Deixe a Neve Cair
8 Yasmin apresenta - Merry Christmas, idiot!
Notas iniciais
I.
— Eu fui a dez mercearias diferentes só para termos essa belezinha de Natal!
Jess adentrou o apartamento carregando um peru enorme e encontrou os três rapazes com quem dividia o recinto, sentados no sofá, com a TV ligada em um filme natalino onde um cachorrinho branco e felpudo conversava com uma tartaruga que tinha um laço vermelho amarrado sobre o casco.
— Foi isso que fez a manhã toda? — questionou Nick, franzindo a testa.
— Sim! — ela gritou ao fazer um estrondo pondo o peru sobre o balcão — Conheçam o Sr. Binny.
— Sr. Binny? — Nick sussurrou confuso.
— Olá, Sr. Binny. Será um prazer tê-lo em nossa ceia de Natal. — Schmidt se aproximou da cozinha juntando as mãos no peito e sorrindo amigavelmente. Depois ficou sério e chegou perto de Jess para sussurrar — Não conte a ele que o colocaremos no forno.
— Cara, isso foi estranho. — Winston murmurou com o olhar torto, sentado no sofá e encarando os dois na cozinha por cima do encosto — Temos um peru batizado?
— Não fale assim! — Jess ralhou — Não, ele não quis dizer isso, Sr. Binny.
— Ok, isso é completamente estranho. — Nick concordou com o rapaz ao seu lado, e deu um gole em sua cerveja.
Schmidt, que encarava seriamente Jess abraçada ao Sr. Binny, franziu a testa.
— Isso é estranhamente sexy. Acho que estou ficando excitado.
Os outros três ali o encararam e Nick apontou para um pote sobre a mesinha com um papel grudado nele intitulado "Jarro Babaca".
— Jarro! — os três falaram ao mesmo tempo e Schmidt bateu o pé fazendo uma careta e marchou até o pote depositando uma nota de cinquenta dólares.
II.
— Ok, temos um problema.
Jess usava seus óculos de grau enormes e ainda vestia um pijama comprido rosa claro enquanto observava o peru em cima do balcão. Nick apareceu ao seu lado coçando a cabeça e com o rosto amassado de quem havia acabado de acordar.
— O que há, Jess?
— O Sr. Binny não descongelou. Deus, estou tão ferrada. Preciso dele descongelado para fazer o molho e depois colocar no forno. Mas com ele assim a coisa toda não funciona, eu estou ficando com falta de ar, eu não tenho ideia do que fazer!
— Ei, calma! — Nick pediu, irritado — Primeiramente, Sr. Binny é um nome ridículo.
— Não fale assim do Sr. Binny. — Jess lhe apontou um dedo.
— Segundo, acho que até a noite essa... — ele encarou o peru com uma careta — Coisa... Descongela.
— O que há de errado, pessoal? — Winston também apareceu na cozinha — Não se pode nem mais dormir nessa casa porque vozes insuportavelmente altas teimam em me acordar cedo.
— Sr. Binny passou a noite fora da geladeira e não descongelou. — Jess explicou choramingando — Estou meio que em desespero. Temos tanto o que fazer até a noite, pessoal.
— Temos?! — Nick apontou para si — Desde quando eu estou nisso? Me põe fora dessa, Jess. — ele falou saindo da cozinha indo até seu quarto.
— Espera. Nick. — a moça correu atrás dele e pararam no corredor, em frente à porta do quarto do rapaz.
— Tenho que pegar um voo para Chicago. Todo ano visito minha mãe no Natal.
Jess o encarou séria.
— Você não vai ficar para a ceia?
— Lamento, Jess. — e então entrou no quarto, deixando a morena cabisbaixa do lado de fora, encarando a madeira fechada.
— Hey, Jess. — a cabeça de Winston surgiu no corredor e ela o encarou.
— O que foi?
— Eu, hmm, gostaria que você retirasse o peru... Quero dizer, o Sr. Binny da bancada. Eu quero tomar café da manhã e não consigo com toda aquela carga ali em cima.
Jess bufou jogando a cabeça para trás e marchou de volta para a cozinha, passando por Winston e o deixando confuso.
— Eu disse algo errado? — o rapaz questionou para si mesmo.
III.
— Hey, pessoal. Como vão?
