Paro diante a porta aberta e vejo o senhor Lions, professor de artes, se organizando para a aula. Ele foi meu professor do segundo ao nono ano do fundamental, parecia bem mais jovem do que era – ainda parece. Lembro me daquele cara esguio moreno de olhos azuis. Não, não tinha uma queda pelo meu professor. Mas ele era bem mais que um professor, ele era a figura paterna que nunca tive. Ao me notar um sorriso surgiu iluminando sua face pensadora.

– Miller o que faz aqui? – ele pergunta ao se aproximar e me dar um abraço. Hesito um pouco antes de o abraçar de volta de desajeitada. Me sinto desconfortável.

– Me transferi. – respondo e seu sorriso aumenta.

– Que bom... sente-se que a aula já vai começar. – ele fala indicando uma cadeira nos fundos da sala. Atravessando o mar de olhares e cochichos, reconheço uma voz irritantemente familiar. Ao passar por ela finjo vomitar. Tifany – outra que zombava de mim – me encara mortalmente ate sua expressão mudar para algo malicioso.

– Oh Emma, querida! Como vai? – ela pergunta fingindo que se importa. Juro que pude ver o veneno dela escorrendo pela boca.

– Estava bem melhor há cinco minutos. – respondo me sentando não muito distante de onde ela está.

– Que bom que está bem. Que tal conversarmos depois da aula no banheiro, só pra matarmos a saudade? – ela pergunta e todos na sala, menos eu e o professor, riem.

Há dois anos, um dia antes de me mudar Tifany me trancou no banheiro masculino, fiquei lá por 8 horas, e eu tenho claustrofobia.

– Seria ótimo. Mas só se sua cabeça estiver dentro do vaso. – respondo sorrindo tão secamente quanto ela. Antes que ela fale qualquer coisa, a porta se abre em um estrondo e quatro idiotas entram rindo e gritando.

– Senhor Willians pode me dizer por que estão entrando há essa hora? – o professor pergunta.

– Bom profê é por que eu trombei com uma nerd idiota... olha ali a nerd idiota. – ele fala apontando pra mim. E todos riem.

– Senhor Willians mais respeito para com sua colega. Vão se sentar para que a aula prossiga. – fala o professor.

Benneth faz uma reverencia debochada e vem em minha direção. Olho para a cadeira vazia ao meu lado. Oh merda! Ele se senta bem ao meu lado. Deus o que te fiz pra merecer essa penitencia? Juro que não lhe derrubei de proposito no ponche do casamento da minha prima!

Antes de Benneth se sentar ele para ao lado da mesa de Tifany e a beija.

Oh meu deus! Cacete, deus deve está de sacanagem comigo. Devo ter mijado no rio Jordão no meio do batismo dele, só pode.

Sinto uma ânsia e engulo a bile tossindo. Pelo jeito tossi alto já que a atenção de todos se voltou pra mim.

– Com ciúmes Miller? – Benneth pergunta.

– Eu? Ciúmes? Nunca. E que o amor de vocês é tão, mas tão doce que me deu ânsia de vomito. – sorriu debochada.

– Você sempre foi muito covarde Miller. Dês de ficou tão valente? – Tifany pergunta claramente irritada.

– Dês de que você colocou silicone. Está bem volumosa a sua bagagem ai na frente. – falo apontando para seu busto. – Não acredito que tenha aumentado tudo isso em 2 anos.

Todos na sala riem inclusive Benneth e o professor.

– Já chega meninas. – o professor fala em um tom firme ao se recompor. Todos se calam e a aula prossegue.

Durante toda a aula Benneth me observa rindo. Assim que as aulas terminam vou visitar meu cantinho preferido, o ginásio. Era sempre o lugar mais silencioso. Continua o mesmo só que as arquibancadas estão pintadas de azul e não de amarelo como antes. Sento-me na ultima fileira, coloco meus fones , pego meu livro de química e começo a ler. Depois de umas sete musicas – eu meço o tempo por musica – as portas do ginásio se abrem e o treinador Cuper entra com o time de basquete. Eles não me notam. O treino começa com aquecimento e eu fico ali observando. Logo avisto Benneth e Derik, quando um jogo treino começa. Benneth é bem alto então ele não tem dificuldade em alcançar a cesta. Sua altura deveria o atrapalhar um pouco, mas aparentemente ele sabe usar isso como vantagem, ele consegue equilibrar tudo de forma quase graciosa. Depois de alguns dribles, passes, fitas e cestas o time que está com camisa vence. O treinador dá uma pausa. É quando ele me vê.

– Emma Miller, então é verdade, voltou. – ele fala se aproximando da arquibancada e eu desço ate onde ele está.

– Olá treinador. – falo ao cumprimentar com um aperto de mão e um meio abraço. – Já que está de volta que tal entrar pro time feminino de basquete?

Antes de sair da escola o treinador Cuper me fez essa proposta. O namorado da minha tia Bille, é um jogador profissional e me ensinou muita coisa quando eu era menor. Achava que eu só sabia jogar mais o treinador disse que eu jogava muito bem apesar da minha altura. Tenho 1,60 o que é quase um anão nos termos do basquete, mas eu sou agiu e faço passes rápidos e precisos.

– Treinador o senhor só pode estar louco. Essa coisinha não consegue nem alcançar a estante da biblioteca do prézinho. – Benneth fala rindo.

– Eu não apostaria tanto nisso Ben – eu provoco e ouço um WoW de todos ate do treinador.

– Ela está claramente te desafiando Ben. – Derik o provoca.

– Não vou gastar minha energia com esse duende. — responde Benneth se virando e quicando a bola com que estava. Vejo o numero dez em sua camisa, é o numero do capitão do time.

– Não acredito que o capitão do time está com medinho de uma garota, isso significa que o resto do time também são florzinhas. – provoco e o treinador ri alto ao meu lado enquanto o time me encara.

– Se você quer ser humilhada então vamos em uma de sete. – ele fala jogando a bola pra mim. Eu a pego. – mas só se apostarmos algo. – ele diz se afastando para o meio da quadra.

Jogo minha mochila no chão, pulo a grade que separa a arquibancada da quadra, tiro meu casaquinho e jogo sobre minha mochila.

– O que, por exemplo? – pergunto me aproximo dele quicando a bola. Ele para, pensativo. – Decidimos depois que eu ganhar. – ele responde convencido.

Todo o resto do time se afasta ficando só eu e ele na quadra. Eu driblo, quico fito e lanço, a bola rodopia na cesta e depois entra. Faço isso mais três vezes. Parei de contar na quinta cesta, só sei que em meio de cestas e provocações, acabamos nos empolgando e ultrapassando o limite de sete cestas, e em minha ultima jogada escorrego e quando penso que vou cair Benneth me puxa pro lado oposto e caio por cima dele. Depois do som que fez o contado das suas costas com o chão o ouço gemer. Ele passeia seus olhos sobre meu rosto de uma forma hipnótica. Sinto meu coração acelerar, começo a suar frio, o nervoso que é o sinal de um quase ataque me toma. De repente fico desesperada.

– Emy — ele sussurra.