Dear Sophia
7 VI
Notas iniciais
Fiquei pulando como uma louca aqui em casa =D
Muito, muito, muito obrigada mesmo!
Esse capítulo é dedicado à vocês duas, flores :3
Beijos!
♥
– O QUE?
– Não grita, Samantha. – Meu irmão a repreendeu.
– COMO ASSIM, DELILAH?! – Ela perguntou, ignorando-o.
– Não moro mais com vocês. – Dei de ombros. – Simples assim. Não é tão difícil de entender.
– E aonde a senhorita pretende morar? – Ela perguntou, abaixando a voz com um tanto de dificuldade.
Encolhi os ombros, sem responder.
– Podemos arranjar um lugar, até as próximas vinte e quatro horas. – JJ disse, levantando da poltrona, enquanto eu fechava a mala de roupas que minha irmã havia trazido para o hospital.
– Tipo onde? – Ela levantou uma sobrancelha.
– Sei lá... – Um apartamento pequeno, talvez? Com uma colega de quarto? Ou ela pode ficar em um hotel. Eu pago, se for preciso!
– Ou ela pode dormir escondida no meu quarto. – Sammy sorriu com a ideia.
– Sem chance. – Fechei a cara. – Não volto para aquela casa nem que me paguem um milhão de dólares!
– Mas suas coisas estão lá... – Ela murmurou.
– Que seja. Pra lá, eu não volto. – Retruquei.
– E suas coisas? – Meu irmão perguntou.
– Compro outras.
– E as roupas?
– Peço emprestado. – Rebati, fazendo cara feia.
– Ok. – Ele desistiu. – Se é assim que você quer, preciso dar um telefonema. Já volto. – E saiu do quarto.
Samantha olhava séria para mim.
– Nem vem! – Protestei. – Você sabe que eu estava louca pra sair de lá há séculos!
– Mas não assim, desse jeito, né Lilah? – Ela suspirou e sentou na cama.
Sentei ao seu lado.
– Vai dar tudo certo. – Sussurrei. Acho que tentando tranquilizar mais à mim que à ela. – Tudo vai se acertar.
Já fazia uma semana que eu estava no hospital.
Meu olho havia desinchado, mas continuava com a cor roxa meio amarelada. O corte na minha boca havia fechado. O tornozelo estava muito melhor, mas eu ainda mancava. O galo havia sarado.
Em compensação, fazia hoje uma semana de gravidez.
Sim. Claro que eu havia desconfiado do resultado, pois saiu tão rápido... Mas pedi outro exame de sangue. A gravidez deu positiva. De novo.
– Voltei! – JJ entrou no quarto novamente, tirando-me de meus devaneios.
– E então...? – Perguntei.
– Vamos. – Ele sorriu. – Temos que chegar logo lá.
– Lá? – Repeti. – Lá aonde?
– Sem mais perguntas. – Ele foi até a cama e pegou a mala. – Anda, anda. Aliás, acabei de encontrar um garoto alto e com cabelo escuro lá fora.
– Brendon? – Samantha perguntou automaticamente.
– Não... Ele tinha os olhos verdes. – JJ franziu o cenho, caminhando até a porta.
– Tsc. Tsc. – Ela estalou a língua em desaprovação. – Um Brendon com olhos de Monique. Isso é mau...
– Nathaniel. – Murmurei.
– Que?
– Nathaniel. – Repeti. – É o nome dele. Foi quem me achou no beco.
– Oh... – Ela sorriu. – Decorou o nome dele tão rápido assim? Não me lembro... Será que foi assim com o Charles?
– Depois de repetir “Charles Nico Taylor! Charles Nico Taylor!” mais de quarenta e sete vezes, não é difícil decorar. – Fechei a cara, fazendo-a corar.
– Vamos logo. – O mais velho disse, impaciente.
– Aonde vamos? – Pisquei, fazendo a cara mais fofa que meus machucados me deixavam fazer.
– Não tente descobrir. – Ele sorriu, abrindo a porta do quarto e indo para o corredor branco do hospital.
Saímos de lá de um jeito estranho. JJ ia à frente carregando as duas malas e, logo atrás, Samantha me ajudava a andar. Ainda mancava bastante, embora a melhora no tornozelo.
– É ele? – A morena sussurrou no meu ouvido.
– Hn? – Juntei as sobrancelhas, olhando para cima.
Nathaniel andava de um lado para o outro, no fim do corredor.
Ainda não tinha percebido nossa presença ali.
– É. – Respondi, ignorando a vontade de sorrir bobamente. – É ele.
– Olá! – Ela gritou, fazendo eu, JJ e o próprio Nathaniel virar em sua direção. Isso sem contar as duas enfermeiras que passavam ali, o paciente que estava descansando no quarto ao lado e uma secretária.
– Que você está fazendo? – Perguntei, tentando em vão fazê-la parar.
– Hey! Você! – Ela sorriu, observando o moreno.
