Death
2 Capítulo 2
E lá estou eu, indo em direção á estúpida praia sabendo que provavelmente nada encontrarei. Mas porque não tentar? Se posso obter algumas respostas sobre Dylan, que mal fará em ir até lá?
Está frio, muito frio. O vento é forte e bate com fúria contra minha pele descoberta. Repreendo a mim mesmo por não ter trago um casaco. Me sinto desprotegido e até mesmo um pouco assustado. Meu coração martela fortemente em meu peito e minha respiração está rápida, irregular.
Sinto o perigo ali e é isso o que mais me atrai em direção á praia. Já não tenho controle sobre minhas pernas, elas agora caminham automaticamente em direção a um rapaz completamente imóvel ao longe. Logo sei que é ele quem eu procuro.
Diminuo um pouco a velocidade. Meus pés afundam na areia dificultando a caminhada. Estou nervoso e ansioso, já não falta muito agora. O rapaz parece se dar conta de mim e sorri ao longe. Eu engulo seco.
Já estou perto o suficiente para observa-lo. Paro a alguns passos de distancia do rapaz e sustento seu olhar frio.
É um rapaz novo. Dou a ele no máximo vinte e um anos. Sua pele é branca demais, quase translucida e seus cabelos são de um negro profundo que lhe caem nos olhos. Apesar da aparência jovem ele parece velho, cansado. Há um brilho cruel em seu olhar.
“Christian?” Sua voz é rouca.
Minha garganta está seca demais para falar. Aceno com a cabeça.
Ele aumenta ainda mais seu sorriso.
“É um prazer conhece-lo. Se importa se eu convidar mais dois amigos para nossa pequena reunião?”
Novamente aceno com a cabeça.
“Isso é um sim ou um não?” Ele ergue a sobrancelha.
“Sim.” Minha voz é menos que um sussurro, está rouca. Limpo a garganta e digo novamente, dessa vez mais confiante: “Sim.”
Olho para trás. Ao longe, dois jovens caminham lentamente até nós. Ambos se assemelham muito ao rapaz a minha frente, têm também pele extremamente clara e usam o mesmo tipo de roupa. Há uma garota, ela tem provavelmente a minha idade e seus lábios estão curvados em um sorriso divertido, como se ela soubesse algum segredo que eu não sei. Seus olhos são azuis e irradiam extrema frieza. Não há emoção em seu rosto além do estranho sorriso em seus lábios.
O garoto ao seu lado também é parecido, ele usa jeans rasgados, jaqueta de couro e uma camisa branca. Ao contrário da garota, seus olhos são escuros. Ele olha diretamente para mim e isso me deixa desconfortável. Vejo maldade nele; não sei exatamente porque, mas algo nele me deixa nervoso.
Alguns passos depois, o dois chegam até nós e se juntam ao primeiro rapaz.
“Bom, estamos todos aqui agora. O que gostaria de saber, Christian?” o sorriso em seus lábios jamais o abandonada.
Engulo seco o bolo que se forma em minha garganta e faço um esforço para parecer destemido.
“Dylan. Você me disse possuir respostas e eu as quero.”
O sorriso do primeiro aumenta em satisfação.
“Sim, claro. Mas antes…” ele olha irritado para os outros dois. “Mas que falta de educação a nossa, nem mesmo nos apresentamos ao garoto.”
“Sim.” A garota responde divertida. “Sou Pearl. E esses são Damien e Raymond.” Ela aponta primeiro para o rapaz mais velho e depois para o outro ao seu lado.
“Certo.” Eu respondo um pouco intimidado por eles. “Agora irão me contar o que sabem sobre a morte de Dylan?”
“Paciência é tudo, Christian.” Damien responde ainda com aquele sorriso cruel no rosto. “Diga-me, o que exatamente você gostaria de saber?”
“Digam o que sabem.”
Raymond me encara friamente com seus olhos vermelhos e abre um sorriso perturbador, antes de falar:
“Ele está morto.”
“Estou ciente disso.” Eu respondo tentando me manter indiferente –Sem muito sucesso–. “Quem são vocês afinal?!”
O sorriso de Raymond se alarga ainda mais, ele parece estar se divertindo com isso.
“As apresentações já foram feitas, Christian. Não se lembra?” Ele ergue a sobrancelha. “Mas me desculpe. Achei que havia sido claro o suficiente: Dylan está morto… Eu o matei.”
Eu rio. Uma risada áspera e indignada. Que tipo de brincadeira doente é essa?
“Raymond, cale a sua maldita boca agora, por favor!” Damien ordenada com a voz fria.
Raymond resmunga algo, mas não sou capaz de ouvir. Damien lança um olhar furioso para ele e em seguida avança em minha direção.
“Peço perdão pela falta de modos de Raymond. Por favor, ignore-o.”
Eu dou um passo para trás, e sorrindo Damien se aproxima ainda mais. Estou com medo. Não tenho ideia do porque, mas estou morrendo de medo.
Puta que pariu! Onde eu fui me meter?
“O que vocês querem afinal? Que tipo de brincadeira idiota é essa?” pergunto irritado.
Raymond ergue uma sobrancelha e solta uma alta gargalhada.
“Isso parece uma brincadeira, Christian?” Ele dá um passo a frente e para ao lado de Damien. Fecha os olhos, respira fundo e sorri. “Oh, você está com medo, posso sentir. Isso torna tudo tão mais divertido…”
Pearl sorri também e se aproxima de mim. Ela põe os lábios em meu ouvido e sussurra:
“Dylan não sentiu medo. Na verdade, ele nem mesmo soube o motivo de sua morte…”
Respiro fundo. Minha visão está desfocada e sinto meu estomago se revirar.
