Notas iniciais
Capítulo totalmente, especialmente, lindamente dedicado à Rê Lovegood que fez aniversário e pediu o capítulo e eu esqueci XD
MIL DESCULPAS, LINDA!
Gente, mil desculpas pelo atraso.
Juntou três coisas:
Preguiça + Distração + Falta de Criatividade = Roli sem postar.
Mil deesculpas.
Mas tá aí e espero que gostem!
Rê, desculpa novamente!
Tá aí, especialmente pra ti XD
x3
♥

Voltei para a mansão Phelps aquele dia e deixei o carro do JJ. Peguei um ônibus e fui até aquela rua esquisita, onde comprei a câmera de vídeo.

Andei um pouco e logo avistei o que queria.

Tinha acabado de chegar na lanchonete quando vi uma cena que me deixou boquiaberta.

Nathaniel estava no balcão, aos beijos com uma garota morena.

Não que eu estivesse sentindo ciúmes. Claro que não. Eu? Haha. Já tinha o Brendon. Certo?

— Com licença? – Pedi, fazendo-os se afastarem.

— Hn? Ah... Oi, Delilah. – Ele disse, corando.

— Hey. – Sorri, encabulada. – Você trabalha aqui? – Perguntei, franzindo o cenho e olhando em volta, procurando por outros funcionários.

— Trabalho. – Ele disse, enquanto a garota descia do balcão. – Er... Quer alguma coisa?

— Na verdade sim. – Disse, ficando com um ar um tanto mais profissional. – Quem é o dono daqui?

— Espera um pouco, vou chamar o Joshua.

Ele subiu por uma escada pequena que havia ao lado do balcão e desapareceu de vista.

— Vocês se conhecem de onde? – A menina perguntou, me medindo. Ela era bonita, tenho que admitir.

— Longa história. – Dei um sorriso fraco, querendo encerrar o assunto.

— Não se preocupe. Tenho tempo. Joshua demora, pelo menos, meia hora para levantar da cama. – Ela disse, estreitando os olhos esverdeados. – Diga, de onde conhece o Nathaniel?

— Eu sofri um... Acidente... – Comecei, trocando o peso do corpo de uma perna para outra. – Umas semanas atrás, e ele meio que me socorreu. – Dei de ombros.

— Como você disse que se chama mesmo? – Ela perguntou, prendendo os cabelos castanhos em um rabo.

— Eu não disse. – Respondi, para me arrepender logo em seguida. – Delilah. Delilah Phelps.

— Ah... Então você é uma daquelas riquinhas? Bom, se veio tentar comprar essa espelunca, te digo que é um péssimo negócio... – Ela sorriu, olhando ao redor.

— Na verdade... – Comecei a falar, mas fui interrompida pela imagem do moreno descendo a escada, seguido por um homem estranho. Era baixo, gordo e nojento.

Tipo, muito nojento. A regata branca dele mostrava tufos de pelos saindo da gola baixa, embaixo de seus braços havia manchas de suor e em sua barriga também. Ele era careca, e sua cabeça brilhava contra a luz. Seu bigode malfeito estava meio amarelado, meio grisalho. E ele roia as unhas da mão com um misto de prazer e tédio.

Que. Coisa. Mais. Nojenta.

— Delilah, esse é Joshua. Josh, essa é Delilah.

— Prazer. – Ele disse, estendendo uma mão gorda, grande, suja e suada pra mim.

— O prazer é todo meu. – Respondi, sem tocá-lo. Tentava ao máximo não deixar transparecer meu nojo. – O senhor é o dono da lanchonete? – Perguntei com a maior simpatia que consegui acumular.

— Sou sim, por quê? – Ele estreitou os pequenos olhinhos negros.

— Será que o senhor está aceitando garçonetes? – Perguntei, meio acanhada, enquanto a garota morena tinha um ataque de tosse.

— Você veio aqui pra procurar emprego? – Ela perguntou, com um sorriso de escárnio. — Mas não disse que seu sobrenome era Phelps?

— Meu sobrenome é Phelps. – Retruquei. A cada minuto eu gostava menos daquela garota.

— Phelps não é aquela família rica, que mora na burguesia de Londres? – Ela perguntou, agora visivelmente tirando sarro de mim.

— É. – Respondi, querendo acabar logo aquilo. – Será que eu poderia vir trabalhar aqui? – Perguntei para Joshua, enquanto a garota ria. Não, ela não ria. Ela gargalhava.

— Pode. – Ele deu de ombros. – Mas já vou avisando que aqui, a clientela não é muito grande. Ou seja, não irei te pagar muito. Além do mais, não creio que eles te darão muito de gorjeta.

— Tudo bem. – Respondi rapidamente. – Quando posso começar?

— Agora mesmo. – Ele disse. – Nathaniel, entra lá dentro com ela pro depósito e dá um avental para a moça. – (Entra lá dentro?) — Marianne, você vem comigo.

— Por quê? – Ela perguntou, me olhando com um jeito estranho. Como se eu estivesse vestida de palhaço e fazendo malabarismo com ratos.

— Porque eu estou mandando, anda. – Ele disse, e subiu novamente as escadas. A garota foi atrás, parando para dar um selinho demorado em Nathaniel e para me olhar novamente.

— Vamos. – Nathaniel disse, as bochechas coradas. Ele entrou em uma porta, afastando a cortina, e fez sinal para que eu o seguisse. – Aqui é a cozinha. – Ele disse, apontando para o cômodo, onde um garoto mais ou menos da nossa idade fritava um hambúrguer e dançava no ritmo da música que escutava.

