Defunto ou organizador

1 DEFUNTO OU ORGANIZADOR


O lixo está cheio de lembranças, retratos e velhos escritos, as velhas escrituras não descrevem o que sinto e nem regem a orquestra do meu próprio ser. Há algo errado dentro de mim, e não é o rim fora do lugar, é algo bem pior.
Esse canto gregoriano abala minha Atenas, minhas pernas estremecem a cada baque, cada tossida é como se eu tivesse sendo esfaqueado, esse piano sem cordas toca música de funerais, ou eu sou o organizador ou eu sou o defunto.
O sapateado da velha escola não soa como as músicas do rádio, há um erro grotesco entre sertanejo e música, os bons músicos ficaram velhos e os novos, ruins.
Uma dose desse veneno pode te levar para Lua ou para o inferno, calar sorrisos com tiros é como ir em um açougue comprar livros, a vida anda tão desordenada, meus inimigos estão no poder, e os meus heróis não viraram estátuas, morreram lutando contra os que viraram.
As zebras estão se alimentando de lebres e as lebres de tigres, a natureza ficou louca ou eu que estou insano?
Sentado nessa poltrona eu não vejo graça no teatro, os atores não estão inquietos e essa paciência e intervalo entre as frases fazem dormir os espectadores, é necessário mexer nesses roteiros, adicionar um “Até tu Brutus?” ou “Só sei que nada sei.”, prefiro ser um eremita do que me valer de contatos com o mundo exterior.

FIM, 17/04/14

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