Death Note: Resurgence

21 Death Note - Maçã (Parte 1)


Notas iniciais
Yare, yare...

Duas notas rápidas:
1 - Demorei só porque estava procurando o arquivo de texto feito louca no meu outro pc. Ainda bem que achei, ein!
2 - Este capítulo, como informado antes, foi divido em dois. Por isso, o final está um pouco sem lógica e logo postarei o próximo por este motivo.

Boa Leitura!

Mais uma tardinha perdia o tom alaranjado e vermelho para ganhar o azul fúnebre, mas belo e tranqüilo de uma noite. Qualquer um que andasse pelas ruas de Tóquio, do Japão, ou de qualquer outra localidade deste vasto mundo chamado Terra, poderia sentir esta tal tranqüilidade sombria, estranha. Fazia semanas que nenhum ataque cardíaco inesperado, ou atropelamentos suspeitos, ou quem sabe suicídios seguidos de mensagens subliminares, ocorriam.

Seria mais um alarme falso de Kira? Estaria Ele mais uma vez tirando férias, descansando sobre o manto real de governante do mundo? Talvez. Os mais otimistas acreditavam que sim. O restante, só esperava passivo pela morte súbita a qualquer segundo.

— Há mais de vinte dias desde a última morte suspeita e taxada por autoria de Kira.

— Exatamente vinte.

— E porque não se preparar para o pior?

— Porque não virá pior: O pior já acabou.

— Tem certeza?

L girou os olhos para Matsuda, que o afrontava com uma dose de desconfiança. Matsuda tinha acabado de deixar o hospital. Fazia menos de doze horas, mas ele já estava atrás de L com perguntas alarmantes, mesmo que os médicos tivessem o orientado ficar no mais absoluto repouso.

— Tenho. – L respondeu pacífico, mesmo que em sua voz tivesse um leve tom de rispidez pela dúvida inquieta do outro.

O detetive decorava uma de torta de maçã inteira com jujubas sortidas em cima da mesa. Pegava cada uma das balinhas, agora colocando a amarela ao lado da vermelha, enfileirando na exata ordem verde, azul, vermelha e amarela. Sem exceções.

— Já ouvi isso antes.

— Mas agora é diferente, Matsuda-kun. Cuidei do trabalho, desta vez, por completo. Você quer?

— N-não... obrigado.

L enfiou a colher dentro da torta e retirou um enorme pedaço dela, levando-o à boca.

— Adoro maçã. – sussurrou com a boca cheia, abrindo um sorrisinho para a própria colher.

— Me conte o que houve, tudo o que houve... Eu ainda não soube...

— Não? Não soube? – L girou na cadeira e encarou Matsuda com surpresa. – Sente-se aí. Vou lhe contar, então.

Matsuda encontrou o sofá e acomodou-se espontaneamente. L levou o prato com a torta para uma mesinha de centro e foi para perto dele, subindo na poltrona habilidosamente e acomodando-se de sua habitual maneira. Quando se sentiu absolutamente confortável, ele repousou a ponta da colher nos lábios.

— Yagami me cativou logo que nos reencontramos. – começou L – Tive dificuldade em me recordar de algo antes de comer a primeira maçã...

— Uhuuul! Garotos! – dizia cantarolando – Comida!

Misa nos trouxe algumas frutas. Yagami tinha informado que ela traria algo para nos alimentar. Até aí, eu acreditava que eles continuavam a ser simples humanos. Nada de anormal, certo?

— Sirvam-se. Trouxe bastante frutas para todo mundo!

— Como se houvesse muita gente por aqui, não Amane-chan?

— Ah, mas nós somos quat... digo, três, né Raito?

Não reparei em Raito quando Misa se dirigiu a ele, mas, com freqüência, pude notar o olhar de Raito para um vazio qualquer daquele galpão. Foram apenas alguns dias, porém eu, mesmo com meu cérebro danificado, consegui perceber. Talvez Yagami estivesse um pouco ultrapassado... ou ele me subestimando demais.

— Aqui está, Ryuuzaki.

— Obrigado.

Recorri à pêra que Misa me ofereceu. Saboreei, mas sem muito gostar. Parecia muito sem sabor, não entendi direito o porquê inicialmente. E por que Amane e Yagami comiam deliciosas maçãs, enquanto eu estava no deleite vazio de uma pêra?

— Sabe, Ryuuzaki – Amane me pegou desprevenido para uma conversa à sós no começo da noite, enquanto eu fitava o movimento monótono, mas formidável, do exaustor no teto do galpão – Misa às vezes pensa um pouco, e chega até a cogitar... claro, é algo muito impossível e inviável... – ela parecia convicta ao dizer aquilo – pensa que Raito... anda um pouco indiferente à Misa.

