Delena Pay Per View
10 Force Field
Notas iniciais
Force Field
*
"O pecado me atrai, o que é proibido me fascina!"
(Clarice Lispector)
***
"Só tenha cuidado, ok? O sangue, a fome... É fácil se deixar levar."
"Eu terei. Eu prometo."
***
Não há nada de errado em permitir que Damon me ensine como alimentar de sangue humano sem matar a vítima. Essa sentença se repetiu na cabeça de Elena durante todo o trajeto de Mystic Falls à cidade universitária de Witmore.
Sentada no banco do passageiro do Chevy Camaro azul, tentava se concentrar na brisa suave que acariciava a pele. O sol brilhava alto no meio de um céu sem nuvens e, embora seus olhos estivessem firmes na paisagem arborizada ao lado da janela, se alguém perguntasse, não saberia explicar o que tinha visto há poucos segundos.
A circunstância não era tão extraordinária para justificar esse incômodo crescente no estômago. Damon e Elena realizaram mais viagens juntos do que ela se lembrava de ter feito com qualquer outro cara. Então havia certa familiaridade na situação, um sentimento reconfortante que vinha do fundo da alma enviando mensagens para o seu corpo relaxar.
E por mais contraditório que pareça, era justamente essa sensação de bem estar e segurança ao lado do Salvatore mais velho que trazia tensão aos seus músculos. Ela dizia a si mesma que esse sentimento vinha do desejo de que fosse Stefan quem a ensinasse. Ele era seu namorado e Elena sabia o quanto ficava feliz em poder ajudá-la, em vê-la se adaptando. Seria um meio de aplacar sua própria culpa por ter, ainda que indiretamente, colocado ela nessa situação.
De qualquer forma, a questão era que Stefan não podia ajudar. Por alguma razão misteriosa do Universo, o organismo de Elena não conseguia manter sangue animal ou humano, vindo de bolsas de sangue, somente direto da veia. E depois de um momento assustador em que quase perdeu o controle e matou seu melhor amigo na cozinha de casa, ela concluiu que não havia outra maneira a não ser aprender a se controlar.
Caroline era muito boa em lidar com o vampirismo e, por mais boa vontade que tivesse, não compreenderia suas dificuldades. Stefan estava fora de cogitação, ele ainda não tinha controle com sangue humano. De modo que restava Damon, a pessoa com quem ela mais se identificava nessa nova natureza.
Elena virou o pescoço e reparou nas feições do moreno, que dirigia com os olhos grudados na estrada. Era o extremo oposto do seu estado.
Damon estava tranquilo, tinha aquela postura confiante com uma sombra de sorriso constante no canto dos lábios, como se guardasse alguma piada secreta. Os raios de sol incidiam sobre seus olhos, deixando-os em um tom de azul ainda mais claro e bonito.
Ao perceber que estava sendo examinado, voltou o rosto para ela. Ainda sustentava a mesma expressão relaxada, acrescida agora de um ar interrogativo.
Sentindo esse olhar queimar sobre si, Elena desviou a atenção para estrada e teve a impressão de ver a sombra de sorriso aumentar no rosto dele.
"Você sabe o caminho, não é Damon?" a voz de Bonnie irrompeu o silêncio. Só então Elena se deu conta de que ela ainda estava sentada no banco detrás.
"Claro que eu sei. E se eu não souber, ainda bem que temos uma bruxa que pode fazer um feitiço de localização. Oh, não espere," colocou a mão por cima da boca aberta.
Elena estreitou os olhos:
"Damon!"
Damon não perdia a oportunidade de cutucar Bonnie pela perda dos seus poderes. Mas ela também não aliviava nas provocações. No fundo era um jeito estranho e até meio fofo de eles se entenderem. Rivalidade entre bruxas e vampiros.
Ele olhou para Elena com um semblante angelical, só faltando surgir uma aureola acima da cabeça. Ela balançou a cabeça.
Era por causa de Bonnie que escolheram esse destino. O professor que tomou o lugar da avó dela na Universidade ofereceu um convite para conhecer o local e participar de uma palestra. A viagem parecia à ocasião perfeita para testar as habilidades vampirescas de Elena.
"Ah, fica fria, Elena," Bonnie disse. "Essas piadinhas não são nada perto da ideia de ter que suportar Damon por um dia todo."
"Idem," ele replicou.
*
"Elena, você está tão calada. Aconteceu alguma coisa?" Damon perguntou, suspendendo seus devaneios.
De fato, sua mente andava longe durante toda a viagem. Ou perto, perigosamente perto.
"Claro que estou,” limpou a garganta. “Eu só estou com..."
"Fome?” ele completou. E ela teve que assentir.
Ultimamente, fome era tudo o que ela sentia. Bem, quase tudo. Esse lance de ser vampira havia mexido de alguma forma com seus hormônios, sentimentos, desejos...Precisava de um esforço consciente triplicado para ter domínio de si.
"Mas não se preocupe, hoje você vai ter uma refeição de verdade,” deu um sorriso cúmplice, tentando tranquilizá-la. "Nenhuma garota bonita fica passando vontade com Damon Salvatore do lado," piscou-lhe um olho.
Sentindo um fogo subir pelo rosto, Elena focalizou o olhar na estrada. Mas, por alguma razão, não pôde deixar de sorrir.
*
A Whitmore College tinha um campus relativamente grande, contando com vários prédios e dormitórios espalhados por uma imensa aérea verde. Centenas de estudantes transitavam de um lado para o outro, a pé ou de bicicleta e vários deles montavam rodinhas no gramado.
