Decode

4 Capítulo 4


Acordei, e desta vez não tive sonhos. Ainda bem. Minha mãe nem precisou me acordar antes das 11h00min, eu mesmo fiz questão de acordar cedo: ás 7h00min!

Eu simplesmente odeio acordar cedo.

Tentei ficar na cama, mas não deu certo.Resolvi ir pro PC, twittar ou ficar no tumblr.

Mas como era muito cedo,não tinha ninguém de bom na timeline, muito menos na minha dash. Um tédio.

Então resolvi sair, apesar do médico me mandar ficar de repouso. Coloquei um short com uma meia por baixo (ignorei o frio), uma jaqueta e salto. Uma maravilha para passear ás 7 da manhã. Apesar da roupa ser bonita e parecida com as da Taylor Momsen não combinava nada com o horário. Resolvi trocar de roupa. Coloquei uma blusa gigantesca com o desenho do peixinho Nemo, uma calça jeans e um tênis. Resultado: eu estava parecendo uma lésbica americana.

Droga! Nada que eu vestia dava certo!

Resolvi colocar uma blusa do My Chemical Romance, a mesma calça jeans, um all star de cano alto e pronto.

Penteei meus cabelos, que afinal precisavam ser pintados, me maquiei (com o olho bem preto, estilo Panda-Momsen) e saí.

Andei umas duas quadras e vi uma lanchonete que parecia legal. Entrei e estava tudo vazio, resolvi pedir um suco.

Dois detalhes importantes:

1 – Odeio Coca-Cola.

2 – Sou vegetariana.

Quando eu tinha mais ou menos 7 anos, eu perguntei ao meu pai de onde vinha a carne, e ele me disse que vinha dos animais, tipo bois, vacas e porcos.

No mês seguinte, fomos á fazenda do meu tio, no Texas e eu vi uma vaca morrendo após ter seu bezerro. E também vi vários pintinhos, e decidi que nunca mais comeria carne. Por mais que meus pais tentassem me forçar, eu nunca mais comi carne.

O suco chegou e enquanto eu estava bebendo, entrou uma garota na lanchonete. Ela deveria ter a minha idade, o cabelo era completamente roxo, os olhos azuis, estava bastante maquiada, com uma jaqueta de couro, muitos acessórios e uma bota de salto com correntes. Ela era bastante chamativa.

Pediu um sanduíche com fritas e sentou-se à mesa ao meu lado.

Passado uns 10 minutos ela olhou pra mim e disse:

– Matando aula?

– Não, faltei porque estava passando mal.

– Está passando mal e está aqui? Sei.

– É sério! Ontem eu fui para o hospital e o médico me mandou ficar em casa, mas resolvi sair.

– Sei...você é daqui?

– Não, sou da Pensilvânia, USA.E você mora aonde?

– Que legal, eu adoro o USA, sonho em morar lá. Moro aqui em Leipzig mesmo,com minha mãe. Tem quantos anos? Estuda? Aliás,qual seu nome?

– Tenho 16, estudo sim, na Escola Secundária Leipzig, estou cursando o 2º ano, sou Lizzie Letto. Prazer.

– Bem, eu tenho 18, estudo na Escola Hitchern no 1º ano, sou Blair Meminger. Prazer.

– Legal...já repetiu de ano, né?

–- Sim, três vezes: uma na 6ª série, uma na 8ª série e uma no 1º ano.

– Está sem aula hoje?

– Não, estou doente.Igual á você.

– Pára! Eu realmente estava mal ontem. Tive uma convulsão mas já passou. Estou bem agora.

– Convulsão? E sobreviveu? Que droga você usou,hem?

– Nenhuma! Eu não uso drogas. Quer dizer então que está matando aula?

– Sempre mato. Principalmente agora que eu terminei com meu namorado.

– Seus pais não te xingam por causa das repetições de ano?

