Notas iniciais
Tá legal, essa é uma paródia do livro " O Auto da Barca do Inferno " de Gil vicente. A história é bem antiga( século 15/16 ), mas eu considero um ótimo livro ( além de ser um dos que caem no vestibular ). O cara era português, então eu mudei as falas pra uma linguagem mais atual, porque ninguém merece português arcaico. Cada personagem é uma personagem alegórica, ou seja, representa um grupo ou uma classe, e nessa história, mostra como cada um desses personagens vai para o Céu ou para o Inferno depois de sua morte. Eu queria fazer o pessoal de Death fazer uma peça de teatro, mas eu queria sair dos contos de fadas ( já tem muitas ) e saiu isso. Espero que gostem^^ Ps: o Fidalgo representa a nobreza exploradora e arrogante e pajem é um tipo de serviçal que serve os nobres.

O anime havia acabado e seu elenco estava extremamente entediado.

— Eu encontrei um trabalho para vocês — Watari anunciou à todos.

— Qual? — Matsuda se animou na hora, levantando.

— Recebemos vários pedidos para realizar peças de teatro, então eu resolvi aceitar um — o senhor explicou.

— Nem pensar! — Mello levantou também, irritado.

— Pode ser interessante — L disse, mas mais interessado no bolo de morango à sua frente.

— Estamos sem o que fazer mesmo — Raito deu de ombros.

— Desde que Misa possa ficar com Raito! — a loira pulou no pescoço dele.

Takada olhou para o rapaz um instante antes de responder — Tudo bem.

— Qual peça? — perguntou Near, mas sem demonstrar um mínimo de interesse.

— " O Auto da Barca do Inferno " — informou Roger, surgindo ao lado de Watari. Eles se arrependeram na hora de terem aceitado, mas já era tarde.

Obrigados, eles partiram imediatamente para os ensaios. Depois de um bom tempo ensaiando, chegou a hora da apresentação oficial, mas eles não estavam nem um pouco animados, muito menos ansiosos. Na verdade, estavam era discutindo.

— Eu queria esse papel — lamentou Matt olhando para Raito.

— Por que ela vai primeiro?! — Misa perguntou pela milésima vez.

— Porque essa é a ordem da peça — respondeu Raito também pela milésima vez.

— Podemos ir logo? — L chamou — Raito-kun, começa com você.

— Já estou indo — respondeu, tentando se soltar de Misa.

Raito subiu no palco vestindo uma roupa vermelha, chifres na cabeça, um rabo pontiagudo grudado à calça e segurando um tridente. Não estava nem um pouco feliz com aquele personagem e nem com aquela roupa. Quando as cortinas se abriram, lá estava o Diabo em frente à uma grande barca.

— À barca, à barca! — Raito começou sem nenhum entusiasmo — Ajeite essa vela e vamos que temos pressa!

— E eis que surge o Fidalgo, seguido por um pajem que lhe leva a capa e carrega nas costas uma cadeira de alto espaldar — diz o narrador.

Takada entra no palco, com roupas masculinas da nobreza do século XV, junto a um rapaz que levava uma cadeira nas costas e segurava a capa dela para não arrastar no chão.

— Quem tá narrando? — Matt pergunta nos bastidores.

— E quem é aquele? — Gevanni não lembrava de ter visto aquele rapaz antes.

Mogi deu de ombros — Estávamos com falta de pessoal, então Ryuzaki pediu para o pessoal do teatro ajudar.

No palco, Takada se aproxima de Raito.

— Para onde vai esta barca, estando assim equipada?

— Vai para a ilha perdida, e deve partir logo.

— E a senhora vai nela?

— Como ela se atreve?! — Misa quase invade o palco, mas Matsuda a impede.

— Faz parte da peça! — sussurrou urgente.

Raito queria muito sair dali — Senhor, a vosso serviço.

Takada analisa a embarcação — Mais parece um cortiço...

— Porque a vê de fora.

— Mas por qual terra passa?

Raito parou um instante, pensando, até que sorriu e abriu os braços animadamente — Para o Inferno, senhor.

— Por que ele se animou tão de repente? — Roger perguntou em voz baixa na platéia.

— Acho que ele percebeu que sendo o Diabo ele pode condenar todos ao inferno — respondeu Watari.

— Raito... — lamentou Yagami Soichiro.

— Terra bem sem-graça essa, não?

— Quê? Vai zombar?

— E já achou passageiros para tal embarcação?

Raito sorri ainda mais — Pois vejo em sua pessoa o jeito adequado para ir ao nosso cais.

Takada o encara com presunção — Pois essa é a sua opinião.

— Por que espera ter proteção?

— Deixo na outra vida quem reze sempre por mim.

Raito começa a rir descontroladamente — Quem reze sempre por ti? Hahahahahaha!...

— Do que está rindo? — pergunta furiosa.

Raito limpa as lágrimas de risos — Você viveu a seu própro prazer, esperando se salvar aqui porque lá rezam por ti? Embarque! Embarque que vai ir afinal! Embarque que assim também foi teu pai!

