Debaixo Das Terras Sagradas

12 Capítulo 11 - O mundo é MEU!


Notas iniciais
Esse aqui é totalmente em Denachi POV, a primeira parte do especial Dena-chan :B
Vai ter continuação calma UAHEUAH
Nessa parte aqui ela só se da mal :3

A vida era tão linda! Dor e sofrimento para todos os lados! Escuridão, suicídios, chacinas... Tudo tão perfeitamente em desequilíbrio enquanto eu ficava encima de minha cama agora pensando em todos me tratando como se eu fosse uma princesa. Coroa dos mais caros cristais, coletados das mãos de imbecis celestiais retardados, vestido negro feito de seda, claro que seria compulsória a sua tecelagem. Todos se curvando diante a mim e me chamando de princesa!

- Denachi, pare de pular na cama! Vai acabar quebrando ela, você não tem o peso de uma pena. – Ecoou a voz de minha tia enquanto a mesma entrava em meu quarto cortando meus incríveis e felizes pensamentos. – Vamos para baixo, têm alguém a sua espera.

Contra minha vontade eu fui. Ordenei que os lençóis de minha cama fossem trocados, agora estavam todos sujos marcados do meu sapato, ainda bem que eu não lavava aquilo. Desci as escadas da sala de estar e rumei para o lado leste da mansão. Ao chegar, distraída como sempre não notei que havia mais pessoas no recinto e fiquei a admirar as esculturas e pinturas, notando assim a falta de um nariz em um homem, virei meu corpo para falar com minha tia sobre o incidente, mas o que vi foi o ferreiro. Aquele ferreiro.

- Ah. Olá... Lys. – Murmurei sem graça, sentia minhas bochechas arderem.

- Que bom que a senhorita lembra-se de meu nome, madame Denachi. – Ele falou enquanto postava-se de pé e fazia uma mesura. Pude ver que este estava com outras roupas realmente bonitas. Usava algo como um uniforme militar personalizado, seus cabelos loiríssimos, talvez até mais claros que os meus, estavam soltos revelando-se bem cortados e lisos até a altura do queixo. A roupa marcava seus músculos muito bem definidos, deixando assim o homem com uma compostura admirável. Nem preciso dizer que quase cai do salto? Eu iria levar um tombo se não tivesse recostado na escultura ao meu lado, esta pendeu para o outro lado quase caindo, um servo a pegou e colocou em seu devido lugar enquanto eu ficava cada vez mais parecida com um tomate maduro.

- Cara sobrinha, está tudo feito. Você poderia levá-lo ao seu quarto para mim? – Nagai sugeriu com um olhar malicioso.

- Sim, claro. É aquele ao lado do de Katsugo não é? – Prontifiquei-me

- Sim, este mesmo. Leve-o, por favor.

- Sim senhora, venha comigo Lys. – Ele me seguiu durante todo o caminho, mas ao invés de levá-lo ao seu quarto, o levei para o meu. – Lys, precisamos conversar sobre uma coisa, entre, por favor. – Disse enquanto entrava em meu quarto e este vinha logo atrás.

- Senhorita, sobre o incidente da noite passada já me foi falado. Meus pêsames. – Murmurou enquanto abaixava a cabeça. O surpreendi postando minha mão debaixo de seu queixo e puxando seu rosto para cima.

- Sem problemas meu querido... – Murmurei bem perto de seu rosto vendo seus olhos ficarem surpresos. – Ao menos agora não tenho mais nada que me preocupe, sou livre... Se é que me entende. – Falei enquanto distanciava-me dele o olhando no canto dos meus olhos. Pude ver que este desviara o olhar, ficou um pouco rubro, nada demais.

- Então sobre o que a senhora queria conversar comigo? – Recuperou a compostura e falou com voz firme. Grossa e cheinha de testosterona, como Katsugo fala.

- Beba meu sangue – Aproximei-me dele e saquei uma faca assim cortando meu pulso. O homem ficou aterrorizado e tirou a faca de minhas mãos.

- Você está doida? Não devia ficar se cortando toda hora sabia? Isso faz mal à saúde, vamos logo lavar esta ferida. – Falou mandão pegando-me pelo meu outro braço.

- Beba logo o sangue! A cicatriz vai fechar! – Soltei meu outro braço e forcei o meio-anjo a tomar, mas este só se esquivava segurando meu pulso. Sacou um lenço e quando limpou meu ferimento já havia cicatrizado, todo o meu sangue que tinha saído de meu corpo desapareceu.

