Declaro-me Mais Tarde!
22 Capítulo 21 - Máscara: O Mascarado
Notas iniciais

Lucy estava sentada numa das mesas da lanchonete dentro da Fairy Tail, envolvida no seu tédio diário que fazia parte dela desde que foi suspensa por alguns dias de seu trabalho. Enquanto esperava por Sting e Rogue que queriam falar com ela, a loira analisava o que realmente era melhor fazer, sua conversa no dia anterior com Levi havia despertado em si aquela preocupante necessidade. Afinal desde ocorrido com as fãs que ela não teve mais contato com Natsu, na verdade não achava necessário dê-lo uma vez que prometera para si, para o presidente e para Mira que não o procuraria mais, e este, sabe lá porque, também fizera o mesmo. E as coisas estavam indo bem assim até o dia anterior quando Levi achou conveniente a ida dela ao baile para um reencontro, afinal máscaras escondem suas verdadeiras intenções. E embora naquele momento ela tenha achado aquilo um grande absurdo, agora não era bem isso que ela achava, um reencontro lhe parecia tão plausível quando comer ao sentir fome.
Ainda sim como em vários casos, nem sempre é possivel comer quando estiver com fome, não lhe parecia certo ir ao baile.
Suspirosa ela encostou-se a cadeira e olhou o ambiente. Era três da tarde e por isso o local estava vazio, ela era a única cliente da lanchonete, e diferente daquela do dia anterior não havia ali dentro alguém de carisma gritante atendendo-lhe bem, e ela sabia o porque, ela era a roubado de corações. Amargurada ela deu um sorriso.
Aborrecida com todas essas coisas que viam lhe acontecendo, ela pensou em se levantar e sair daquele lugar, o que impediu de realizar isso foi a chegada dos gêmeos.
Sting estava com um sorriso zombeteiro nos lábios – como sempre – e Rogue com sua expressão exagerada de seriedade. Os dois sentaram-se nas cadeiras vagas da mesa onde estava Lucy, e mal se acomodaram a balconista, alegremente, veio atendê-los. Lucy apenas ficou a observando, estava segurando-se para não dizer algumas coisinhas para ela, o que certamente não lhe ajudaria em nada, sua situação já estava ruim suficiente para se preocupar com essas coisas.
Entretanto ela não pode deixar passar, quando a balconista estava saindo sem nem perguntar se a loira queria alguma coisa, Lucy gritou que ela também era uma cliente, a garota – uma morena esbelta, bem mais alta que Lucy – virou-se furiosamente.
–E você, vai querer o que? – perguntou com raiva.
Lucy ponderou o olhar da garota, imaginando se realmente seria seguro pedir alguma coisa.
–Nada, obrigada.
A garota bufou e se retirou.
–Fez certo. – comentou Rogue em seu tom sério, beirando ao indiferente. – Acho que não seria seguro pedir alguma coisa para ela.
–Realmente, era capaz de você sair daqui direto para o hospital. – zombou Sting.
Lucy soltou um suspiro cansado.
–É realmente tudo muito frustrante.
Ela olhou de um para o outro, os dois se entreolhavam. Suspeito, pensou ela.
–Então porque me chamaram até aqui?
Sting baixou a cabeça e começou fazer um desenho invisível com seu dedo sobre a mesa, Rogue encarou com grande interesse a janela do local.
Vê-los daquela forma deu um aperto no coração dela. Embora fizesse pouco tempo que estava trabalhando ao lado dos dois, ela sabia que tinha os conquistados, uma vez que ter uma empresaria que quase os matam de tanto trabalhar e que os tratam como um nada,
E ser o contrario dela, os ajuda em tudo e até inúmeras vezes receber a bronca por eles, não tinha como não conquistá-los.
O silêncio se arrastou tortuosamente, quebrado com a chegada da balconista que entregou os pedidos dos cantores, suco de limão e laranja. Rogue pegou o suco de laranja e o bebericou, o mesmo fez Sting com seu suco de limão, Lucy apenas olhava de um para o outro, a espera de uma resposta.
Essa veio depois de outro longo período de silêncio.
–Minerva... – começou Sting, talvez aquela fosse a primeira vez que o loiro não tivesse certeza de como se comportar.
– O que tem a Minerva? – indagou Lucy os encorajando.
Sting olhou para Rogue em pedido de ajuda.
–Ela está pensando em pedir ao presidente a autorização para contratar outra assistente.
Um terceiro período de silêncio os abateu. Lucy queria se mostrar forte, mas realmente estava difícil isso para ela, tudo estava acontecendo ao mesmo tempo.
Sem dizer mais nada ela se levantou, tentou sorrir para eles, mas falhou em sua tentativa.
–Mande lembranças minhas para Minerva. – e saiu.
Aquilo foi um ponto decisivo para ela, ir par ao baile certamente só estragaria ainda mais com tudo isso. Acabaria mil vezes com ela sem dó.
•••
Ela acordou com o irritante toque do seu telefone, sonolenta olhou para o relógio digital sobre a cômoda ao lado de sua cama, marcava um pouco mais das 7. Só aquela visão tornou-se aquela ligação inconveniente. Suspirou e esticou o braço para tirar o fone do gancho.
–Alô. – atendeu com a voz embargada de sono.
–Desculpa-me acordá-la tão cedo.
Qualquer inconveniência que aquela ligação poderia representar para a loira sumiu naquele instante, aquela voz era irrecorrível.
–Presidente! – exclamou.
Caso ele prestasse totalmente atenção, ouviu Lucy sentar-se na cama, para despertar-se.
–Sim. Bom dia senhorita Heartfilia.
–Bom dia senhor Makarov.
–Devido a minha agenda cheia de compromissos logo pela manhã, acho melhor ir direto ao assunto.
Lucy sentiu um leve choque percorrer seu corpo, dando o alerta de que alguma coisa desagradável estava por vir. `Não poderia me dar uma noticia dessas, mais tarde?` Indagou em pensamento, enquanto sua mão desocupada passava nervosamente sobre uma de sua perna.
–Que assunto, senhor?
–Gostaria que ficasse encarregada de um dos entretenimentos do baile.
Lucy demorou alguns segundos para compreender realmente aquelas palavras, estava esperando outra coisa, e por isso seu cérebro não estava preparado para aquela informação inusitada. Completamente inusitada.
–Eu? Encarregada de um entretenimento do baile?