Uma morena alta, de longos cabelos lisos e pele bronzeada adentrou o apartamento vestida elegantemente e sorridente.
— Hey, Cece. — Winston e Nick responderam, sentados no sofá.
— Cadê o resto?
— Schmidt está por aí e Jess está na cozinha tentando descongelar o Sr. Binny. — Winston explicou, deixando Cece confusa.
— Ainda odeio esse nome. — Nick murmurou.
A mulher entrou na cozinha e encontrou Jess sentada sobre o mármore do balcão, abraçada a um peru enorme.
— Oi, Cece. — cumprimentou, concentrada em apertar os braços ao redor do peru.
— Oi, Jess... — respondeu, estranhando — O que está fazendo?
— Descongelando o Sr. Binny, preciso dele totalmente fora dessa camada de gelo hoje à noite para a ceia. Você virá, não é?
— Claro, onde mais eu passaria o Natal?
Jess sorriu minimamente e voltou a olhar para o peru. Cece estranhou o comportamento abatido da melhor amiga e se aproximou sentando em um banco.
— Tudo bem, Jess?
— Hã? Claro, claro. Tudo mais que perfeitamente bem!
— Pois não parece.
Jess bufou e levantou os olhos para a amiga.
— Droga, o que há de errado comigo? — esbravejou — Estou sentada em um balcão tentando descongelar um maldito peru, não tive tempo nem de trocar de roupa. Rodei praticamente toda Los Angeles atrás dele e acho que comprei o último peru do país. Tenho dois caras sentados no sofá tomando cerveja e assistindo a filmes onde cachorrinhos malditamente fofos falam e ajudam o Papai Noel a entregar presentes, e um outro cara que sumiu dentro desse apartamento, o que deveria ser impossível. Não tenho um namorado e preciso fazer sexo, estou frustrada sexualmente. E pra piorar, ESSA DROGA DE PERU NÃO DESCONGELA!
Cece a observava em seu monólogo com as sobrancelhas erguidas.
— Ok, ahn... O que há, realmente, de errado?
Jess levantou os olhos agora vermelhos por trás dos óculos de grau e fungou.
— Nick não passará o Natal conosco. Ele disse que precisa ir ver a mãe em Chicago.
— Ah, já entendi tudo.
— Eu não deveria estar chateada por isso. Quero dizer, e daí que ele vai pra Chicago na noite em que amigos que formam uma família deveriam passar juntos? Parecemos uma família, não é?
— Claro.
— Eu estou com vontade de chorar muito, Cece. E eu nem sei o porquê.
— Ah, eu sei. — Cece falou baixo, desviando o olhar.
— O que disse?
— Nada. — disse rapidamente — Bem, ahn, eu vim aqui para te ajudar com tudo isso, não fique triste, é Natal, garota! — Cece tentou animá-la e Jess sorriu minimamente.
Schmidt apareceu na cozinha de repente, esbaforido, e sorriu abertamente encarando Cece.
— Eu realmente pensei ter escutado a sua voz. — disse, galante, passando um braço pela cintura da modelo.
— Tire as mãos de cima de mim. — ela o empurrou.
— O que estava fazendo? — Jess o encarou perguntando.
— Estava tentando sair do terraço. O gato que vive lá e foi criado por pássaros estava bloqueando a porta.
— Ainda tem medo desse gato? — Cece o encarou.
— Ele foi criado por pássaros!
— Ok, ok. Eu preciso descongelar o Sr. Binny. — Jess anunciou, descendo do balcão e pegando o peru no colo — Acham que se eu ficar nua, o calor do meu corpo agilizará o processo?
— Isso seria estranho. — Cece balançou a cabeça.
— Eu fiquei excitado. Você poderia ajudá-la, Cece.
As duas mulheres o encararam.
— Jarro!
IV.
— Cara, eu realmente não sei o que comprar pra Jess. — Nick murmurou.
Ele e Winston estavam em uma loja de departamentos, a procura de um presente para a única garota com quem compartilhavam o apartamento que viviam.
— Garotas normais gostam de coisas fofas. Compra um ursinho que fala “I love you” quando apertamos a barriga.
— Jess não é uma garota normal.
— Isso é verdade.
Os dois então se depararam com um stand onde personalizavam camisetas, e se encararam sorrindo antes de se aproximarem do balcão.
