Dear Sophia
15 XIV
Notas iniciais
Pequeno, mas importante!!!
Beijos!
♥
Cinco de setembro.
Havia acabado de sair do laboratório, quando meu bolso tremeu.
Peguei o celular e abri a mensagem que havia acabado de chegar.
“Achei. É a casa perfeita!”
Suspirei.
O resultado do exame só sairia dali a três dias.
Como falar pra ele, que eu talvez não estivesse grávida? Que tudo o que eu falei, talvez fosse mentira? Ah... Eu ia morrer se tivesse que falar isso.
“Que ótimo.”
Respondi, enquanto andava na calçada.
“Quando você vai estar livre?”
A mensagem chegou, enquanto eu atravessava a rua.
“Hoje.”
Respondi.
“Para de andar”
A mensagem chegou, enquanto eu passava por um ponto de ônibus.
Franzi o cenho e sentei no banco.
Não fazia nem dez segundos que eu estava ali, e um carro preto parou no ponto, buzinando.
Não levantei.
O vidro do banco passageiro abaixou e o rosto de Brendon surgiu, sorrindo.
— Como você sabia onde eu estava? – Perguntei, enquanto entrava no carro.
— Alícia. – Ele respondeu, dando partida no carro.
— Porque não me contou que ela era sua prima? – Perguntei.
— Porque, até ontem de manhã, eu não fazia ideia que vocês estavam morando juntas. – Ele respondeu, sorrindo, enquanto fazia uma curva.
Fiquei em silêncio, olhando a calçada.
— Onde estamos indo? – Perguntei.
— Ver a casa. Aliás, o que você foi fazer naquele laboratório?
— Exame de rotina. – Dei de ombros. Não era mentira. Mas também não era a verdade plenamente dita.
Ele sorriu mais e colocou a mão esquerda na minha barriga.
Estremeci com seu toque.
— Vai nascer com saúde. Não se preocupe. – Ele disse.
Não respondi, e nem esbocei emoção. Não queria contar o que o doutor falou. Era capaz até de ele bater o carro, se duvidar.
— Chegamos. – Brendon anunciou, parando com o carro na frente de um sobrado.
Desci do carro e esperei por ele.
— É pequeno. Confortável... Acho que você vai gostar. – Ele encolheu os ombros, pegando na minha mão e me puxando para subir os três degraus.
Ele abriu a porta e me puxou para dentro.
Era do jeito que ele havia descrito.
Pequeno e confortável.
Tinha dois quartos, uma cozinha, uma lavanderia, uma sala e um banheiro.
— É perfeito. – Eu disse, indo para a janela. Dali, dava para ver a roda gigante e a imensidão de prédios e casas que compunham Londres. – Ai meu Deus... Como aqui é lindo. – Sorri, olhando através do vidro.
A janela era bem grande, não tinha grades nem redes, e pegava praticamente a parede inteira, horizontalmente.
— É como você queria que fosse, não? – Ele perguntou, fazendo eco pelo apartamento vazio.
— É. – Respondi, virando para ele.
— Quando nos mudamos? – Ele perguntou, pegando na minha cintura.
— Não sei... – Respondi, olhando o imóvel.
— Podia ser... Sei lá... Amanhã? – Ele fez cara de inocente.
— Mas temos que acertar um monte de coisas ainda. Aluguel, pagamento, móveis... – Retruquei.
— Bom... Nós damos um jeito. – Ele sorriu, me puxando para um abraço. – Além do mais, não quero alugar essa casa...
— Então porque me trouxe aqui? – Perguntei, olhando seus olhos castanhos.
— Porque eu quero comprar a casa. – Ele sorriu, beijando minha testa.
— Não temos dinheiro... – Murmurei.
— Vamos dar um jeito. Eu prometo. – Ele disse. – Além do mais o bebê...
— Cusfofo. – Interrompi. – Samantha deu um apelido. É Cusfofo.
— Enfim... – Ele sorriu. – Cusfofo merece o melhor.
— Uhun... – Respondi.
Só conseguia pensar em como eu estava ferrada.
E se eu não estivesse grávida?
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