–Exato, senhorita. Estive ontem na parte da tarde na gravação de um MV, e tive a oportunidade de conversar com sua amiga Levy. E em meio a conversa surgiu seu nome e seu talento.
–Talento?
–Sim. Ela me explicou que é boa em escrever, é verdade?
–Bem... Digamos que sim.
–Ótimo, ótimo. O que preciso da senhorita é coisa fácil, mas devido o curto tempo que temos, pedirá muito de você. Pois preciso que isso fique pronto até o final da tarde de amanhã.
–Como?
–Sei que pode parecer assustador, mas tenho certeza que a senhorita se sairá bem. Levy também me disse sobre o ótimo trabalho que fez com o roteiro do MV do Angel Style, então acredito que conseguirá vencer mais esse desafio.
–Mas senhor...
–Preste bastante atenção. Eu quero que escreva uma pequena peça, para no máximo cinco atores, com uma duração de pelo menos vinte minutos e que envolva máscaras e romance.
–Máscaras e romance?
–Exato! Bem agora tenho que ir, até amanhã. Não se esqueça, preciso disso para amanhã. – e desligou.
Lucy tirou o fone do ouvido e o bateu fortemente no gancho, xingando mentalmente por não ter dito nada.
–Uma peça? – ela começou a rir nervosamente. – Para manhã?
Todo o sono que ainda poderia restar em si, sumiu completamente naquele instante, ela furiosa com a situação levantou, jogando cobertor para longe e seguindo em passos firmes para o banheiro.
–Louco! Presidente Louco! – gritou ela enquanto fazia sua necessidade, imaginando como iria começar aquela peça. – Bendito momento que eu fui para Fairy Tail. – suspirou, pensou um pouco e então esbravejou. – Maldito dia que conheci Natsu!!
Saiu do banheiro em passos duros, arrancou seu pijama e colocou um short jeans velho e uma camiseta da primeira turnê do Angel Style, a visão da camiseta foi a única coisa que lhe fez suavizar naquela fúria. Era doloroso ver aquela camiseta e saber que estava longe daquele grupo que tanto fez parte de sua vida. Isso dissipou assim que a voz do presidente se fez presente em sua mente, falando da peça.
Máscaras e romance.
Chutou o pijama que outrora usava e correu para o outro cômodo de seu apartamento. Um micro apartamento por sinal. Este era composto por dois cômodos e um banheiro. O cômodo amplo foi dividido por um balcão (que ela usava como mesa), tento dessa forma uma sala e cozinha. E foi para esta que ela olhou com a ilusória esperança de encontrar seu café da manhã pronto. Já morava sozinha há dois anos, uma vez que dessa forma facilitava seu trabalho com o grupo, e ainda sim não se acostumara com o fato de que não tinha mais a mãe para fazer seu café, ou qualquer outra coisa naquele apartamento. Suspirou e seguiu para a cozinha.
Essa, como todo o apartamento, estava entregue a sujeira, lousa suja na pia, panelas com resto de comida sobre o fogão, pacotes de alimentos no balcão do armário e a lixeira cheia. Ela não se surpreenderia caso uma barata aparecesse em meio aquela nojeira toda, na verdade da forma como Lucy estava naquele instante, ela até agradeceria se isso acontecesse, embora – como muitas mulheres – ela tivesse pavor de baratas, seria gratificante para a loira conseguir descontar sua fúria em algo.
Os barulhos que Lucy fez pela cozinha em busca de ajeitar alguma coisa e então preparar seu café não denunciou nenhuma visitante de antenas e nem visitantes de bigodes, por fim somente fez seu café e pegou algumas bolachas que tinha dentro do pote de biscoitos e seguiu para a sala.
Afastou com os pés as roupas jogadas e se sentou defronte a sua mesa de centro, onde havia deixado seu notebook na noite passada. Depois de bebericar um pouco de seu café ligou o computador portátil, já que não havia retrucado com o Presidente, o jeito era começar logo aquilo. Apesar de que ela não fazia idéia de como começaria e tampouco como o finalizaria.
–Vamos Lucy, você consegue. – encorajou-se.
Tentando sorrir para si ela abriu o editor de texto e digitou as primeiras palavras que surgiram em sua mente `Máscaras e romance, ele sentia que aquilo seria realmente difícil...
•••
`Uma garota que sempre amou um rapaz, mas que esse a rejeitou devido a sua carreira, busca na sua nova vida viver feliz. Tudo muda quando outro rapaz, que diz gostar dela, aparece e diz á ela que aquele que ela amou somente a usou para ganhar uma aposta. Tudo finaliza com ela sozinha sentada olhando o céu a espera de uma coisa... Uma resposta que nunca veio.`
Aquilo resumia de uma forma grosseira a peça que levou 36 horas para escrever, deixando de lado uma noite de sono, e ganhando aquela aparência medonha que agora apresentava. Entretanto era exatamente daquilo que sua peça queria dizer. Uma historia de um amor mal resolvido que seria usada para entreter pessoas que estavam indo ao baile para paquerar e festejar. Uma perca de tempo e sono na concepção da loira.
Lucy bufou ao pensar nisso e jogou-se para trás. Ela estava sentada no sofá da sala de espera do escritório do presidente, a secretaria deste – uma mulher de aspecto severo – já havia lhe anunciado, mas o Sr. Marakov se encontrava numa reunião.
Minutos depois, totalizando duas horas que Lucy estava esperando, a porta do escritório se abriu. Senhor Marakov saiu ao lado de outros dois homens, quais ela conhecia perfeitamente. Laxus e Ivan. Sendo o último o presidente da Raven Tail.
–Senhor Ivan?! – Indagou surpresa ao se levantar.
O homem a olhou surpreso, mas logo deu um leve sorriso.
–Faz algum tempo que não lhe vejo senhorita. Fiquei sabendo que causou alguns probleminhas por aqui. – disse no seu habitual tom superior.
Lucy sem jeito apenas concordou com a cabeça.
–Probleminhas? Ela causou a maior confusão dentro da Fairy Tail. – Comentou Laxus. – Certamente, caso o senhor ainda estivesse interessado em afundar a Fairy Tail, a senhorita Lucy seria a pessoa certa para contratar. – zombou.
Os três homens riram diante a isso, enquanto a loira sentia-se ainda mais envergonhada.
–Bem melhor irmos Laxus, prometi a sua mãe que lhe levaria para o jantar hoje.
