte de ter alguns deles como amigos, mas porque esse vampiro, do qual eu fugi por tanto tempo, estava comigo, me atingiu como um banho morno. Essa era a nossa realidade.
Quando nos separamos do beijo, já estávamos com a aparência normal. E continuamos mantendo contato visual, enquanto os nossos corpos moviam ao encontro um do outro. Sentia meus músculos internos se contraírem em intervalos de tempo cada vez menores e mais intensos.
— Damon — eu gemi, fechando os dedos em seus braços.
— Isso! Deixa vir. Você tá tão apertadinha, tá me espremendo tão gostoso. Goza pra mim, de novo, Elena! — ele disse e suas palavras chegaram como lavas no meu ventre.
Levou dois dígitos para o meu clitóris e bastou uma pequena pressão para me fazer explodir em volta dele. Com meu corpo completamente abraçado ao seu, Damon continuou empurrando e não demorou muito para que se esvaziasse dentro de mim, gemendo o meu nome como se fosse uma oração.
*
— Então as memórias vieram...
Estávamos os dois deitados de lado, de frente um pro outro, cobertos apenas por um lençol, da cintura pra baixo.
— Sim — eu respondi. — O nosso primeiro encontro e a declaração sem o colar, no meu quarto. O primeiro eu posso até entender, você não queria que ninguém descobrisse sua vinda, mas por que você me escondeu...
— Não faria diferença na época. — ele interpôs. E eu não tive como negar.
Ainda estava muito chateada com o Damon, por conta daquilo que ele havia feito com o Jeremy. É lógico que sua declaração mexeu comigo, mas naquele período da minha vida, não estava nem de longe preparada para dar um salto como esse.
— Você pensou que era a Katherine, lá na estrada. — eu continuei, mudando parcialmente o assunto — Logo seu desejo foi para ela.
Era uma conclusão desanimadora, eu sei. Mas não podia me enganar quanto ao fato de que os irmãos Salvatore só se aproximaram de mim, por conta da minha semelhança com a vadia.
Damon negou com a cabeça.
— Foi uma confusão inicial, perfeitamente justificável nas circunstâncias, mas a garota que eu desejei naquele dia, foi a adolescente indecisa a respeito do futuro, que sabia muito bem o que queria, mas tinha medo de enfrentar. — ele disse, pegando a minha mão, e passou a esfregar os dedos na palma aberta.
Senti minha pulsação acelerar.
Damon me olhava de uma maneira tão profunda e crua, que a sensação que eu tinha era de que seu olhar podia atravessar dentro de mim.
— E você queria fazer sexo comigo? —perguntei, abrindo um sorriso de canto, como os que ele faz.
— Não assim, tão diretamente. Talvez depois de um jantar e um vinho. Pensa o que? Não sou tão fácil assim.
Eu ri.
— E você flertou comigo. — ele disse, em tom acusatório.
— É, eu acho que fiz isso sim. Queria o quê? Um cara lindo me aborda no meio da estrada, não para me assaltar ou sequestrar, mas pra dizer coisas que faziam extremamente sentido com aquilo que eu estava passando e...
— Eu sou lindo, então? — me interrompeu, com ar convencido.
—Sim. — eu afirmei. — Por dentro e por fora.
Damon engoliu em seco e desviou o olhar, por um instante. Levei as duas mãos no seu rosto, para que me encarasse.
— Você é lindo. Todos os pedaços.
— Alguém andou roubando as minhas falas, — ele tocou meu nariz com a ponta do dedo.
— Não, você disse que eu sou linda, de qualquer jeito, — eu repliquei.
— Alguém andou decorando as minhas falas, então.
Eu sorri e ele soltou um suspiro, fitando-me com o olhar sério:
— Eu sou egoísta, impulsivo, pessimista, rabugento e isso pra nomear os meus menores defeitos, e eu temo pelo seu juízo, linda, porque se você tivesse um pouquinho mais, não estaria aqui.
Foi a minha vez de suspirar.
— Eu não vou correr. Eu quero estar aqui. Eu gosto de estar aqui. Essa listinha não me assusta. Não tenho medo você! — eu afirmei enfática.
A expressão do rosto dele foi se suavizando com as minhas palavras. Logo, o velho brilho bem humorado estava de volta:
— Ah, não?— ele indagou.
