Deh e Dih
14 Pontos.
Notas iniciais
Acordo com um sorriso reluzente. Uma sensação enorme e pra lá de boa preenche meu coração que transborda de alegria. Desde que Demi aceitou ficar comigo de vez, eu não passo um segundo sem estar pensando nela. Suas olheiras agora não passavam de manchas claras. Que bom, assim eu tinha certeza de que estava fazendo bem para ela. Seus sorrisos brilhantes também serviam de exemplo, suas risadas eram músicas para os meus ouvidos. Se ela estava feliz eu também estava.
Às cinco da tarde paro minha moto em frente à casa dela e buzino. Ela sai logo em seguida de vestido, tênis e uma bolsa média pendurada no ombro. Seus lindos cabelos presos num rabo de cavalo bem no alto da cabeça. Me cumprimenta e coloca o capacete que lhe ofereço. Antes que eu fale algo, ela se adianta, subindo na moto.
–Sim, eu estou de short por baixo.
–Ah bom.
Fomos para uma praça que era perto um pouco da cidade. Estaciono a moto e corremos para uma mesa da praça. Demi tira da bolsa três potes pequenos com tampas transparentes. Olho curioso. Estendo a mão para pegar um e recebo um tapa na mão.
–Ei.- Reclamo.
–Espere, comilão.
Esperei enquanto ela arrumava as coisas, tinha tirado também uma garrafinha da bolsa e duas colheres.
–Bem, eu trouxe coisas gostosas que fiz hoje de manhã, com a ajuda do meu pai é claro.
Sorrio.
–Brigadeiro, musse e salada de frutas.
–Musse de que?
–Maracujá.- Ela sorriu.- Vamos ver se isso acalma meus nervos. Meu pai fez.
Começamos pelo brigadeiro. Nossa estava uma delícia de bom. Comíamos e rimos com ela contando suas experiências com comida. Já estava de noite quando terminamos de comer a salada de frutas. Assim que dei uma colherada no musse ouvi algumas vozes se aquecendo. Ali perto, um pessoal de teatro de rua se aqueciam para começar a peça musical. Mas não foram as vozes deles que me chamaram a atenção. Foi o casal ali perto discutindo. Eu nem precisei olhar duas vezes, nem para Demi. A mão dela, que eu estava segurando por cima da mesa, ficou tensa. Assim como ela toda. Seus olhos se tornaram apreensivos. Como se tivesse sentido nossos olhares sobre eles, o casal se virou ao mesmo tempo para nos encarar. A garota estava com o rosto vermelho de raiva, e Nathan não estava atrás. A garota virou-se e foi embora quando Nathan começou a caminhar até nós em passos longos e duros, o olhar raivoso.
–É, você supera rápido.- Nathan diz assim que chega.
–Posso dizer o mesmo de você. Na verdade já estava superando antes de terminarmos.- Ela disse com a voz assustadoramente fria.
–Eu esperava mais de você. De todos os caras, por que ele? O que ele tem?
–O que você nunca teve, e nunca terá.
Ele se aproximou dela, que se levantou, e eu também.
–Você acha que eu sou otário? Você me traiu com ele!
–Você está ouvindo o que está dizendo? De longe isso é o que faria. Nunca te traí. Nunca!
–Traiu sim, no teatro!
–Isso é um absurdo!
–Eu a beijei.- Falei me metendo.- A beijei sem ela querer, não foi ela.
–Não se mete, porra!- Ele rosnou.
–Me meto sim!- Rosnei de volta.
–Vocês se beijaram, ponto final.- Ele virou-se para ela.- Está tão errada quanto eu.
Demi então chegou perto de Nathan, tão perto que achei que iria bater nele ou algo do tipo.
–Você é um filho da puta que traiu a namorada e não aceita isso! Você não tem provas e nem nada para provar que eu te trai. Porque eu não trai! Agora você pega a cachorra da sua amante e me deixa em paz!
Eu não faria melhor. Com uma rapidez, Demi catou suas coisas jogando-as na bolsa e fechando-a com raiva. Pegou minha mão e saímos dali.
–Puta merda! Mas que vontade de esfregar a cara daquele infeliz no asfalto quente!
Abracei-a e então ela se calou.
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