Notas iniciais
Por favor, leiam as notas finais.

Eu tinha quase certeza de que estava atrasado, até eu chegar lá e só ver duas pessoas no rinque. Uma menina de mais ou menos dez anos com cabelos vermelhos bem curtos vestindo um tule e uma mulher mais velha que eu já vira antes. Acho que ela era treinadora de patinação artística, eles também tinham isso ali. Eu esperava encontrar meu time para o treino, mas não vi nenhum ser másculo — a não ser a velha que gritava com a criança — o suficiente para aquilo. Decidi ir até a direção do lugar para perguntas sobre o treino — já que estava com medo da mulher no rinque me atirar uma lâmina se eu a atrapalhasse. Era um cômodo pequeno, com uma mesa, duas cadeiras, uma televisão em um suporte na parede e estantes com arquivos e livros. Tinha uma aparência mofada e as paredes tinham leves rachaduras, mas parecia agradável porque a moça ali exalava a beleza que o lugar necessitava. Era uma moça ruiva de cabelos lisos que estava sentada com os pés na mesa, lendo um livro que eu não reconheci. Quando ela reparou que alguém entrara, arregalou os olhos e sentou-se reta, temendo, talvez, que a mulher a visse assim. Quando me viu, soltou a respiração e me lançou um sorriso gentil.
— Desculpe, achei que fosse ela. — a garota me falou baixinho, levantando o rosto e me encarando com os grandes e curiosos olhos castanhos. — Malfoy, certo? — ela perguntou, como se me conhecesse de algum lugar.
— É... — respondi meio embaraçado — Me desculpe, mas, nós nos conhecemos? — perguntei o menos rudemente que consegui.
— Ah, não, me desculpe – ela olhou distraída para o lado, depois se voltou para mim — eu sou Rosalie.
— Me desculpe, ainda não a reconheço — disse, olhando para o rinque. A velha agarrava a perna direita da menina.
— Ah não, nós não nos conhecemos, mas você é Malfoy, não é?

A menina — Rosalie — me pareceu um tanto suspeita. Quase ninguém me conhecia, já que eu jogava em um time pouco conhecido na divisão, e nem sabia se me conhecia mesmo do hóquei, mas ela não me pareceu uma perseguidora louca por saber. Na verdade, ela me olhava amigavelmente e eu senti um brilho familiar nos seus olhos. Assenti e sorri de volta.
— Então, eu vim pra perguntar por que o time não está aqui. Todas as quintas-feiras nós treinamos aqui. — eu disse. Rosalie olhou o horário no quadro de programação atrás da porta, e realmente, meu time treinava quando eu disse.
— Realmente, seu treino é nas quintas. — ela me lançou um olhar perverso e eu percebi que ela segurava o riso. — O problema é que hoje não é quinta feira.
— O que? É sim – “e amanhã é o casamento da minha prima, sexta”, pensei.
— Não, hoje é sexta. É o dia em que eu trago Hayley para ensaiar com a coreógrafa, Marjorie. — ela olhou para a velha na pista, e eu tive a impressão de que Rosalie não tinha boas lembranças com a mulher. "Sabia que eu conhecia ela, a coreógrafa”, pensei. Percebi também a semelhança entre a menininha — Hayley — e Rosalie.
— A menina... Ela é sua filha? — não consegui evitar perguntar. Rosalie pareceu corar. Olhou para o rinque e sorriu.
— Hayley? — ela soltou uma gargalhada fraca — Não, ela é filha da minha prima, mas é como se fosse minha filha.
— Ah, legal.
Acho que ficamos um bom tempo em silêncio, até que eu me lembrei:
— Ei, Rosalie, eu sei que não nos conhecemos muito, mas eu tenho o casamento da minha prima e meu pai quer que eu leve alguém. Achei que teria tempo de conhecer alguém, mas acho que me perdi um pouco no calendário — risadas.
— Você está me convidando para ir com você? — assenti — Tem certeza? Quer dizer, nós nos conhecemos hoje. Eu nem sei se você não é um psicopata tentando me atrair pra uma chacina — brincou ela. Ou não.
— Qual é, garota, você mesma disse que me conhece. Só hoje, você tem o dia todo para pensar, por favor.
— Que ideia, uh... Tudo bem, preciso só checar uma coisa. Posso te dar a resposta mais tarde?
— É... Claro — falei indeciso.
Depois disso, trocamos nossos números de telefone e eu fui para casa. Passei o resto da manhã olhando futebol na TV, almocei qualquer coisa e passando das duas da tarde, resolvi enviar uma mensagem para Rosalie, já que precisava saber se ela iria ou não. "tudo o.k. para hoje?", dizia. Ela logo respondeu com o endereço. Era um grande prédio perto do Centro. Desculpe-me, você não sabe ainda. Eu treino hóquei com o time no rinque que fica no Centro Esportivo de Purbletown. É um lugar lindo. O campo de golfe, a quadra de tênis, a salão de festas... Mas nada se compara ao rinque. Pelo menos para mim. Obviamente, eu prefiro o rinque por causa do meu gosto pelo hóquei.