Fitei-a demoradamente. Abaixei meus dedos – da única mão que ainda tinha – para o chão depois, desenhando distraído com migalhas de areia solitárias no chão de concreto.

— E o que Amane-chan quer que eu diga?

— Bom... Misa quer alguma opinião sincera.

Continuei meu desenho. Após bastante tempo, quando Misa acreditava que eu ia permanecer mudo, respondi:

— Eu acho que Raito-kun tem certa simpatia por Amane.

— ... Só isso...?

Virei apenas meu olho restante para a mulher agachada ao meu lado.

— Não pediu para eu ser sincero?

— Bem... É... – Misa passou os dedos pelo rabo-de-cavalo esquerdo do cabelo – Mas Misa quer alguma coisa mais detalhada.

— Detalhada? Certo.

Ponderei alguns segundos comigo mesmo. O desenho do chão acabou se transformando numa figura muito conhecida por qualquer um: um coração. Aliás, um coração simples e bonito.

— Ryuuzaki – ouvi-a chamar de novo. Achei que ela voltaria a me questionar sobre seu relacionamento com Yagami, mas me surpreendi: Você nunca amou uma garota?

Apontei minha vista para Amane de novo. Tirei o dedo do chão, o recolhendo para junto do meu corpo. Desviei o olhar dela para voltar a me entreter com o exaustor. Passei minha língua pelos próprios lábios.

— Hmm... uma vez.

— Sério? Ryuuzaki já amou uma garota? – ela parecia entusiasmada. Isso também me surpreendeu um pouco.

— Não, bem... não sei se amar é o termo que se adapta. Ela nunca soube que eu tinha uma sedução por ela.

— Mas isso também é amor, seu bobo.

— Sim?

— Claro! – sorriu para mim.

Por minha vez, não pude sorrir quando a olhei. Estava distraído com outra coisa para sorrir; eu estava distraído pelo próprio sorriso dela...

— Ei, ei, ei, ei... calma, calma...!

Matsuda se pôs em pé exaltado.

— O que houve? – L questionou com a voz estranha e olhar surpreendido pela interrupção brusca, com o dedo de chantily na boca.

— Você? Misa? Misa-Misa e L? O que você ganha me contando um caso de amor não-correspondido? Ainda mais por Misa...!

— Você está se equivocando.

O detetive colocou a colher em cima da torta. Voltou a olhar para Matsuda, apoiando as mãos em cima dos joelhos.

— O fato principal aí não é amor. Espere um pouco e logo verá. Quem tem pressa, come cru. Já ouviu isso, não?

— Tá, ok, ok... Prossiga. – Matsuda de acalmou, voltando a se sentar com os braços cruzados em frente ao corpo.

Como eu dizia: Estava distraído pelo sorriso de Misa. Claro, ela é uma bela mulher. Eu não havia visto muitas delas daquela forma, tão próximas e cativantes quanto Amane-chan.

— Me conte um pouco como ela é! – impôs a moça, sentando-se de cócoras ao meu lado. Parecia contente em ter com o que se distrair.

Eu encostei meu queixo sobre um dos joelhos, me encolhendo ainda mais. Não estava lá com ânimo para dizer algo, ainda mais para ela. Encarei o piso de cimento do galpão durante um longo período.

— Certo... ela é... bonita – descrevi, com certa naturalidade. Ela afirmou positivamente com a cabeça achando a descrição lógica, como pude reparar pelo canto do olho – tem um jeito agradável, é muito simpática.

— Só isso?

— Eu não sei como descrever uma mulher, Amane-chan.

Conduzi minha visão até ela. Meu polegar atingiu meus lábios, parecendo um pouco desconcertado. Com esta ação, ela abriu um novo belo sorriso.

— Haha... Ora... como assim não sabe descrever? Isso vem do seu coração, Ryuuzaki! Não é um fato de saber ou não... apenas me diga o que sente por ela.

Hesitava muito. Eu nunca havia hesitado de tal forma como aquela em toda minha vida. Contudo, apenas para variar o diálogo como se tratasse de algo natural, eu o desviei para um outro assunto, mesmo sabendo que não deveria fugir:

— Me dá uma maçã?

— Uma maçã?

Misa retirou o sorriso dos lábios para pôr uma face de surpresa. Ela afrouxou um pouco seu corpo, deixando seu peso cair sobre as pernas dobradas.

— Sim. Não pode me dar?

— Eu...

Eu sabia que havia maçãs restantes, pois reparei em Yagami as guardando mais cedo. Minha curiosidade por este fato se tornara alguma necessidade. Amane enrolou a ponta dos cabelos com os dedos, parecendo cogitar um pouco sobre realizar ou não meu pedido.

Notas finais
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