— Ele não tá interpretando muito bem esse personagem não? — Halle comenta.

Takada dá um passo para trás, surpresa — Meu pai? Esse foi seu destino?

Raito sinalizou impaciente para a barca — Embarque logo! Já escolheu seu caminho em vida, então se contente. Pois já passou pela morte e agora resta o rio.

Takada começa a olhar em volta, procurando — Não há aqui outro navio?

Raito agarra o braço dela — Não senhor! Seu lugar é este!

Ela se solta — Pois à outra barca eu vou.

Dá as costas à ele, quase derrubando o rapaz que segurava sua capa. Se afasta e vai em direção à outra barca, do outro lado do palco. Essa era menor e tinha L ao seu lado, com uma roupa branca e asas postiças nas costas.

— Ei da barca! Para onde vai? Ah, barqueiro! Não me escuta? Responda-me!

L a ignora. Estava parado, olhando para o nada e chupando um sorvete.

— Ele podia estar chupando sorvete? — Near pergunta.

— Não — Aizawa bate na própria testa.

Takada bate o pé no chão — Por Deus! Por que não responde? Tenho de ficar repetindo até aquando?

L finalmente olha para ela, mas de modo entediado e desinteressado — O que quer?

— Que me diga, pois parti tão de repente, se a barca do Paraíso é esta em que está?

L continua com o mesmo olhar — Sim, é. E o que deseja?

Ela estufou o peito, pomposa — Que me deixa embarcar. Sou de família nobre e é bom que me ajude.

L volta a chupar seu sorvete e olhar para o nada — Nesse barco divino não se embarca tirania.

— Não sei porque acha problema que entre minha senhoria.

— Mas para sua presunção, muito estreita é essa barca.

Puderam ouvir a risada alta de Misa. Takada continuou, levemente irritada — Para alguém de tamanho valor, não há aqui mais cortesia?

L volta a encará-la — O senhor não veio de maneira que possa ir nesse navio. A cadeira pode caber, a capa também, mas irá mais espaçoso, com toda sua arrogância, no barco da tirania, pensando no povo que lamenta e que o senhor desprezou, achando-se superior.

Derrotada, Takada volta para Raito — Ao Inferno então! Oh, que triste meu destino! Enquanto vivi, não cuidei do que tinha. Pensei ser superior, gostava de ser adorado; confiei em meu status e não vi que me perdia. Então vamos ao Inferno! Veremos como é!

Raito diz vitorioso — Pois embarque e nos entenderemos...

— Raito! — Misa grita furiosa.

Ele a ignora e continua — Tome um par de remos e vejamos com rema, e chegando em nosso cais, terá um tratamente privilegiado.

A última parte ele disse com um sorriso tão sádico, que Takada se apressou em continuar — Espere um pouco aqui antes, que voltarei à outra vida ver minha amante querida que quer se matar por mim.

Raito repete cético — Que quer se matar por ti?

— Isso eu bem certo sei.

Ele balança a cabeça, falsamente pesaroso. Quase que seus chifres caem com o ato — Oh, namorado idiota, o maior que já vi!

— Como pode dizer isso, sendo que ela já me mandou inúmeras cartas de amor?

— Quantas mentiras que lia! E acreditava em todas... Estando você morrendo, ela já estava com outro bem mais pobre.

— Dá os chifres pra ela, Raito! — Misa gritou rindo.

Matt sussurra para Mello — Será que a gente precisa lembrar que ela também foi usada e traída por ele?

Mello sussurra de volta — Será que assim a peça termina logo?

Takada continuou seguindo o roteiro, tentando se controlar — Então me dê licença, eu te peço, para ir ver minha mulher.

— Mas ela não quer te ver. Quando hoje ela rezou, foi para dar graças por se livrar de um grande mal.

— Mas ela chorou por mim!

— E não há choro de alegria?

— E os lamentos que dizia?

Raito deu de ombros — Sua mãe os ensinou. Entre logo! Entre!

Takada suspirou pesadamente — Entremos então, já que não tem jeito.

— Entre e descanse, que logo virá mais gente — ele vira para o rapaz que a acompanhava e o enxotou — Não entre aí! A cadeira é desnecessária; coisa que esteve na igreja não há de embarcar aqui. Vá embora!

E o rapaz se foi. Takada entrou no barco, sumindo de vista.

— Até que eles atuam bem — Roger comentou.

— É — Yagami Soichiro concordou — Raito e Ryuzaki realmente encarnaram as personagens.

— É só o começo da peça — Watari disse — Pessoalmente, eu tenho medo de ficar até o final...

Notas finais
Ah, eu espero que vocês tenham gostado.
Eu vou tentar deixar mais engraçado. Esse capítulo não deu muito certo ( eu segui muito o livro ) porque eu não gosto da Takada, mas nos outros eu prometo que vai melhorar^^
Eu adoraria se vocês deixassem reviews, falando o que acharam e se tem algum erro; eu quero saber se gostaram ou se eu fiz merda em começar essa história... Enfim, obrigada por lerem^^