Dear Sophia
40 XXXIX
Notas iniciais
Tive um horrível problema particular e ficou complicado pra postar ontem.
Sorry.
Capítulo dedicado ao Jonathan Bemol. Te amo muito meu amor, obrigada por tudo >< ♥
Beijos
Treze de Janeiro de 1997.
— Amor, tem certeza que não quer carona? – Nath falou, fazendo bico e me pegando pela cintura.
— Até queria que você fosse, mas é que precisamos do dinheiro, né? – Falei, triste. – Você não pode ficar faltando no restaurante.
— Ma-ma-mas, eu quero saber o sexo deles em primeira mão! – Ele fez manha. – E eu ainda tenho meia-hora pra chegar lá.
Sorri e lhe dei um beijo na bochecha.
— Tá, vamos rápido. Mas nunca mais você vai se atrasar. – Falei com voz de mandona. Ele riu e então subimos na moto. Colocamos o capacete e ele deu partida.
O caminho até o consultório médico foi silencioso. Nós dois estávamos apreensivos e ansiosos. O trajeto de 15 minutos estava parecendo durar uma eternidade. Eu não via a hora de saber os sexos, estava tão animada que até risquei os dias na folinha.
Assim que chegamos na porta do consultório, saí da moto e entrei, indo direto na mesa da secretária. Falei do que se tratava e ela me mandou sentar e esperar ser chamada. Nath entrou assim que eu me sentei. Ele veio ao meu lado e colocou o braço por trás de meus ombros, beijando minha bochecha. Descansei a cabeça em seu ombro e acariciei minha barriga enquanto ele colava os lábios em minha testa.
De esguelha, vi a secretária olhar para Nath com uma expressão que eu conhecia muito bem. Eu sei que meu namorado é bonito, mas precisa secar tanto assim? Ela percebeu que eu a estava encarando e virou o rosto, mas não antes de me olhar torto. Revirei os olhos e senti o perfume de Nathaniel. Era tão bom...
Vinte minutos depois, Dr. Michel Lunch me chamou.
Nath me seguiu para dentro do consultório e sentamos na frente da mesa do doutor.
— E então, como a senhorita está? – Ele perguntou, sorrindo levemente.
— Bem. – Respondi, sorrindo também.
— É o pai dos bebês? – Ele perguntou, olhando para o moreno ao meu lado.
— Sou sim. – Nath abriu um sorriso e apertou a mão do médico.
— Bom, bom... – O doutor disse, entrelaçando os dedos e pousando as mãos em cima da barriga. – Então, pronta, senhorita Phelps?
— Acho que não. – Corei. – Mas vamos lá.
Levantamos e segui atrás do doutor pelo corredor. Depois de alguns segundos andando e vendo pessoas esperando para serem chamadas, entrei em uma sala com uma mulher com um jaleco branco. Ela era bem bonita, parecia ter 30 anos e usava óculos. Os cabelos lisos e castanhos puxados em um rabo de cavalo.
- Oi. – Ela sorriu amavelmente, apertando a minha mão e a de Nath. – Me chamo Trillian.
— Doutora. – O médico chamou, entregando a ela uns papéis.
Observei o homem sair, dando uma pequena batidinha no ombro de Nath.
— Delilah... É isso? – Doutora Trillian perguntou. Assenti e ela sorriu, passando os olhos pela papelada. – Ok... Preciso que a senhorita tire suas roupas e as coloque aqui.
Franzi o cenho, mas ela sorriu para mim.
— Não se preocupe, colocarei um pano, para que não se sinta exposta.
Nath virou de costas – à pedido da senhora – e eu me despi, ficando nua e desconfortável. Ela pediu para que eu me deitasse.
Deitei e a observei colocar um pano sobre meu corpo. Nath foi até mim e acariciou meus cabelos, beijando minha testa. A doutora passou um tipo de gel em minha barriga e massageou a região com um aparelho. Olhei para o visor ao lado da maca e senti meus olhos encherem de lágrimas. Ao meu lado, Nath também estava sorrindo. Eu não conseguia diferenciar muito bem meus bebês, mas ali estavam eles... Cabeças, troncos, perninhas, bracinhos...
