Notas iniciais
Capítulo dedicado à Snapelicious *----------*
AAAH amiga linda da tia! (Tia?!?!)
Valeu por tudo, sério.
Ela fez uma invasão superfofa no meu perfil, gente! AAH que emoção kkkk'
Espero, de coração aberto, que gostem.
Sério.
Dei tudo de mim para fazer esse capítulo e, no próximo, surpresas ;)
Beijos!
♥

Sete de Setembro.

Sinceramente? Não faço a menor ideia do motivo de estar aqui. Parada. Na frente da mansão Phelps...

— Você vai entrar. – Samantha disse, um pouco atrás de mim.

— Uhun. Eu sei. – Respondi, olhando a grande e grossa porta de madeira. – Isso parece mais uma prisão.

— Para de frescura e entra, Lilah. – Ela disse, me empurrando.

— Tá! Tá! Já vou!

Abri a porta e me deparei com um silêncio anormal.

— Mãe? Pai? – Samantha gritou. – Cheguei!

Não houve resposta.

— Monique? George? – Tentei, olhando da escada para a sala de jantar. – Sou eu! Delilah Lilith! A ovelha negra da família!

— Estamos entrando! – Samantha disse, sorrindo.

— Estamos entrando sem limpar os pés no tapete de boas-vindas! – Completei.

— Parece que eles não estão. – Sammy disse.

— A vá. Jura? – Sorri. – Lilith e Agatha estão entrando! – Gritei, brincando com nossos segundos nomes. – Lilith está tirando o casaco! Tirando o casaco e jogando no chão!

Tirei a blusa e deixei no saguão.

— Confirmado. Sem Monique gritando e sem George revirando os olhos. – Disse, sorrindo.

— Vamos lá pra cima? – Minha irmã perguntou.

Subimos as escadas e entramos no corredor do andar de cima.

Parei na porta do meu antigo quarto. Era estranho estar ali de novo.

— Ah... Não sei se você gostaria de ver o que... – Ela começou a dizer, mas parou assim que eu abri a porta.

As paredes rosa estavam cobertas de papéis, o chão estava sujo, meus antigos móveis haviam sumido e, no lugar, duas escrivaninhas cheias de livros com um computador em cada uma, compunham o ambiente.

— O que aconteceu aqui? – Perguntei, olhando em volta.

— Bom... Mamãe colocou suas coisas no porão e o papai trouxe as coisas do escritório para cá. – Ela disse, encolhendo os ombros.

— Mas e as estantes? – Perguntei, franzindo o cenho.

— Ainda estão lá na outra sala. Ele vai fazer uma biblioteca lá. – Samantha respondeu, fechando a porta. – Vamos, temos o que fazer.

— Claro. – Sorri forçadamente, enquanto tentava não pensar.

“Parece que eles não ligaram com o fato de você ter saído.” Minha consciência disse. Sim, ela é sádica e fala comigo às vezes. Nos meus momentos de fraqueza, normalmente.

“Quieta.” Ralhei.

— Bom. Pega o que quiser. – Minha irmã sorriu, abrindo o guarda roupa e se jogando na cama. – Menos essa calça branca e essa jaqueta de couro. De resto, fica a vontade.

— Valeu. – Sorri, olhando o closet da menina. Minhas roupas — se o teste desse positivo — ficariam pequenas. Além do mais, Samantha sempre foi mais alta que eu, e sempre usou roupas com um ou dois números de diferença. Não estou chamando-a de gorda. Muito pelo contrário, acho que eu que sou magra demais.

— Vi aquelas suas amigas na escola hoje. Mirna e Elizabeth, acho eu... – Samantha deu de ombros, olhando para o teto.

— Amigas? Amigas não falam mal de você pelas costas. – Disse, olhando um vestido de verão que eu nunca vira minha irmã usar.

— Verdade... Mas do mesmo jeito, elas estavam supermetidas e olhando para o Brendon como se ele tivesse contraído uma doença contagiosa ou algo assim... – Ela sorriu, provavelmente pensando na ideia. – Apesar que isso não seria má ideia...

— Falando em Brendon... – Comecei, sem saber como continuar aquela frase.

— Ai meu Deus. Lá vem. – Ela disse, me encarando com os olhos castanho-esverdeados. – Que é dessa vez?

— Bom... – Disse, sentindo as bochechas corarem. – Ele tá superfofo comigo, ultimamente.

— Ahan. Acredito. – Ela revirou os olhos. – E daí?

— Acontece que... Nós meio que...

— Delilah...

— Vamos morar juntos. Pronto. Falei. – Suspirei, fechando os olhos enquanto esperava o sermão.

Mas ele, milagrosamente, não veio.

— Depois de tudo que ele fez? – Ela perguntou, com voz triste.

— Sammy... – Murmurei, indo até a cama.

— Não. Sério. – Ela disse, cabisbaixa, enquanto eu sentava ao seu lado e a abraçava. – Ele te machucou, Lilah. Mentalmente e fisicamente. Psicologicamente também.

— Mas eu realmente acho que ele mudou. – Encolhi os ombros, apertando o abraço.

— Se você acha... – Ela murmurou, olhando para o céu através da janela.

— Hey. – Sorri, beijando o alto de sua cabeça. – Vai ficar tudo bem. Prometo.

— Uhun... – Ela disse, distraída.

Me pergunte porque eu não contei dos exames que a nossa mãe pagou, ou do fato da possibilidade de eu não estar grávida, para a Sammy. Eu responderei que não sei. Simplesmente não pareceu ser o momento certo, sabe?