Terminar o ensino médio e ir para a faculdade sempre foi uma ideia certa na vida da Elena. Algo inquestionável. Agora, ela sentia que isso não cabia mais em sua nova realidade. Como poderia se alimentar sem se tornar o próximo serial killer noticiado na TV? Quando exprimiu seu desânimo, Damon a incentivou dizendo que ele mesmo foi para a Universidade várias vezes.
Essa possibilidade deu-lhe um pouco de esperança: Quem sabe se tudo desse certo, se aprendesse a se controlar...?
Enquanto se esgueirava por entre as fileiras de poltronas da sala escura, em busca de um assento vazio, sentia o seu ânimo renovar. O retroprojetor estava ligado e um auditório lotado assistia atento às palavras do professor em cima do palco.
Elena tinha que concordar com o sarro que Damon tirou a respeito dos conhecimentos do Dr. Shane. Ele era mesmo um tanto quanto assustador. Sabia de coisas demais para um professor comum. Se bem que as informações estavam aí, disponíveis em livros, jornais e documentos históricos. Não seria impossível a uma pessoa que fosse a fundo na pesquisa, aproximar-se da verdade.
Apesar de a palestra estar sendo até interessante, Elena não conseguia parar de pensar nesse teste e nas consequências desastrosas que poderiam acontecer.
“E se eu for... uma estripadora?” ela cochichou para Damon, que estava sentado ao seu lado.
“Você não é.”
“E se eu for?” insistiu ansiosa.
Damon levantou as sobrancelhas.
“Então escolha alguém e descobriremos.”
Elena assentiu. Partilhar suas inquietações com Damon aliviava seus anseios. O vampiro não passava a mão em sua cabeça prometendo arco-íris e jardins floridos, ou tentando motivá-la com o peso de suas altas expectativas. Ele afirmava a possibilidade do negativo, do fracasso acontecer. Seu caráter realista e, até um pouco pessimista, permitia que enxergasse e considerasse todas as alternativas. E mesmo se o pior acontecesse, ela sabia que podia confiar nele para ajudá-la.
“Drogados não são bons. São paranoicos demais e você não quer um ‘barato’ a mais,” ele disse com os olhos em um garoto de olhar vidrado que rodava a caneta nos dedos. “Já ela,” continuou, dessa vez apontando para uma mulher concentrada em anotar tudo o que professor dizia “é alegria garantida. Mas alerta demais. Garotas espertas desconfiam de quem é bacana com elas.”
Damon jogou um braço em cima do ombro de Elena para cochichar mais próximo da sua orelha:
“O que você quer é a loirinha bonitinha,” disse, se referido a uma garota que sorria, a algumas cadeiras à esquerda, mexendo no celular. Ao sentir o calor que emanava da pele dele, soltou o ar dos pulmões e em seguida forçou a atenção de volta para a ‘aula’.
“Egocêntrica, fácil de agradar. Só precisa separá-la do grupo e agir.”
Elena balançou a cabeça, concordando. Ela podia fazer isso.
Antes de saírem, ainda tiveram um momento constrangedor em que o professor Shane chamou suas atenções. Elena desculpou-se, constrangida, e Damon fez uma piada interna sobre o seu grande amor pelas bruxas.
Bonnie decidiu ficar para falar com o professor e os dois seguiram pela grama verde e bem aparada do pátio externo. Damon ensinou Elena, fazendo com que repetisse um modelo simples de hipnose. Enfatizou a necessidade de um tom de voz firme, contato visual constante e uma flexão imperativa nas palavras.
Com todas essas dicas e instruções que recebera, não parecia ser difícil.
Não parecia ser difícil, mas foi.
Ela até que havia começado bem. Abordou a loirinha sobre a qual conversaram, perguntando sobre uma anotação da aula de antropologia. Aproveitando o momento de distração da garota, que procurava as anotações no celular, disse, com a voz ligeiramente trêmula, para ela não gritar, que não iria doer.
Ao abaixar os olhos para a mão da moça, notou uma foto dela abraçada a uma garotinha. Não resistiu e perguntou quem era. A determinação escoou pelo ralo, quando ela revelou tratar-se de sua irmãzinha.
Damon ficou visivelmente frustrado. Mas o que ela podia fazer? Ela ainda era ‘ela’. Não conseguia deixar de sentir empatia ou preocupar-se com alguém, mesmo que essa pessoa fosse um completo desconhecido.
A disposição de Damon para ajudá-la, entretanto, não esmoreceu e ele enxergou uma oportunidade perfeita numa festa de fraternidade que iria acontecer logo mais à noite.
**
‘Murder House’
O nome estava desenhado em letras gigantes num pano estendido entre duas colunas, na fachada de um sobrado branco. Era uma festa à fantasia e restringia à escolha das vestimentas a dois tipos: vítimas ou assassinos.
Damon foi de Jack Estripador, vestindo um fraque antigo acompanhado de uma gravata larga e um chapéu cartola — todos na cor preta. Já Elena e Bonnie fantasiaram-se de prostitutas, as quais o Sr. Jack havia acabado de estripar.
Elena usava um casaco preto por cima de um corset azul marinho com as abotoaduras na frente e uma saia curta rodada. O espartilho era uma peça sensual que demarcava bem sua cintura e elevava os seios. Trazia também uma clutch de lantejoulas pratas nas mãos e uma gargantilha em volta do pescoço para simular ‘o corte feito por Jack’. Os cabelos estavam apenas parcialmente presos na cabeça e desciam pelos ombros em cachos feitos na última hora.
Um rapaz os recepcionou, dando permissão para que os dois vampiros adentrassem na casa. Cada um dos três pegou um copo de Bloody Mary — elas seriam servidas de graça até meia-noite.
Logo na entrada, Damon assinalou a presença do professor Shane no topo da escada. Bonnie entregou sua bebida a Elena e foi procurá-lo. Precisava pegar alguns pertences que sua avó havia deixado em seu antigo escritório.
