Decode
3 Capítulo 3.
Notas iniciais
Dormi. Tive um sonho horrível. Eu estava em uma floresta, totalmente fechada e escura. Eu estava andando, e de repente vi um vulto branco. Uma espécie de fantasma, e de repente se transformou no Bill. Ele me estendeu a mão e eu a toquei.
Ele desapareceu, e eu olhei pra minhas mãos e elas estavam ensangüentadas.
Era 05h30min e minha garganta estava doendo muito, eu estava morrendo de frio e com muito enjôo.
Minha mãe chegou no quarto e disse:
– Lizzie, vamos, você tem aula hoje.
– Mãe, eu não vou. Estou passando muito mal.
– Chega de história Liz! Você está querendo é fugir da escola. Vamos,levante.
– É sério mãe! Minha garganta está doendo muito. Eu não vou e ponto final.
– Ok, vamos ver se você está realmente doente.
Ela saiu e minutos depois voltou com um termômetro.
– Me deixa medir sua temperatura.
Instantes depois ela retirou o termômetro de minha boca, olhou e disse:
– LIZZIE! Vamos para o hospital agora, você está prestes a ter uma convulsão. Você está com 41°C de febre!
Minha mãe: sempre apavorada.
– Calma mãe! É só tomar um remédio e pronto.
– Nada disso! Você deve estar com alguma infecção séria! Se arrume e vamos logo.
Ela saiu do quarto e eu fui me arrumar.
Coloquei uma calça jeans e uma blusa branca.
Fui pegar o pente (com minhas mãos trêmulas) e olhei que tinha gotas de sangue em minha blusa.
Toquei levemente meus lábios e meu nariz e olhei: minhas mãos estavam completamente ensangüentadas. Assim como no sonho. Ou melhor, pesadelo.
Fiquei apavorada e de repente tudo escureceu.
Acordei e uma luz branca atingiu meus olhos. Respirei. Senti um ar gélido entrando em meus pulmões.
Olhei para o teto. Branco. Olhei para as paredes. Brancas. Olhei para a cama em que eu me encontrava. Branca.
Á partir desse dia fiquei com medo de dormir ,pois eu não saberia onde eu estaria quando acordasse. E também fiquei com medo da cor branca.
Eu não me lembrava de nada, desde o último sonho que eu tive. A última figura que estava em minha mente era ele.
Minha mãe entrou no quarto e disse:
– Oi Liz...você está bem?
– Não muito...o que aconteceu? Eu não me lembro de nada desde o último sonho que tive. Como eu vim parar aqui?
– Você acordou com febre, desmaiou e eu te trouxe pra cá. Você teve uma convulsão grave e os médicos já colheram seu sangue, urina, fezes e plasma. Vão fazer uns exames.
– Há quanto tempo eu estou aqui?
– Há 5 horas.
– Eu dormi este tempo todo?
– Sim,eles te sedaram.
Neste exato momento, o médico entrou no quarto e chamou minha mãe.
Uns 15 minutos depois eles voltaram e o médico disse:
– Lizzie, os seus exames já ficaram prontos e...não encontramos nada. Nenhum vírus, bactéria, doença, nada. Então estávamos pressupondo que a sua convulsão foi causada por algum distúrbio do sistema nervoso. Você se estressou durante estes dias?
A resposta era óbvia: sim.
Mas eu não gosto de falar meus sentimentos pra ninguém. Nunca digo como estou me sentindo, se estou triste, alegre, com raiva ou preocupada. E eu não queria falar nada pra um médico desconhecido, de um país desconhecido que no passado se cumprimentavam usando um “heil Hitler”.
– Lizzie? — disse o médico.
– Sim, eu fiquei um pouco nervosa nesses últimos dias.
– Ok,vamos fazer um exame computadorizado do seu sistema nervoso central. Procure descansar.
Dormi. Não sei por quanto tempo, mas parecia que foi por mais de um mês.
Acordei, estava em outro quarto, diferente daquele.
Abri os olhos e tudo escureceu. Olhei em volta e vi alguém. Não vi direito o rosto dessa pessoa, vi apenas um filete de sangue saindo de sua boca. Toquei o pequeno fio de sangue. O rosto se formou. Era Bill. Gritei.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!
– Lizzie! LIZ!! O que foi? Pesadelo?
Acordei. Tinha sido apenas um pesadelo. Graças á Deus.
– Ai mãe! Foi...um sonho horrível! Eu ainda estou no hospital? Dormi quanto tempo? O que aconteceu?
– Calma...assim que o médico saiu você dormiu, umas duas horas mais ou menos, agora eu vim te acordar para ir fazer o exame e você gritou desse jeito. Com o quê você sonhou?
– Não lembro — menti.
Na verdade eu me lembrava muito bem: Bill. Filete de sangue.
– Ok...vamos lá pra sala de exames?
Fui pra sala de exames.
Era uma sala comum, exceto pelo gigantesco aparelho super estranho.
O médico estava lá, me viu e disse:
– Deite na maca — e apontou pra uma maca.
Aliás, se tem uma coisa que eu detesto nos médicos, é isso: eles mandam a gente fazer as coisas. Eles não perguntam, não sabem se queremos realmente fazer aquilo e já saem mandando.
Duas coisas que eu odeio em médicos:
1- Eles mandam demais.
2- Eles tentam evitar o inevitável: a morte.
Deitei na maca, e ele ligou vários fios em mim.
Fiquei lá uns 30 minutos, depois voltei para o quarto.
Esperei umas 5 horas no quarto, até que o médico entrou.
– Lizzie, eu já tenho o resultado dos exames e era o que eu esperava: sua convulsão foi causada por estresse, nervosismo. Mas o seu sistema nervoso estava muito alterado, poderia ter acontecido algo mais sério. Aconteceu algo grave nesses últimos dias?
– Não — menti novamente.Tinha acontecido algo grave,ou melhor alguém grave: Bill.
– Você usou algum tipo de droga?
– Não, nunca usei drogas.
– Bebeu muito?
– Também não.
– Tem certeza que não há nada te afligindo? Porque se você não quiser contar pra mim, diga á sua mãe, ou á nossa psicóloga.
– Não, não há nada de errado. Apenas fiquei nervosa com a mudança de país.
– De fato essa mudança foi brusca. Você irá ficar em observação por mais algumas horas, se não acontecer nada de errado, você terá alta.
– Ok, obrigado.
Fiquei descansando e depois de umas 4 horas o Dr. entrou na sala com a minha mãe e disse:
– Lizzie, arrume suas coisas,você ganhou alta. Se quiser, poderá tomar um banho.
– Ok,obrigado.
Apesar do frio (já eram 21h00min horas) eu resolvi tomar banho. Tenho nojo de ficar no hospital por muito tempo e não tomar banho.
Tomei banho, coloquei minha roupa e fomos embora.
Chegamos em casa ás 22h00min horas e eu fui direto para o meu quarto.
Quando eu já estava deitada, minha mãe entrou no quarto e disse:
– Lizzie, precisamos conversar.
– Mãe,pode ser amanhã eu estou muito cansada.De verdade.
– Ok...descanse. Mas amanhã nós vamos conversar. Algo muito sério.
– Ok,apague a luz. E não me acorde antes das 11h00min!
– Certo, preguiçosa!
Ela foi embora e eu adormeci.
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