Death Note: Resurgence
15 Death Note - Re:Encontro
Notas iniciais
— É necessário apenas encaixá-lo de novo.
— Assim?
— Isso mesmo!
— Ai, que bonitinho... Misa vai voltar a ficar linda-de-morrer...! Sacou, né?
— Eh?
— Aaaah, deixa isso pra lá.
A Shinigami virou os olhos para Raito e depois colocou seu coração pulsante no buraco do peito. Ryuuku aproximou-se, dando-lhe suporte. Sentiu uma dorzinha aguda. Os músculos e veias se ligavam novamente, fazendo o corpo rugoso e feio perder tamanho e volume. Aos poucos, a silhueta perfeita de Misa Amane ganhara vez... porém, completamente despida.
— ‘Oooh... que gostosa’ – exclamou Ryuuku, estranhamente – é isso que fazem vocês humanos machos quando vêm uma?
— Aaaah! Ryuuku gostou? Raito gostou? Hihi! – disse, orgulhando-se de ter a voz doce de volta.
Ela fez um gesto meigo com os dedos indicador e o médio nos lábios, mandando um beijinho para os dois.
— Fique quieto, Ryuuku... – resmungou Raito sério, olhando para o outro lado – Me ajude aqui.
Ryuuku tirou os olhos de Misa e foi para próximo de Raito. Fez o mesmo que fizera com a garota, recolocando o coração no buraco feito no peito de Raito. Ele gemeu por um instante, mas segundos foram suficientes para que seu corpo bruto voltasse a possuir a bela aparência humana.
— Aaaah, Raito, Raito! Vire-se de costas! Que vergonha! – exaltou Misa, escondendo o rosto.
— Precisamos das nossas roupas...
— Realmente, precisam mesmo. Pois agora vocês podem ser vistos pelos outros humanos – comentava Ryuuku — E acho que aquelas humanas usadas e enrugadas não iam suportar ver vocês neste estado... Iam morrer de um ataque cardíaco espontâneo! He!
— Raito, já se vestiu? – perguntou Misa, ainda escondendo o rosto – Eu quero enxergar de novo.
— Misa, como vamos nos vestir se não temos roupas? – perguntou Raito, andando pelo galpão abandonado como se não ligasse que estava isento de trajes – Até parece que nunca viu um homem assim... vamos, pare de frescura – mesmo assim, ele evitava dirigir os olhos impassíveis para a mulher, olhando fixamente para a movimentação de Ryuuku.
Ryuuku voou para perto da porta, atravessando a cabeça por esta para verificar algo.
— O caminho está livre!
— Excelente... Huhuhu...
— Aaah! – gritou Misa, parecendo que tinha arriscado afastar centímetros entre os dedos.
— De quem você pretende pegar as roupas, ein Raito?
— De algum otário por aí... precisamos sair daqui... Misa!
— E-estou indo...! Onde você e-está? – grunhiu ela, andando desnorteada com os olhos tapados. Ela deu de cara com uma pilastra erguida bem no meio do galpão, gemendo e caindo no chão. – Raitooo! – choramingiu.
— Porque eu ainda a levo comigo...? – murmurou Raito com visível desagrado. Ele virou os olhos para Ryuuku, e o mesmo pareceu ler a mente do ex-humano.
O Shinigami de corpo ossudo e negro planou até alcançar Misa e colocou-a em seus braços, carregando-a. Ela, por sua vez, abriu os olhos assustada e chorou:
— Porque o Raito não pode carregar Misaaa?
— Devemos dar algum doce pra ela parar de chorar, Raito? – zombou Ryuuku, levando-a para perto do homem.
Porém, Raito já estava saindo do galpão.
Ryuuku olhou para a garota que parou de espernear, também um pouco impressionada pela arrogância do outro. O Shinigami balançou seu corpo para fora igualmente, quando Raito proferiu:
— Vá para aquele lado, Ryuuku. Procure algum ser vivo que tenha roupas.
Misa e Ryuuku se olharam e depois seguiram para o caminho indicado.
O rapaz meio-morto escorou seu corpo na parede. Arfou um pouco. Havia gotículas de água no ar. Respirar... que sensação boa. Parecia que fazia anos que não o fazia. Girou o olho para o céu. Viu a penumbra que cobria o mundo. A última coisa que se recordava antes de acordar com um monstro lhe carregando pelo braço era... dois olhos. Olhos levemente rubros, ansiosos e penetrantes...
— Olhos...? Q-que olhos...?