— Não. — eu respondi. E no instante seguinte, seu peso estava sobre mim, os braços esticados ao lado da minha cabeça e o rosto transformado de vampiro.
Olhos vermelhos, veias saltadas, dentes ameaçadores, cabelo bagunçado pós-foda. Ele queria me assustar ou me deixar com tesão?
Também exibi minhas presas, numa defesa automática e ambos caímos na risada. Damon parando antes de mim:
— Eu amo você — ele disse, enquanto eu ainda estava rindo.
— Ei, essa fala era minha, estava ensaiada mentalmente. — eu o repreendi.
Faaalsa! Havia adorado ouvir. Três palavrinhas curtas, mas poderosas quando ditas pelos lábios certos.
— Droga! Não acredito que por causa da minha incapacidade de resistir a seus charmes, acabei perdendo uma declaração épica falando do quanto eu sou gostoso e inteligente e da honra que é poder amar alguém assim.
Eu bati em seu braço.
— Você tem um ego gigantesco.
— Não só o ego, baby. Mas isso você já sabe. — ele piscou.
Eu virei à cabeça para o outro lado, inconformada, mas depois voltei a encará-lo, lógico.
— Amanhã eu vou te levar pra comer uma refeição de verdade.
Franzi a testa.
— Algum restaurante? — Antes que ele respondesse, minha ficha caiu.
— Sim, um restaurante cheio de pessoas. Americanos, mexicanos, porto-riquenhos, asiáticos, meus preferidos, há um mito de que o sangue deles nos torna mais inteligentes. — ele brincou. Espremi os olhos, tentando parecer indignada.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Como você pode brincar com uma coisa dessas?
— Com o que? Com a comida?
Eu sorri. Como levar a sério um ser desses? Ainda mais nu, numa cama, em cima de mim... Uma onda de calor atravessou meu corpo. Céus, eu estou virando uma ninfomaníaca.
— Você só vai beber, hipnotizar e deixá-los ir, com um pouco de tontura e dor de cabeça, mas livres.
— E se eu não der conta?
Essa era a questão. E se eu fosse como o Stefan e não ficasse satisfeita enquanto não visse suas cabeças rolando? Não conseguiria conviver comigo mesma.
— Você vai conseguir. — e novamente a sua voz veio revestida daquela confiança inabalável, que me fez sentir imediatamente mais segura — E se não conseguir, — ele prosseguiu — nós vamos lidar com isso.
Nós. Eu suspirei. A cada dia gostava mais desse pronome.
— Tem um truque na estrada que você precisa conhecer. — ele disse.
— Truque na estrada?
— Sim, o velho truque da estrada. Você fica deitado... Não, é melhor eu te mostrar, —ele mudou de ideia. — Tem tanta coisa que precisa aprender, nada difícil, — assegurou. — Tenho certeza que vai ser uma excelente vampira, Elena.
— Tendo um ajudante tão ilustre como esse, como não?
Damon me encarou, sem fala. E que cor era aquela nas suas bochechas? Foi breve, mas eu vi.
— Você ficou sem graça — eu constatei, com um sorriso enorme de satisfação. — Oh, meu Deus, Damon Salvatore sem graça, eu vivi pra ver isso.
— Sorry. É que toda essa situação é meio difícil de acreditar, uma garota como você escolhendo um cara como eu, — ele começou a se explicar e... Droga! Eu queria continuar caçoando, mas como não me derreter com essas palavras? — Eu sinto que alguém andou tirando férias no céu —continuou, com um sorriso de canto — porque não é possível que permitam...
— Eu amo você. — eu disse, antes que me viesse com mais alguma asneira sobre ‘não merecimento’.
Seus olhos me encaravam, quase inexpressivos, se não fosse pela pequena centelha queimando neles.
— Eu amo você — eu repeti, devagar. — E quanto mais rápido aceitar, mais fácil vai ser.
Nem mesmo o meu novo roubo de fala atingiu sua expressão. Damon manteve o olhar compenetrado e moveu-se, embaixo dos lençóis, apenas o necessário para me fazer exalar de uma vez todo o ar dos pulmões, enquanto me preenchia de uma maneira que começava a ficar deliciosamente familiar.
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