- Meu Deus! O- oque houve aqui? – perguntou assustado. – O que você é? – Agora ele dava alguns passos para trás com medo.

- Eu sou neta de Lúcifer! Agora beba logo o meu sangue – Eu disse dessa vez cortando mais fundo meu pulso e forçando-o a tomar. Ele estava tão inebriado que tomou meu sangue sem pestanejar, mas quando sua boca tocou minha pele que sugou o sangue de dentro do ferimento, uma dor horrível corroeu toda a extensão de meu corpo, enquanto o homem tomava cada vez mais o meu sangue, como se fosse maravilhosamente bom.

Rapidamente tirei meu pulso de sua boca, meu machucado agora doía muito e demorava a cicatrizar. Eu estava fraca, poderia ter morrido se não tivesse tirado meu pulso de sua mão, ninguém me avisou sobre isso! E então caí.

Lys, depois de uma fração de segundos caiu também. Ele estava confuso.

- O que houve aqui? – Ele me perguntou com a voz entrecortada, devia estar assustado.

- Você é meu... Meu cavalheiro. – Dei uma pausa, estava tão fraca que não conseguia falar direito. – Leve-me até minha cama e chame Katsugo.

Pegou-me no colo como se eu fosse uma pluma e me pôs deitada na cama, fechei os olhos e logo em seguida ouvi a porta se fechar calmamente. Acho que neste meio tempo cochilei.

Ouvi algumas vozes, logo percebi que era Katsu. Ela estava falando com o Lys.

- Mas então como meus pais não me disseram? Isso não pode ser verdade! – Ouvi fracamente sua voz, acho que foi isso que ele disse, minha irmã deveria estar explicando a situação para ele.

- Então vá você mesmo perguntar a eles, eu vou junto se quiser. – Pronunciei-me com a voz embargada de sono.

- Isso não é necessário. – Pausou Katsu – Venha aqui minha irmã, vamos mostrar que ele realmente é semi-anjo. Se você for haverá somente uma asa ao invés de duas em sua forma angelical.

- Mas como agente vai fazer isso maninha?

- Se eu fizer não vai acontecer nada, você que tem um pacto com ele faça. Só precisa falar Indica mihi quid vere e depois encostar o dedo indicador na testa dele.

As palavras eram estranhas, falei algumas vezes para que pudesse dizer certo e assim o fiz. As falei e toquei meu dedo em sua testa. Quando tirei meu dedo de volta de sua testa esta fez ondas, assim como quando você pega a água em repouso e poe o seu dedo nela. Suas pupilas ficaram como as de um gato e a íris que antes era perolada ficou um azul céu, o mais impressionante era que ele não possuía somente uma asa de um lado, ele possuía três. Todas ficavam do lado direito do mesmo, será que aquilo era má formação?

- Ora mais que surpresa! Ele é filho de um serafim? Que coisa rara de se ver. – Falou Katsu exuberada contemplando as asas do garoto. Este por sua vez estava assustado, acabar de descobrir que é metade anjo não deve ser fácil, olhou-se no espelho e ficou encarando sua figura, passando a mão por seu rosto e fitando suas asas.

- Como assim... Serafim? – Perguntou o garoto dessa vez virando-se para Katsugo.

- Serafins são os anjos que estão mais perto de deus, hierarquicamente. – Falou outra voz que entrava no quarto. Lucis, o gostosão! Não acredito que pensei nisso...

- Quem é você? – Foi a vez de Lys falar.

- Eu sou um anjo também, mas sou completamente anjo apesar de ser de baixo nível. – rebateu Lucis rapidamente.

- Assim como você é o vassalo de minha irmã, ele é o meu. – Pronunciou-se Katsu.

- Somente anjos podem ser vassalos? Ou demônios também? – Perguntou agora curioso enquanto tentava bater as asas.

- Qualquer um pode ser, mas por conveniência temos vocês. – Terminei de completar. Dando um sorriso, como sempre, forçado.

- Você vai acabar machucando suas asas assim, tente batê-las devagar, as três juntas. Eu sei que três membros novos no corpo devem ser difíceis de mexer, mas com o tempo você pega o jeito. E de vez em quando, abra elas um pouco e tire as penas velhas, só pra deixar mais bonita e pra que outras penas nasçam. – Falou Lucis.