Não sabia o que eles significavam. Perdeu o interesse por suas memórias ao olhar para o próprio braço. Além de não ter uma bochecha e um olho, agora lhe faltava uma mão e pulso... Ouviu vozes. Virou o pescoço para o lado. Talvez eles o ajudassem.
Raito olhava atentamente para os lados. Não que aquele galpão fosse um lugar muito conhecido, pelo que se lembrava, mas poderia haver crianças ou arruaceiros nas proximidades, então toda cautela era pouca. Sua pele nua sentiu o gosto da garoa. Escutou um sussurro. Não entendeu suas palavras. Identificou que havia alguém ali. Arrastou sua mão pela parede externa do galpão. Quem sabe pudesse roubar os trajes daquele estranho para si?
Deslocou o corpo para além da dobra da parede. Seu olho estacou. Aliás, agora eram três olhos estacados: Dois do ex-humano Raito e um do morto-vivo em pedaços. Os homens ficaram imóveis. Seus cérebros entraram em um frenesi imediato. Seus corações palpitaram nervosos. Os lábios de Raito ficaram secos de repente. Quase que sua língua não teve chances de deixar escapar uma simples e única letra:
— ... L...
O homem oposto à Raito moveu os fragmentos dos lábios que ainda lhe restava na face. Movia-os, mas nenhuma palavra os escapava. O olho direito mantinha-se dilatado e aberto ao máximo que podia. Sentia-se vivo... finalmente, seu amigo estava ao seu lado de novo...
— Raito... Yagami...
Silêncio. Ambos se olhavam; Ambos não queriam acreditar. Principalmente Raito. O fulgor de um relâmpago deslocou-se no ar, trazendo som e luz aos seus olhos. Aquele leve sereno tornou-se uma chuva de pesadas gotas, que ardiam levemente a pele sensível dos dois.
— Raito Yagami-kun... Raito-kun... é bom vê-lo novamente. – proferiu L, lentamente, com o olhar levemente triste e desolado. Não fazia a mínima força para manter-se ereto. Suas costas continuavam naturalmente arqueadas.
— L... você... está... em ótima forma – foi a única coisa que Raito conseguiu dizer.
Entretanto, como se perdesse sua visão por alguns instantes, ele não conseguiu ver o movimento de L. O homem de cabelos negros abraçou carinhosamente à Raito, pela cintura, deitando sua cabeça com cabelos encharcados no peito desnudo dele. Raito fez uma careta e afastou os braços, um pouco confuso.
— Senti saudades, amigo – disse L inocentemente, parecendo levado pela comoção por ter reencontrado a única pessoa pela qual possuía o sentimento de amizade. Para L, Raito era mesmo alguém pessoalmente importante – É bom vê-lo novamente... Raito-kun.
— L... eu também... – falou Raito, desconfortável com a proximidade pura de L e de seu pior inimigo, por dois simples motivos: Primeiro, por que L não estava lá numa aparência saudável; segundo, porque ambos estavam nús – eu também senti. – completou convincente, envolvendo o outro homem para rematar o abraço. Presumia que L não tinha conhecimento de quem havia sido declarado o verdadeiro Kira na história. Por isso, persistir com a farsa poderia lhe trazer incontáveis vantagens. Por hora, deveria esconder a verdade.
L afastou sua cabeça. Raito conseguiu ver um comprido sorriso nos lábios finos e pálidos. Converteu também a linha reta em seu rosto para uma expressão venturosa.
— Raito! Raito! Encontramos! – ele ouviu a voz aguda me meio à chuva, virando o pescoço para trás, enquanto L se recompunha.
Misa e o Shinigami vinham até eles. A garota parou de súbito quando o corpo de Raito afastou o suficiente para que seus olhos amendoados pudessem ver a imagem do detetive. Ela dilatou seus olhos, boquiaberta.
— Q-q-q-q-q-quê? – balbuciou nervosa.
L, por sua vez, deslocou seu pescoço para o lado, olhando Misa de cima a baixo. Parou um pouco seu olhar mais em baixo, parecendo curiosamente interessado.
— Hm, corpos femininos me parecem... simpáticos – comentou infantilmente, voltando o olhar simples para os olhos de Misa, esta que parecia realmente nervosa. Visto que L nunca havia visto um ser feminino nu, isto era algo novo para si mesmo.
— V-você... tá todo... comido! AH! ZUMBI! – Misa largou as roupas e escondeu o rosto, choramingando agachada no chão. A impressão foi de que ela nem ligava que estava sendo comida viva por, praticamente, três ‘homens’.
Raito parou um pouco. L não comentara nada ou se surpreendera até o momento com o Shinigami que seguira Misa. Será que podia vê-lo?
