Notas iniciais
Boa tarde, gente! O capítulo é todo narrado pelo Blaine. Precisei fazer desse jeito... Espero que gostem ♥

BLAINE ANDERSON

Quando você pensa que sua vida está ótima, que você está rodeado de pessoas que te amam e que apenas querem o seu bem, sempre tem algo que chega para tornar da sua vida uma bagunça.

Até o início desse ano eu era apenas um garoto normal, um adolescente como qualquer outro, com uma queda incrível no meu lindo ex-namorado Sebastian. Tudo bem, eu confesso que não era só uma queda. Desde que terminamos acredito que eu não tenha superado o que aconteceu.

Desde o início desse nosso último ano temos preparado essa viagem e agora me arrependo amargamente de ter tido essa ideia ridícula.

Não, não estou reclamando pelo fato de eu ter conhecido Kurt, porque essa parte foi incrível. Me refiro ao fato de que agora eu estou fadado a matar os meus colegas, meus amigos. Vou ter que ainda matar muita gente, isso me magoa e me faz lembrar de acontecimentos muito antigos na minha vida.

Quando perguntei a Kurt se existia céu e inferno, pensei que ele saberia sobre o meu passado e me confirmaria que eu vou para o inferno, mas percebi que ele não sabe e que ele pensa que sou um santo que só ousou matar Tina para encantá-lo.

Antes fosse isso. Não foi isso. Ser obrigado a fazer isso apenas acordou uma parte de mim que, desde meus oito anos de idade, estava adormecida e eu esperava que fosse para sempre. O único problema é que ela está acordada e mais viva do que nunca.

Você aí não está entendendo nada? Bom, eu também demorei muito tempo para entender e levei cinco anos fazendo terapia para conseguir me recuperar daquele trauma, que infelizmente voltou a me assombrar.

— B? Estou falando com você... – Kurt me disse, estalando os dedos na minha frente. – Você está bem?

O encarei inexpressivo. Eu queria conta-lo sobre o meu passado, talvez ele conseguisse fazer com que essa dor que voltou a me atormentar simplesmente fosse embora, ainda que fosse complicado. Meu passado é pior que o inferno e eu juro que queria poder muda-lo, mas agora que experimentei isso novamente, apenas quero continuar provando a delícia magnitude espetacular de tirar a vida de alguém.

Quando planejei essa viagem não pensei que ela me faria trazer de volta pensamentos que há muito tempo pareciam ter ido embora, muito menos que eu acabaria morrendo. Talvez meu assunto pendente não seja matar meus colegas, afinal, e sim me redimir com meus pais pelo que fiz anos atrás. Mas Kurt ainda não sabe disso e ele é o único para quem eu posso contar isso.

— Preciso contar uma coisa. – Eu disse simples, sentindo que desmoronaria nos braços dele a qualquer instante. Nem sabia que podia sofrer, já que estava morto.

— Então me conte. – Disse sorrindo fraco e eu assenti.

— Eu não sou tão santo quanto eu aparento ser, sabe? Você disse que eu vou para o céu, pois só cometi erros tão cruéis após a minha morte, mas isso não é verdade. Eu cometi um erro muito horrível quando eu tinha apenas oito anos.

— O que você fez de tão horrível?

— E-eu... eu e meu irmão discutíamos todos os dias. Ele sempre tinha uma desculpa para chegar e me irritar e ficava me chamando de um monte de coisas. Eu arrumava um sanduíche para comer, ele vinha e roubava. Eu estava assistindo televisão, ele vinha e mudava de canal. Quando minha avó faleceu eu fiquei muito mal e Cooper fica agindo como se não fosse importante e um dia ele me disse que se eu sentia tanta falta dela era só me matar e ir encontrar ela, nós estávamos almoçando e no segundo seguinte minha faca não estava no meu prato, estava no pescoço dele e eu me lembro de ter dito “vai você encontrar ela”. Meus pais me encaravam sem saber o que fazer e eu não entendia o que eu tinha feito, mas lembro que eu puxei a faca e tomei um banho de sangue, poucos segundos depois ele caiu duro no chão. – Eu estava chorando já enquanto contava. – Meus pais nunca mais me trataram igual, mas me ajudaram e muito me ajudando a me tratar. Fiz muita terapia durante cinco anos, mais ou menos, depois disso eu me tornei muito amigo de Sebastian e ele me fez esquecer as coisas sem nem imaginar o que eu tinha feito. Se não fosse por ele, eu realmente teria me matado naquela época. Tudo isso pareceu ficar enterrado junto com o meu irmão, mas agora que eu matei a Tina, vejo que talvez minha alma seja tão obscura quanto, desculpa dizer, a sua...