O loiro mostrou-se descontente com a noticia, o que ficou somente na aparência, uma vez que não pronunciou nada contra. E com uma rápida despedida os dois se retiram dali. Lucy ficou ainda um tempo em pé olhando para pai e filho diante ao elevador. Vê-los daquela forma era estranho, ela se lembrava que os dois nunca se deram muito bem na agencia Raven Tail, sempre havia alguma sessão de briga deles dentro da agencia, sem falar que ela soubera que Fairy Tail e Raven Tail eram agencias rivais – mesmo que a última não tivesse estrutura e sucesso que a primeira – e que isso era até um reflexo do relacionamento entre pai e filho, nesse caso dos presidentes das duas agencias. Portanto era realmente estranho ver aquilo.
–O Mundo realmente gira, não?
A voz afetuosa de Marakov lhe despertou.
–Como senhor?
–Quis dizer que as coisas mudam. Quem poderia adivinhar que algum dia meu filho viria até aqui me visitar e querer me ajudar.
Lucy ficou surpresa. Realmente as coisas mudam.
–Fico feliz em ouvir sobre isso. – disse gentil.
–E eu em vê-la por aqui. Conseguiu finalizar a peça?
Orgulhosa ela fez que sim com a cabeça.
–Ótimo, ótimo. Por favor entre. – enquanto Lucy dirigia-se para o escritório, senhor Marakov pediu a sua secretaria, a senhora Poliskua, que segurasse as ligações. – Tem muito romance e máscaras? – perguntou ele empolgado após fechar a porta do escritório.
Lucy fez apenas um leve sim.
–Ótimo, ótimo. Sente-se senhorita.
Aquela era a primeira vez que Lucy colocava o pé no escritório do presidente, as outras vezes que falou com ele, foram na sala da Mira, da Minerva ou pelo telefone, e por isso que demorou um pouco para realizar o que o presidente orientara. A loira ficou observando os detalhes do lugar, os três quadros pendurados na parede dianteira da mesa de marfim, observou o largo e aparentemente macio sofá antes da mesa do presidente, as duas poltronas defronte ao sofá, em seguida olhou a ante-sala que havia atrás da mesa do presidente, Lucy não tinha certeza, mas parecia que havia uma mesa naquela parte, provavelmente onde o senhor Marakov realizava suas reuniões.
Ela observava os estranhos objetos de metal sobre a mesa do presidente, que lembrava troféus, quando se sentou. O homem sustentava um sorriso simpático em seus lábios, assim que finalmente o encarou. Sr. Marakov ficava com uma aparência menor sentado naquela grande e imponente cadeira de couro, a fazia imaginar uma criança sentada na poltrona do pai. Uma criança de olhar bondoso e cheia de rugas.
–Aqui está o roteiro da peça, senhor. – informou ela estendendo uma pasta preta de elástico.
Maravok sorrindo a pegou, e avidamente abriu a pasta e iniciou sua leitura. A cada folha que ele virava o coração de Lucy acelerava, ela realmente era boa em escrever, tinha que admitir isso, mas nunca realizara esse tipo de trabalho, ela escrevia somente para si, já havia iniciado um romance que agora estava num CD de backup qualquer dentro da sua gaveta, sem falar de um roteiro que iniciara no tempo da escola, que ela nem fazia mais idéia onde estava. Loki havia lhe conduzido para outra vida assim que saíram da escola, de modo que ela não teve tempo de ficar pensando nessas coisas, em querer levar realmente aquela bobagem mais a sério. E aquela poderia ser sua primeira chance.
Ou não.
O presidente finalizou a leitura minutos depois, ajeitou as folhas e repousou-as na mesa, como um homem de negócios experiente que era, entrelaçou seus dedos das mãos e as apoiou sobre as folhas, seu olhar estava mais sério e aquele típico sorriso simpático não existia mais. Ele havia se transformado.
–Imagino que todo esse tempo tenha sido cansativo para a senhorita. – apesar da expressão seria, a voz dele continuava suave e simpática como sempre. – Pois para mim realmente tudo está muito frustrante, como sei que para os demais envolvidos também. Entretanto tenho que concordar que para senhorita as coisas estão piores. Provavelmente imaginando que é por causa de um contrato que continua dentro da Fairy Tail, e que os trabalhos que coloquei a senhorita depois que tudo isso iniciou são uma forma de castigo. – riu levemente com suas ultimas palavras. – Nenhum contrato a prende aqui senhorita, poderia refazer o contrato a qualquer momento, e tenho certeza que a senhorita Strauss concordaria comigo, poderia ter algum tipo de dor de cabeça com os demais membros? Poderia, mas acredito que eles se sentiriam em divida e imaginariam que o mínimo que poderiam fazer era isso, aceitar um novo contrato. – Lucy mexeu-se incomoda na cadeira. – O que fez com que eu continuasse com a senhorita como uma funcionária na Fairy Tail, foi o fato de que acredito em destino. Um que erroneamente acerta. Sabe seguir crucialmente todos os passos que precisam ser dados e que liga todos os fios vermelhos que necessitam ser ligados. E isso. – pegou as folhas da peça, agitando-as no ar. – Prova isso. Seu texto mostra como o destino age, cruel mais eficaz. – e sorriu.
Lucy ficou sem saber como reagir e nem como se sentir. Não tinha certeza absoluta se tinha acabado de ser elogiada ou se era algum tipo de brincadeira do presidente.
–O senhor, gostou?
Ele abriu um largo sorriso e fez que sim com a cabeça.
–Ficou fabuloso. E a forma como colocou a máscara na historia, como se ao usarem as máscaras tudo muda ao seu redor. Como você colocou aqui mesmo? – ele folheou as paginas da peça. – Aqui! ‘As máscaras escondem suas verdadeiras intenções, transforma o feio em belo, o triste em alegre e a ilusão em esperança.’ é realmente algo para ficar inspirado, tenho certeza que todos gostarão da peça.
Ela suspirou aliviada, duplamente. No primeiro momento, por estar apreensiva pela peça, não ficara aliviada pelo fato de que o presidente não estava a mantendo ali por causa do contrato com Angel Style, já que ela era a exigência do grupo, mas porque ele de alguma forma acreditava nela, era aquilo que queira dizer com o papo de destino, certo?
–Fico muito feliz com isso senhor.
–E eu também. E bem quero que a senhorita vá ao baile, pois realmente gostaria que assistisse depois aquilo que escreveu.
–Ir ao baile? Bem senhor...
–Por favor senhorita. Afinal, não se esqueça que máscaras escondem suas verdadeiras intenções. – e sorriu.