– Eu moro só com minha mãe e o namorado dela. Ela nem liga pra mim, só pro namorado que por sinal tem 22 anos, acredita?

– Sério? Quantos anos sua mãe tem?

–- 35. E ela não vê que ele é um tarado. Uma vez eu estava dormindo, ele entrou no meu quarto e tentou me beijar,acredita? E quando minha mãe ficou sabendo me colocou de castigo e quase me matou. Ele disse que eu tinha chamado ele e quando ele chegou eu tentei beijá-lo.Eu odeio ele.

– Ah fica calma. Nem tudo na vida é do jeito que queremos.

– Vamos dá uma volta?

– Vamos. Está de carro?

– Sim. O meu é um Audi e o seu?

– Ainda não tenho carro. Meu pai deve me dar no mês que vem.

– Vamos.Vou te mostrar Leipzig.

Entrei no carro com Blair, ela acendeu um cigarro e começou a dirigir. Rodamos um pouco até chegarmos a uma espécie de shopping. Mas ele era todo diferente, só tinha artigos mais roqueiros: camisas de bandas e coisas do tipo, munhequeiras, piercings, CD’s e tudo relacionado ao rock N roll.

– Eu só compro minhas coisas aqui — disse Blair.

– Legal...aqui parece legal.Eu gosto de coisas mais rocker também.

– Tem namorado?

– Não.

– Eu terminei com o meu há 3 dias. Eu o vi ficando com uma garota.

– Nossa, que horrível.

– Então...como é os USA? Já foi em New York, Los Angeles, tudo isso?

– Só em New York. Eu moro na Pensilvânia, mas conheço o Texas, New York e a Carolina do Norte. Já fui em Boca Raton também.

– Que legal. Eu nunca saí da Alemanha mas conheço Berlim e Munique. E quando eu era pequena eu fui em Molching.

– Legal.

Continuamos andando pelo shopping até que eu vi dois caras.Um tinha um moicano gigantesco pintado de vermelho e um piercing no lábio inferior.O outro tinha um cabelo preto, liso, jogado para o lado e tinha um piercing no septo.

Eles chegaram para Blair e falaram:

– Olha, se não é a Blair! Amiguinha nova...prazer linda, eu sou o Woodpecker! — disse o de moicano.

Woodpecker? Que diabo de nome é isso?

– E eu sou o Rudy — disse o de cabelo preto se aproximando.

– Então Blair, como vai a vida? Arrumou outro? Seria o namoradinho de sua mãe?-disse o tal do Woodpecker,soltando uma gargalhada horrorosa.

– Wood me deixa em paz! Você sabe muito bem porque eu terminei com você.

– Eu sou troquei uns beijos com a menina! Nem transei com ela.

– Ahh e era pra ter transado? Você estava comigo! E me traiu e isso eu não aceito! Agora sai do meu caminho que eu estou com pressa e não quero mais nada com você!

– Não vai nem apresentar a amiguinha?

– Não!

Blair disse isso e me levou correndo pra fora do shopping.

– Ai Lizzie, desculpa tudo isso. O Woodpecker é desse jeito. Ele é o meu ex. E é melhor você não se meter com ele,ele não é boa coisa.

– Ok tudo bem .Não fica assim não, homem é desse jeito mesmo. Por isso eu não me meto com eles. Á propósito qual o nome dele? Não é Woodpecker,né?

– Não, Woodpecker é o apelido, por causa do cabelo vermelho. O nome dele é Viktor Hubermann.

– Ah sim.

– Bom, vamos embora? Quer que eu te deixe em casa?

– Não, pode me deixar na lanchonete.

– Ok.

Entramos no carro, ela acendeu um cigarro e disse:

– Quer um?

– Não fumo.

Ela começou a dirigir e chegamos na lanchonete.

– Obrigado Blair,adorei te conhecer.

– De nada. Você também é legal. Qualquer dia nos vemos por aí.

– Ok ,tchau.

Ela arrancou o carro e foi embora.