Death Is Calling
4 You Are Dead
Notas iniciais
O terceiro dia do acampamento amanheceu tranquilo. Em uma das barracas, Finn e Rachel estavam de braços cruzados, um olhando para o outro, sem saber muito o que dizer.
— Você tentou me forçar. – Comentou Rachel.
— Desculpa, Rach... achei que também quisesse. – Se defendeu o maior, fazendo sua namorada revirar os olhos. – Não vou mais tentar forçar a barra, eu prometo. Eu te amo.
— Não consigo ficar irritada por muito tempo. – Ela riu. – Também te amo.
Enquanto em uma barraca acontecia uma quase briga – que terminou em final feliz –, em outra duas meninas se beijavam sem parar. Até que foram interrompidas.
— Eu ainda mato você, Sebastian. – Reclamou a latina, revirando os olhos.
— Cala a boca, Santana. – Disse ele, um pouco irritado. – Já estava na hora de acordar.
— Eu odeio você. – Comentou ela.
— Você fala isso como se eu me importasse. – Rebateu ele e foi para a roda de amigos, sentando-se ao lado de Blaine.
— Vocês não acham estranho o fato de que Puck não voltou? Ele saiu ontem à noite. – Quinn disse baixo e todas a encararam, logo começando a rir e desconversando.
Kurt observava eles bem de perto, viu que Blaine podia vê-lo e desapareceu. Ele tinha esquecido que isso tinha acontecido. Ele esqueceu que forjou toda uma cena, apenas para parecer que tinha poupado a vida do moreno, assim quando ele se lembrasse, pensaria que ele era uma boa pessoa. O que ele claramente não era.
Blaine se irritou com aquilo. Durante a madrugada inteira ele ficou acordando, enxergando Kurt em qualquer direção que ele olhasse. Ele saiu de perto de seus amigos e foi até a cachoeira, sentando com as pernas dentro da água.
— Kurt, eu sei que você está me olhando. Eu quero falar com você. – Disse ele, olhando para dentro da água.
— Oi. – Kurt apareceu sentado ao lado de Blaine. – Você deve ter um monte de perguntas para me fazer.
— Por que só eu posso te ver? O que está acontecendo? O que você fez comigo naquela noite? Por que eu não sinto mais fome, sono, ou até toques na minha pele? O que está acontecendo comigo e o que você tem a ver com isso? – Blaine simplesmente bombardeou Kurt de perguntas, fazendo o castanho ficar sem palavras.
— Você está morto. Eu sou a morte. – Ele disse simples.
— Eu o que? – Ele gritou, levantando da pedra. – Eu mereço melhores explicações do que uma loucura dessas.
— Calma, Blaine. Sei que é difícil de acreditar, mas você precisa confiar em mim. – Kurt pediu cauteloso. – Vou te explicar tudo, só peço calma.
— Como você quer que eu tenha calma? E que história é essa de que você é a morte? Se eu estou morto, por que eles ainda podem me ver? O que você sabe que eu não sei? E você não se parece com a morte... cadê a...
— O que? A roupa preta e a foice? – Perguntou Kurt, revirando os olhos. – Senta aí e vamos conversar. – Ordenou o castanho, sentando de frente para um Blaine contrariado. – Sim, eu sou a morte, não estou brincando com você.
— Então por que.. – Kurt o interrompeu.
— Se você calar a boca e me ouvir, eu vou explicar. – Disse um pouco seco, fazendo Blaine calar a boca imediatamente. – A única razão pela qual você me vê e os outros não, é porque você está morto. Você se afogou naquela noite e eu criei toda uma cena para parecer que eu tinha poupado sua vida e te deixado livre para viver. Mas eu realmente te matei e, ontem à noite, matei o seu colega, o tal de Puck. Quando a morte chama, você não pode fugir. Você não pode correr, nem se esconder. Você vai se entregar a ela de bom grado e, se não se entregar, ela mesma cuidará de seu destino.
— C-como assim você matou o Puck? – Blaine estava quase tremendo.
— Eu disse a ele que a morte estava chamando, ele não quis escutar. Ele caiu com o pescoço em cima do próprio canivete... – Kurt soltou um suspiro. – Concordo que foi uma das piores mortes que já pensei, mas o importante é que ele morreu. Todos os seus amigos vão morrer nesse mês, Blaine. Eu te avisei isso.
— Mas por que eles precisam morrer? Por que eu estou morto? Eu não entendo. Eu nunca fiz nada de errado.
— Sei que você não fez nada de errado, mas quando sua hora chega, não há nada que você possa fazer. Eu confesso que não queria te matar, por isso fiz você morrer afogado, pensei que doeria menos. Você perdeu o ar, desmaiou, não conseguiu ser reanimado, e simplesmente parou de respirar. – Explicou o castanho, segurando a mão de Blaine. – Você realmente não acredita em mim, não é?
— E-eu não sei... É estranho. Sinto que é verdade, mas não sei dizer. – Blaine disse, entregando a mão livre para Kurt também segurar. O castanho sorriu com o ato. – Por que os meus amigos ainda conseguem me ver?
— Eles não veem você. Eles veem o seu espírito. Você tem algum assunto pendente, por isso ainda está em plano terreno.
— E que assunto pendente é esse?
— Você precisa me ajudar a matar os seus amigos. – Blaine puxou suas mãos, assustado. – Não é tão ruim quanto parece.
— Não é tão ruim? – Perguntou incrédulo.
— Você já me ajudou com Puck. – Kurt riu. – Você sabia que não tinha lenha o suficiente para muito tempo e você mandou especificamente ele buscar.
— E-eu... eu não...
— Vem comigo. Vou provar que estou falando a verdade.
Kurt puxou Blaine e os dois começaram a andar lado a lado. Blaine estava agora se sentindo desconfortável, estranho, parecia não conhecer mais a si mesmo. Era muita coisa para ele raciocinar e ele não conseguia muito bem. Era muito confuso tudo aquilo.
Uma grande árvore estava bem na frente deles e, em baixo dela, Puck estava lá, com vários insetos em sua volta. Kurt tinha dito a verdade, o canivete de Noah estava em sua garganta.
Mas se Kurt estava mesmo falando a verdade, aquilo significava que Blaine estava mesmo morto? Não, não podia ser.
— No que está pensando? – Perguntou o Hummel, se escorando na árvore.
— Se eu vou ajudar a matar todos eles, querendo ou não, isso significa que eu vou ter que matar Sebastian?
— Ele é seu namorado?
— Ex. Ele é meu melhor amigo agora, nunca pensamos em voltar. Agora nem podemos... – Blaine disse cabisbaixo.
— Você não vai matar ele. Você vai matar a pessoa que vai matar ele.
— E quem vai matar ele? – Perguntou preocupado.
— Pelo visto alguém gosta muito dele. – Kurt riu, fingindo não ter sido atingido por aquele tiro em forma de palavras. – Uma das loiras.
— Britt? Quinn? Britt é ingênua demais para matar alguém e Quinn... bom, ela e Seb não se dão muito bem. – Disse Blaine, dando um sorriso torto. – Eu não quero ter que matar a Britt... infelizmente eu torço para ser a Quinn.
— Bom, caso tudo dê errado... saiba que você é muito bonito e a morte é solteira. – Kurt mandou uma piscada para Blaine, que ficou sem palavras. – Fora que eu não me importaria de deixar você trabalhando comigo daqui para frente. Seria uma boa desculpa para manter alguém tão lindo quanto você ao meu lado. Sendo só meu, é claro...
— Por mais louco que pareça... eu adoraria.
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