Debaixo Das Terras Sagradas

13 Capítulo 12 - O mundo é MEU! Parte 2


Notas iniciais
Bem pessoal.
Ficou chatinho mas foi o que eu consegui fazer no especial Denachi.

Senti algo em meu cabelo, estava bom. Acho que eram dedos, cinco ao total mexendo em minha cabeça. Tentei levantar meus pesados olhos e com certa dificuldade consegui. Olhei para frente e não vi nada, então virei minha cabeça e pude observar meu servo que estava deitado em minha cama, enconchado comigo fazendo-me carinho.

- O que você está fazendo aqui? – eu não deveria ter falado nada, além de estar de manhã eu havia chorando noite passada e estava envergonhada com a figura que estava atrás de mim, ou seja, minha voz saiu pior que a de um pavão misturado com um urubu no cio.

- Você pediu que eu dormisse com você e eu dormi, só não fizemos nada – falou agora brincando com os meus cachos em volta de seus dedos.

- Você é maluco, cada hora diz uma coisa... Depois dizem que as mulheres que são doidas. – rosnei agora me virando para ele e pondo meu rosto encaixado no vão entre seu pescoço e o braço excessivamente treinado.

- Ontem eu e a Katsugo tínhamos armado para ver se você ficava com ciúmes. Claro que a parte do quarto dela não estava nos planos. Ela só me pediu para ser um pouco malvado com você e ver se você caía no joguinho, mas você não caiu.

- Claro que não! Quem você pensa que eu sou? – levantei a voz e o olhei nos olhos. Este ria incansavelmente de minha cara amassada e emburrada.

- Está bem! Está bem! Você é a princesa número um do mundo.

- Dessa eu gostei. – dei uma pausa seguida de um breve riso – Mas se você e a Katsu não planejaram aquela parte do quarto, por que ela fez aquilo? – perguntei intrigada.

- Porque ela é aproveitadora de menininhos indefesos. – Murmurou Lys agora enrubescido.

- Ela continua sendo uma vadia... – Resmunguei emburrada.

- Ok, ok. Agora vamos dormir só mais um pouquinho – falou ele enquanto passava seu braço direito em volta da minha cintura fina e me apertava um pouco, nada demais.

Vi que este fechou os olhos, ele era tão lindo quando dormia. Aliás ele era bonito de qualquer jeito. Fiquei o admirando durante um longo espaço de tempo até que finalmente fechei os meus e caí em sono profundo.

- Acorda logo Denachi sua coisa estúpida, vai fazer alguma coisa pra parar de sonhar. Está me enchendo o saco você aqui dentro.

- Ta boom mammonsinho – resmunguei enquanto estava sendo acordada por aquele demônio... É ele realmente era um demônio. Notei que meu servo não estava mais na cama comigo. Levantei meu tronco e com o rosto ainda amassado vaguei minha visão sobre o quarto.

Ninguém.

Isso que havia naquele recinto além de mim e claro Mammon, como poderia esquecer esse infeliz?

Levantei-me e pus o vestido mais simples que tinha dentro do armário, não queria ver ninguém hoje, estava com um péssimo humor. Minha visão estava um pouco turva e a cabeça latejando porque me levantei de súbito, mas quem liga pra minha dor não é mesmo?

Notei que já era quase tarde e minha barriga roncava. Provavelmente o café não estava nem mais servido.

- Vida cruééééééél!!! – Gritei em alto e bom som jogando a cabeça para trás e pondo as mãos na cintura.

Após o pequeno surto coloquei um simples sapato e ajeitei o cabelo em um coque um pouco mal feito, apesar de tudo eu ainda sou linda. Não, realmente dizendo nada egoísta eu sou simplesmente linda. E eu não estou sendo irônica.

Desci as escadas batendo os pés e ordenei que o café fosse servido para mim, mas para a minha surpresa ainda estava sendo servido. Parecia que minha queridinha irmãzinha mais fofinha de todo o mundinho ainda estava tomando o café, aquela lerda vagabunda.

Cheguei à sala e ao sentar-me já me foi servido o chá e todo o resto do farto café, não troquei nenhuma palavra com Katsugo, mas a mesma parecia não ter notado minha presença, estava compenetrada em algum assunto irritante do jornal e mesmo assim esboçava um sorriso.

- Você sabia Dena-chan, — falou ela deixando-me surpresa – que tem uma matéria do jornal falando somente de mim? Está dizendo que eu sou a nova beldade mais cobiçada de Hamburgo!

Mais uma das coisas irritantes sobre a Katsugo: Ela era linda e ofuscava quase que totalmente o meu brilho. Eu que tinha 18 anos e ela 15, EU deveria ser a beldade. Ela é somente uma criança.

- Blá, blá, blá. Existe alguma coisa mais chata do que isso? – murmurei enquanto olhava fixamente para a cara de desentendida dela. Pus minhas duas mãos abaixo de meu queixo e apoiei a minha cabeça ali mesmo com um garfo balançando entre meus dedos – Você é uma criança impertinente sabia Yamino Katsugo? Agora me deixe comer, estou com fome e você está deixando-me enojada.

Um sorriso macabro surgiu de seus lábios fazendo-me para de mastigar e ficar com uma bolota aumentando minha bochecha do lado direito e olhando para ela de rabo de olho.

- Você fica toda nojenta quando o assunto sou eu. Só porque sou bela e a luxuria em pessoa não precisa ficar assim maninha... Você tem a sua beleza do seu jeito, claro que nunca chegaria aos pés da minha, mas se você se esforçar e fazer crescer pelo menos os seus peitos, poderia até ficar bonitinha.