Enviei para Rosalie "te pego as oito". Ela não respondeu, mas suponho que tenha lido a mensagem.

Lá pelas sete, comecei a me arrumar: sou bastante lerdo com as coisas e sabia que não poderia me atrasar. Não por dever com o compromisso, mas sim com Rosalie.

Peguei o carro, enfrentei um pouquinho de congestionamento e rumei até o endereço que Rosalie me passara. Oito e cinco. Cheguei lá a tempo. Enviei uma mensagem: "estou aqui". Ela me respondeu: "suba um pouco. 205". Estacionei o carro logo em frente e apertei o botão 205 no interfone do prédio e logo estava subindo o elevador. Quando o elevador parou em seu andar, a porta não abriu de jeito nenhum — e olha que eu sou forte — e eu apertei muitos botões. Minha tentativa falhou. Depois de uns cinco minutos preso ali, escutando a música de elevador — que era bem agradável, por sinal -, me lembrei, finalmente, de Rosalie. Eu sou um gênio. Ela estava esperando, não? "estou preso no elevador" digitei. Recebi rapidamente um "só um minuto". E então, para minha imensa alegria, a porta abriu e uma menina de cabelos morenos sorria, mas aquela não era Rosalie. — Oi — ela disse. — Rosalie está pronta? — acho que fui meio rude, mas estava realmente com pressa. — Sim, é, acho. Por aqui. Ela me guiou por um corredor enorme. Segui atrás da menina com um salto muito grande e um vestido muito curto. Tinha uma voz realmente fininha que começaria a me irritar se eu tentasse puxar assunto, por isso seguimos em silêncio até a última porta do corredor. Apartamento 205. A garota adentrou o apartamento e sua voz esganiçada soou: — Rosalie! Estamos aqui. Seu amigo está esperando. — e depois ela piscou para mim de um jeito que eu achei ofensivo. Quantos anos ela tinha, 16? — Obrigada, diga que eu já vou sair. Sente-se um pouco — gritou a verdadeira Rosalie do aposento mais próximo. Entramos na sala, um lugar com um sofá, duas poltronas, uma televisão e um tapete vermelho realmente grande com vários potes e grãos de pipoca espalhados por seu comprimento. Tirando aquilo, o lugar estava bem arrumado. As paredes eram cobertas por fotos de pessoas dançando, e uma foto, a maior de todas, estava patinando no gelo, fora do chão, em um rodopio (eu não sei como se chama aquilo, cara) bem alto. Ouvi um barulho bem alto vindo do quarto, e depois uma voz masculina se desculpando. Acho que fiquei feliz por não ser o único homem exilado ali. Me sentei e esperei. — Vai demorar aí? — perguntei, tentando espiar dentro do quarto. — Estou pronta — Rosalie saiu rapidamente, olhando para os lados. Parecia procurar alguma coisa. Quando finalmente o encontrou — o celular -, ela me disse que poderíamos ir. Hugo, Amanda, venham. Vocês vão se atrasar! Alguns minutos depois, já estávamos no carro pegando a estrada. Rosalie se sentou no banco da frente comigo para podermos acertar os detalhes e conversar, já que concordamos em parecer convincente. — Quanto tempo até o lugar? — perguntou ela. Mexia na franja com entusiasmo, tentava colocá-la nos olhos, eu acho. — Cinqüenta minutos, sem trânsito — falei. Depois de alguns curtos minutos, fiquei feliz que ela puxou assunto. — Então, você sempre torceu pelos Slytherins? — o time que eu jogo. Hóquei. — Não, quando era pequeno torcia por um time que hoje não existe mais, foi lá que eu me interessei por hóquei. Eles não eram assim tão famosos, mas tinha um cara — eu percebi que sorria como bobo, e ela parecia estranhamente interessada na história -, ele foi meio que minha inspiração. As pessoas o reconheciam por ter uma meia-perna mecânica. O conheciam como... — Kelphead — ela falou, com a cabeça virada para o outro lado, quase incompreensível. Quando Rosalie me interrompeu, eu estava mais chocado do que ofendido. — É... Não falamos mais nada até alguns minutos antes de chegarmos. Liguei o rádio do carro para que o silêncio fosse um pouco menos constrangedor. Eu cantarolava junto da música, uma canção dos Beatles. Rosalie também acompanhava, enquanto estralava os dedos. — Então, provavelmente devo te alertar de algumas coisas antes de chegarmos lá — falei, finalmente, quebrando o mutismo — Meus pais... Eles são realmente... É... — fiquei um tanto sem jeito de falar, mas não conseguia achar outras palavras para descrever — um tanto antipáticos. Eles não vão conversar muito com você, tudo o que você terá que fazer é cumprimentar alguns parentes, sorrir, e depois tentaremos convencer como namorados. — As pessoas vão nos perguntar onde nos conhecemos e há quanto tempo namoramos — ela falou. E foi bom, porque eu ainda não tinha pensado nisso. — Ok. É importante, certo. Acho que nos conhecemos no Centro — rimos. Não sei se era engraçado, mas sempre tinha uma piada interna estúpida para destruir a inibição, e ali estava — Dois meses atrás eu te pedi em namoro. Qualquer outra pergunta, mude de assunto — ela me lançou um olhar curioso por mais — por favor. E, finalmente, quando eu achei que não agüentava mais dirigir, chegamos. O lugar era enorme, tinha quase um quilômetro de gramado ao redor, e uma trilha desde o estacionamento até a porta do pavilhão guiava os convidados. Andamos em silêncio. Ao chegarmos ao fim da trilha e quase dentro do salão, Rosalie apertou minha mão. De início, não entendi muito bem o porquê, mas depois, quando muitos dos olhares dos convidados se voltaram para nós, eu entendi que ela queria fazer parecer real. É claro, nós tínhamos conversado. "Parecer real". Estávamos bem atrasados — de propósito — então não pegamos nenhum tipo de cerimônia na entrada. Só chegamos, nos sentamos e bebemos — mas não muito, pois eu tinha que dirigir e certamente não queria embebedar Rosalie na primeira vez que saímos. Como um favor, não como um encontro. Por favor, entenda isso.

