Decode
2 Capítulo 2
Fiquei estática,olhando pra ele,que estava de costas.
Ele era muito diferente,e não era apenas no jeito de se vestir,era na energia,na sensação que ele transmitia.Eu fiquei pensando se naquela sala,apenas eu estava sentindo isso,porque pelo que me parecia aquela sensação seria passada por toda a Alemanha,de tão grandiosa que era.
Eu precisava ir embora o mais rápido possível,algo dentro de mim me dizia isso,se eu continuasse ali por mais algum tempo algo muito ruim iria acontecer.
Automaticamente eu levantei minha mão e disse:
-Professor,posso ir ao banheiro?
De repente todos olharam pra mim (menos o garoto) e ficaram me encarando.
Aí que eu percebi,que tinha dito tudo em inglês.Droga!
Pedi desculpas e falei alemão,o alemão mais mal pronunciado da história.
Fui até o banheiro,e me olhei no espelho.
Eu estava pálida,e minhas mãos frias.Eu não queria voltar até aquela sala.Pensei em ir ao orientador e pedir uma mudança de sala,mas não iria adiantar.Eu queria sair daquela cidade,daquele garoto,queria sair da Alemanha de uma vez por todas!
Nunca pensei que diria isso, mas:USA eu te amo!
Fiquei ali parada por uns 5 minutos e pensei,que não adiantaria eu ficar ali parada.Eu iria voltar pra sala,e mais tarde falaria com minha mãe,pra me mudar de escola.
Quando voltei até a sala tive uma surpresa:todos os alunos estavam sentados em duplas,menos o tal garoto estranho.
Entrei normalmente e me sentei.O professor virou imediatamente pra mim e disse:
-Se sente com Bill.Ele está sem dupla,e você também.
Antes que eu perguntasse quem é Bill,ele me apontou.E adivinhem?Era o garoto.Estranho.
Gelei.
Fiquei parada,respirando,eu estava totalmente confusa.
Até que o professor disse:
-Vamos,sente-se que a atividade irá começar.
Sentei-me ao lado de Bill,e ele não olhou pra mim..
O professor explicou a atividade e cinco minutos depois,eu tomei coragem pra falar com aquela criatura:
-Então,eu estava pensando,poderíamos fazer assim: cada um de nós resolve uma questão,eu faço o gráfico e você o desenho,pode ser?
-Faça como quiser.
Ele disse tais palavras e meu coração disparou.Ele dizia de um modo muito estranho,inexplicável.
A voz dele era fria,muito fria e distante,parecia que ele nem estava falando comigo.
Começamos a fazer,ou melhor,eu comecei a fazer,porque ele não fez nada,apenas ficou olhando atentamente para o chão.
Entreguei o trabalho e fui pra casa.Chega de Alemanha,chega de Bill,chega de Leipzig,escola,tudo!Quero o meu USA!Minha casa,sem esse garoto perturbando minha mente com seu jeito estranho!
Cheguei em casa e fui logo dizendo:
-Mãe eu quero ir pra casa AGORA!Cansei daqui!Chega!Me dá o dinheiro da passagem e eu vou sozinha,não fico aqui nem mais um minuto!
-O que foi Lizzie?Pra quê tanto escândalo,meu Deus?
-Chega mãe!Vou arrumar minhas coisas!
-O que aconteceu na escola Liz?Já arrumou problemas?Falaram mal de você,porque é americana?Alguém te magoou,ou machucou?Diga Lizzie Letto!
-Calma mãe!Que saco!Chata!Eu apenas quero ir embora.Não gostei da escola,não gostei das pessoas,não gostei da comida,não gostei da Alemanha!
-E você acha que pode fugir toda vez que não gostar de uma coisa?Vamos,me diga o que aconteceu.Por favor.
-Ok,mãe.Promete que vai entender e não vai rir?
-Prometo.
-É um garoto.Eu quero ir embora por causa de um garoto.Pronto,falei.
-Um garoto?Liz,o que há de mal em se apaixonar?Você vai sair de um país porque se apaixonou por um garoto?
-Mãe,ficou louca?Que apaixonei!Nossa,você é tão irônica que me faz rir,sabia?NÃO É PAIXÃO MÃE!Eu estou com medo dele mãe!Pronto é isso.Eu estou com medo de uma pessoa,estou apavorada,confusa.
-Ahhh Liz!Você não está mais na idade de ficar com medo dos garotos pelos quais você se apaixona filha!Você está na idade de namorar,divertir!E não de ficar com medo!
-MÃE!Eu não gosto dele mãe!Deixa eu te explicar:ele chegou,e eu fiquei arrepiada...
-Paixão á primeira vista.
-Mãe,pela última vez:NÃO TEM PAIXÃO NENHUMA!Me deixa continuar.Aí ele se sentou na minha frente,e ele é muito branco,mais branco do que qualquer pessoa que eu já vi na vida.E ele tem os olhos violetas...
-VIOLETAS?
-Por incrível que pareça,sim.Assim que ele se sentou eu senti uma coisa estranha,como se algo dentro de mim me dissesse para ir embora dali.Depois eu fui até o banheiro e quando voltei,tivemos que nos sentar em dupla.Ele não conversou comigo,apenas disse “Faça o que quiser”.Aiiii mãe me ajude!Você acredita em espíritos,essas coisas?Vai ver isso pode me ajudar!
-Lizzie,pra começar,eu não acredito em espíritos.E você apenas não foi com a cara do menino,só isso.Não é motivo pra tanto drama,e você não vai sair do país ok?
-Ahhh,mãe que saco!Te odeio!Você nunca me entende!Droga!!!!!!-eu disse chorando e entrei em meu quarto.
Fiquei deitada á noite inteira,chorando.Eu não sabia explicar,ninguém entenderia.Nem eu estava entendendo.Era algo muito estranho,eu nunca havia sentido antes.Não é amor,nem paixão,eu sei.É medo.Não sei de quê,nem porque,eu apenas não quero vê-lo.Nunca mais.
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