Damon fez isso de propósito. Já era difícil ajudar a Elena sozinha, imagina com a Bonnie reforçando seus receios e inseguranças.
“Desprezíveis bêbados cheios de sangue”, ele disse. “Vamos, escolha um.”
A festa já estava lotada de jovens fantasiados bebendo e dançando. Elena checou ao redor até por os olhos em cima de um garoto loiro, que se aproveitava da distração de uma moça para colocar uns comprimidos em sua bebida. Elena franziu o cenho.
“Acho que encontrei um,” disse. Não importaria se ele saísse um pouco machucado.
“O cara das drogas?” Damon perguntou, adivinhando o seu raciocínio. Era bem típico ao senso de justiça aguçado de Elena escolher alguém que achava que merecia o sofrimento.
Pela cara de bobalhão do garoto e seu evidente desespero para arranjar uma mulher, Elena não encontraria dificuldades em atraí-lo para um canto e hipnotizá-lo.
“Bela escolha. Vá pegá-lo,” incentivou.
Elena tropeçou de propósito no loiro, derrubando o copo de sua mão. Ofereceu a bebida de Bonnie como desculpas, em tom flertivo, e continuou caminhando.
Poucos segundos depois, ele veio para cima dela com um papinho sobre a festa, mas Elena não estava pra conversas. Especialmente com um tipo desses. Quando tentou beijá-la, ela o jogou contra a pilastra e ordenou, em um tom confiante, para que não desse um pio.
Cravou os dentes no pescoço e sugou com ferocidade. Uma mão quase esmagando a bochecha dele.
“Lembre-se, a ideia é não matá-lo,” a voz de Damon ressoou ao longe.
Sentia-se selvagem, poderosa ali, com os dentes fincados no pescoço do garoto completamente indefeso. A sensação do sangue quente escorrendo livre na garganta era boa demais para resistir.
“Elena.” Damon insistiu. “Você está há um segundo de matá-lo.”
A mensagem entrou bem a tempo em seu ouvido.
“Vá embora e esqueça disso,” ordenou ao garoto e, em seguida, virou-se para Damon. Um sorriso despontando no rosto enquanto limpava a boca com as costas da mão.
“Isso foi ótimo!” Damon exclamou, a empolgação reluzindo na voz.
“Como se sente?”
Elena ponderou apenas um instante antes do sorriso se ampliar na sua face:
“Eu me sinto bem!”
Ainda sorrindo, atirou os braços no pescoço de Damon.
Ele a envolveu em suas mãos, os olhos fechando-se instantaneamente para absorver o abraço inesperado. Estava realmente orgulhoso de seu desempenho. Elena havia duvidado tanto de si, mas era uma lutadora e, de alguma forma, ele sabia que iria conseguir.
Contudo, não foram os pensamentos puros de um professor satisfeito com a atuação de uma aluna que o assaltaram nos poucos segundos que apertou os braços ao redor dela. Elena tinha um cheiro incrivelmente bom. Remetia a flores e frutas cítricas. E ele questionava se este perfume não estaria também espalhado por outras áreas do seu corpo.
“Eu quero mais,” ela soprou em seu ouvido, o tom rouco eriçando os pelos da nuca do vampiro. Os olhos de Damon se abriram carregados de malícia.
*
Eles estavam no meio da pista dançando e sugando o sangue de pessoas aleatórias. Como era uma festa de vítimas ou assassinos, ninguém estranharia um machucado grotesco ou gotas de sangue escorrendo pelo pescoço.
Já haviam se livrado do terno e do casaco. Damon com a gravata afrouxada e os botões superiores da camisa branca abertos. Quando acabou de se alimentar de uma garota, saiu à procura de sua companhia, sem se preocupar em limpar o queixo e pescoço manchados de sangue.
Uma força magnética puxou seus pés até onde Elena estava. Ela dançava sozinha, passando as mãos nos cabelos, sorrindo com os dentes ainda transformados da última alimentação. Linda demais para o seu próprio bem.
Certo. Linda talvez não fosse o primeiro adjetivo que veio à mente dele quando a viu. Elena estava deliciosa: toda alegrinha e coberta de sangue.
Algum lugar ao fundo de sua consciência dizia para bloquear esses pensamentos libidinosos com a namorada do seu irmão, lugar este que foi facilmente abafado por elementos como as batidas da nova música que ressoava no salão ou o movimento sensual dos quadris de Elena.
Como se pressentisse sua presença, ela girou o corpo para frente, sorrindo ao vê-lo. Damon se aproximou, seus olhos estavam completamente turvados pelo desejo. Mesmo assim, aquela pequena parte responsável (e mentirosa) da sua consciência ainda deu algum sopro de vida, dizendo-lhe que iria apenas dançar próximo ao corpo dela.
Elena jogou os braços em seu pescoço e ele sorriu, esquecendo-se do próprio nome ao sentir as mãos macias e delicadas deslizarem por seu ombro e peitoral.
Devolveu o afago, acariciando-lhe o cabelo e rosto. As mãos dos dois se encontraram no alto de suas cabeças e eles continuaram dançando num ritmo quente e sexy.
Elena estendeu os dedos para recolher a sobra de sangue que havia ficado no queixo dele. Damon prontamente esticou o pescoço para que ela pegasse tudo o que quisesse.
“Você quer mais?” perguntou, aumentando a voz para se fazer ouvir no meio de uma nova música.Ambos transpiravam pelas três últimas canções que dançaram juntos.
Elena confirmou com a cabeça.
“Sempre imaginei que você fosse do tipo insaciável,” ele disse, exibindo um sorriso malicioso, que provocou centelhas na barriga dela.
