Deh e Dih
13 Feridas curáveis
Notas iniciais
Se a algumas semanas atrás alguém me dissesse que meu ex namorado me traia, e que eu me apaixonaria pelo cara que só trazia problemas, eu não só não acreditaria, como xingaria a pessoa e diria que ela é louca. Foram as semanas mais agitadas que já tive. TPM maldita, ex namorado perseguidor maldito. Eu iria explodir se não fosse esse novo garoto por quem vale a pena lutar. Eu simplesmente não tinha palavras para descrever o quanto Dimitri estava sendo maravilhoso para mim. Eu não via nada a mais nem nada a menos do que sinceridade e paz em seus olhos quando falava que era o cara mais feliz do mundo por me ter.
Certa tarde, Dimitri cismou que iria me ensinar a andar de skate. Eu tentei lhe convencer de que sabia andar, sendo que eu não sabia mais. Mas ele era esperto e logo sacou. Fomos ao parque e iniciamos a aula. Eu não tinha nem um pouco de equilíbrio e isso iria complicar até na hora de ficar em pé em cima do skate. Então comecei a tentar andar sozinha, e cai pelo menos umas onze vezes no chão. Dimitri riu e me ajudou a levantar.
–Não consigo! Mas que droga, até a raiz quadrada de PI é mais fácil.
–Fica calma pequena, se concentre. Você não sabia andar?- Ele esperou eu confirmar para continuar.- Pense apenas numa coisa. Escuta, repita mentalmente: eu consigo andar nessa droga de skate.
–Tá de brincadeira né?
–Claro que não. Anda, repete isso e tenta de novo.
–Ok.
Eu consigo andar nessa droga de skate. Eu consigo andar nessa droga de skate. Eu consigo andar nessa droga de skate. Eu consigo andar nessa droga de skate. E lá fui eu. Em instantes estava descendo o caminho cimentado que dava na área de quem jogava golfe a tarde. Sorri e me entreguei, ainda repetindo aquelas palavras na minha mente. Ouvi Dimitri correr atrás de mim rindo com satisfação. Pus de leve o pé no chão, equilibrando minha parada. Parei e me virei a tempo de não ser surpreendida pelo abraço de urso que Dimitri me deu.
–Está vendo? É disso que estou falando.
–Você aprendeu assim?-Perguntei curiosa.
–É, mais ou menos. Tenho mais equilíbrio que você.
–Ah, vai jogar na minha cara é?- Sorri e ele me acompanhou.
Em casa, eu tomei um banho rápido, depois fiz curativos nos meus machucados adquiridos. Dimitri já tinha ido, então eu estava sozinha. Fui para a cozinha e peguei uma latinha de refrigerante, subi para meu quarto lembrando mentalmente que tinha trancado todas as portas. Eu não tinha certeza. Deixei a latinha em cima do criado mudo e fui verificar. Estava tudo bem. Sentei na minha cama e comecei a folear as páginas de O morro dos ventos uivantes, até pegar no sono depois do último gole no refrigerante.
A última coisa de me lembro antes de engatar de vez no sono, foram mãos gentis tirando o livro das minhas mãos e me cobrindo, fechando a porta do quarto logo em seguida.
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