Agora ela pisou na minha ferida. Maldita vagabunda, filha de uma égua, eu vou matar essa piranha sem rabo e sem escamas!

- Olha aqui sua víbora sem dentes, não venha falar de mim. Quem sabe do meu corpo sou eu e não tenho que ficar dando satisfações para ninguém! Deixe de se achar sua estúpida.

Peguei meu prato e chá, saí prontamente da sala e rumei para outra. Quase nem consegui engolir meu café da manha direito.

Rumei ao jardim de trás da casa, talvez a sombra da macieira fizesse eu me senti melhor, mas assim que abri a porta percebi dois homens lutando.

Jesus! Esse bastardo é o único que poderia resumir a minha surpresa. Lucis e Lys lutando suadinhos. Essa imagem vai ficar guardada para sempre em minha mente, a usarei em momentos propícios. Sabe como é né? Quando não se tem ninguém os seus dedos fazem esse papel. E eu espero ansiosamente que Lys tome este papel.

Logo percebi o resto de quase todas as criadas suspirando pelos dois. Aquilo me deu nos nervos, quem elas pensam que são? Os dois são meus! Eu sou a princesa aqui.

- O que estão fazendo aqui? Andem logo aos seus postos – Gritei enfurecida. Em um sobressalto todas saíram correndo para dentro de casa.

Depois do meu ataque de ciúmes os garotos começaram a rir.

- O que foi Denachi? Ficou com ciúmes? – Perguntou Lucis com um sorriso malicioso nos lábios. Uma mão na cintura e outra largada segurando uma espada de madeira, a blusa fina completamente suada neste dia de verão.

- Claro que não estúpido! Aquelas mulheres estão sendo pagas para trabalhar e não para ficar observando vocês! Lys apronte-se vou comprar algumas coisas, preciso espairecer, estou com muita raiva.

- Sim senhora. – Acatou o meu servo enquanto ia se arrumar. – Denachi, a senhora vai assim mesmo? Com essas roupas?

- Sim eu vou, não estou com paciência para me arrumar. Vá rápido, não tenho o dia todo! – gritei impaciente.

- É a menstruação vindo Lys, não se importe. – Zombou Lucis, engraçadinho como sempre.

- Cale a sua boca galinha negra, vá cheirar o rabinho de sua mestra. – Cuspi encima daquele troço nojento que se intitula anjo caído.

- Claro que vou, aliás é a mestra mais bonita da cidade ouviu? Acho que você sempre perde neste quesito. Ou em todos os que você disputa com Katsugo. – Disse agora em alto e bom som enquanto guardava as armas.

- Olha aqui seu filho de uma puta... Não venha falar de mim! Eu poderia muito bem cortar o seu pescoço com a ponta dos meus dedos, mas eu sou uma pessoa muito boa e...

- Fraca – Pigarreou o servo indo em minha direção.

- Eu vou fingir que não ouvi. Cadê aquele lezado? Será que ele não sabe quem eu sou?

- Vou sair daqui logo antes que fique com mais vontade de te matar. Não sei como Lys te aguenta, por isso que ele não é apaixonado por você. – Murmurou agora entrando na mansão e sendo acudido por várias criadas.

- Vagabundo. – Eu sei que ele diz essas coisas mas me ama, afinal, eu sou a princesa número um do mundo!

- Cheguei mestra. – Postou-se Lys na minha frente pronto.

- Já era hora não é mesmo? Deixar-me esperando está fora de questão! Quem você pensa que eu sou?

- Mas a senhora não avisou nada. – Rebateu o servo agora se defendendo.

- Então adivinhe! Leia meus pensamentos, mas esteja pronto! – este simplesmente abaixou a cabeça e acatou. Saímos da casa sem mais nenhum contratempo. As pessoas na rua olhavam-me com espanto, eu estava mal vestida e mal penteada. Mas quem liga não é mesmo? – Lys, o que você acha de mim?

- Como assim senhora?

- De personalidade. Seja sincero. – Rosnei ao ter que explicar, gente burra me irrita.

- Para ser sincero a senhora é cheia de defeitos.

- Defeitos? Claro que não tenho. Não há dúvida que sou linda! – Sorri e rodei soltando o coque em meus cabelos e fazendo-me passar como uma figura celestial.

- Sim. Realmente linda, mas muito egoísta. Veja por exemplo este garoto – apontou para um menino de rua que me olhava pedindo dinheiro. – Você nem mesmo olha para ele, rude e egoísta.

- Mas que calúnia! – Disse sentindo-me ofendida – Pergunte ao meu umbigo se não sou solidário com ele. Contudo, o senhor esqueceu o que eu sou? – Olhei-o pela primeira vez na conversa. Deixei somente os meus olhos ficarem totalmente albinos e senti um sobressalto nele.

- Sim senhora. Esqueci o que você é. Quem te vê de longe acha até que você é uma boa pessoa.

Dei uma risada um pouco malvada e continuei a rebater.

- Boa pessoa eu não sou. Na verdade, eu realmente não estou dizendo nada egoísta, só quero que você pense de coração que sou linda genuinamente.

- Ah sim, claro nem um pouco egoísta. – deu uma pausa para respirar pesadamente. – Afinal, você é a princesa número um do mundo.

Sorri calorosamente, isso que eu queria ouvir de seus lábios extremamente róseos naquela tarde de verão. Simplesmente perfeito.

Notas finais
Agora vou continuar a história. O bagulho vai ficar doido'