Deixe me perde em você.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O despertador toca ás exatas seis horas da manhã. Levanto meio grogue de sono. Ainda há caixas de papelão pelo chão e algumas coisas que estão fora do lugar por todo o quarto. Mudei-me há alguns dias e ainda não organizei o caos que está meu quarto.
Opa! Quase me esqueci da apresentação.
Oi meu nome é Emma Miller, mas prefiro que me chamem de Emy, tenho 17 anos e voltei á minha cidade natal, Los Angeles, há uma semana com minha mãe.
Nasci e passei toda a minha infância em Los Angeles e me mudei para Nova York quando tinha 15 anos. Logo após entrar no ensino médio meu pai, Jonatha Miller – um grande empresário do ramo publicitário – abriu um escritório Nova York e tivemos que ir com ele. Mas há alguns meses atrás meus pais se divorciaram e minha mãe achou melhor voltarmos pra cá. Ela acha que vai me fazer bem voltarmos a ter a vida de antes.
Minha mãe era uma modelo famosa – cujo nome artístico era Lesly Benz – mas ela se aposentou ao engravidar. Ela parece mais uma irmã mais velha do que uma mãe, mas as vezes ela se lembra de ser mãe. Eu meio que gosto dessa bipolaridade esquisita dela.
Hoje é o primeiro dia de aula. Se estou animada? É claro que... não. Voltar a frequentar o mesmo inferno que deixei há dois anos é , com toda a certeza, meu “sonho”. Eu me lembro dos dias nessa escola dos diabos, naquela época eu usava aparelho e óculos, era quieta e tímida, não tinha – nunca tive – amigos e vivia com a cara nos livro, se bem que ainda vivo. E sempre sofri com brincadeiras e gozação dos outros.
É eu sou uma nerd, fazer o que se não herdei os genes divos da minha mãe?
Arrumo-me e desço. Atravesso a casa ate o quintal onde minha mãe toma café na beirada piscina – exageradamente grande – com seu assistente Julios.
– Amy querida. Não me diga que ira com essa coisa horrenda que você se atreve a chamar de roupa. – Julios fala a me ver.
Não vejo mal em ir de calça jeans preta, camiseta cinza sem manga, um casaquinho azul e tênis all star.
– Jú seja uma bicha boazinha, pra variar, e me deixa em paz. – respondo pegando uma torrada e passando geleia.
– Ai mona, não é por maldade, muito pelo contrario é bondade. Só quero te salvar do seu mau gosto. Pelo menos deixe o cabelo solto.
Resmungando desfaço o rabo de cavalo deixando meus cabelos caírem em uma cascata negra sobre meus ombros e costa.
– Satisfeita? – pergunto.
– Não, mas já é um começo.
– Bicha dos infernos.– murmuro e ele ri.
– Jú tem razão, você tem que se vestir melhor querida. – minha mãe finalmente se manifesta. – Eu sei exatamente onde essa conversa vai parar. Em um shopping. Ate logo. – digo me virando e indo em direção á porta.
– Te amo esquisita! — ela grita enquanto me distancio.
– Também te amo sua louca... e você também projeto de Madona. – respondo entrando em casa. Pego minha mochila, dou um beijo na Mary, minha governanta, e entro no carro com o motorista. Em menos de 30 minutos estou diante ao meu inferno particular. Lamento baixinho enquanto me despeço do Rodolfo – nome dele é David, mas ele tem cara de Rodolfo então o chamo de Rodolfo. Entro discretamente e logo de cara reconheço umas sete que já estudaram comigo. Fico impressionada como a escola não mudou em nada. Distraída observando o ambiente familiar trombo em uma porta.
– Filha da mãe. – murmuro enquanto esfrego minha testa dolorida levantando o olhar para ver o que realmente tinha me atingido. Acaba que não é uma porta e sim um brutamontes de olhos verdes, cabelos castanhos e físico esguio e musculoso. Passeio meus olhos pelo seu corpo e noto que veste a jaqueta do time de basquete da escola. Voltando aos seus olhos verdes notei algo muito familiar. Senti uma luz se acender em minha mente ao reconhecer aquele tom de verde.
– Jon? — murmuro.
– Como você sabe meu apelido menina tonta? — ele pergunta.
Benneth Jonson Willians. O garoto que estudou do pré ao fundamental comigo. Dês de pequenos ele sempre tirou sarro de mim. Aparentemente ele continua o mesmo babaca.
– Tonta? – pergunto ao perceber do que ele havia me chamado.
– É, tonta, você trombou comigo quando eu claramente vinha por esse caminho.
– Você poderia muito bem ter desviado, testosterona ambulante! – respondo indignada e os três garotos que estão com ele riem. Ele os escara mortalmente e eles se calam depois volta seu olhar assassino pra mim e eu o encaro com a mesma intensidade.
– Olha aqui sua tampinha você não faz ideia de quem sou e do que sou capaz! – ele esbraveja.
– Sei sim. É o garoto que perdeu a tanga na piscina da escola e saiu de lá nuzinho. – falo rindo ao lembrar e seus amigos voltam a ri.
– ... que?... como você sabe disso? – ele pergunta aparentemente confuso. – espera eu te conheço? – ele pergunta aproximando seu rosto do meu ate ficarmos a um dedo de distancia. Minha respiração vacila ao sentir a respiração dele sobre meus olhos.
Por favor se afasta! Por favor!
Ouço a vozinha frágil e insegura relembrando coisas ruins.
Nunca lidei muito bem com garotos, a proximidade deles por mais rara que fosse me incomodava, mas agora a proximidade de qualquer um do sexo oposto me dá nojo e repulsa.
– Miller? – ele se afasta surpreso.
Eu respiro aliviada. Pelo amor de deus. Ter um ataque aqui não.
– Miller? – os outros garotos falam em uníssono e se aproximam para me avaliar. É quando reconheço o trio de idiotas: Derik, Patric e Sam.
– Meu deus você está muito... diferente. – Derik fala quebrando o silencio. Não é pra tanto, não fiz nenhuma cirurgia apenas tirei o óculos e o aparelho e deixei o cabelo crescer, não tinha nada pra se impressionar.
– Ela não esta tão diferente assim. – Benneth fala e pela primeira vez dou razão á ele. – Só por que tem mais peito não significa que ela deixou de ser a nerd marrenta.
Pronto. Lá se foi à razão. Ele me rodeia avaliando, o olhar dele me deixa nervosa e eu me vejo não completamente livre da minha possível crise. Ele para atrás de mim e dá um tapa na minha bunda que ecoa como um estalo pelos corredores. Deixo um gritinho – uma daqueles de menina assusta – sair. E para minha surpresa aquilo tirou minha tensão.
– E tem mais bunda também. – ele completa rindo da minha reação.
Sinto-me corar, coisa que já não acontece faz tempo, e em um impulso dou um belo de um tampa estalado na cara dele.
– Seu idiota! – me ouço gritar a plenos pulmões.
Ele passa a mão em sua bochecha – que agora tem as marcas de meus dedos – ainda surpreso e logo um sorriso malicioso surgi em seus lábios.
– Wow. Miller agora tem alguma coragem! –ele provoca rindo.
– Babaca! – grito me virando pra ele e me afastando. Os corredores estão vazios. O sinal já havia tocado. Aquele idiota do Benneth além de deixar minha mão e bunda ardendo me atrasou para a aula. Mas o que mais me deixou surpresa foi o meu nervosismo ter se dissipado com a brincadeira idiota.
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