– Não grita. – JJ fechou a cara.
– Hn... Oi? – Nathaniel falou, chegando mais perto de nós.
– Muito obrigada por ter tirado ela de lá. – Sammy sorriu, fazendo-o corar.
– É... De nada.
– Aliás, que você tá fazendo aqui? – Franzi o cenho.
– Entrando em um dilema. – Ele respondeu com meio sorriso no rosto.
– Que seria...?
– Busco ou não uma cadeira de rodas?
– Por favor!
– Hey! – Protestei, olhando acusadoramente para minha irmã, que ria aliviada.
Ele riu e foi buscar a cadeira. Voltou em dois minutos, para o alívio da mais nova.
Fomos até o estacionamento com muito custo. Por várias vezes Samantha quase virou a cadeira de rodas e eu quase me vi caindo.
– Então... – Nathaniel disse, meio sem jeito, quando me ajudou a entrar no carro. – Nos vemos por aí, burguesinha.
– Espera! – Gritei, antes que ele fechasse a porta. – Porque veio para o hospital hoje?
Ele sorriu.
– Saímos um dia e talvez eu conte. – E, com uma piscadela, fechou a porta do carro.
~♥~
– Aonde vamos? – Perguntei, já sabendo a resposta.
– Já vamos chegar, tenha paciência. – O mais velho respondeu.
Revirei os olhos.
– Parece que ele gosta de você. – Samantha disse, como se já tivesse começado uma conversa faz tempo.
– Hn?
– Aquele garoto.
– Nathaniel?
– É...
– Hn... Se você acha... – Me sentia desconfortável falando daquilo com ela. Isso me fazia corar...
– Chegamos. – O mais velho anunciou, parando com o carro.
– Onde estamos? – Perguntei abrindo a porta.
– Aqui é perto da escola. – Ele disse, me ajudando a descer. – Passo aqui às vezes, quando venho sozinho, e sempre vejo um cartaz de “Procura-se colega de quarto.”. Peguei o telefone há uns três dias, quando percebi a situação da Dee com a mamãe.
– Ahh... – Disse, abrindo a boca, totalmente pasma. Ele já havia pensado em tudo. – Vamos entrar?
– Ahan. – Ele sorriu, enquanto Samantha abria a porta de entrada.
Andamos até o saguão e subimos o elevador até o segundo andar. Lá, observei meu irmão tocar a campainha.
Era um prédio de cinco andares com paredes amarelas, um tanto desbotadas.
Levou alguns minutos até sermos atendidos. Mas ao abrir a porta, vimos uma garota ruiva e de olhos claros.
– Sim?
– Olá. – JJ cumprimentou.
– Posso ajudar? – Ela sorriu.
– É... Pode. – Ele pareceu meio embaraçado. Sim, a menina era linda. – Viemos falar sobre a colega de quarto que estão procurando. Minha irmã queria se candidatar.
– Hnn... – Ela murmurou.
– Sou JJ – Ele estendeu a mão, que ela apertou.
– Entrem. – Ela pediu, abrindo a porta.
Era um apartamento bonito. Pequeno, mas bonito e bem arrumado.
– Então... – Eu disse, enquanto sentávamos. – Qual seu nome?
– Sou Alicia. Alicia Greham.
– Delilah Phelps. – Respondi.
– Hey... – Ela parou para pensar. – Você não é a garota grávida que todos estão falando?
– Hãn? Estão falando de mim? – Perguntei, arregalando os olhos.
– Ah... Mais ou menos. – Ela coçou a cabeleira ruiva, meio sem graça.
– E como todos souberam? – Perguntei.
– Soube por duas meninas. Uma tal de Mirna e uma chamada Elizabeth...
– Nossa... – Fiquei paralisada. Elas costumavam ser minhas melhores amigas. — Se vai me acusar... – Estreitei os olhos, pensando como sempre no pior.
– Não. Tudo bem. – Ela sorriu. – Só achei uma “puta falta de sacanagem” eles não falarem mais com você só por causa disso.
– Eles? Tipo... Quantas pessoas estão falando mal de mim pelas costas? – Engoli em seco.
– Algumas pessoas... – Ela deu de ombros.
Mordi o lábio.
A situação era pior do que eu podia pensar.
– Então é verdade? – Ela perguntou.
– O que?
– Que está grávida?
– É... – Baixei a cabeça. – Mas se você não me quiser como colega de quarto, eu entendo. – Disse, rapidamente. – Digo... Não vou abortar a criança. Sei que seria bastante incômodo, pra você, se...
– Hey. – Ela sorriu. – Tudo bem. Seria bom ter você aqui. Não importa se está grávida. Parece que você precisa mesmo disso... Aliás, poderia ganhar uma amiga de brinde.
Sorri. Era fácil gostar dela.
Meu irmão olhou para mim, acho que esperando uma resposta.
Assenti lentamente.
– Então ela se muda amanhã.
Notas finais
Até sábado!
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