- Scorpius, baby. Achei que não viria — disse um fantasma que vinha me assombrando por muito tempo e eu não queria ver hoje. Não literalmente, claro, mas não esperava ver Kelly ali. É claro que a cumprimentei, não queria parecer rude na frente de nossos parentes, mas não era minha real intenção.

- Kelly, que saudades! – ela me deu um abraço roubado. Consegui sentir que ela usava o mesmo perfume. Era bom, mas depois de tanto tempo, ele me enjoava – Essa é minha namorada – sorri para Rosalie – Rosalie...

Merda, eu não perguntei o sobrenome dela!

- Rosalie Weasley, prazer.

Weasley?

Eu conheço esse sobrenome, não?

Rosalie e Kelly se cumprimentaram. Achei totalmente bizarro. Falei às duas que iria tomar um ar e saí. Rosalie encontrou alguns parentes meus e começou a conversar com algumas pessoas que eu não via há alguns anos. Passei um bom tempo na rua, ouvindo o som do vento, caminhando e quando começou a ficar frio, preferi voltar para dentro. Ao chegar perto da porta, vi alguém pequeno se aproximando de mim. Pensei que fosse Kelly, meu estômago se revirou, mas não. Era Rosalie, e ela procurava por alguém. Por mim, provavelmente, pois eu era a única pessoa conhecida.

- Scorpius! – ela chamou, agora estava do meu lado. Percebi, à luz da lua, como ela estava bonita. – Por que fugiu de lá?

- Eu não fugi – virei o rosto para o outro lado.

- Ok, eu posso não te conhecer a muito tempo, mas sei que você estava tentando fugir de Kelly. O que houve? – ela tocou meu braço.

- Olha, eu não quero falar sobre isso, tá? – saí de perto. Não digo que foi certo ser rude, mas aquele assunto não me agradava e eu vinha evitando aquilo por anos. Por que não mais um dia?

Rosalie colocou uma mecha atrás da orelha e baixou os olhos.

- Tudo bem.

E saiu em direção ao salão. A segui dessa vez, e foi logo porque senti que ela queria ficar sozinha. Queria incomodá-la, já que era a única ferramenta de diversão que eu via.

- Não vire as costas assim, tenho algumas perguntas – falei, rindo, colocando um braço sobre os ombros dela assim que me aproximei.

- O que é? – falou, parecendo alterada.

- Quer dançar?

Notas finais
Eu comecei a escrever isso como um conto original, mas mudei os nomes para Scorrose. Ainda quero acabar com os meus personagens, mas antes preciso saber se tá legal. Só postei esse primeiro capítulo porque preciso de opiniões.
E então, vocês leriam se eu postasse mais? Se eu receber alguma coisa, coloco uma capa, melhoro a sinopse etc. Se eu não receber nenhuma resposta vou entender como um "é um lixo, nem posta" e eu deixo ela só pra mim.
Se quiserem saber onde me encontrar, é @hearthalia.