- Não sabia que asas deviam ter tanto cuidado. Você abre as suas Lucis? – Perguntou Katsu interessada.

- Algumas vezes à noite, só para não perder o hábito. Elas não são mais brancas, agora são acinzentadas, como as de um anjo caído. Elas ficam soltando uma fumaçinha negra bem legal, mas eu não faço idéia de que serve.

- Interessante... Depois vou ver se tem algo o que fazer com suas penas, sua galinha. – Zombou a brincalhona com um sorriso sarcástico em seu rosto já saindo do quarto.

- Velhos apelidos sempre continuam. – Murmurou o cãozinho indo atrás de sua mestra.

O silencio prevaleceu no recinto. As asas de meu servo eram muito estranhas, elas soltam um brilho muito chato cheio de energia boa, o que me enoja.

- Saia desse modo logo, esse brilho todo está deixando-me cega. – Ordenei e sem protesto o mesmo voltou ao seu estado normal.

- Alguma exigência a mais mestra? – Virou-se para mim e me encarou alegremente com aqueles olhos perolados.

- Durma comigo. – murmurei me aproximando dele fazendo a melhor cara de tadinha que eu sabia fazer. – Se você não quiser, sabe que eu posso te obrigar. – Murmurei em seu ouvido dessa vez lhe provocando arrepios. – Você deveria obedecer a sua princesa... – Enquanto passava minhas mãos em suas costas puxei sua camiseta para fora das calças.

Ele olhava para cima tentando se controlar, se o mesmo olhasse em meus olhos tudo estaria perdido, o enfeitiçaria e ele iria me obedecer até o fim do mundo. Desabotoei sua camiseta e dei leves beijos estalados em seu peitoral.

- Você é tão inexperiente... – Constou o homem que agora segurava minhas mãos olhando fixamente em meus olhos. – Nem adianta... Você não vai conseguir me enfeitiçar com o olhar, sua irmã contou-me algumas coisas, dentre essas uma dica de como resistir a você. – Falou Lys, enquanto me pegava no colo e colocava na cama.

Senti minhas costas caírem levemente no lençol macio enquanto não acreditava que estava sendo recusada. Como? Como poderia aquilo ter acontecido, usei tudo o que eu aprendi e ainda assim não foi suficiente? O olhei atordoada enquanto ele pousava minhas mãos sobre a barriga.

- Você é linda Dena. Tem o corpo de uma ninfa, parece uma escultura de um anjo, simplesmente linda. Mas vai precisar de muito mais do que isso para que eu me apaixone por você.

Levantei meu tronco e o puxei, este que já ia embora se sentou novamente.

- Eu preciso de mais corpo? Foi isso o que você quis dizer? – Perguntei atordoada.

- Não, não que isso. – Disse rindo – Você precisa de isso aqui ó – Bateu duas vezes com o seu dedo indicador em minha testa. – Inteligência.

Fiquei estarrecida com o que ele falou. Inteligência? Isso? Valha-me o seu Deus! Pra quê eu deveria ser inteligente, eu sou bela e isso sempre possibilitou que eu conseguisse.

- Se você acha que eu, princesa dos Demônios, vou me curvar e rastejar por você seu miserável... Está muito enganado! Você deveria acatar minhas ordens, ponha-se em seu lugar! Deveria dormir em um quarto imundo e ridículo para saber o que eu passei em minha vida. TOLO! – Rosnei enquanto me levantava e o olhava com toda a raiva que havia dentro de mim, meus olhos ficaram totalmente brancos e o dei um tapa, o problema foi que desloquei o seu maxilar e quebrei alguns molares dentro de sua boca. Vi o sangue jorrar e este perecer de dor.

Desesperei-me, tudo em que eu consegui pensar foi: Katsugo!

Bati em sua porta, mas não foi necessário bater novamente, esta estava entreaberta. Entrei com tudo, Lys estava logo atrás com uma mão no queixo e outra em meu ombro.

Minha irmã estava com um vestido quase transparente vermelho carmim, seus cabelos soltos caindo por toda a cama na qual estava deitada, uma perna flexionada e a outra estendida assim deixando suas coxas à mostra para qualquer um que quisesse ver. Torci para que Lys não visse e se mantivesse de olhos fechados, mas logo que virei meu rosto de encontro ao dele vi que seus olhos reluziam com o brilho do desejo.