A insinuação destilada na voz grave do vampiro fez sua pele formigar. E pela enésima vez na noite, Elena não racionalizou suas ações. Simplesmente agarrou a mão que ele ofereceu, deixando que Damon a conduzisse entre a multidão para um espaço da casa até então desconhecido.
Eles seguiram por um longo corredor ao lado das escadas. No ambiente pouco iluminado o contingente era bem menor do que no restante da festa. Algumas pessoas conversavam alto e bebiam em duplas ou trios, outras, mais animadas, se agarravam como se estivessem no sofá de casa.
Elena sabia muito bem a que fins destinavam esse tipo de local numa festa e precisou ignorar as sirenes de alerta que piscavam ao redor de cabeça. O coração martelava com toda a força, numa ansiedade receosa e, ao mesmo tempo, quase eufórica. Seria assim que se sentiria sempre que desse vazão aos seus instintos e saciasse apropriadamente a sua fome?
Efeito do sangue ou não, achou o bate-estaca, que o DJ havia escolhido, providencial para ocultar seu estado diante dos ouvidos aguçados de um vampiro.
“Escolha,” Damon disse, fazendo-a sobressaltar com o hálito quente soprando no ouvido.
Seus olhos vagaram pelo ambiente até encontrarem uma garota escorada na parede no final do corredor. Ela tinha cabelos curtos e arrepiados e batia um pé no chão, parecendo aguardar alguém sair da porta fechada ao lado.
Elena indicou a mulher, sentindo o estômago dar voltas ao ver Damon indo ao seu encalço em direção à ‘vítima’ escolhida.
É só sangue. Alimentação!— repetia para si.
Ao chegar no destino, emitiu uma ordem para que ela não se movesse ou gritasse. Tendo a sua presa devidamente em transe, inclinou-se e perfurou a pele fina do pescoço com os dentes, deixando o sabor metálico daquele sangue novo adular seu paladar.
Damon, que estava apenas admirando de perto à cena, aproximou-se ainda mais das duas e, sem dizer uma palavra, tomou um pedaço livre de pescoço para si.
A adição da presença dele, bebendo da mesma pessoa, trouxe uma nuance extremamente sexy à cena. Elena sentia os músculos do ventre se contorcerem com os sons guturais que saíam da garganta do vampiro enquanto se alimentava da garota. O simples jeito como aqueles olhos escuros e transformados fixavam-se nos dela já era responsável por uma profusão de arrepios na espinha.
E, pela forma ofegante que a mulher respirava pela boca, de olhos cerrados e cenho franzido, podia apostar que essa experiência não estava sendo nem um pouco sofrida para ela.
Dispensaram a garota no tempo exato em que outra mulher saiu da porta, do que se revelara ser de fato um banheiro.
Uma lambança de sangue cobria seus corpos e roupas. Elena, visivelmente mais lambuzada, tinha sinais do líquido vermelho escorrendo pelo pescoço, ombros e decote à dentro. Ela realmente precisava aprender a ter etiqueta na sua nova dieta.
“Eu estou toda suja,” reclamou, verificando o estrago em sua pele e roupas. Um pouco de sangue havia atingido o tecido do corset.
Damon seguiu seu exame com um sorriso enviesado brincando nos lábios. Só então ela se deu conta do duplo sentido de sua fala.**
“Eu também.Vamos nos limpar!”
Os olhos de Elena se arregalaram. Ela conseguia extrair terceiros e quartos significados em cada frase simples que saia da boca de Damon. Ele apontou para o banheiro livre ao lado e ela precisou chacoalhar a cabeça antes de adentrar no cômodo, como que para espantar os maus pensamentos.
Deus! Estava realmente com a mente suja.
O baque da madeira da porta e o clique do trinco se fechando atrás de si transportou-a para uma nova atmosfera. Tratava-se de um pequeno lavabo. Os azulejos do chão e da parede eram escuros, bem como o vaso e a pia retangular de granito, acima da qual havia um espelho. E apesar de ainda se ouvir parte dos ruídos de fora, a diferença acústica dos ambientes era notória, criando a palpável sensação de que os dois eram os únicos em um raio de dez quilômetros.
Esse era o tipo de pensamento que só servia para piorar as coisas.
De um jeito um tanto brusco e apressado, Elena virou-se para a pia, deixando a carteira em cima dela para recolher várias toalhas de papel. Começou a passá-las nos braços que, por incrível que pareça, também traziam respingos.
“Eu preciso aprender a ter mais cuidado,” disse, agora limpando a boca.
“Não se cobre tanto,” Damon admoestou. “Eu também me sujei.”
A visão do reflexo do espelho, confirmava a verdade de suas palavras.
“Vire-se,” ele disse. Algo em sua voz soando como se isso não fosse um simples pedido.
Com um arrepio transpassando a coluna, ela o obedeceu.
Uma distância de poucos centímetros separava seus corpos. Diferente de quando estavam dançando na pista, essa proximidade a incomodou. O contexto da dança era mais natural, e Elena acrescentaria “inocente” se a consciência não acusasse que passaram um pouquinho da conta.
Em todo caso, havia uma centena de pessoas ao redor fazendo a mesma coisa. Agora, isolados num cômodo de menos de dois metros quadrados, era praticamente uma invasão do seu espaço pessoal. Ou, pelo menos, essa foi a melhor maneira que conseguiu justificar a razão porque de repente parecia ter desaprendido a respirar.
Damon ergueu o braço e correu os dedos no pescoço dela. Um toque suave, mas suficiente para que sentisse o coração migrar para a região de contato com sua pele.
“Não podemos desperdiçar,” esclareceu dirigindo a mão molhada de sangue à boca.
