Notas iniciais
Capítulo novinho em folha.
Sem muito a declarar... hmm... acho.
Vocês viram o trailer, não? Bom. ; )
Quem não viu, está na sinopse da história.

Boa leitura!

— Mãe, estou indo na casa do Ralpher.

— Não, não vá filho...!

O garoto parou na porta e estacou o pé. Olhou para trás, um pouco surpreso. A mulher andou mansa até ele, acariciou seu rosto e disse:

— Não quero que vá, meu filho.

— Por quê? – ele sentiu-se indignado. Sua mãe nunca havia o repreendido ao sair de casa, porque isso agora?

— Apenas não vá...

— Eu preciso levar os CDs dele, mãe. Já faz um século que estou com eles. Não dá mais para ficar comigo, eu preciso mesmo ir. – quando ele viu a mãe muda, ele mostrou um sorriso tranquilo. Deu um beijo no rosto da mãe – Não se preocupe, tomo muito cuidado. Prometo que volto antes da meia-noite.

Ela acenou com a cabeça preocupada, e o garoto se despediu.

Ao passar a rua, escura e muito sombria, Carl sentiu o frio do solstício. Diziam que naquela noite, o tempo era mais curto. Logo aquele dia terminaria antes dos outros do ano todo, junto com o ano velho. Era ano-novo, o festejo que a cada 365 dias acontecia. Além de tudo, parecia que ia chover... o céu estava mais acinzentado que o normal.

Carl começou a pensar, entre devaneios: O que era um ano? Lembrou-se do que passou, das pessoas que conheceu e de Alice. Ah, sim. Não podia esquecer-se de Alice, sua namorada. Sonhava em casar-se com ela. E amanhã iria vê-la. Ficou triste em saber que ele não poderia vê-la na noite da virada, pois ela ia passar o ano-novo com os tios em Surrey, e Carl ia passar com os pais dele ali mesmo em Londres.

Sim, apenas com os pais. Fazia exatamente seis meses hoje que Carl perdera seu irmão mais velho. Assassinato a sangue frio. Maldita raça de imundos da justiça, também. O assassino fora pego, mas solto um mês depois por alegar sua inocência com efetividade. Provas falsas, só pode ter sido. E o cara estava solto agora matando mais gente e rindo da alma do irmão de Carl. Isso o deixava realmente puto.

Enquanto estava preso entre lembranças e maldições, ele arrastava os pés ao lado de uma construção alta e bonita. Achou que tivesse pegado o caminho errado no meio de seus pensamentos, porque nunca havia visto aquilo na rota comum até a casa de Ralpher. Sim, estava numa rua desconhecida; À noite, o maior frio, no bairro mais perigoso de Londres. Agora sim seu dia seria ótimo.

— Droga... como eu consegui fazer isso? – questionou a si mesmo, batendo as mãos nas coxas, deixando a sacola dos CDs cair das mãos.

Carl não parecia disposto a olhar nada à sua volta, a não ser um caminho aleatório para voltar à trajetória para a casa do amigo ou quem sabe desistir e retornar para casa antes do Réveillon.

— Afinal, que lugar é esse?

O rapaz ergueu a cabeça para a construção que chamara sua atenção. Deixou de lado o seu medo pela noite por alguns segundos, para vislumbrar: Era um prédio de porte médio, com duas torres laterais um pouco menores; seu material era recente, mas nem tanto. Mas, o que mais lhe deu interesse foi o ornamento localizado acima da torre central e maior: Era uma estátua de mármore branco de um homem cabeludo com as mãos erguidas, uma delas um pouco mais elevada que a outra, apontando para algo no céu. Carl acompanhou a direção que este apontava...

- Nossa, ele está apontando exatamente para a direção da lua hoje.

Ele franziu o cenho e percebeu como a lua estava colocada no céu num ponto em que exatamente não havia nuvens negras de tempestade. Voltou a dirigir sua atenção para aquela espécie de templo e andou mais próximo de suas portas. Aparentemente, o local estava abandonado. Havia uma placa metálica e corroída na aba esquerda da grande porta dupla. Passou a mão por cima da superfície, para poder ler o entalhado: “Receberá paz eterna aquele que for fiel ao Deus da Justiça.”

— Isso é um templo de Kira. – informou Carl para si mesmo em voz alta. – Mamãe disse muito sobre ele, e não é à toa... Ela o odiava e eu era apenas uma criança pequena para me lembrar de todas as coisas horríveis daquele tempo.

Carl girou o pescoço para o lado rapidamente no momento em que sentiu algo andando por ali. Arrepiou-se e se lembrou que estava com medo.

— ........

Ele não parecia muito disposto a querer descobrir quem era que estava ali. Tratou logo de dar alguns passos apressados para trás e retomar a sacola em mãos. Quando, de repente...

— Aonde vai, mocinho?

Carl parou arrebatado e deu de caras com um homem. Seu coração saltou no peito. Olhou para quem estava à sua frente com imenso receio. Seu rosto demonstrou todo o medo ao desconhecido. Queria perguntar quem era ele, mas não arriscou começar com apresentações. Além disso, ele pôde reconhecê-lo em alguns segundos...

— Huu, hu hu. – O homem riu, dando um mísero passo na direção do jovem. Este tal homem tinha face oriental, algo pouco visto na comunidade londrina, cabelos compridos até os ombros e lisos e um cavanhaque pequeno no queixo. – Um garoto perdido na Coldstell, que raridade... quase ninguém vem por aqui. Aliás... que coincidência... nós já nos conhecemos, não?

Um frio intenso tomou conta de seu estômago. Não podia ser... aquele era...

— O que é, menino? Vai ficar olhando por quanto tempo? Seu irmão fez a mesma coisa comigo – o assassino mostrou um sorriso insano – Eu não gosto que alguém fique me olhando assim... Deixe-me arrancar seus olhos, também. – O homem retirou uma faca pontiaguda de dentro da roupa, rindo brandamente alucinado para o garoto.

— Ken... Tsugaya...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.