Novamente lá estava aquela frase, desde que Levy a usara naquele dia na cafeteria que essa não saiu de sua mente, até por isso que a utilizou como ponto chave em sua peça, e agora, inspirada nessa, o presidente a usava para persuadi-la?
–Tudo bem, eu irei.
–Ótimo, ótimo. Então até o baile senhorita. – disse ao se levantar, estendendo a mão para ela.
Lucy levantou-se e apertou a mão dele.
–Até.
Senhor Marakov a acompanhou até a porta, a loira se despediu dele e se retirou, na sala de espera deu um aceno para a secretaria, que apenas deu um aceno de cabeça, Lucy aceitou o comprimento e seguiu para o elevador. O sorriso de alivio e felicidade que estava em seu rosto sumiu no momento que a porta do elevador se abriu. Dentro desse estavam Loki e Natsu, os dois envoltos numa atmosfera pesada. Os três ficaram algum tempo parados, os dois rapazes a olhando e ela olhando de um para o outro, completamente perdida, sem saber o que fazer. Natsu foi o primeiro a quebrar o clima estranho.
–Boa tarde. – cumprimentou alegremente e saiu do elevador.
–Boa – balbuciou ela. Evitando olhar aquele sorriso.
Loki também saiu do elevador, olhou para Natsu que já estava na sala de espera do presidente, e voltou-se para Lucy.
–Lamento pelo último acontecimento, não consegui falar com você pelo celular e você também não está respondendo as minhas mensagens, então não consegui pedir desculpas antes.
–Meu celular ficou inutilizável depois daquele dia. – disse sem jeito.
–Ah! Então comparei outro de presente para você.
–Não precisa, a culpa não foi sua.
–Mas eu me sinto responsável pelo o que aconteceu, afinal era também minhas fãs que estavam lhe atacando.
–Obrigada Loki, mas realmente não precisa. E por favor, diga a todos que estou com saudades.
–Tudo bem, pode deixar que farei isso sim. E saiba que todos também estão com saudades de você.
Ela sorriu e entrou no elevador.
–Até mais Loki.
–Até.
Os dois ficaram se olhando até o elevador se fechar. Aquele reencontro havia dado a certeza á ela de que realmente precisava ir ao baile.
•••
Olhou-se no espelho, o vestido prata de saia balonê e tomara que caia, ficara perfeito em seu corpo, diferente do outro, que além de grande parecia mais um vestido do século retrasado, caso ela usasse o outro no certo alguém acharia que ela seria uma atração do baile. Riu com esse pensamento, realmente aqueles dois tinham gostos diferentes.
Natsu e Loki havia a surpreendido mais uma vez, Lucy no dia anterior recebeu via correio o vestido que Natsu lhe deu e naquela tarde, através do motorista do grupo Angel Style, recebeu o que Loki lhe deu. Certamente os dois estariam no baile a espera de sua princesa, um esperava uma tradicional princesa e o outro uma versão mais moderna. Usar o vestido significava quem havia ganhado?
Ela olhou-se preocupada através do espelho, questionando se não seria mais seguro tirar aquele vestido e colocar um neutro, como o que usaria originalmente para ir ao baile. Olhou em direção ao guarda roupa lembrando o estado que se encontrava suas roupas dentro desse, o vestido já estaria perdido no seu mundo particular de Narnia. Suspirou desanimada e voltou-se a se olhar no espelho, e sem falar que seu vestido preto longo não havia ficado tão bom quando aquele e nem combinava perfeitamente com a máscara que comprara mais cedo com Levy.
–Decidido, vou com esse.
Determinada ela pegou sua bolsa-carteira e sua máscara e saiu do apartamento, como combinado ela se encontraria com Levy em sua casa para que as duas fossem juntas.
Naquela noite ela deixaria o ônibus de lado, por isso optou ir de táxi, o que foi uma ótima pedida, uma vez que assim que chegou a casa da amiga, que ficava meia hora do seu apartamento, encontrou-se com os primos dela saindo do carro. Os primos que dariam carona para elas.
–Oh, Lucy! – cumprimentou Jet alegremente.
–Oi Jet. Oi Droy.
–Oi Lucy, que bom que irá ao baile.
–Realmente.
Ela deu um sorriso para ele. Era desconfortável para ela encontrar-se com alguém da Fairy Tail, afinal muitos da agencia a culpava por tudo que estava acontecendo e havia aqueles que não escondiam de forma alguma seu pensamento em relação á isso, como a funcionaria da lanchonete da agencia.
–Está realmente bonita nesse vestido. – disse Droy.
Lucy agradeceu com um sorriso e aceno de cabeça. Jet logo os deixou sozinhos na calçada diante ao portão da casa de Levy, pelo que parecia antes de saírem do carro Droy havia ligado para prima avisando que tinham chegado, entretanto Levy não havia dado qualquer sinal de vida até então.
–Como vão as coisas com o grupo de vocês?
Droy e Jet faziam parte do grupo Strange Infinity, junto com outros três membros, e diferente dos demais cantores da Fairy Tail, suas músicas eram em inglês e havia nelas um ritmo similar ao country e apesar disso as músicas faziam grande sucesso, e isso se refletia nos shows sempre lotados.
–Bem, estamos trabalhando no novo álbum, e dessa vez iremos misturar um pouco com sertanejo universitário. Claro que não sairá tanto assim do nosso ritmo tradicional, mas achamos interessante usá-lo.
–E continuarão a cantar em inglês?
–Sim, esse é a nossa maior marca, não podemos deixá-la de lado. – e deu uma piscadela.
O assunto encerrou aqui, uma vez que Jet e Levy saíram da casa os apressando para entrar no carro. Lucy viu a mãe de Levy despontar na porta, para quem ela acenou afetuosamente, a mulher correspondeu com igual ardor. Logo os quatro estavam no carro á caminho do baile.
O baile.
Pensar nele deixava ainda Lucy nervosa, não pelo fato que neste apresentariam uma peça de sua autoria, e sim porque tinha a terrível possibilidade de encontrá-lo. Apesar daquilo que havia acontecido, a aposta, seu coração ainda o considerava. Para a loira aquilo soava tão irritante, entretanto ela não podia fazer nada, e o episodio das fãs fez com que todo seu autocontrole fosse ao chão e ainda tinha isso, o baile. E o vestido.
Desde que resolvera ir ao baile, somente agora, á caminho deste, surgia novas dúvidas. Era certo ir?