Existe a hora para brincadeiras, de falar sério, de relaxar, de trabalhar, e de contar coisas que podem mudar vidas.

E esse, definitivamente, não era o momento.

— Hey. Vou pegar uma sacola. – Ela disse, levantando da cama e me dando um sorriso fraco. – Para você colocar as roupas.

— Tá. Vou lá no porão, ver se tem algo. – Assenti, levantando também.

Fui até o corredor e puxei uma corda do teto. Uma portinha se abriu e uma escada caiu, dando passagem para o porão.

Subi a pequena escada e entrei no cômodo escuro e empoeirado.

Era relativamente grande, aquele espaço. Havia tanta tranqueira ali, que eu nem sabia por onde começar a procurar.

Dei uma volta e vi umas caixas escritas “Lilith”.

Só para constar, eu odeio meu nome do meio. Mas foi minha mãe quem escolheu, e tem todo um significado emotivo para ela e blá-blá-blá. Acontece que, sempre que ela podia, escrevia meu nome como Lilith.

Peguei a primeira da pilha e coloquei no chão, espalhando poeira para todos os lados.

Tossi algumas vezes e estreitei os olhos. Aquelas deviam ser caixas realmente antigas.

Abri-a e me deparei com coisas que eu nem lembrava que tinha.

Um retrato com moldura lilás e com vidro quebrado, mostrando uma foto em que eu e meus irmãos sorríamos para a câmera, enquanto segurávamos uma vara de pescar. Sim, uma vara de pescar para três pessoas.

Faltava um dente na boca do JJ, minha irmã parecia mais um bebê, e eu tinha os cabelos desgrenhados.

Eu me lembrava daquele dia. Meu avô paterno ainda era vivo, e ele nos levava para pescar. Eu e Samantha tínhamos rasgado nossos vestidos caríssimos e eu havia jogado o laço do cabelo no fundo do lago.

Minha mãe quase me matou por isso.

Mais no fundo da caixa, havia uma meia de seda branca. Um minuto... Ela devia ser branca.

— Ave, isso tá coberto de pó. – Disse, batendo a meia minúscula nos joelhos.

Reza a lenda (ou seja, minha mãe diz) que essa foi minha primeira meia. Saí do hospital com ela.

— Talvez eu ainda possa usá-la. – Sorri, olhando para minha própria barriga.

Não sei por que, mas... Eu queria estar grávida. Como se... Fosse importante para mim. É difícil explicar, mas é como se o Cusfofo (vulgo bebê) já fosse parte de mim. Já... Meio que morasse no meu coração.

Deixei o par de meias em cima do retrato e olhei a caixa novamente.

Um livro velho e com as folhas amareladas jazia no fundo do papelão.

“Little Soph”

Eu amava esse livro.

Simplesmente, era o meu preferido. Desde sempre.

Contava a história de uma bailarina cega. Era um conto de fadas um tanto incomum, porque não havia príncipe encantado. Quem ajudava Sophia, a bailarina, eram as amigas.

Foi meio que uma lição de vida para mim, quando tinha meus cinco anos.

Deixei de lado o livro e voltei a ver a caixa. Só havia mais uma coisa.

Uma boneca de pano.

Muitas garotas gostam de dizer algo como, “essa foi a boneca mais cara que eu já ganhei”, “ela foi minha primeira boneca” ou ainda “é a mais bonita que eu tenho”.

Sempre quis socar o nariz de crianças que falavam isso.

Na verdade, essa boneca não era nada disso.

Eu não ganhei, comprei. Com o dinheiro que eu roubei dos biscoitos da escola.

Por que... Chega uma época, que as garotinhas são chamadas para fazerem “favores” para a escola delas. Elas, com seus lindos rostinhos de anjo, batem de porta em porta, oferecendo biscoitos.

Eu não havia vendido muitos, então peguei o dinheiro e fui numa lojinha de antiquário. Foi então que vi a boneca.

Ela também não foi minha primeira boneca. Tive uma antes mesmo de nascer. E, nem de longe, aquela era a mais bonita.

Era bem decadente, pra falar a verdade.

Tinha olhos de botão e uma boca costurada com linha preta. Os cabelos loiros eram barbante e o vestido, retalhos de toalhas.

Mas ela era especial.

Um contraste. Um coringa no meio de tanta riqueza e etiqueta.

Mais ou menos como eu.

— Daqui a pouco eles chegam! – Ouvi a voz distante de Samantha, enquanto colocava tudo na caixa novamente.

Fechei-a e decidi que a levaria comigo.

~♥~

— Obrigada. – Disse, antes de entrar no carro do Jason. (Ele havia me emprestado para levar as coisas até o apartamento).

— Que isso. – Ela riu. – Vai sair mais tarde?

— Ah, Samantha... – Mordi o lábio. – Na verdade, tenho compromisso.

— Nathaniel? – Ela riu, levantando uma sobrancelha.

— Não. – Estirei-lhe a língua. – Trabalho.

— Oh meu Deus... Para tudo! Delilah Phelps trabalhando? Que milagre é esse? – Ela riu.

— Esse milagre se chama contas para pagar, Brendon Dailey, Cusfofo, novo apartamento e obrigações.

— Ui, ela é responsável. – Samantha riu. – Ok. Vai lá, more.

Dei tchau e acelerei com o carro.

Próxima parada, responsabilidade.

Notas finais
Gostaram?
Falem a verdade! u.u
kkkk'
Beijos!
♥
=*