Death Note - Seven Years

2 Death Note - Sete Anos


Notas iniciais
Demorou, mas tá aí!
Vou começar a postar aos poucos... porque já tem uns bons capítulos para frente. E a história está mais sombria que antes. ; )

Boa Leitura!

Nada mais que um dia após o outro. Sete anos. Isso é muita coisa para alguém com uma expectativa de vida em cerca dos 82 anos. Mas para alguém que rouba a vida de outros para sobreviver, ou seja, que é imortal, 82 anos é apenas um pequeno fragmento de toda a longevidade.

O caminhar despreocupado, sem intenção de chegar a algum lugar; sempre procurando não se atrasar. Será que havia tomado os hábitos humanos de novo? Não sabia se deveria repudiar a vida humana, por isso, aos poucos, ia se adaptando naturalmente mais uma vez.

Londres. A grande cidade-luz, a cidade-vida. Vida talvez no sentido figurativo da coisa, pois a taxa de mortalidade era bem grande, pelo menos onde estava. Eram pelo menos sete ou oito assassinatos registrados apenas na localidade a cada semana. Talvez fosse a temporada, o solstício sangrento de Dezembro. A noite seria mais curta naquele dia, exatamente: 31 de Dezembro.

Ele chegou em casa. Colocou o casaco em cima de uma cadeira ao lado da porta e foi diretamente para o quarto, retirando os sapatos antes de entrar. Aquela casa continuava silenciosa. Claro que ele não esperava ninguém por ali. Alcançou a beira da cama, sentando-se. Nem se importou com as roupas sujas e apoiou os cotovelos nos joelhos, curvando as costas. Os cabelos atingiram suas pálpebras. A pressão do silêncio penetrou incômodo nos seus ouvidos.

O rapaz encarou um pouco o piso de madeira gasta. Havia um buraco ali, que provavelmente era o lar de um roedor, mas não estava ligando para pragas. Sentia... sentia algo muito interessante. Suas costas estavam formigando, cada vez mais. Era como se pedissem para se libertar, gritando: “Vamos voltar lá para cima, vamos voar!”

Ele abriu a camisa quando se levantou e deixou-a deslizar por seus braços até o chão. Revelou seu físico agradável e caminhou para o espelho, acariciando com o olhar o próprio corpo. As olheiras fundas nos olhos, os lábios pálidos e a pele esbranquiçada. Tudo estava no lugar. Sim, fazia sete anos. A expressão, inclusive: friamente inexpressiva. Todos aqueles anos, nenhuma palavra soara mais de seus lábios dirigidas a outro ser humano. E se fossem ditas, eram ditas para algum ser invisível; maldições, pragas e frases como: “Maldito assassino, não vai fugir de mim.” E também “Vai pagar pelo que fez.”

Virou-se de costas, então viu as duas marcas vermelhas, uma de cada lado das costas. Parecia que algo havia sido arrancado dali. Uma gota de vermelho escorreu pela ferida que parecia eternamente aberta. Ele franziu o cenho mais uma vez para aquela aberração. Ignorou a dor que intensificou, caminhando para longe do espelho.

Diferente de todos, ele tinha todas as certeza do mundo; exceto uma: a morte.