Olhou para a amiga, esta se mostrava tão nervosa quando ela, e por isso que resolveu não comentar nada, sabia que para Levy as coisas também aconteceriam de uma forma bem estressando, uma vez que a intenção maior dela e Gajeel irem juntos ao baile era deixar claro o relacionamento deles para mídia, embora a morena não aprovasse completamente aquilo.
Logo eles chegaram ao local do evento, os inúmeros fotógrafos na entrada e fãs de diversos artistas que estariam passando naquele tapete vermelho, diante do qual o carro estacionara, aglomeravam eufóricos a calçada, olhando os recém-chegados ansiosos. Droy foi o primeiro a descer, uma gritaria tomou conta de tudo, como os flashes famintos das máquinas fotográficas, e o cenário se repetiu quando Jet desceu. Tudo cessou com a saída de Levy do carro, acompanhada por Lucy, quem já usava sua máscara, afim de não ser reconhecida.
As duas passavam pelo tapete vermelho, enquanto poucos flashes lhe faziam companhia. Ao fim do tapete viram Jet e Droy defronte ao painel para fotografarem, ambas deram a volta e seguiram por trás dos fotógrafos, seguindo outro trecho de tapete vermelho, antes que pudessem chegar propriamente a entrada do baile alguém parou diante delas.
–Quando cheguei pensei que já estaria aqui! – esbravejou Gajeel– Esses caras chatos não param de pedir para posar. – referia-se aos fotógrafos.
–Desculpa-me. – falou Levy docemente. – Mas realmente queria ficar bem apresentável para esta noite.
Só então o moreno a observou, Lucy viu no olhar dele a satisfação da demora de Levy. Afinal a amiga estava realmente linda, diferente daquelas suas roupas normais que usava no seu dia-a-dia, Levy naquele seu vestido violeta de frente única, realçara de forma completa a beleza que deixava oculta nos dias normais.
Lucy deu um leve sorriso diante aquela cena, qual agora chamava a atenção dos fotógrafos, e seguiu para dentro do baile. Sentindo seu coração apertar a cada passo que dava.
*Há um amor tão triste
No fundo dos seus olhos
Uma espécie de jóia pálida
Aberta e fechada
Dentro dos seus olhos
Eu colocarei o céu
Dentro dos seus olhos
O local escolhido para a grande festa de Fairy Tail estava com uma decoração digna de um baile da realeza, com direito a mascaras para os convidados. E diante aquele cenário cinematográfico, Lucy se sentia perdida. Tocou nervosa a máscara que usava, como que verificando se estava realmente oculta aos demais olhares. A máscara que usava era branca em estilo veneziana com detalhes prateados, cobrindo parcialmente seu rosto e realçando seus lábios pintados de vermelhos e seus olhos maquilados de forma expressiva.
Ela suspirou antes de dar mais um passo. A loira se encontrava agora no topo da escada que levava ao hall principal da festa, atrás de si encontrava-se a chapelaria e o largo e elegante corredor por quais todos os convidados passavam para adentrar a elegante comemoração da Fairy Tail. Que comemoração? Nenhuma na verdade, aquilo, como alguns já cochicharam diversas vezes, era algo para abafar mais que nunca os últimos acontecimentos, quais, infelizmente, ela fazia parte.
‘Você realmente tinha que estar aqui?’
A pergunta surgiu em sua mente enquanto olhava as demais pessoas. Mulheres em vestidos provocantes e outras de elegantes estilo, passavam ao seu lado, na maioria das vezes, acompanhadas, felizes. Ela se sentia ainda pior vendo-as daquela forma, afinal para Lucy naquele dia ela era a rejeitada. Não que alguém realmente o tinha feito, mas ela não havia quem queria ao seu lado e aquele que antes estaria, agora estava vetado a fazê-lo... O que ela estava fazendo ali?
Ela suspirou mais uma vez e virou as costas para o hall principal e mirou o corredor que levava a saída. ‘Aqui não é o meu lugar’
Decidida ela seguiu para a saída, seus passos lentos logo se tornaram rápido, desesperados. Ela queria sair daquele lugar, na verdade queria sair daquela vida, isso era o que ela deveria fazer. Sair de uma vez da Fairy Tail, deixar com que a banda e o grupo qual prejudicara seguisse em frente sem ela. Era isso que ela tinha que fazer.
Há um passo de atravessar a porta, diante de olhares curiosos, alguém a parou. Ela olhou para o lado em protesto, seu olhar logo encontrou o ser mascarado, esta diferente da sua, cobria totalmente o rosto do individuo deixando apenas os olhos amostra.
–Não vá. – a voz abafada pela máscara pronunciou.
Lucy franziu o cenho. A única coisa que passava em sua mente, não era sobre os olhares que ainda mantinham-se em sua direção, não era o que queria fazer e tampouco se deveria seguir o pedido daquele mascarado, o que se perguntou foi... ‘Quem era aquela pessoa?’
Sincronizado a sua mente seus lábios pronunciaram.
–Quem é você?
A máscara não havia expressão facial para demonstrar a reação da pessoa diante aquela pergunta, a fria máscara branca com uma lágrima preta a baixo do contorno do olho esquerdo, era estática, tal como a pessoa que ficou parada a mirando, demonstrando que não tinha intenção alguma de revelar sua identidade.
‘Natsu? Loki? ‘Sua mente questionou, mas não havia como recorrer a cores de cabelo, o indivíduo tinha uma toca preta, estilo pierrot, que cobria todo seu cabelo.
–Porque fugir?
A pergunta a pegou desprevenida. Olhou inquieta para a porta, ela conseguia ver o alvoroço que ainda estava ali fora.
–E porque não. Há algum tipo de razão para continuar aqui? – rebateu sem encará-lo.
–Muitas.
–E quais seriam essas?
–A música, as atrações do baile e as pessoas.
–Música, atrações e, as pessoas. São as pessoas que estão me fazendo fugir desse lugar.
–Por que fugir das pessoas, não são as máscaras um artifício para se esconder?
–Mas para essas pessoas não há máscaras, diante delas sinto-me sem ela.
Lucy ouviu um riso abafado, como se o que acabara de dizer fosse algo engraçado, pelo menos para aquele ser mascarado certamente era.
–Diante delas você se sente sem máscara, porque você se sente assim?
–Afinal quem é você?
Ele soltou mais um riso.
–Quem sou eu? Digamos que sou aquele que pode fazer você encarar essas pessoas.
