Decifra-me

11 Capítulo 11- Quinta-feira


Notas iniciais
De volta mais uma vez

O problema de eu só conseguir me abrir para folhas de papel é que quando eu preciso me abrir com alguém (e com isso quero dizer uma pessoa), eu quebro. Ou travo. Sou como um desses bonecos de R$1,99 fabricados na China: frágil.

Acho que é ridículo eu ter que dizer isso. Ou melhor, admitir isso. Mas deixa eu esclarecer: não é bem assim em todos os sentidos. Só nos assuntos mal resolvidos que me detonam quando vêm a tona.

Sempre fui apaixonada pelo acolhimento que pedaços de papel podem te dar. Amo como são eles que leem por completo; como posso contar tudo; como me acalmam na tristeza ou na raiva; como não me julgam pelo que eu digo. Sendo sincera, ainda não encontrei um ser humano que seja assim 100% do tempo, como o papel é. Tampouco acho que exista.

É por isso que pra mim, a palavra escrita sempre pareceu melhor. Até para contar algo à alguém. Mas eu sei, como todo mundo, que muitas das vezes (a maioria delas) isso não é viável.

Quando tenho muito a dizer, mas não consigo encontrar um jeito de as palavras saírem do plano das ideias, me vejo escrevendo freneticamente. Como agora. Fico me perguntando se não tenho algum tipo de problema. Queria saber o motivo pelo qual eu não vou logo de cara desabafar com alguma amiga, como alguém da minha idade faria.

Talvez tenha algo de errado comigo. Não acho que seja normal eu chorar convulsivamente ou sorrir sem graça e não soltar uma palavra quando alguém me pergunta se estou bem.

Notas finais
volto um dia desses