Enquanto isso, no apartamento, Jess, Schmidt e Cece encaravam o Sr. Binny jogado no balcão, pensando em o que fazer.
— Poderíamos colocá-lo na lavadora. — Schmidt propôs.
Os três enfiavam a enorme ave na lavadora e rapidamente Jess fechou a porta, enquanto Cece acionava o botão de centrifugar.
— Prontinho, agora é só esperar. — Jess sorriu pondo as mãos no quadril.
— Devíamos adiantar as outras coisas. — Schmidt aconselhou — Vou preparar o cranberry, Cece você amassa as batatas e Jess, prepare a sua deliciosa torta de abóbora. — as duas prontamente se organizaram para por a mão na massa, até ouvirem um grito do rapaz — Não! Lavem as mãos primeiro.
A porta da frente foi aberta enquanto os três cozinhavam e Nick e Winston entraram por ela, carregando sacolas de presente.
— Compramos os presentes. — Winston gritou erguendo as sacolas e indo colocar tudo sob o pinheiro enfeitado desajeitadamente no canto da sala.
— Onde está o peru? — Nick perguntou se sentando no balcão, observando Jess arrumar a torta.
— Na lavadora, centrifugando. — Cece respondeu normalmente, terminando de amassar as batatas para o purê. A modelo sentiu o suor escorrer por seu rosto e limpou com o braço.
Schmidt arregalou os olhos.
— Eu vi o que você fez, Cece! Trate de lavar as mãos imediatamente.
— Mas eu nem usei as mãos.
— Suas bactérias vão escorrer pelo braço e infectar nosso purê. Quer que todos morram?
Cece ergueu as mãos em defesa e se aproximou da pia, revirando os olhos.
— Jess, está chateada comigo? — Nick perguntou buscando o olhar da moça, que ergueu rapidamente a cabeça, depois voltou-se para a torta — O que eu fiz de errado?
Jess finalmente o encarou, apoiando as mãos no balcão.
— Você irá abandonar sua família-amigos em pleno Natal.
Ele levantou, indignado.
— Mas é a minha mãe! Todo ano passamos o Natal juntos.
— Mande ela vir para cá. — deu de ombros.
— Ela não pode mudar os planos dela, Jess. Ela nem sabe onde eu moro. Está em Chicago.
— É o nosso primeiro Natal juntos, Nick. E você está fazendo pouco caso disso.
— Não posso simplesmente abandonar minha mãe!
— Cara, traga ela para cá. — Schmidt se aproximou, tocando o ombro do amigo — Sinto saudades da Sra. Miller.
— Cale a boca, Schmidt. — Nick revirou os olhos — Jess, não posso simplesmente deixar de ir. Minha passagem não tem reembolso. Mamãe deixou de ir às noites do bingo para me pagar essa passagem.
Jess deu de ombros e voltou a ignorá-lo. Ela pôs a torta de abóbora no forno e saiu para o quarto, batendo a porta ao entrar no mesmo. Todos encararam Nick balançando a cabeça negativamente, e o rapaz encolheu os ombros os encarando confuso. Cece lambeu os dedos e pôs a mão no purê.
— Cece! — Schmidt gritou com raiva.
V.
— Hey, Jess. — Nick deu duas batidinhas na porta antes de entrar.
— Vai embora.
Ele ignorou o pedido e entrou, se aproximando cautelosamente da cama onde ela estava deitada de bruços com o rosto enfiado no travesseiro.
— Desculpa, eu... Eu não posso cancelar a viagem.
— Era para ser um Natal em família. — a voz dela saiu abafada pelo tecido da fronha. E, ao que parecia, também embargada.
— Você está chorando por causa disso, Jess? Veja bem, eu já comprei seu presente.
A morena levantou, furiosa, e o encarou com os pulsos cerrados.
— Acha que pode me comprar, Nicholas? Eu queria a sua PRESENÇA, não o seu presente. Não me importo com presentes.
— Puxa vida, eu já comprei. — ele fez uma careta e a encarou — Gastei dinheiro a toa então?
— Argh, cale a boca!
Nick se levantou e tentou se aproximar para abraçá-la, mas Jess se afastou.
— Desculpa.
— Não quero saber. Vá para Chicago, fique com sua mãe e vá dormir antes que o Papai Noel chegue para colocar carvão em sua meia, porque foi um menino malvado durante o ano. Mencionei que deve colocar leite e cookies na sala para o velho pançudo?