–Como?
–Você só conseguirá descobrir se não fugir. Terá que ficar até o fim.
–Então ficarei. – pronunciou com uma certeza que surpreendeu até ela.
A máscara fria desprovida de sentimento, embora estivesse mergulhada na sua eterna tristeza, não deixou que Lucy visse naquele debaixo daquela máscara, a expressão diante as suas palavras. O que apenas viu foi o mascarado se retirar, com passos suaves, seguindo para o hall principal do baile.
Lucy ficou ainda um tempo parada diante a porta, as pessoas que anteriormente a olhava, seguiam seus caminhos, e logo foi a vez da loira fazê-lo e em passos firmes adentrou oficialmente no grande baile da Fairy Tail, encarando os convidados, em busca daquela pálida máscara, do seu instigador.
Há um coração tão enganado
Batendo rapidamente
À procura de sonhos novos
Um amor que irá durar
Dentro do seu coração
Eu colocarei a lua
Dentro do seu coração
Seus primeiros passos nesta busca foram incertos, percorrendo entre as pessoas de mascaras. Enquanto Lucy passava por essas, sentia como se estivesse afundando num mar tenso e obscuro, conseguia até sentir falta de ar, como se todos ao seu redor roubasse com seus egoísmos e seus julgamentos o oxigênio. Embora ela sentisse isso, ela não parou, queria encontrá-lo e continuar a indagá-lo sobre tudo aquilo, e principalmente como conseguiria encarar aquelas pessoas, quais riam e conversavam despreocupadas, vivendo luxuosamente suas vidas, e aprisionando a dela.
A loira não imaginava que chegaria a ponto de se sentir tão mal dentro daquele lugar, como também não imaginava-se dependente de um conhecido. Ou conhecido, já que não tinha como enxergar quem estava por debaixo daquela máscara. Quem fosse, certamente a ajudaria, e estranhamente ela sentia que era exatamente isso que ela precisava. Em ser ajudada.
Parou no centro do salão principal com essa certeza gritando dentro de si, analisando os convidados em busca daquela máscara salvadora, querendo desesperadamente ouvir aquela voz abafada lhe dizendo que ela poderia enfrentar as pessoas, e que isso poderia significar? Para Lucy era dizer que tudo que aconteceu desde que colocara o pé na Fairy Tail não era nada ruim, na verdade era apenas um contra tempo, e que sua vida depois daquele baile mudaria drasticamente e para melhor.
Ela se deu ao direito de sorrir ao pensar dessa forma.
`Eu preciso encontrá-lo.`
Deu um giro lento no lugar, tentando dessa forma enxergar melhor os que estavam ao seu redor, das inúmeras máscaras que brincavam em sua frente nenhuma era daquele que procurava.
Determinada passou por duas pessoas e continuou a sua busca, que foi consumindo seu tempo devagar, quando deu por si, viu que estava naquela brincadeira de esconde-esconde a mais de uma hora, e nada dele. Desanimada ela seguiu para perto da escadaria, e subiu os três primeiros degraus e encarou a multidão de convidados. O salão estava completamente lotado de pessoas vívidas, alegremente bebendo e conversando entre si. As máscaras que enxergava expressava claramente aquele mar de luxuria, máscaras coloridas e enfeitadas elegantemente, possuindo sutilmente um toque sensual. Um mundo que ela não fazia parte.
Virou o rosto em direção a saída, quando estava pronta para virar o corpo e subir o restante da escada e realizar aquilo que aquele mascarado impediu, alguém segurou seu braço, aquilo a fez voltar a ser uma adolescente, seu coração pulsando loucamente a espera do momento certo para se declarar. De uma vez virou-se. Para então encarar outro mascarado.
O homem atrás daquela meia mascara de cor violeta lhe era conhecido e os cabelos excêntricos, tingidos de verde, não deixava dúvida alguma disso. Embora ela procurasse por outra pessoa, foi reconfortante ao coração da loira estar diante de alguém conhecido, e foi sem pensar, seguindo seu sentimento que ela o abraçou, praticamente jogando-se sobre ele.
–Também estou feliz em revê-la. – disse Fried emocionado. – Estava com saudades.
–Eu também. – confessou ela desfazendo o abraço.
Os dois ficaram se olhando.
Ele sorrindo estendeu sua mão para ela, Lucy correspondeu o sorriso e segurou a mão dele, ele lentamente a conduziu por entre os convidados, parando defronte a uma porta, esta de vidro dava a Lucy a visão do lugar do outro lado, vendo então um pequeno jardim. Fried atrapalhou a visão dela ficando em sua frente e falou alguma coisa, o barulho do local na deixou com que a loira o escutasse.
–O que? – disse alto.
Ele curvou sobre ela e lhe sussurrou no ouvido.
–Procure em todos os cantos.
Ouvir aquilo fez com que um frio passe pela espinha dela, espantada ela jogou a cabeça para traz e virou levemente em direção ao rapaz, o encarando.
–O que você quis dizer com isso?
Sorrindo Fried saiu da frente dela e se colocou as suas costas, colocando suas mãos sobre seus ombros.
–Procure em todos os cantos. – voltou a sussurrar próximo ao seu ouvido. – Exclusive em áreas externas.
Lucy olhou melhor o jardim, viu alguns casais – até um que tinha certeza em conhecer – entretanto não viu ninguém ou algo que poderia significar alguma coisa para ela.
–O que tenho que encontrar ali? – indagou mais para si do que para Fried.
Embora não visse nada de extraordinário naquele local, Lucy continuou a observar, então um homem de máscara de pierrot passou de um canto para o outro no seu ângulo de visão. Ele andava devagar, como se quisesse dar chance para Lucy lhe analisar com total atenção. E foi exatamente isso que ela o fez, apesar de que o mais sensato fosse ir até ele, uma vez que o havia encontrado, Lucy simplesmente continuou parada, olhando-o. Quando não era mais possivel vê-lo, Lucy deu um passo a frente, sentiu-se impossibilidade de continuar ao sentir as mãos de Fried sobre seus ombros pesar consideravelmente, então ela virou o rosto, enxergando-o parcialmente.
Fried voltou a curvar-se sobre si.
–Era exatamente o que procurava?
O coração de Lucy agitou desconfortavelmente. Era?
Fried desceu suas mãos sobre os braços dela, Lucy sentiu-se estranha com aquele toque, uma vez que ela e Fried nunca foram tão intimo para essas coisas, ficou até apreensiva quando ele entrelaçou os dedos de uma de suas mãos com a sua.