Continuei seguindo o garoto, cada vez mais para dentro da lanchonete.

— Aqui é um banheiro minúsculo. – Ele apontou para uma porta. – Aqui é o “vestiário”. – Nathaniel apontou para um corredor escuro. – Acredite, é o lugar mais privado que vai achar aqui. E esse é o depósito. – Ele concluiu, parando em uma sala enorme, cheia de estantes e caixas.

— Sua namorada? – Perguntei, assim que ele me deu o avental amarelo.

— Hn? Quem? A Marianne? É... Mais ou menos. – Ele encolheu os ombros, sentando em uma caixa. – Ela é filha do Joshua. Meio que fui prometido pra ela. – Ele riu, meio sem graça.

— Prometido? Como assim? – Perguntei, amarrando as cordas do avental.

— Josh parece gostar de mim. Um dia ele bebeu tanto, que começou a falar um monte de merda. E minha mãe tinha vindo almoçar aqui...

— Espera aí. – O interrompi. – Almoço? E ele já estava bêbado?

— Para você ver a potência dele... – Nathaniel riu. – Bom... Ele começou a falar um monte de merda. Disse que eu era um bom garoto e que a Mari só arranjava traste... Enfim. Aqui estou eu, praticamente noivo. – Ele sorriu, abatidamente.

— Você não queria isso, queria? – Perguntei, chegando mais perto dele.

Ele olhou para mim sem entender.

— Desculpe. – Disse rapidamente, recuando por instinto.

— Não. Tudo bem. – Ele sorriu. – Vamos?

~♥~

— Vinte e cinco libras. – Falei, quando terminei de contar as gorjetas.

— Mais do que eu ganho em um mês. – Nathaniel disse, passando atrás de mim. – Nunca vi esse lugar tão cheio.

— É o meu charme encantador. – Sorri, enrolando as notas.

— Não duvido disso. – Ele disse, colocando as cadeiras em cima da mesa.

— Aqui era uma loja de ferragens? – Perguntei, olhando para a rua que Alicia e July denominaram gentilmente de Liverpool.

— Era. – Ele disse, acabando de arrumar a última cadeira. – Era do pai do Joshua. Mas aí ele transformou em uma lanchonete.

— Entendi. – Respondi, incapaz de dizer outra coisa.

— Bom, acabei aqui. Marianne já subiu, Josh tá no bar... Fim do expediente. – Nathaniel sorriu, deixando o avental em cima do balcão. Fiz o mesmo e guardei a gorjeta no bolso da calça.

— Vou indo então. – Disse, abrindo a porta.

— Quer carona? – Ele perguntou, trancando a lanchonete por fora.

— Ah... – Hesitei.

— Não quero que você entre em outro beco escuro. – Ele sorriu, colocando a chave no bolso. – Vamos, é rapidinho.

— Tá. – Concordei, depois de hesitar novamente.

Ele me levou até os fundos da lanchonete e me mostrou a moto. Era preta e simples, mas bonita.

Subi na garupa e coloquei o capacete.

— Cuidado para não cair. – Ele riu, enquanto começávamos a andar.

Coloquei as mãos em sua blusa e apertei. Nunca tinha andado de moto antes. Sabe o que é medo de cair? Pois é...

Fui falando o caminho e conversando com ele.

Nathaniel era legal, admito.

— Chegamos. – Disse, enquanto ele parava.

— Então... É isso. – Ele falou.

— É... Aqui onde eu... Moro. – Respondi. O que eu estava fazendo? Desde quando uma conversa minha com alguém era tão tensa?

— Boa noite Delilah. – Ele disse, por fim.

— Boa noite Nathaniel. – Respondi, virando e indo até a porta.

— Hn... Delilah? – Ele chamou.

— Sim? – Perguntei, virando.

— O capacete. – Ele riu, apontando para minha cabeça.

— Ah é. – Corei, tirando-o e entregando à ele. – Boa noite. – Disse, e entrei.

Mal pisei em casa e a ruiva mais velha (vulgo Alicia) pulou em mim.

— Que isso, menina? – Perguntei, enquanto ela pulava, totalmente animada.

— Viu a carta que o Jason te mandou? – Ela perguntou, piscando os olhos com exagero.

— Ele me mandou uma carta? Desde quando você o chama de Jason? Espera... Você anda abrindo minhas cartas? – Perguntei, pasma.

— Claro que não. – Ela fechou a cara, ignorando as outras perguntas. – Só abri essa. Olha.

E me entregou.

— O que tem dentro? – Perguntei, abrindo o envelope pequeno. Ela não respondeu.

“Dee, acho que sabe sobre a emancipação, né? Bom, papai me entregou essa quantia para te dar. Monique não sabe. Acho que piraria se soubesse. Mas enfim... Ele me entregou, falando que confia em mim, blá-blá-blá. O importante é que você saiba que esse dinheiro é seu, e eu, não só como irmão, mas como amigo também, digo a você que tome cuidado. Veja bem o que vai fazer com ele.

Te amo muito.

JJ.”

Abri outro envelope, que estava anexado na carta e vi um cheque.

Não só um cheque. Minha salvação.

— Alicia... – Disse eu, olhando para ela com assombro. – Com esse dinheiro... Dá pra comprar a casa e ir morar com o Brendon.

Notas finais
Gostaram?
Beijos!
♥