Chupou a ponta de cada um dos dedos, um sorriso diabólico repuxando o canto dos lábios enquanto seus olhos se ascendiam em franco desafio.
Atordoada, Elena contemplou sua própria mão indo em direção ao pescoço dele, sob efeito quase hipnótico do olhar do vampiro. Entretanto, assim como no caso da moça de quem se alimentaram, ela não poderia creditar à hipnose o prazer que sentiu no ato. Na verdade, ela não poderia creditar nada à hipnose, mas preferia deixar essas reflexões para depois.
Esse processo se repetiu uma, duas, três vezes... até ambos decidirem que o gosto do sangue da garota misturado ao sabor de suas peles também era bom demais para ser desperdiçado.
Foi Elena quem tomou a iniciativa. Uma chama ardia em seus olhos quando avançou sobre ele. Damon se viu numa espécie de Déjà vu recente: empurrado contra a parede de um banheiro público. Ela fitou seu rosto por um instante, se embebedando de todo o desejo e espanto fundidos nas íris azuis, antes de colar os lábios em seu pescoço.
A boca de Elena pesou como um sonífero nas pálpebras de Damon, que se fecharam sob o toque molhado. Exalando o ar em suspiros sonoros, esticou o pescoço para dar todo acesso à língua que o lambia imprimindo sensações maravilhosas em sua pele.
Como da ‘outra vez’, levou uma mão ao cabelo dela, emaranhando suavemente os fios, numa súplica muda para que prosseguisse. Não conseguiria suportar se ela o deixasse assim. Pousou a outra mão nas costas, aprisionando o corpo esguio e cheios de curvas em seu abraço. Ambos gemendo baixinho, ao sentir a pressão da pélvis dele na barriga dela.
Damon estava controlando uma semi-ereção desde que a viu bebendo com toda avidez o sangue do loirinho vesgo. Agora, tendo-a agarrada a si, seu membro praticamente explodia dentro da calça, implorando por liberação. Por mais que reconhecesse os valores de uma boa higiene, nunca pensou que uma limpeza poderia ser tão gostosa.
Elena sentiu seus joelhos tremerem em antecipação, vítimas do olhar selvagem que Damon lançou antes de avançar em seu rosto. Ele lambeu as bochechas, sugou e mordiscou o queixo, deixando em brasa as regiões que sua língua atingia. Desceu os lábios pela mandíbula, plantando um beijo profundo em sua garganta antes de prosseguir explorando a clavícula e toda a região exposta do decote.
O toque da boca de Damon na pele parecia ter um canal direto com o mecanismo que irrigava sua calcinha. Ele começou a desatar os fechos de cima, libertando os primeiros botões do corset.
Dali então passou a cobrir a região recém-descoberta com uma minuciosa limpeza: lambeu um caminho por uma linha de sangue que seguia do vale entre os seios até o meio da barriga, depois subiu para recolher os vestígios ao redor do busto.
Elena suspirava cada vez mais alto, à medida que ele sugava sua pele como se tivesse sem se alimentar a meses e aquelas gotas de sangue fossem sua única chance de restabelecer a energia.
Já não suportando mais tão doce aflição, ela tomou o rosto dele nas mãos e eles tiveram a oportunidade de testar na língua um do outro o sangue da garota que morderam juntos.
Foi um beijo molhado, quente e ruidoso. Os lábios dele pressionavam macios e ásperos contra os seus, quase violentos. E ela correspondia com a mesma paixão e intensidade.
Se o pecado tivesse um sabor, seria como o desse beijo.
Damon desvendava os contornos do corpo dela com os dedos, seu toque acelerando o bombeamento de sangue nas veias dela. Não querendo ficar para trás, Elena correu as mãos do rosto para as costas dele, descendo até as palmas se encaixarem no relevo arredondado dos glúteos.
Céus! Como ela já desejou fazer isso. E como era durinha e gostosa de agarrar.
Damon ofegou com o aperto e, em seguida, foi a vez dela de gemer em seus lábios: ele perfurou a sua língua com a presa e, para remediar, chupou o membro ferido. Elena cravou as unhas sobre o pano da calça e apertou a bunda dele com vontade, o que o fez suspirar de prazer e ela abrir um sorriso no meio do beijo.
Seu sorriso se desmanchou no instante em que Damon agarrou seus peitos como se essa região fosse dele por direito. Começou a circular e atiçar os bicos com os dedos, que respondiam prontamente às suas carícias.
Os lábios dele escorregaram da boca para os ombros e, em seguida, tomaram o lugar das mãos. Seus dentes mordiscaram ao redor de um seio. Um gemido mais agudo escapuliu da garganta de Elena, assim que sentiu a dor se espalhar sobre o peito e correr ascendendo cada terminal nervoso, culminando num espasmo no meio das pernas.
Ele se desculpou com um sorriso safado, cobrindo de beijos a região torturada.
Enquanto isso, os dedos de Elena se apressavam em abrir os botões do colete e da camisa. Sem sucesso em retirar as peças diante da recusa do vampiro em desgrudar a boca dos seus peitos por um segundo que fosse.
“Ah, por favor, Damon!”
Nem sabia direito pelo que estava implorando.
“O que você quer, Elena? Ou melhor, onde quer ser tocada?” ele perguntou. A gentileza carregada de malícia.
“O-onde você quiser me tocar.”
Damon prosseguiu acariciando um seio com uma mão e o outro com a língua. Elena viu sua situação respiratória ser drasticamente piorada quando ele decidiu usar a mão livre para boliná-la.
Esfregava de baixo para cima, seus dedos escorregando por toda a carne molhada. Enfiou um deles na abertura, seguido por outro que, encurvados, estocavam sem parar, ao mesmo tempo que o dedão circulava o clitóris inchado.