— Você tem medo de se tornar o que eu sou? – Foi a única coisa que ele me perguntou e apenas o encarei. – Pensei que você estivesse apenas me ajudando. Se tivesse me dito isso antes eu teria evitado de que você machucasse Tina e você estaria bem. Vai me dizer que o que aconteceu entre nós também foi apenas sua válvula de escape para esquecer o que fez?

— Não, claro que não. Nada disso. – O vi levantar e também me levantei. – Eu gosto de você, Kurt...

— Não, você gosta de Sebastian. Eu consigo ver isso nos seus olhos. – Ele cruzou os braços, parecendo não acreditar no que estava dizendo.

— Eu amo ele, mas desde que te conheci tem sido apenas um amor de amigo, nada além disso. – Falei sincero. – Eu gosto mesmo de você, talvez mais do que eu tenha gostado dele. Eu não sei definir meus sentimentos e, honestamente, parece que você nem ouviu tudo que acabei de te confessar. Caso não tenha percebido, eu nunca contei isso a ele, mas contei a você e te conheço há uma semana praticamente. As coisas estão acontecendo rápido demais entre nós e não é porque eu estou morto, é porque você fez com que eu me apaixonasse e agora eu vou terminar o que quer que seja meu assunto pendente e nunca mais vou ver você e parece que você nem liga para isso.

— Eu ligo. – Ele disse baixo. – Eu também gosto de você...

— Blaine?! – Ouvimos uma voz feminina e nos viramos na direção dela. Era Santana. – Com que você está falando?

— Sozinho. – Falei um pouco rude. – Por que veio atrás de mim?

— Desculpa se fiquei preocupada. – Ela levantou as mãos em rendição. – Ai, não se mexa, Blaine, tem uma cobra perto de você.

— Chegou a hora dela, B... – Kurt disse para mim, já que Santana não podia vê-lo.

— Isso é a sua morte te chamando. – Falei simples e sem vontade. Eu sabia que se fosse até o final com aquilo naquele momento, eu não conseguiria mais parar.

Me aproximei de Santana e com um rápido golpe consegui derrubá-la no chão. A Cobra subiu por cima de Santana e a latina não teve coragem de se mexer, mas eu sabia que aquele animal nem era de verdade, que era apenas uma materialização que Kurt fez para tirar a vida de Santana e sabia que, mesmo que ela ficasse quieta, a cobra a atacaria e assim foi feito. Eu não queria ver, mas, ao mesmo tempo, eu queria tanto ver aquilo.

Fechei meus olhos, aquilo era demais e eu estava me sentindo culpado. Gritos e mais gritos podiam ser escutados e eu imaginava tudo que estava acontecendo, mas não queria mais fazer parte daquilo. Não queria mais ser o motivo da morte de ninguém além da minha própria, não podia mais.

Os gritos cessaram e continuei com os olhos fechados, até que senti doces lábios tocando os meus, então abri os meus olhos e vi Kurt me encarando.

— B, me perdoa, eu... – Neguei com a cabeça.

— Não adianta me pedir desculpas. Você diz que quando chega a hora da nossa morte não podemos fugir, você apenas cumpriu o seu trabalho, isso não é culpa sua.

— Na verdade, é sim... – O encarei confuso. – Eu venho mentido para você desde o primeiro dia. Acho que está na hora de te contar a verdade.

— É bom mesmo. – Cruzei os braços.

— Eu sei que você matou o seu irmão, eu só pensei que essa parte em você nunca tivesse adormecido, entende? Era a hora dele, B, seus pais não te contaram, mas ele estava doente e iria morrer, apenas antecipamos a dor dele. Ele te irritou e você tirou a vida dele, coisa que aconteceria de qualquer maneira. Quando eu vi o seu olhar perdido naquele momento, eu não consegui simplesmente partir para nunca mais voltar, então tenho te observado ao longo dos anos. – Novamente lá estava eu chorando, aquilo não podia ser verdade. – Quando você resolveu fazer a viagem e combinou tudo com seus colegas eu já tinha plena consciência de que gostava de você e que queria você ao meu lado, mas estava bem óbvio que eu não podia te ter, então fiz um trato com uma pessoa. Ele disse que manteria você ao meu lado, ainda que morto, se eu matasse todos os seus colegas.

— Mas eu não... e o que você falou sobre assunto pendente? Isso não faz nenhum sentido...

— Aí é que está, Blaine. Eu sou o seu assunto pendente.

Notas finais
Misturei coisa demais e ficou ruim? Me deixem saber, porque fiquei um pouco insegura com esse capítulo... quero as opiniões de vocês ♥ Bjo ♥