Ryuuku olhou para a mulher no chão. Em seguida, dirigiu o olhar para Raito. Dali deslizou-o para L e depois de volta ao homem de cabelos acastanhados. Avaliou um pouco.
— Eh. Excelente, Raito. – sussurrou, recebendo um olhar confiante do dito fora da visão de L – Conseguimos as roupas. Vão vesti-las?
O homem desviou o olhar de Ryuuku que os dirigiu para o chão, caminhando para perto de Misa.
— Já estou começando a ficar vexado com tanta gente me olhando – disse Raito. Ele analisou o material ali. Viu alguns panos largos e calças escuras, além de camisas brancas. — Onde conseguiu isso, Misa? – questionou, virando a cabeça para Misa, mas olhando de soslaio para Ryuuku.
— Sorte de vocês. Conseguimos ali atrás, onde tem um amontoado de caixas fechadas.
— Não vai me dizer? – falou Raito passando a mão sobre os cabelos de Misa. Ela apenas resmungou algo baixo, que nem mesmo Raito escutou. Ele pigarreou – Vamos andar por ali, então. É por ali que você veio, não? – perguntou, em seguida recebendo um gesto afirmativo com a cabeça da garota.
Ryuuku virou as costas. Raito se levantou, seguindo-o como se estivesse andando solitário. Misa ficou para trás, junto com L.
— Ryuuku, L não pode ver você, estou certo? – questionou Raito depois que avançaram por um caminho consideravelmente longe do alcance dos outros dois.
— Sim. Aqui no Mundo Humano, ele só poderá ver o Shinigami que o trouxe de volta à vida.
— Hmm... Dessa forma, ele não suspeitará de muita coisa. É só fingir que eu e Misa ainda estamos vivos e que nada aconteceu conosco, além de colocá-lo para agir do nosso lado. O jogo voltou ser dominado pelas minhas mãos – um sorriso insano tomou conta dos lábios finos e pálidos de Raito – Inclusive consegui converter o inimigo em meu aliado. Ninguém mais vai poder me deter de limpar o mundo da sujeira criminosa. Ficará muito mais fácil voltar a agir pelas escondidas, enquanto Matsuda faz o trabalho de julgar por mim. Graças a ele, Near está morto. – o sorriso sumiu, e seus olhos foram ocultos pela franja castanha – mas terei de eliminar Matsuda, assim que eu voltar a encontrá-lo. Ele não serve para este trabalho... Apenas o usei como um algo provisório.
Ryuuku apenas tentou acompanhar o raciocínio de Raito. Parou ao lado dele, planando no ar e batendo suas asas. Tocou o chão de novo quando eles chegaram próximos das caixas das quais falavam. Raito abriu uma delas, retirando mais roupas. Deveriam cobrir o corpo de L se quisessem transitar tranquilamente pelas ruas, sem notarem um homem com um olho faltando e com apenas a metade do corpo. Pensando nisso, Raito perguntou à Ryuuku:
— Tem algum jeito de fazer L recuperar aquilo que lhe falta?
O Shinigami virou seus olhos para o lado um pouco, retornando em seguida para o humano.
— Dê maçãs a ele.
— Maçãs? – exclamou Raito, virando os olhos para o canto dos orbes.
— Sim. Maçãs. Uma maçã não serve apenas para satisfazer o desejo. Ela será ótima para reconstruir tecidos do corpo. Além disso, vocês dois também deverão comer maçãs, para não degradar seus corpos.
Raito puxou um pano largo e comprido, negro. Parecia um sobretudo. Passou por cima dos próprios ombros. Sorriu.
— Como ficou? – perguntou virando-se à Ryuuku.
Este analisou um pouco de cima a baixo, para em seguida falar lento e orgulhosamente:
— Digno de um Deus.
L a olhou. Andou devagar até alcançá-la, abaixando-se simpático ao seu lado.
— Amane-chan? – murmurou.
A garota girou os olhos por entre os cabelos, fitando-o com receio.
— É você mesmo, Ryuuzaki-kun? – sua voz mostrou-se abafada.
— Sim. Sou eu. Não se preocupe. Sei que não estou na melhor forma, mas não irei de te machucar de forma alguma. Confie em mim, por favor.
Misa ergueu a cabeça, sorrindo.
— Não tenho medo de você. Aliás, você ficou até mais fofinho desse jeito, sabe?
Instantes depois, eles escutaram o chamado de Raito.
— Já estamos indo...! – disse Misa, alegremente. Ela pegou L pela mão e o puxou para ele acompanhá-la.
Notas finais
Bem... não me punam porque demorei demais... mas eu quero reviewzinhos, ok?
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