Decifra-me

10 Capítulo 10- Ansiedade


Notas iniciais
Veio tudo de uma vez, como num colapso. Desculpem ter sumido. Mas vocês sabem: eu sempre volto.

É horrível quando o desespero bate. Sufoca-me e atinge-me com a força de um canhão. Quando isso acontece, eu já assisti a todos os vídeos que me faziam rir, já acendi todos os incensos do meu reservatório, já ouvi todas as músicas animadas possíveis.

Quando já tentei de tudo e mesmo assim me sinto cheia de algo ruim (que até hoje não soube definir o que é) sei que só me resta uma alternativa: chorar.

Sabe quando tudo piora? Quando as lágrimas não vêm.

Aí, caro leitor, confesso: entro em colapso. Fico sem alternativas. Minha garganta fecha; a testa franze; a cabeça dói; as mãos apertam lençóis, papéis; o queixo tremula; o ar parece ficar rarefeito.

Os olhos fecham, mas deles não saem nada.

A agonia apenas aumenta. Suspiros sôfregos escapam, e quase nunca eles servem de algo. Nunca ajudam a relaxar. As mãos, dependendo da gravidade, podem puxar cabelos, arranhar braços.

Nada se assemelha a isso. É péssimo não conseguir controlar o próprio corpo, a própria mente. É uma droga se sentir impotente em relação a si mesmo.

Ninguém nunca viu, talvez nem saibam que eu me sinta assim.

Mas você, leitor, sabe.

Notas finais
E só.