Decifra-me

9 Capítulo 9- Causa e efeito


Notas iniciais
Eu juro que não estava sob efeito de nenhuma droga quando escrevi isso. Sério.

Quando meu sangue ferve, minha mente me leva até ti, como uma saída de emergência. Isso apenas até minha parte racional lembrar-me que não és mais uma opção.

Corro até a carteira largada dentro de minha caixa escura, sobre a minha estante. Mas eu prometi que não tentaria mais essa válvula de escape, não prometi? Prometi. Mas não estás mais aqui. A promessa, feita a ti, ainda está de pé? Creio que não.

Tudo em mim colide; flashes incertos de imagens recentes. Alguns antigos diálogos. Alguns rostos que já partiram.

Há fogo, há alívio. Às vezes há lágrimas, mas hoje não. Hoje há apenas confusão e vermelho.

O quarto é tomado pela fumaça. Olho o relógio, três da tarde. Corro mais uma vez, queimo de dentro para fora, mas sempre foi assim, até quando lágrimas e sangue eram mais comuns a mim. Ouço latidos. Água jorra. Já estou fria.

Volto ao quarto, mas nem ao menos me lembro de ter saído. Olho em volta e tudo parece pertencer à outra pessoa. Aquela cama é minha? Aquela caixa é minha? E aquela carteira? É tudo meu? Porque não consigo lembrar se realmente é.

Meu corpo dói. Minha cabeça, principalmente.

Deito-me. Aquela lâmpada não me é estranha, talvez seja minha também. Não me lembro de ter fechado os olhos, mas durmo.

Notas finais
Obrigada por ter lido