Decode
1 Capítulo 1 - Dizendo "Oi" para o perigo.
– Não vai tomar café direito?
– Não. Já estou atrasada. – Respondi enquanto bebericava seu suco.
– Eu não aviso mais nada, depois que ficar doente não vem reclamar.
– Tá legal. – Falei pegando minha bolsa e correndo na direção da porta. — Tchau Mãe!
– Tchau! — Respondeu — Adolescentes, não se alimentam corretamente, depois estão doentes. – Sorri ao ouvir minha mãe murmurar, sempre preocupada.
É sempre essa mesma bronca quando não faço uma de minhas refeições. Ela é do tipo de mãe protetora; Protetora até demais, o que muitas vezes me incomoda.
Esse é exatamente o 3° bimestre do meu ultimo ano do ensino médio, e eu estou quase ficando louca com tantos trabalhos para entregar em um prazo muito curto. Não gosto de deixar trabalhos para depois, isso geralmente termina em uma média vermelha, que em cadeia gera recuperação e até repetência e eu definitivamente não estou a fim de prolongar meus dias aqui nesta escola. Literalmente.
– VALENTINAAA! – Virei-me na direção de Aline, que muito “discreta” entrava na escola com um salto rosa enorme, toda sorridente.
– Qual o motivo de tanta animação?
– Ué precisa?! — E ela tá com aquele sorriso de quem vai aprontar.
– Tá legal, você é sempre assim, mas tá na cara que aconteceu alguma coisa.
– Você lembra que me inscrevi no grupo de dança da escola né?
– Como eu poderia me esquecer?! – Ri ao lembrar que ela só entrou no grupo pra ficar de olho no Yan, o garoto que ela tá a fim.
– Ei, eu sei o que você está pensando viu?! E eu não entrei só por isso. – Ela colocou a mão no peito fingindo-se ofendida.
– Até parece que não. “Amiga eu estou, tipo, muito feliz o Yan vai ser meu par aaaaaa”. – Falei em uma tentativa falha de imitar a voz dela.
–Tá, você sabe que tem razão – Admitiu gargalhando. — Você tá com problemas na Ed. Física não é?
– Sim. – Concordei. — Mas, o que isso tem a ver?
– Bom, estávamos precisando de mais uma pessoa no grupo e como vale nota para a Ed. Física, eu conversei com a professora e inscrevi você no grupo de dança. Perfeito, problemas resolvidos.
– Como assim Aline? Você sabe que eu não tenho o menor jeito para dançar. – Falei assustada.
– Calma. Você aprende. – Ok minha amiga pareceu uma criança batendo palminhas agora.
– Não, não e não. Vai ser a maior vergonha da minha vida.
– Sim, sim e sim. E você deveria me agradecer por te ajudar. Vamos! Temos aula agora. – Falou me puxando pelo braço em direção à sala.
– Finalmente. — Suspirei aliviada quando o sinal para a quarta aula tocou, depois de duas aulas de biologia as únicas com a Aline e duas de inglês, eu ainda teria mais duas de química. Normalmente eu me sentava sozinha quando não estava com ela, mas não era o tipo de pessoa antissocial eu falo com todos e mesmo que eu esteja com problemas tento ser sempre simpática. Não acho legal quando as pessoas descontam seus problemas em quem não tem nada a ver com eles.
– Ei, Vale, vamos estamos atrasadas. — Aline apareceu na minha sala me chamando.
– Atrasadas pra quê? Eu tenho aula de química agora.
– Temos ensaio hoje, lembra?
– Não, e eu nem falei se vou mesmo.
– Puff é claro que vai. E agora, anda. — falou me apresando.
– Calma! E as aulas de química?
– Sem problemas, os professores foram avisados sobre os ensaios para dispensarem os alunos que estão participando da dança.
– É ‘tô’ começando a achar que isso não vai ser tão ruim, eu definitivamente não ‘tava’ a fim de assistir aula. – Falei rindo.
– Claro que vai ser legal. — Falou jogando o cabelo. — Afinal das contas eu estou no grupo.
Fomos para o ginásio da escola, e lá a professora Telma nos deu uns shorts pretos para vestirmos. Tirando eu, acho que tem umas 10 pessoas no grupo, bem menos do que eu imaginei e que em minha opinião é ótimo. A professora separou os alunos em cinco casais, percebi que eu não era a única garota que não sabia dançar, a minha frente tinha uma garota baixinha de cabelos curtos e repicados que parecia muito tímida, que tinha como par um garoto também baixinho que parecia ser aqueles dançarinos de hip-hop. Atrás de mim estava a Aline conversando com Yan que era o seu par, ele era um pouco mais alto que Aline tinha os
cabelos em um tom dourado escuro e os olhos cor-de-mel sem falar em como ele tem muito estilo.
– Hmm... Professora Telma? – Chamei a professora que ajeitava um casal em seus lugares.
– Sim, Valentina?
– Acho que fiquei sem par. – Ótimo, eu vim, não posso fazer nada se não tem quem dançar comigo.
– Ah não querida, você vai dançar com o Arthur. – Ela apontou para um garoto que eu ainda não tinha visto. Ele estava sentado na arquibancada do ginásio, com a cabeça apoiada nos braços, ele estava sério e usava uma regata preta que deixava seus braços esguios, fortes e que continham algumas tatuagens a mostra. Seu cabelo era preto em um corte estilo militar, seus olhos de um tom azul-esverdeados lindos, sua boca pequena e rosada. Ele era lindo, parecia um boneco, mas quando ele fixou seus olhos em mim um arrepio percorreu meu corpo e nesse exato momento eu vi que algo nele não era bom. – Tudo bem?
– Sim. – Respondi fitando a professora. Percebi que o garoto se levantou e estava vindo em minha direção, e continuava muito sério que ótimo eu estava nervosa, ele é intimidador. Ele andou até parar ao meu lado, então notei o quanto ele era alto não que eu fosse baixinha eu tenha 1,74, mas ele deveria ter 1,84 ou 1,90 talvez.
– Oi. — Cumprimentei-o. Em resposta ele apenas olhou em minha direção por um tempo e maneou a cabeça, me deixando muito constrangida, ele não disse nem ao menos um “Oi” de volta. Puff.
A professora deu inicio ao ensaio, repetindo varias vezes os passos, a coreografia era bem complexa e rápida e segundo ela precisaríamos de muita dedicação para aprender tudo e ganharmos uma boa nota até o final do ano, quando seria a grande comemoração do termino de mais um ano letivo, para alguns como eu, o termino do ensino médio.
– Então meninos, você devem girar suas parceiras uma vez e finalizar apoiando elas em suas pernas. – Demonstrava a professora aquele passo. — Ok?
Olhei para Arthur, ele estendeu a mão pra mim e parece algo um pouco clichê, mas no momento em que a palma da minha mão tocou a dele, eu fiquei arrepiada e nos encaramos, desde o momento que o vi ele não deu um sorriso ou ao menos falou comigo, mas ele não precisa sorrir quando o olhar dele fala tudo. Você também já conheceu alguém que parece sorrir apenas com o olhar?
Ele me girou lentamente e me segurou em seus braços me apoiando com a perna esquerda em minhas costas assim como a professora explicou. Fitou-me no fundo dos olhos por alguns segundos, e eu não sei o que ele encontrou que sua expressão de repente era ainda mais fria e seu olhar já não era amigável, agora continham um brilho estranho e até medonho. Afastei-me dele assustada e ele continuou me fitando passou uma das mãos na cabeça e simplesmente me deu as costas. E eu continuei parada e confusa. O que deu nele?
Notas finais
- Capítulo dedicado a minha Best T.F sz
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