- O que houve com vocês? – Disse Katsu sensualmente enquanto largava o livro de magia sobre a cama e vinha até nós. Pude perceber que o decote de seu vestido era excessivamente grande e que este era de somente um pano bem fino com algumas partes de seda carmesim.

- Eu, eu me descontrolei e quebrei a mandíbula dele. – Corei da cabeça aos pés enquanto falava baixo.

- Isso tudo é amor? – Riu Katsugo – Ponha-o sentado em minha cama. – Disse enquanto fechava a porta.

- No... ê ai... a eisno. – Lys, não tente falar. A sua voz está horripilante e a sua mandíbula quebrada. – Katsu segurou o riso. — Ok. Agora veremos. – Katsu pôs se à frente dele o jogou para trás e assim ele deitou com certa brutalidade. Pude ouvir um urro de dor, mas minha irmã não pareceu se importar.

A mesma se sentou em seu colo e pude ver que Lys ficou vermelho, assim como eu. Mas ao contrário dele, eu estava com ciúmes, muitos ciúmes. Fiquei quieta, ela deve saber o que está fazendo.

- Não precisa ficar animado meu querido – Disse Katsu enquanto pousava sua mão sobre o membro de meu Chevalier.

- Como você pode sua vadia! – Gritei me levantando e controlando-me para não lhe dar um soco. – Saia de cima dele agora! Ele é MEU cavalheiro! Somente MEU!

Esta pareceu não me ouvir, simplesmente murmurou alguma coisa.

Tentei lhe acertar, mas algum tipo de campo a envolvia. Assim que bati novamente, dessa vez já transformada fui jogada para trás por um raio que se projetou dali. Meu braço demoníaco começou a pegar fogo, mas não era de cor âmbar, era negra, a escuridão completa. Desesperei-me e voltei a minha forma humana. Dessa vez vi minha irmã rindo olhando para mim que por minha vez ainda estava assustada.

A vi tirando a blusa de meu servo e falando alto algumas palavras.

-“Rota convertitur, orbe vices, cordit pulsat, moritur!” – Abriu os braços e levantou a cabeça, invocando alguma coisa acima de sua cabeça. – “Sicut omnia in circuitu pergit fit inter!” – Mãos começaram a sair de dentro de uma nuvem negra, uma delas se estendeu até o rosto de meu servo, pondo a mandíbula no lugar. Este por sua vez estava extasiado, nem dor ele sentiu. – “Et Revelare secreta illorum et sanabo et macum gaudeas a Celtic chorea!” – As mãos voltaram para a nuvem e Katsugo pôs seu rosto rente ao dele, nariz com nariz e lhe selou com um beijo avassalador.

A nuvem sumiu e tudo voltou ao normal, Katsugo desfez a barreira que os envolvia e saiu de lá.

- Pronto, está feito irmãzinha. – Pegou meu braço enquanto eu ainda estava sem ação sobre o que aconteceu. Murmurou alguma coisa e curou o machucado que o fogo negro tinha feito.

- Se você me curou assim... Porque não fez isso com a mandíbula dele? – Perguntei sem entender, ainda esparramada no chão.

- Eu queria testar uma coisa... – Falou normalmente fazendo meu sangue borbulhar. – Esse feitiço serve até pra ressuscitar mortos, mas na maioria das vezes agente não ressuscita um morto e sim algum outro espírito dentro daquele corpo.

- Então foi tudo um teste? – Falei alterada – Poderia ser muito mais simples? Você é uma ordinária sua vadia! Não precisava ter feito aquilo! Você roubou o MEU Chevalier!

- Eu não roubei nada, só dei um beijinho nele. Ora não era você que dizia que eu devia ser malvada? Agora eu sou. – E com um sorriso malévolo pôs-me para fora de seu quarto junto com Lys, este ainda estava abobado e com um sorriso estúpido em seu rosto.

- Esta vendo Denachi? Você deveria ser que nem ela, ela tem algo em sua mente.

- Claro cheio de pornografia. – Murmurei vencida, entrei em meu quarto e desatei a chorar, em meios as lágrimas consegui finalmente dormir.

Notas finais
E ai o que acharam?
Chatinho né?
O próximo vai ser engraçadinho (espero eu UAHEUHAUE)