Foi com um gemido de protesto que Elena sentiu a boca e os dedos se afastarem de sua pele. Mais um pouquinho e chegaria lá. Damon abriu e desceu rapidamente o restante do vestido, cabendo a ela somente a tarefa de retirar os pés de dentro.
Ela aproveitou para se livrar dos sapatos e um segundo depois seus lábios estavam grudados novamente nos dele.
Damon rasgou as laterais finas da calcinha, continuando a beijá-la na mesma intensidade devoradora. Desabotoou e abaixou as próprias calças, finalmente dando liberdade a ereção que pulsava dentro da cueca.
E esse era o momento. Eles iriam mesmo transar. Não que essa conclusão já não fosse certa na cabeça da Elena desde quando começaram a orgia de sangue dentro do banheiro. Mas esse era um tipo de passo sem volta, uma barreira que, uma vez cruzada, não teria como ser reconstruída. E ela queria isso?
Damon pareceu prever seus pensamentos, pois no mesmo instante que ela abriu os olhos, ele também abriu os dele e se afastou. Uma linha de expressão enrugando sua testa. Ele mirou o corpo dela e depois o rosto, numa indagação silenciosa por permissão.
Elena retribuiu o gesto. Por um instante, observou os braços torneados que ainda a mantinham ‘presa’ e que, por tantas vezes, a seguraram, apoiaram e abraçaram. Os ombros firmes, ligeiramente tensos nesse momento, a veia pulsando em seu pescoço, baixando para o tórax desenhado e a linha das costelas onde um dia ele ensinara o caminho para o coração de um vampiro.
Ao olhar de volta nos olhos dele — não sem antes ter um relance generoso da masculinidade rígida e imponente que apontava para ela, e só para ela — enxergou um misto de desejo e ternura, confirmando, para não restar dúvidas, que ela havia mesmo atingido o caminho. E que Universo a perdoasse, mas de alguma maneira invasiva e não solicitada, ele também atingira o caminho para o coração dela.
Elena assentiu com a cabeça. Agarrou seus lábios e impulsionou o corpo, enlaçando as pernas ao redor da cintura Damon. Ele apoiou seu peso segurando por baixo de suas coxas e prensando as costas dela na porta. Com o auxílio de uma das mãos, posicionou-se em sua entrada e deslizou inteiro para dentro.
Dois gemidos surpresos se fizeram ouvir dentro do pequeno cômodo. Um mais agudo, com notas de dor; ela estava há muito tempo sem fazer sexo e, apesar de bastante excitada, definitivamente não preparada para receber tamanho volume ali; e o outro grave, quase um rosnado de prazer diante da quentura e aperto que o envolveram por completo.
“Desculpa! Eu te machuquei? Eu não sabia que..” ele começou preocupado, ainda encaixado a ela.
“Não foi nada,” Elena respondeu. “Só fui surpreendida.”
“Tem certeza?”
“Tenho. Continue, por favor.”
Nem se ele fosse um santo, coisa que estava longe de ser, conseguiria negligenciar um pedido desses.
Damon reuniu todo o domínio de si para penetrá-la devagar. A consciência de que seu irmão mais novo ainda não tinha feito nada com a ‘Elena vampira’ o atingiu como uma carga de êxtase a mais. Era praticamente uma segunda primeira vez, e ele se esforçaria para fazê-la inesquecível.
Elena segurou a maçaneta da porta e jogou a cabeça para trás, absorvendo todo prazer proveniente das penetrações lânguidas que se propagavam em ondas elétricas por seu corpo.
“Mais rápido!” ofegou. E Damon passou a arremeter os quadris para cima com velocidade.
Tudo o que Elena conseguia fazer nessa posição era gemer baixinho em sua orelha, mordendo a cartilagem sempre que ele atingia um lugar mais fundo dentro dela. Suas mãos agarravam e arranhavam os braços musculosos. Os únicos pensamentos que povoavam mente estavam na delícia de senti-lo escorregando pra dentro e pra fora da vagina e em como queria que essa sensação durasse para sempre.
Num movimento brusco, Damon colocou seus pés no chão, virando-a de costas, com a cabeça apoiada na parede. Agarrou-lhe os cabelos, puxando os fios para cima e traçou uma trilha de beijos que começou na nuca e prosseguiu em lambidas ao longo da linha da coluna.
Ele dobrou os joelhos no piso do banheiro e apalpou sua bunda, separando os lados com as mãos, estendendo às carícias de sua boca para toda a região entre as nádegas.
Elena olhou para baixo e sentiu-se derreter como manteiga sob o olhar lascivo que recebia do vampiro com os lábios entre as suas pernas.
“Por favor,” ela se viu suplicando mais uma vez.
“Por favor, o que? Não gosta da minha língua?” questionou. E como para testar sua pergunta, lambeu-a de cima a baixo, sustentando o olhar incisivo.
Ela soltou um gemido de desespero.
“Sim, mas eu preciso...” teve que pausar a frase um instante para revirar os olhos dentro das pálpebras. Damon havia tomado seu sexo inteiro na boca e o chupava como se fosse uma fruta doce.
“Do meu pau?” ele completou, ficando de pé.
Elena precisou resistir a tentação de enfiar as mãos em seu cabelo e trazê-lo de volta para o meio das suas pernas. Não querendo encarar o sorriso convencido que ele certamente estava exibindo, cerrou os olhos e encostou um lado de seu rosto corado no azulejo frio da parede.
“Não se envergonhe,” a voz dele veio baixa e rouca direto no seu ouvido. "Estou aqui para atender a todas as suas necessidades," acrescentou. Ela podia sentir o sorriso em sua face ao completar essa frase.