São realmente eles? Aqueles são os responsáveis pela morte de Dylan?
Damien fecha os olhos e tenta disfarçar sua fúria. Sua face está serena quando abre os olhos novamente, mas sou capaz de ver a fúria brilhar em seu olhar.
“Esse é o maldito problema de vocês dois, não sabem se controlar!” Ele berra. “Vocês entendem o que acabaram de fazer, certo?”
Raymond abre a boca para falar algo, mas se cala novamente após olhar para Damien.
“Será possível que vocês não consigam calar essas suas malditas bocas nem por alguns minutos?” Sua voz ainda está carregada de raiva e impaciência. “Pois bem então.”
Com extrema calma, ele remexe o bolso de seu casaco a procura de algo. Não há mais fúria em seus olhos, não há mais nada… Apenas um pequeno sorriso em seus lábios quando puxa um revolver de seu bolso.
“Eu ainda não havia tomado minha decisão quanto a isso, mas dada a situação não me resta outra escolha. Você sabe, aquele foi o crime perfeito, não vou deixar que os comentários estúpidos de Raymond e Pearl estraguem isso.” Ele diz enquanto destrava o revolver e o aponta para minha cabeça.
“Algum ultimo pedido?” Ele ri.
Acho que estou em choque. Não tenho a certeza porque nunca estive em choque antes, mas sinto como se meu cérebro houvesse virado geleia. Mal sou capaz de me manter em pé e meu corpo todo treme. É também muito difícil de se respirar normalmente quando um arma está apontada para você. Sinto minha garganta seca demais e por mais que tente som algum sai de minha boa. A única coisa que posso fazer é encarar hipnotizado a arma á minha frente.
Damien me olha com desprezo.
“Seu irmão foi mais forte que isso… Esperava o mesmo de você.”
Oh, mais uma vez! Até prestes a morrer sou comparado á Dylan!
“Por quê?” É tudo que sou capaz de perguntar.
“Ora, por quê? Porque eu posso.” Ele ri.
“Não.” Eu digo. “Não estou perguntando o porque da minha morte, eu realmente não me interesso… Mas porque Dylan?”
Ele sorri.
“Pergunta interessante essa.” Damien diz satisfeito. “Deixe-me lhe fazer uma pergunta, Christian: Você ao menos me reconhece?”
“Deveria?”
“Mas é claro que não!” Ele berra, subitamente perdendo o controle. “Porque alguém deveria reconhecer aquele pobre infeliz do Damien Richards?!” Ele respira fundo e tenta acalmar-se novamente. O lado bom é que a arma agora aponta para a areia, não mais para mim.
“ Estudo no mesmo colégio que você, Christian.” Ele diz calmamente. “Esbarro em você todo o dia e você nunca prestou atenção, não é mesmo? Bom, Dylan também não. Tínhamos aula de história juntos, sentava-me atrás do seu irmão. Ele costumava brincar comigo às vezes, chamava-me de antissocial e todos os seus amigos estúpidos riam. Eu não achava tão engraçado assim. Todos os dias eu via aquele estupido sorriso em seu rosto e me perguntava o por que. Por quê ele era tão feliz? O que tinha de tão feliz na vida?”
“Há alguns meses, Raymond apareceu com algo para meu aniversario de dezessete anos: Essa belezinha aqui.” Ele mostrou a arma. “O poder que eu senti ao segura-la foi incrível, você não faz ideia. Pela primeira vez eu me senti forte, seguro…”
“Nos dias seguintes eu passei a me interessar mais por Dylan. Ele continuava a sorrir e cada vez mais eu sentia vontade de saber o por que; o que fazia dele melhor e mais feliz que eu. Foi então que eu, Raymond e Pearl esbarramos nele numa madrugada de sábado. Ele parecia bêbado, ria a toa e parecia sem equilíbrio. Quando o cumprimentei ele nem mesmo me reconheceu!”
Damien cerrou os punhos e respirou fundo antes de continuar:
“Veja bem, Chrisitan. Eu nunca planejei matar o seu irmão. Não pense que eu sou algum tipo de psicopata fodido, pois não sou! Apenas tive a oportunidade e porque não a aproveitaria? Eu tinha a arma em meu bolso e a chance de tirar aquele estupido sorriso do rosto de Dylan. Agi por impulso e só fui me dar conta do que tinha feito quando o barulho ensurdecedor do revolver preencheu os meus ouvidos e Dylan caiu morto no chão.”
“ Incrivelmente, eu não entrei em pânico. Fiz com que Raymond e Pearl jurassem segredo e nos tirei dessa encrenca. Fiz o que deveria ser feito, destruí qualquer prova e no fim acabou parecendo um assalto que deu errado. Como você pode ver, deu certo.”
Ok, isso é loucura demais. É horrível em tantos níveis que sinceramente, não sei o que responder. Eu estou em frente ao assassino do meu irmão e eu tudo que eu quero no momento é vomitar.
“E como minha morte se encaixa nisso?”
“Não encaixa. Eu apenas queria conversar, desabafar com alguém… E aí está você, Christian. Infelizmente, eu preciso te matar agora.” Ele sorri. “É engraçado até, depois que se faz pela primeira vez se torna fácil.”
Estou prestes a morrer e nem mesmo me importo. Tudo que sinto é raiva daqueles malditos e um pouco de tristeza por saber que deixarei minha mãe sozinha, ela certamente não merece isso. Ao menos agora sei a verdade e isso me conforta um pouco.
“Vocês todos são doentes. Espero que queimem no inferno.” E pela primeira vez na vida sou corajoso o suficiente para falar o que eu penso.
Infelizmente, é a primeira e última vez. Logo em seguida Damien puxa o gatilho…
Notas finais
Enfim, espero que tenham gostado!
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