— Jess...
— Tudo bem, Nick. Eu já entendi. Não precisa ficar aqui se desculpando. Sua mãe também é importante, eu entendo. Na verdade, estou sendo uma idiota, por que me importo tanto com sua presença? Nem quando você estava prestes a morrer com aquele caroço no pescoço que parecia um tumor, mas não era nada além de um cisto, eu fiquei tão triste. Eu sou esquisita, me deixe sozinha para eu cortar os meus pulsos. — ela marchou até a porta e a abriu, colocando a cabeça para fora e gritando — Schmidt, pare de olhar para a bunda da Cece e vá tirar o Sr. Binny da lavadora.
E então se virou de volta para o quarto. Mas o que encontrou não era esperado. Nem um pouco. Apenas pode se dar conta do que passava quando os lábios de Nick colaram aos seus, a fazendo fechar os olhos e entreabrir a boca para receber a língua do rapaz em contato com a sua.
O que ela estava fazendo? Era loucura. Aquele era Nick, somente o Nick, o cara mais mala sem alça, irritante, babaca e incrível do planeta. Opa. Aquilo não era para ser pensado. Não a última descrição. Sentiu as mãos dele apertarem sua cintura e levou os braços para o pescoço dele, brincando com o cabelo curto em sua nuca. Ele parou o beijo com pequenos selinhos e se afastou dela com um sorriso.
— Por que...?
— Eu precisava fazer você calar a boca. — ele riu e recebeu um tapa no ombro — Ouch!
— Cale a boca, Miller!
— Jess, você é a garota mais anormal e maluca que eu conheço.
Ela deu outro tapa no ombro dele e o empurrou para sair do quarto, sem perceber que sustentava um sorriso idiota no rosto.
— Suma daqui!
Nick ria enquanto entrava no próprio quarto, em frente ao dela, e fechava a porta. Jess era realmente maluca e estranhamente encantadora. Ele não soube direito porque a beijara. Ok, parte foi para fazê-la de fato calar a boca, mas parte, a maioria na verdade, foi porque ele havia sentido a necessidade.
Ainda com um sorrisinho idiota, ele discou alguns números no celular e esperou a chamada ser atendida.
— Alô, mamãe? Não, eu ainda não estou no avião. Só queria avisar que na verdade eu perdi o voo, agora só no ano que vem. — ele sorriu.
VI.
— Um brinde ao nosso primeiro Natal em família! — Jess cantarolou, erguendo sua taça e sendo acompanhada por Cece, Nick, Schmidt e Winston.
— Feliz Natal a todos! — Winston gritou.
— Feliz Natal, pessoal! Amo muito vocês. — Schmidt falou com a voz rouca.
Todos o encararam confusos.
— Está chorando, cara? — Nick franziu a testa.
— Fico emocionado nessas datas, ok? Convivam com isso. — ele abaixou a cabeça com a mão no rosto e seus ombros balançavam com os soluços — Amo tanto vocês.
E então ele se ergueu, pondo a taça na mesa e agarrando o rosto de Nick, lhe dando um selinho. Nick o empurrou.
— O que eu já falei sobre beijos, cara?! Para com isso!
— Amigos fazem isso o tempo todo.
— Então não serei mais seu amigo.
— Vamos aos presentes, pessoal. — Jess gritou.
Eles pegaram os presentes embaixo do pinheiro e cada um ganhou uma camiseta personalizada com frases que os definiam.
— ”Garota Anormal”, muito obrigada, Nick. — Jess leu sua camiseta.
— Ah, qual é! “Babaca Ambulante”, quem escreveu isso? — Schmidt perguntou, bravo.
— ”Seios Grandes”. — Cece revirou os olhos, lendo sua camiseta — É só isso que veem?
— ”Grande Idiota.” Valeu mesmo, Winston. Não vi quando pediu essa camiseta. — Nick rolou os olhos para seu presente.
— Disponha, amigo. — Winston bateu em seu ombro e puxou sua camiseta — ”Babá...Ca”. Ah não, gente! É sério? — falou choramingando.
— Gostaram dos presentes? — Nick perguntou, animado.
— Desculpem, mas eu não li mais nada depois de “Seios Grandes”. — Schmidt falou, babando sobre Cece.
Todos o encararam, rolando os olhos.
— Jarro!
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