–Vamos – voltou a sussurrar.
Lucy não respondeu, simplesmente deixou ser levada por ele. Logo os dois estavam de volta a escadaria de corrimão dourado.
–Porque...
Sua pergunta morreu em seus lábios, quando seguiu o olhar de Fried. No topo da escada estava o homem da máscara de pierrot, o que extremamente a surpreendeu.
Qualquer outra reação foi vetada por Fried que se colocou a sua frente.
–É o que procurava?
Ela olhou de Fried para o mascarado, este estava encostado no corrimão e tinha o rosto dirigido para frente, como que olhando além de Lucy, do baile.
Aquilo estava muito confuso.
–Fried o que está acontecendo? – questionou o fitando.
Ele deu um sorriso de lado e voltou a puxá-la, antes que voltasse a adentrar no mar de pessoas mascaradas, Lucy voltou a olhar o topo da escadaria, o mascarado já não estava mais lá. Tentou soltar da mão de Fried e seguir para lá, mas ele a segurava firmemente. Então ela segurou o braço dele e o puxou, parando. Fried voltou-se para ela.
–Solta-me. – disse ela em tom alto.
Algumas pessoas em volta os olhou, Lucy e Fried os ignorou.
–Tudo bem. – e soltou a mão dela, e sem dizer mais nada se afastou dela.
Aquilo era muito estranho.
Ela ficou parada por alguns segundos, tentando compreender o que estava se passando e resolver o que era melhor fazer naquela situação, por fim, entre ir atrás de Fried e voltar para escadaria, ela resolveu ir para esta.
Antes de se aproximar dessa, viu entre duas mulheres, um pouco mais a frente de si, o possivel mascarado.
Quando a dor acaba
Não faz sentido pra você
Toda a emoção se foi
Não foi tudo muito divertido
Mas eu estarei lá por você
Quando o mundo cair
Caindo
Quando o mundo cair
Caindo
Me apaixonando
‘Estou louca’ o pensamento dominou a mente de Lucy, quando visualizou-o.
Aquela pessoa misteriosa estava completamente mexendo com sua curiosidade e com seus sentimentos. Lucy suplicava por conseguir ver aquele que está atrás da máscara, gostaria de que a pessoa que lhe mirava por detrás dela fosse quem agitava o seu coração, embora ela relutasse por isso.
Avançou por entre as pessoas festivas e alheias as intenções da loira. Os convidados ignoravam-na e a necessidade dela, Lucy os empurrava para passar e esses alegres, entregues a bebidas oferecida fartamente a impedia. Era como se todos não quisessem que ela fosse feliz.
‘Ainda me reconhece, apesar da máscara?’
Sentiu-se sufocada ao chegar nessa conclusão, olhou ao redor, todas aquelas pessoas com máscaras, rindo e divertindo naquela festa, afundou-a num mar obscuro e cheio de dor.
Recuou, uma certeza gritante dentro de si. Não queria mais continuar com aquele jogo estupido.
Deu as costas para tudo aquilo e seguiu para as escadarias, mais uma vez sua opção era a fuga, fria e desprovida de qualquer estimulante para sua vida enfadonha.
Alguém segurou a sua mão, assim que ela tocou com o pé o primeiro degrau, tão idêntico as coisas que vinham lhe acontecendo, que seu coração não se mostrou surpreso; ao menos até se virar para quem lhe abordara.
O mascarado estava ali, diante dela.
–Quem é você afinal de contas? O que quer de mim?
–É realmente necessário saber quem sou, isso mudará alguma coisa, Lucy? Mudará o que já aconteceu? O que você está sentindo agora?
–Não. Mas preciso saber.
A fria máscara entregue a sua tristeza a mirou, Lucy o viu inclinar o corpo em sua direção e devagar ele se aproximou da orelha dela.
–Adivinha. – disse provocativo. – Mas lembre-se o importante é que ainda está para acontecer.
Aquilo a deixou confusa, toda aquela brincadeira estava deixando-a completamente perdida, sem saber o que fazer ou dizer. Ela o olhou se afastar, deixou que fizesse isso, apesar de ter ficado atrás dele algum tempo, dela o deixou ir.
Voltou-se para o baile, aquelas pessoas estavam completamente alheias a sua dor, não ligava para quem era ela, com ou sem máscara, nunca importava quem era Lucy Heartfilia, desde que ela não entrasse no caminho deles. E evitando o salão principal ela seguiu para a parte do bar, as mesas estavam todas ocupadas, com pessoas preocupadas em como terminariam suas noites, ela somente no que estava acontecendo ainda dentro de seu coração e como havia entrado naquela confusão toda, como chegara a aquele ponto.
Encostou-se num canto, entre a pista principal e o local das mesas, exatamente numa pilastra, que dava visão ao palco.
Ficou um longo tempo ali, a observar a todos ao seu redor, sem nem cogitar a ideia de participar de tudo aquilo. Estava desse modo, quando mais uma pessoa se aproximou dela. Essa não estava mascarado, mas lhe foi confuso vê-lo próximo de si.
–Gray...
–Pegue, pediram que lhe entregasse.
Ela franziu o cenho, algo que se tornara normal nessa noite turbulenta, e olhou para a mão estendida dele. Nessa estava um envelope amarelo, com seu nome escrito caprichosamente num canto superior.
Lucy pegou o envelope, e antes que pudesse fazer alguma pergunta ao rapaz, este se retirou, ela o acompanhou com os olhos e o viu se aproximar de uma garota de uma silhueta elegante; ambos, de mão dadas, seguiram para saída do salão.
Lucy voltou-se para o envelope, mas quando iria abri-lo alguém repousou sua mão sobre a sua, ela levantou o olhar, era ele mais uma vez; o mascarado.
–Tem certeza que irá abrir?
–É ruim o que tem aqui dentro?
Ele inclinou a cabeça de lado e encolheu os ombros.
–Isso depende daquilo que você procura. Ou, de quem você procura.
Lucy encarou o envelope em sua mão. O que ela procurava? Quem ela procurava?
O mascarado colocou-se ao seu lado e colocou a mão sobre seus ombros, ela o olhou.
–Veja aquilo que você criou. – e apontou com a cabeça a direção do palco, Lucy olhou para lá.