Sem que percebesse, comecei a chorar. Nathaniel entrelaçou seus dedos aos meus e continuou com os olhos fixos nos bebezinhos que apareciam no visor.
— São lindos, não? – Trillian, sorriu, movimentando o aparelho por minha barriga.
Ela apontou o formato de cada um e falou que, até então, nenhum apresentava nenhuma anormalidade. Aquilo me fez suspirar de alívio.
— Já da pra saber o sexo? – Nath perguntou, fazendo cafuné em mim.
— Dá sim. – Ela respondeu, olhando para nós; o casal bobo e ansioso que esperava animadamente o resultado. – Parece que Delilah dará à luz a um casal.
Aquela informação fez meu coração querer pular para fora. Meus olhos se encheram mais ainda de lágrimas e eu dei um sorriso. Nath parecia querer pular de alegria ao meu lado.
— Acho que teremos nossa Sophia então. – Ele sussurrou ao meu lado. Sorri mais ainda e senti as lágrimas descerem por meu rosto livremente.
— Parabéns. – A doutora disse, passando a mão em meu braço arrepiado.
— O-obrigada. – Gaguejei.
Ao terminar o exame, a doutora Trillian nos entregou um envelope, com a foto do ultrassom.
A ficha ainda não tinha caído para mim.
Gêmeos. Um menino e uma menina.
Aquele era, sem dúvidas, o dia mais feliz da minha vida.
Chegamos em casa e Nath me abraçou. Ficamos grudados, chorando e rindo ao mesmo tempo, por uns cinco minutos. Ele me deu um beijo e olhou nos meus olhos:
- Eu te amo, Delilah.
— Eu também te amo, Nath. – Falei, abraçando-o novamente. Nathaniel abaixou e levantou minha blusa, dando um beijo em minha barriga enorme.
Ele estava tentando arranjar uma desculpa para não ter que ir trabalhar, mas o gerente não era muito amigo dele, então eu o convenci a ir.
— Quando você chegar, ainda estarei aqui. – Falei, enquanto ele sorria e, contra vontade, fechava a porta.
— E então? – Ouvi a voz de Glenn. Ele havia voltado ontem de sua viagem pela Inglaterra. Andei até ele e o abracei também.
— É um casal. – Falei, sorrindo. Ele abriu um grande sorriso e voltou a me abraçar.
— Parabéns!
— Obrigada.
— Precisamos comemorar. – Ele riu, enquanto me desgrudava dele e sentava no sofá.
— É... Precisamos. – Sorri, olhando para minha barriga. Passei a mão nela carinhosamente e sorri.
— Você está feliz. – Ele riu, com seu sotaque carregado.
— Muito. – Olhei para Glenn e estreitei os olhos. – Que você acha que seu pai... N-nosso... Pai... Vai pensar quando ver que tem netos?
— Com certeza vai ser uma surpresa. – Ele riu, passando as mãos em seus cabelos castanhos. – Mas acho que ele vai gostar. Meu pai tem um jeito de “paizão”. – Ele fez aspas com os dedos. – Gosta de família unida e etc.
Sorri e me senti completa. Pelo menos uma vez na vida eu estava completa, feliz e nenhum problema parecia não ter solução.
Liguei para Samantha e dei a notícia. Ela pirou.
— LILAAAAAH! QUE NOTÍCIA ÓTIMA! – Ela gritou, fazendo-me afastar o aparelho da orelha. – Não acredito! QUE LINDOS!
— Também estou superfeliz. – Sorri, corando.
— Ai meu Deus, imagina até eu contar pra Alley! Ela vai pirar! – Ela disse, me fazendo rir.
— Não mais que você. – Respondi.
— Lilah. Dia 25. Duas horas. Aqui em casa. Sem mais. Tenho algo para você.
E, sem me dar tempo para concordar ou discordar, desligou o telefone.
Essa Samantha me dá medo, tem hora...
Notas finais
♥
Fale com o autor