Damon passou a ponta do pênis no vão entre as nádegas e continuou esfregando por toda extensão encharcada, até ele mesmo não aguentar mais e escorregar de volta para dentro dela.
A partir de então, toda a calma e sensatez — se é que podemos chamar assim — que teve quando ela estava com as coxas agarradas em sua cintura, foi substituída por uma selvageria sem limites.
Elena tinha as duas mãos espalmadas contra a parede, as pernas flexionadas e numa posição que favorecia as investidas. Ela jogava os quadris para trás enquanto Damon apertava sua nuca e empurrava sem cessar com sua velocidade vampiresca. O choque da pélvis contra a bunda produzindo o som de tapas.
Outros ruídos ecoavam amplificados no cômodo fechado: o barulho sensual e molhado do encontro dos sexos, as respirações ofegantes e curtas que Damon exalava, somados aos gritos que Elena já não conseguia mais conter.
A nova posição permitia que ele alcançasse um alvo muito prazeroso. De modo que ela se viu completamente desnorteada com a cabeça do pau dele estimulando, a cada investida, o seu ponto G.
Não demorou muito para que os músculos do seu ventre se contraíssem em espasmos violentos. Sentiu-se amolecer inteira, quase caindo, se não fosse o par de mãos firmes em sua cintura que a mantinham de pé.
Damon continuou a empurrar, mordendo o ombro dela. Os testículos se comprimiam num prenúncio do orgasmo poderoso que estava chegando.
Ao sentir o equilíbrio retomar ao corpo, Elena o empurrou contra a outra parede e atacou seus lábios com fúria. Ela correu as mãos por dentro da tecido da camisa, sentindo seu peitoral se expandir em seus dedos. Ele ainda estava completamente vestido, com a camisa e o colete abertos e as calças arriadas. Descendo mais ao sul, agarrou o pênis na mão. Damon gemeu em sua boca.
Bem nesse momento, o toque de um celular se fez ouvir no recinto.
Elena abriu os olhos e se afastou à procura da carteira onde guardara o celular. Encontrou em cima da pia.
“Elena, onde vocês estão? Procurei por todos os lugares.” a voz de Bonnie soou preocupada do outro lado.
Ela pôs a mão na cabeça e olhou para Damon, que desviou os olhos para o lado, abaixando o rosto.
“Você está com o Damon no banheiro?” ela indagou, desconfiada.
“Não,” Elena quase gritou. “Eu estou no banheiro. Olha, porque você não espera lá fora. Nós chegamos em cinco minutos.”
“Certo. Mas Tem certeza que tá tudo bem?”
“Sim, claro. A gente se encontra agorinha mesmo.”
“Ok. Estou te esperando, então.”
Elena fez uma corrida em busca das peças de roupa que ficaram espalhadas no chão do banheiro. A ligação de Bonnie foi uma invasão bruta da realidade num cenário onírico e cheio de luxúria
Colocou a calcinha, subiu a saia, fechou o Corset na frente do corpo e olhou para o espelho, ajeitando os cabelos desgrenhados pelo sexo. Mas se o cabelo não denunciasse sua aventura, o aspecto corado de seus rosto e os olhos brilhantes com certeza fariam o serviço.
Elena calçou os sapatos, pegou a bolsa e fechou os olhos por um instante pensando no que dizer, mas assim que viu Damon recostado na parede, fitando algum ponto na porta, amoleceu.
“Damon,” disse num suspiro. Ele olhou para ela, e através do gelo dos seus olhos vislumbrou um olhar machucado.
“Pode ir,” ele disse seco, estendendo o braço para a porta.
Mas ela não conseguia sair, estava estacada no lugar. Elena torceu os dedos na bolsa e, num ímpeto, aproximou os passos até seu rosto ficar a poucos centímetros dele.
Damon a olhava com uma expressão fechada e os dentes cerrados. Com exceção das calças, agora levantadas, ainda estava do mesmo jeito: com a roupa aberta e cabelos bagunçados.
Ela passou a mão no cabelo dele e tracejou seu rosto com as pontas dos dedos, depois se aproximou e encostou a boca nos os lábios, que se encontravam colados numa linha fina.
Em poucos segundos ele perdeu a resistência. Passou a mexer os lábios junto aos dela, abrindo espaço para Elena enfiar a língua em sua boca. Soltando um suspiro, puxou-a pela cintura para que se agarrasse ao seu corpo. O desejo se inflamou no ventre de Elena, ao constatar o quanto ainda estava duro dentro das calças.
Ela abaixou o tecido da cueca apenas o suficiente para enrolar os dedos em torno do seu comprimento. Sentia ele pulsar em sua palma enquanto esticava a pele num movimento rítmico da base até topo.
Damon mordeu o lábio, os olhos contemplando a ação das mãos finas e habilidosas que o punhetavam. Respirava curta e ruidosamente, como alguém que havia acabado de subir vinte lances de escada. Num relance, encontrou o olhar de Elena. Ela também tinha a atenção fixa no mesmo ponto.
“Mais forte.” ele disse, com a respiração entrecortada. “Isso!” elogiou. A decisão orgulhosa de ficar mudo e impassível indo para o inferno, no momento que ela pressionou os dedos com um pouco mais de intensidade.
“Não tenha medo de machucar. Pode apertar com vontade, baby. Espreme meu pau. Ah!”
Elena acelerou os movimentos e intensificou a força da maneira que ele pediu, pressionando e apertando.
Sentindo a tensão tomar conta dos seus músculos, Damon inclinou a pélvis involuntariamente ao encontro do punho fechado. Seu prazer veio em jatos volumosos e quentes, que foram literalmente espremidos para fora.