Eu pintarei suas manhãs de ouro
Eu irei fazer noites de amor pra você
Apesar de sermos estranhos até agora
Estamos escolhendo o caminho
Entre as estrelas
Deixarei meu amor
Entre as estrelas
A peça que ajudou a ser feita estava iniciando naquele momento, os atores mascarados, máscaras que imitavam criaturas grotescas, com narizes grandes e pele enrugadas, entretanto em sua estranheza havia uma beleza inexplicável, talvez vinha dos adornos que que os atores usavam, como perucas exageradas, joias, chapéus multicoloridos... O que fosse, aquele cenário se tornara algo magico aos olhos de Lucy.
–Lindo. – sussurrou.
–E você faz parte disso, da beleza excêntrica sobre aquele palco. É isso que você procura?
–Não sei. – disse franca.- Talvez sim.
–Então fica ao meu lado. – a voz sussurrada do mascarado a alertou.
Ela se afastou dele e lhe olhou, novamente não conseguia ver a expressão verdadeira daquele a sua frente, somente aquela tristeza perturbadora.
–Não sei quem é você.
–Tem certeza?
Não, ela não tinha certeza. Segurou firme o envelope e entregue a sua confusão ela recuou do mascarado. Aquilo tudo era tão sufocante e assustador. Saiu dali.
Ouvia as pessoas eufórica pelo que acontecia no palco, mas não ficou para vê o que estava acontecendo, não se importou com isso. Correu todo caminho até chegar ao banheiro, qual adentrou bruscamente, assustando duas mulheres que estavam ali, essas lhe olharam irritadiças, ela as ignorou e adentrou num dos box.
Voltou a encarar o intrigante envelope.
Era aquilo que ela queria?
Tremula ela abriu o envelope, respirou fundo e encarou o papel que tirou de dentro do mesmo. Uma folha velha de caderno. Seus olhos encheram de lágrimas.
–Não pode ser.
Ainda tremula ela desdobrou o papel, com uma certa dificuldade, chegando a derrubar o papel duas vezes; mas assim que ela conseguiu suas lágrimas desceram livremente pelo seu rosto, ultrapassando a máscara que usava e morrendo em seu queixo ou aventurando-se pelo seu pescoço.
Aquele papel fazia parte do painel que fizera para Natsu em seu tempo de escola, no qual estava escrito com sua letra sonhadora as palavras que sabia que dificilmente conseguiria pronunciar para ele. ‘Desculpa-me por declarar-me mais tarde. Por deixar sempre para depois, mas hoje é o dia que esse depois não pode existir. Natsu, eu amo você.’
Ele havia guardado todo aquele tempo? Apesar da forma como a tratou a primeira vez, apesar das indiretas, ele guardara aquele papel devido a declaração que está nele? Entre o choro um sorriso bobo se formou, culpava-se por sorrir por isso, mas não conseguia se controlar, estava realmente feliz.
Limpou as lágrimas para só então enxergar no rodapé da folha, escrita com a mesma letra usada no envelope, outros dizeres.
Leu rapidamente.
‘Isso era o que você procurava? Quem você procurava? Saiba que guardei essa declaração com intuito de reencontrá-la um dia, e devolver essa folha e em seu lugar, pedir que diga, mais uma vez, o que está escrito nela. E mostrar que chegou a hora de fazer o contrário, deixar tudo por você. Até uma longa amizade.
Procure pelo Pierrot branco.’
Ela teria corrido dali, caso a frase ‘Até uma longa amizade’, Não tivesse a surpreendido. O que aquilo poderia significar? Ficou um tempo a olhar a folha de sua mão com essa pergunta em mente.
Entretanto aquele não era o momento para aquilo, ela precisava ir atrás dele.
–É isso que eu quero. – disse para si, como se ao ouvir em voz alta tudo se confirmaria sem causar nenhuma dúvida.
Saiu do banheiro em passos rápidos, novamente voltava a ignorar qualquer pessoa ali dentro, estava com a sua mente focada em sua tarefa particular. Pouco lhe importava agora todas aquelas pessoas. Procurou por toda a parte, e então viu uma pessoa com máscara de pierrot próximo a escada para o segundo salão, deu um passo na direção dele; então outro desceu a escada, com roupas brancas, diferente ao pierrot que vinha seguindo naquela noite... Entretanto encaixava com o que lhe foi pedido na carta, ‘Procure pelo pierrot branco’.
Ficou parada ali, o olhando descer a escada e se colocar ao lado do outro, qual tinha a vestimenta preta – aquele lhe havia lhe pedido para ficar ao seu lado. Novamente iria magoar o coração dele, desviou o olhar para mirar o outro, este voltava a andar.
O seguiu com o olhar, ele passou por ela e seguiu para a escadaria; era para ela segui-lo?
Não esperou uma resposta do além a sua estúpida pergunta, apenas seguiu com aquilo que se mostrava obvio, o seguiu.
Subiu a escada ao encalço dele, esse não olhou para trás nenhuma vez, entretanto ela não precisa de dica alguma para continuar a segui-lo, o faria até que ele parasse e se revelasse, embora soubesse agora de quem se tratava. Mas diferente dele, ela olhou para trás.
Entre alguns convidados o outro pierrot sumia, sua eterna lágrima, em meio aos sorrisos, conversação alta e música envolvente; tornava-se a solidificação do amor não correspondido. A triste história se repetia, o pierrot que sofre pela sua paixão ilusória.
Quando o mundo cair
Não faz sentido algum
Não faz sentido nenhum cair
Caindo
Quando o mundo cair
Caindo
Caindo
Me apaixonando
Quando o mundo cair
Caindo
Caindo
Me apaixonando
Me apaixonando
Me apaixonando
Me apaixonando
Me apaixonando
Voltou-se para frente, precisava continuar. Seguiu o pierrot branco até a saída, ele e ela saíram despercebido pelos fotógrafos e repórteres que estavam no local, uma vez que mais uma celebridade chegara.
O seguiu pela rua, até chegarem ao estacionamento, onde ele parou próximo ao um sedan preto e virou-se para ela.
Ela tirou a máscara que usava, como um pedido silencioso para ele fazer o mesmo. E em seguida a jogou no chão, estava cansada de usar máscaras. Como também de vê-lo com uma.
–Tire sua máscara. – pediu enfim.
–Ainda tem vontade de fugir dessas pessoas?
–Não, porque elas estão alheias a mim, a verdade.
–Perfeito. Acho que finalmente poderei tirar essa máscara.
Ela lhe sorriu, era tudo que ela mais queria naquele momento...
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