***
Elena passou a noite inteira revirando no lençol cama, sem conseguir pregar o olho. As coisas terminaram de um jeito surreal na noite passada. Ela traiu o Stefan e conseguiu disfarçar seu estado emocional colocando a culpa na sua experiência alimentícia como vampira.
Essa era parte da preocupação, e pra dizer a verdade uma parte bem menor, se comparada aos outros pensamentos e imagens que a invadiam.
Os acontecimentos da festa rodavam como um filme em sua cabeça: ela conseguindo hipnotizar e beber sangue do loirinho que drogava garotas, a sensação de poder e liberdade que adveio disso, o abraço que deu em Damon, o calor da pele dele contra a sua, a dança voluptuosa e cheia de sangue, a mulher que compartilharam o pescoço, a forma como se limparam, se agarraram ou como, de primeira, ele descobriu seu ponto G e lhe deu orgasmo mais intenso que ela havia experimentado na vida. E por mais que não devesse, era com uma ardência entre as coxas e não com uma cara de nojo que rememorava tudo isso.
E ainda havia a expressão de Damon quando ela o deixou— nas duas vezes— assombrando a sua paz.
Damon a levou em casa. Elena tentou conversar, mas não havia o que dizer.
“Não. Não tente se explicar. Por favor, não quero ouvir o que pensa do que aconteceu.”
E bem quando ela ia abrir a boca para respondê-lo, Stefan materializou-se na frente deles.
“Ela é toda sua,” Damon disse, ao despedir-se no final.
E amargura na sua voz, não perdia o efeito dilacerante na lembrança.
O som da campainha despertou-a de seu cochilo superficial. Elena lavou o rosto e escovou os dentes, com toda a paciência, na esperança de que o visitante inoportuno desistisse nesse meio tempo. Ela prendeu o cabelo despenteado em um coque malfeito e desceu as escadas.
“Já vai,” disse, ao ouvir outro toque da campainha.
Girou a maçaneta.
“Damon!” ela afirmou seu nome, como que para tornar mais real sua presença diante dela.
Ele estava com um olhar implacável. Elena engoliu em seco.
“Desculpa eu te acordar, eu... Eu não dormi nada essa noite,” ele disse, num tom baixo, desfazendo um pouco a rigidez do olhar.
“Entre,” ela convidou, abrindo completamente a porta. Não esperava ter que lidar com essa situação tão cedo, cheia de sono e reflexões mal resolvidas. Mas já que estava ali, não poderia dispensá-lo.
“Não, eu só preciso saber de uma coisa.”
“Damon, ontem foi...”
“Eu não quero te pedir e nem te fazer declarar nada. No que depender de mim, posso ser seu segredinho sujo. — Literalmente," ele acrescentou sorrindo de canto, um sorriso que não alcançava os olhos.
“Só preciso que me responda uma coisa.”
Ela o encarou atenta.
“Por que você voltou?”
“Como?”
“Você já tinha se arrumado pra ir embora, por que voltar?”
“Eu vi você e...”
“Ficou com pena?” ele sugeriu.
“Não. Quer dizer, me cortou o coração a forma como você me olhou. Mas não foi só isso, eu queria...” passou a mão na cabeça e esfregou os olhos.
“Queria o que, Elena?” Ele segurou seus ombros forçando-a a levantar o olhar.
“Queria que você gozasse.”
Uma sombra de sorriso formou-se no rosto de Damon, mas, no instante seguinte, ele balançou a cabeça, indignado.
“Muito generoso da sua parte,” disse, com os olhos ainda acusatórios.
Claro, o terrível senso de justiça de Elena. Ela não dormiria em paz se soubesse que recebeu um prazer, ainda que imundo, e não o retribuiu. Como ele havia sido idiota de ir ali. Como havia sido estúpido em se apegar à esperança de um detalhe bobo.
Na noite inteira que teve para remoer os acontecimentos, essa parte final era o que mais o intrigava. Mas, de repente, a explicação estava clara diante dos seus olhos.
“Não,” ela negou.
Ele deixou o devaneio derrotista para encará-la com atenção:
“Não, o quê?”
Elena inspirou o ar devagar, tomando coragem pra dizer toda a verdade que, nesse momento, pulsava com toda a força em sua mente e coração.
“Não era uma questão de te garantir ou retribuir um orgasmo, eu...,” Ela desviou o olhar, umedeceu os lábios e voltou-se novamente para ele. “Eu queria que você gozasse na minha mão. E em outros lugares se eu tivesse tido tempo. Amaldiçoei a mim mesma dentro do carro por ter pedido apenas mais cinco minutos e não meia hora, ou mesmo dispensado a Bonnie,” ela concluiu.
“Elena,” Damon murmurou, dominando a voz para um tom que não refletisse o quanto tremia por dentro.
“Você terminou com o Stefan?”
“Ainda não. Eu não tive...”
“Eu te dou duas opções,” ele a interrompeu, quase sem fôlego. “Você vai fazer isso agora ou vai acrescentar mais uma traição para a sua lista.”
“Eu... E-eu acho melhor fazer agora. Só preciso tomar um banho e...”
Damon assentiu vagarosamente com a cabeça e é impossível dizer quem correu primeiro para grudar os lábios no outro.
Acabaram por tomar a terceira via: sexo matutino em cima do sofá, nas escadas, na bancada da cozinha...
Após tomarem banho juntos, Elena finalmente saiu para conversar com o Stefan. Quando voltou, arrasada pela forma como as coisas terminaram, encontrou Damon no parapeito da janela.
Eles conversaram até tarde. Falaram sobre culpa, a vida, as incertezas do futuro, a força assustadora do que sentiam um pelo outro e como honestamente esperavam que Stefan fosse feliz.
Parte da tristeza foi dissipada nessa conversa, a outra foi apagada no conforto macio da cama da Elena.
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